I AVRUPA BİRLİĞİ VERGİ HUKUKUNA GENEL BAKIŞ A. Giriş
B. Avrupa Birliğinde Vergi Uyumlaştırması 1. Vergi Uyumlaştırması Kavramı
2. Vergi Uyumlaştırmasının Hukuksal Dayanağı: Avrupa Topluluğu Anlaşması
A prova documental caracteriza-se por demonstrar diretamente o fato pretérito, permitindo ao juiz conhecê-lo sem a mediação de outra pessoa (testemunha, perito)371. Este conhecimento é alcançado pelo exame do documento que, em uma concepção tradicional, consiste em qualquer coisa capaz de representar um fato372. No entanto, com o desenvolvimento tecnológico que possibilita a formação de documentos dissociados de um suporte físico representativo, notadamente os documentos eletrônicos, tem sido sugerida a revisão deste conceito de modo a enfatizar a ideia de registro de um fato373.
Por outro lado, o documento deve ser apto a representar o fato ou atestá-lo, não se confundindo com declarações escritas ou gravadas quando afirmam o conhecimento que o declarante tem de uma determinada ocorrência374. Como a fixação dos traços do evento retratado em um dado suporte material se dá no momento da sua ocorrência, considera-se que o documento é contemporâneo ao fato a representar, perpetuando-se, sendo esta estabilidade a principal razão da alta confiabilidade atribuída a esta fonte de prova.
Tal explanação é necessária para tornar explícita a diferença entre os documentos e os pareceres técnicos trazidos pelas partes, os quais podem dispensar a realização da perícia oficial nos termos do Código de Processo Civil375. Mesmo que formalmente perfeito, o parecer pode não ser suficiente para demonstrar o fenômeno a que alude, bastando a
370 Código de Processo Civil de 1973, art. 437. O juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a realização
de nova perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida.
Código de Processo Civil de 2015, art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida.
371 MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C. Prova. 2 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 552. 372 Idem, ibidem, p. 554.
373 DIDIER JUNIOR, F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de Direito Processual Civil: Teoria da prova, direito
probatório, ações probatórias, decisão, precedente, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. v. 2. 9 ed. Salvador: JusPodivm, 2014, p. 134.
374 SANTOS, E. F. dos. Manual de direito processual civil. Processo de conhecimento. V. 1. 15 ed. 2ª. Tiragem. São Paulo:
Saraiva, 2012, p. 631.
375 Código de Processo Civil de 1973, art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na
contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes.
Código de Processo Civil de 2015, art. 472. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes.
impugnação bem-sucedida de seu conteúdo para que a substituição da prova pericial seja afastada376. Na preleção de MARINONI e ARENHART:
O documento, ao contrário do parecer técnico, é suficiente em relação a determinados fatos independentemente do seu conteúdo. Ou seja: um documento formalmente perfeito sempre representa algo, enquanto nem todo parecer formalmente perfeito é suficiente para demonstrar um fato. O parecer, para ser suficiente, sempre depende da idoneidade do seu conteúdo. Por essa razão, a suficiência do parecer pode ser abalada pela impugnação do seu conteúdo, enquanto a suficiência de um documento capaz de atestar um fato somente pode ser atingida quando é impugnada a sua forma [...]377.
Caberá ao juiz aferir o peso probatório do documento elucidativo, considerando nesta ponderação o fato de a parte adversa não ter participado de sua elaboração. Porém, a ausência de contraditório prévio não é motivo suficiente para impedir a utilização do parecer técnico apresentado pelo litigante como meio de prova, sob pena de tornar sem efeito a hipótese legal em estudo, dado que na maior parte dos casos o adversário não participa da formação do parecer.
A autoria do documento influencia significativamente a sua eficácia probatória. Na letra do Código de Processo Civil, o documento formado perante ou por agente investido de função pública e que goze de fé pública, no exercício de suas atribuições legais faz prova em relação a terceiros tanto da sua formação como do fato que seu autor declare que tenha se passado na sua presença378. Contudo, a presunção de veracidade desta declaração poderá ser afastada caso se comprove que o fato atestado pelo agente não ocorreu379.
Outro ponto de interesse no que concerne ao tema ora em exame diz respeito à prova emprestada. Não obstante ela não figurasse dentre os meios de prova arrolados na Lei de Ritos de 1973, admitia-se o traslado da prova produzida no curso de outro processo. Formalmente, a prova emprestada ingressava no procedimento de destino como uma prova documental. Porém, quando substancialmente alteradas as condições em que a prova foi produzida, ou, ainda quando sua repetição fosse inviável ou excessivamente onerosa, o meio de prova deveria manter sua natureza primitiva de, por exemplo, prova pericial, desde que versasse sobre o mesmo fato probando e fossem obedecidas as formalidades legais na sua
376 MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C. Prova. 2 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 808. 377 Idem, ibidem, p. 809, destaques originais.
378 Código de Processo Civil de 1973, art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos
fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença.
Código de Processo Civil de 2015, art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença.
confecção. Além disso, era necessário que as mesmas partes tivessem figurado como tal na outra demanda ou, na disputa entre uma delas e terceiro, a prova fosse apresentada por aquela que não integrou a relação jurídica processual de origem. Era possível, ainda, que a prova emprestada adviesse de contenda envolvendo exclusivamente terceiros, hipótese em que o contraditório se instauraria no bojo do processo de destino380.
Diversamente do Estatuto antecessor, o Novo Código de Processo Civil expressamente previu a utilização de prova produzida em outro processo, cabendo ao juiz atribuir-lhe o valor que julgar adequado, observado o contraditório381, que abrange não apenas a ciência e possibilidade de manifestação da parte contrária, mas também a oportunidade de produção de contraprova.
As alegações de fato relacionadas com a pretensão deduzida podem ser diretamente demonstradas pelos meios de prova acima tratados bem como por outros, mesmo que não estejam expressamente especificados na legislação. Todavia, na maioria dos casos, a elucidação se perfaz de maneira indireta mediante o conhecimento de fatos que, uma vez provados, autorizam inferir a existência ou ocorrência do fato de interesse para o julgamento da causa. Deste modo, releva perquirir sobre as presunções e as regras de experiência.