• Sonuç bulunamadı

§ 6 TELEVİZYON KAVRAMI, GENEL BİLGİ VE TELEVİZYON YAYINLARININ TOPLUMSAL YAŞAMDAKİ YERİ

B. TELEVİZYON YAYINLARININ TOPLUMSAL YAŞAMDAKİ YERİ

2. Televizyon Yayın Hizmeti İlkeler

A Segunda República (1946-1964) exprimiu um sentido maior de descentralização política do que o verificado durante o Estado Novo, com um maior respeito às políticas estaduais. 80 LEAL, 1975, p. 93. 81 CARONE, 1985, p. 259. 82 LEAL, 1975, p. 94.

Durante esse período, foram eleitos democraticamente Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, até à iminência do Golpe Político de 1964.

O Brasil assistiu ao desenvolvimento e à diversificação de sua economia, com a industrialização e uma maior urbanização, o que gerou uma maior saída das pessoasdo meio rural.

A industrialização teve como conseqüência direta a necessidade de maiores investimentos públicos, especialmente em obras de grande porte, tais como, hidrelétricas e siderúrgicas. Nesse período surge o denominado Estado social, com a necessidade de grandes investimentos nessas áreas, em que somente a União Federal poderia arcar com tais encargos.

Em outras palavras, os Estados Membros e municípios não possuíam capacidade econômica para investimentos de grande porte, sendo indispensável a participação do governo federal nas referidas obras.

O apoio do governo federal nessas grandes obras de infra-estrutura e a necessidade do apoio dos Estados Membros e municípios influenciaram uma mudança nos paradigmas federativos, vistos até então. Daí, uma atitude de cooperação se iniciou, de fato, em vez de um federalismo segregador, com reflexos nas relações entre os

Estados Membros e os entes locais.83

Demonstrações de investimentos públicos de grande porte foram a criação da Petrobras, em 1953, bem como do BNDE, em 1952, durante o governo de Getúlio

Vargas.84 O governo de Juscelino Kubitscheck também viria a ser marcado pela

realização de obras de grande porte e de necessária cooperação entre a União

Federal, Estados Membros e, em alguns casos, também de municípios.85

A Assembléia Nacional Constituinte de 1946 procurou restabelecer a idéia de uma Federação com maior descentralização, em termos assemelhados ao Constituinte

83 IGLESIAS, 1993, p. 261. 84

Ibid., p. 265. 85 Ibid., p. 269.

de 1934, significando o retorno dos ideais republicanos da eleição popular periódica de prefeito municipal e vereadores e tornando exceção a indicação de uns e outros

pelos governos estaduais e o central.86

Dentre as exceções previstas naquela Carta Magna, estavam os municípios em que houvesse instâncias hidrominerais, bem como os entes locais “que a lei federal, mediante parecer do Conselho de Segurança Nacional, declarasse bases ou portos militares de excepcional importância para a defesa externa do país”, conforme dispunha o seu artigo 28, parágrafo 2º, impedindo, inclusive, que os Estados pudessem dispor de forma diferente.

Já se observa aí que tais restrições às eleições diretas nas localidades reduziram a autonomia nos entes locais afetados,o que maninha a influência de pessoas que buscavam maior centralização de poderes para a União Federal. Sobre isso escreve Leal87

que:

Apesar do ambiente francamente municipalista da Assembléia Constituinte e da longa experiência que tivéramos dos prefeitos de nomeação no Estado Novo, ainda assim não faltou quem ali combatesse a eletividade do executivo municipal.

Todavia, a Constituição de 1946 permitiu aos Estados a criação de órgãos de assistência técnica aos municípios que na prática, tornavam-se órgãos de fiscalização das contas locais, com certa dose de ação tutelar.

Outro ponto bastante discutido naquela Constituinte se referiu à idéia da administração própria das comunas quanto ao peculiar interesse, tais como, serviços públicos locais, arrecadação e aplicação desses recursos próprios, merecendo notar a importante participação destes nos tributos sobre combustíveis líquidos e gasosos, bem como lubrificantes, sendo esse fator de extrema importância para uma eficácia de sua capacidade de autogerir-se:

O aumento da receita dos municípios pode contribuir eficazmente para a autonomia de sua administração, mas é bem provável que ao fortalecimento econômico dos municípios não corresponda idêntico reforço de sua

86

LEAL, 1975, p. 122. 87 Ibid., p. 123.

autonomia política. Sem solidez financeira não pode o município ter independência política, mas a primeira não envolve necessariamente a segunda, porque pode vir acompanhada de um sistema de controle.88

Segundo Bernardes, esses avanços marcavam o retorno do federalismo cooperativo, inicialmente planejado para a República brasileira por meio da classificação das competências em exclusivas, concorrentes e suplementares,

apesar da preponderância de competências da União Federal.89

Assim sendo, a ótica da Federação de 1946 foi possibilitar o desenvolvimento econômico do Brasil, baseado nas premissas do Estado do Bem-Estar Social, com uma maior expansão dos poderes da União Federal, ente com mais ampla capacidade econômica para custear as obras de grande porte que o Estado social exigia.

2.2.3.1 A influência coronelista pós-1945 e o populismo

No que se refere à influência coronelista no período pós 1945, Carone disserta que essa cada vez mais se esvaía enquanto estrutura oligárquica rural, especialmente

pela continuidade do processo de urbanização e industrialização.90

Entretanto, ocorreu a metamorfose do coronelismo, que passou da preponderância

agrária para a absorção das influências geradas pelas novas situações verificadas no Brasil pós-Revolução de 1930, entre elas: a nacionalização dos partidos políticos, a industrialização e a urbanização, gerando o denominado populismo.

Não obstante a nacionalização dos partidos políticos – Partido dos Trabalhadores Brasileiros, a União Democrática Nacional e o Partido Social Democrático –, não se

88 LEAL, 1975, p. 99.

89 BERNARDES, Wilba Lúcia Maia. Federação e federalismo: uma análise com base na superação do Estado

Nacional e no contexto do Estado Democrático de Direito. 2007. 249 f. Tese (Doutorado em Direito) – Programa Pós Graduação em Direito, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte 2007.

observou uma ligação ideológica entre seus integrantes nas diferentes regiões do

país. A organização política era regida por interesses particulares.91

A Justiça Eleitoral conseguiu sedimentar novas formas do exercício eleitoral, diminuindo a prática do voto de cabresto e até o eliminando nas regiões mais desenvolvidas e urbanizadas, motivo que diminuiu a influência do coronel nos

moldes vistos na República velha.92

Contudo, o fenômeno que mais exigiria mudanças de postura das práticas coronelistas seria o populismo enquanto criação de políticas públicas voltadas para os trabalhadores urbanos e a classe média brasileira, bem como a personificação do político por meio dos fatores de poder carismático e pessoal, diferentemente da situação anterior a 1930, citada por José Maria dos Santos no momento de sua eleição para governador de São Paulo:

[…] populismo sórdido, quer dizer, os votos do povo, o direito do sufrágio livremente exercido pelo povo, totalmente isento da clássica coerção dos meios oficiais, que outrora transformava as eleições numa farsa indigna e deplorável.93

A diferença de postura dos políticos entre o eleitorado rural e o eleitorado urbano é bem descrita por Carone:

Mas, o sentido da ligação entre eleitorado de cabresto, isto é, o rural, e o da cidade, é fator que mostra a variabilidade do comportamento necessário para a nova relação. Agora, é preciso oferecer reivindicações concretas aos eleitores da cidade e, ao mesmo tempo persistir na manutenção do jogo de poder sobre as massas rurais.94

Carone ilustra o exemplo da família mineira Melo Franco que, apesar de possuir projeção política desde o Império, passando pelo sistema coronelista tradicional da República velha, adotou novas práticas políticas por intermédio de Afonso Arinos de Melo Franco. Essas novas práticas incluiam comícios nas cidades, carreatas,

91 Ibid., p. 264. 92 Ibid., p. 265. 93 Ibid., p. 276. 94 CARONE, 1985, 274.

propostas de trabalho, com a manutenção da política tradicional coronelista firmada no apoio recebido em regiões distantes da capital.

Diversamente do ocorrido na República velha, quando os coronéis não precisavam de plataforma política ou qualquer tipo de promessa, em virtude da existência do “voto de cabresto” e do sistema de verificação parlamentar, a partir de 1945 as práticas políticas começaram a forçar a mudança das atitudes dos candidatos pelo fenômeno populista.

O fenômeno (populismo) se acentua no pós-1945. Não só os partidos das classes médias e do operariado crescem numericamente, mas, também, o percentual de aderentes se multiplica, o que torna fundamental o problema da militância e da defesa ideológica por cada uma dessas agremiações (partidos).95

Donde podemos registrar que as práticas coronelistas são agora realizadas com diferentes estratégias, seja no meio rural com a manutenção das tradicionais formas coronelistas da República velha, seja no meio urbano, neste último metamorfoseado nas práticas populistas, que deturpam a forma do exercício do poder local, por meio de práticas corruptas de favorecimento pessoal (políticas denominadas

“pragmáticas”).96

2.2.4 O Estado de Segurança Nacional e a autonomia municipal (1964 a