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2 KATALOG / ÖRNEKLER

2.15. Talas Han Camii Ġnceleme Tarihi:24.08

O excesso informacional gera a banalidade, a saturação. “Assim, nós nos acomodamos para não ver o que estamos vendo, deixamos de ver o que está sempre à vista (saturação), olhamos para coisa (diversão), olhamos para outra coisa (diversão) mesmo quando temos todas as informações à nossa disposição”. (MORIN, 1986, p.44).

Por isso, Morin (1986) já ressalta a necessidade de se repensar o cenário marcado pelo homem técnico pelo aspecto tecnoeconômico.

“Precisamos superar a noção de homem técnico (homo faber), associando a ela, indissoluvelmente, a de homem imaginativo (que imagina, sonha, cria fantasmas, mitifica). Precisamos superar a noção de homo sapiens com a noção de homo sapiens/demens, que é a única que permite considerar a capacidade que tem o homo sapiens de produzir poesia e arte, sonho e delírio, loucura e horror; ela é a única a nos tornar capazes de compreender que a loucura pode ser produtora de virtudes e sabedoria...” (MORIN, 1986, p. 113)

Em uma discussão que envolve sociedade e nação, Morin (1986, p. 121) ressalta a importância de se “aspirar a uma ação política a menos mutilante possível”. Essa ação já é um passo que permite uma mudança do pensamento. “Colocar esse problema é colocá-lo não tanto ao nível das proclamações e programas, mas ao da estrutura de pensamento subjacente que comanda simultaneamente a visão do mundo, a visão do homem, a visão da sociedade, a visão da política”.

“Ora, o pensamento mutilado não é inofensivo: cedo ou tarde, ele conduz a ações cegas, ignorantes do fato de que o que elas ignoram age e retroage sobre a realidade social, e também conduz a ações mutilantes que cortam, talham e retalham, deixando em carne viva o tecido social e o sofrimento humano.”

Segundo ele para compreender o mundo é preciso compreender a política. Só assim haverá a possibilidade de intervir e agir na sociedade em que se vive. Considera-se aqui a política como “todas as áreas do conhecimento do homem e da sociedade. (...) nossas vidas, nossas mortes, nossas alegrias, nossas desgraças escapam, por todos os lados, ao político.” (MORIN, 1986, p.15-16). Acredita-se que dessa forma é possível ter um pensamento complexo capaz de compreender a multidimensionalidade do mundo.

“Então, poderemos compreender que, quanto mais complexa for uma sociedade, quanto mais potenciais de desordens, antagonismos, conflitos ela contiver, quanto mais ela comportar, ao mesmo tempo, potencialidades de inovações, de estratégias, de respostas às forças de desagregação, tanto mais ela deverá conter para compensar sua fragilidade orgânica, a comunicação fraternizante que transforma a desordem em liberdade.” (MORIN, 1986, p. 122)

Mais que isso. A intenção de discutir política é associar a capacidade de distinguir refletir e finalmente agir. A política requer “um pensamento que se possa alçar ao nível de

complexidade do próprio problema político e possa responder ao querer-viver da espécie humana” (MORIN, 1986, p.17).

Essa discussão também se baseia na necessidade de se repensar a reflexão e a ação do homem diante de um sistema que mutila o homem em detrimento a uma produção técnoeconômica. Para Morin (1986) a política exerce um papel marcante nesse processo, pois ela descarta a complexidade.

“O pensamento mutilante atualmente devasta todos os setores do conhecimento e da ação. Mas é na política que se torna um desastre porque se une estreitamente à ingenuidade, à ignorância, à magia, ao mito, à ética maquineísta. Ele promove a destruição de tudo aquilo que ignora, despreza ou não compreende.” (MORIN, 1986, p. 143)

Neste trabalho é possível fazer uma relação entre esses efeitos e os meios de comunicação. Com a proposta de relatar realidades e transmitir tudo e a todos, a imprensa tem se tornado também uma prática simplificadora cujos esforços são produzir informações em quantidade a fim de oferecer ao indivíduo ávido pelo novo. Essa tendência é marcada pela utilização de idéias genéricas, portanto fracas e com poucas possibilidades de reflexão.

“Em toda parte, pois, nas ciências, nas técnicas, nas humanidades, nos mídia, há necessidade de idéias genéricas. Reinam, em toda parte, as idéias gerais, vazias, aqui sonoras e estrondosas (as humanidades), ali escondidas mas onipresentes (as ciências), acolá escolhidas segundo seu valor de consumo ou de compra e venda (os mídia)”. (MORIN, 1986, p. 249)

Isso tem refletido em diversas áreas e em toda a humanidade. No jornalismo isso é muito evidente porque o seu produto é e deve estar acessível a todos. Portanto, não e difícil comprovar na produção jornalística a superficialidade e a visão simplificada das coisas.

“Surge, por toda parte, o problema da reflexão e, em toda parte (inclusive e principalmente nas carreiras intelectuais, pesquisa, ensino, jornalismo, editoração), um formidável crescimento de civilização, isto é, o modo de vida urbano sob todos os seus aspectos, as pressões cronométricas, as sobrecargas, as necessidades imediatas, a pressa, a imprensa tendem a aniquilar toda possibilidade de rever, pensar, refletir.” (MORIN, 1986, p. 249)

Quéau (2004) afirma que os efeitos das tecnologias da informação e comunicação já são evidentes como a necessidade de se preocupar nas suas conseqüências, uma vez que envolve diversos aspectos.

“Este é o próprio modelo de sociedade industrial, que é desafiado com uma cascata de efeitos sobre as sociedades em transição e países em desenvolvimento. A "sociedade global da informação" é na verdade a origem de uma revolução quádruplo: cultural, social, econômico, político.”

Morin (1986) explica que o campo das humanidades foi reduzido por uma cultura tecnocientífica, baseada na visão reducionista de um pesquisador especialista, e também pela cultura industrializada da cultura de massa “que impõe suas normas de divertimento em detrimento da reflexão”.

“De um lado, “humanidades”empobrecidas que não sabem entrar em contato com as fontes de verificação (as ciências) nem com as fontes cotidianas do conhecimento (os mídia) e que fazem reflexões inúteis. De outro, uma cultura científica que, por princípio, método e estrutura, é incapaz de conceber os problemas de conjunto e refletir sobre si mesma. De um terceiro lado, uma cultura dos mídia, efetivamente ligada ao mundo de cada dia, ao fato, ao novo, mas não dispondo dos meios de integração e reflexão (limitando-se a apelar para “personalidades” entrevistadas às pressas.” (MORIN, 1986, p. 249)

Para ele a religação desses saberes é indispensável para a “formação e estabelecimento de uma reflexão”. “Refletir quer dizer, ao mesmo tempo: a) pesar, repesar, deixar descansar, imaginar sob diversos aspectos o problema, a idéia; b)olhar seu próprio olhar olhando, refletir-se a si mesmo na reflexão”. (MORIN, 1986, p.250). Agir assim se torna ainda complicado porque o contexto é marcado pela efemeridade e fluidez, conforme explica o próximo capítulo.