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IRAK TÜRKLERİ KÜLTÜR VE YARDIMLAŞMA DERNEğİ KONYA ŞuBESİ BAŞKAN YARDIMCISI İLHAM BEYATI

B. SİVİL TOPLUM KURULUŞLARI

7. IRAK TÜRKLERİ KÜLTÜR VE YARDIMLAŞMA DERNEğİ KONYA ŞuBESİ BAŞKAN YARDIMCISI İLHAM BEYATI

Nada disto significa, entretanto, que a caracterização do nihilismo que Jünger apresenta em Über die Linie seja exclusivamente apofática. Nas secções 11 e seguintes encontramos, pelo contrário, o que podemos descrever como uma caracterização positiva, que não se limita a tentar dissociar o nihilismo de determinações que lhe estão “coladas” e com que se presta a ser confundido (como se se identificasse com elas e as fonteiras do nihilismo fossem as que separam essas determinações dos seus opostos). E, por outro lado, também parece claro que, nestas secções, Jünger procura identificar o “denominador

comum” a todas as manifestações do nihilismo – aquilo que constitui o seu proprium ou a

sua differentia specifica. Importa ter clara consciência disto – mas ao mesmo tempo também de um outro facto que altera decisivamente o seu significado e faz que, na verdade, também isto que Jünger assim avança como caracterização positiva e contributo para uma “boa definição do nihilismo” tenha o carácter de uma captação da “periferia” e não do centro – e, nesse sentido, continue preso no registo de uma delimitação ou identificação indirecta: de um discurso que não chega a captar o essencial, antes fica sempre retido ainda noutra

coisa. Com efeito, como o próprio Jünger faz questão de vincar, aquilo que adianta nestas secções, para identificar positivamente os traços do nihilismo, são “marcas de orientação”

77 ARENDT, H., Eichmann in Jerusalem, A Report on the Banality of Evil, New York, Penguin Books, 1994. 78 JÜNGER, E., Über die Linie, op. cit., p. 22.

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que descrevem não as próprias causas, mas apenas sintomas: “Hier finden sich vielleicht

Merkzeichen zum praktischen Gebrauch inmitten der nihilistischen Strömungen. Es handelt sich also um die Schilderung von Symptomen und nicht von Ursachen”80.

Vejamos então que caracterização positiva do nihilismo encontramos desenhada em

Über die Linie. O que Jünger fixa como principal “denominador comum” – ou melhor, como principal sintoma – do nihilismo é aquilo que designa como redução (Reduktion) e perda (Schwund) (“An diesen Symptomen fällt auf den ersten Blick ein Hauptkennzeichen auf, das

sich als das der Reduktion bezeichnen läßt”81). Trata-se de algo sistemático e profundo, que em todos os domínios faz sentir o seu efeito de desmontagem e esvaziamento – abatendo e apeando tudo. A redução e perda referidas por Jünger correspondem a algo que se apresenta como um imenso “arrancar de máscaras” em relação a tudo o que é provido de significado – e substituem o que quer que seja que figure na paisagem como “edifício” (ponto de referência ou esteio) por um mero resíduo (ou seja, por uma ruína de si mesmo).

Tal como Jünger o descreve, este processo de redução e perda, que é a marca distintiva do nihilismo, tem um carácter tal que não se queda em desmontagens parciais, que ainda deixam subsistir algo a resistir-lhe. Distingue-se antes pela propriedade de não parar antes de atingir aquilo a que Jünger chama o “ponto zero” (Nullpunkt), que assim constituiu o terminus ad quem e como que o lugar natural para que tende o nihilismo (“Die

nihilistische Welt ist ihrem Wesen nach eine reduzierte und weiter sich reduzierende, wie das notwendig der Bewegung zum Nullpunkt hin entspricht. Das in ihr herrschende Grundgefühl ist das der Reduktion und des Reduziertwerdens”82). Também podemos exprimir estes dois conceitos fundamentais da descrição do nihilismo apresentado em Über

die Linie e a correlação que Jünger estabelece entre um e outro, parafraseando os termos em que, como Jünger refere, Leon Bloy se autoapresentava no seu cartão-de-visita (Leon Bloy,

démolisseur83) – e dizendo que o principal sintoma distintivo do nihilismo é ser um

empreendimento de demolições, caracterizado justamente por estar votado a nada menos do que uma demolição total – a chegar a qualquer coisa como um ponto zero de demolição.

Não cabe aqui seguir detidamente a visão de conjunto que Jünger procura desenhar, fazendo um levantamento das várias formas que este fenómeno fundamental de

esvaziamento ou empobrecimento assume nos diversos domínios em que se produz.

80 Ibidem. 81 Ibidem. 82 Ibidem.

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Mas importa ter presentes duas coisas. Por um lado, Jünger procura mostrar que esta

redução, que este esvaziamento ou empobrecimento se manifestam de muitas maneiras em

todas as dimensões da vida, desde as ciências, a arte, a política ou a economia, até à sexualidade, à relação com o espaço e com o tempo, etc. Em todos os casos, a redução (o

esvaziamento, o empobrecimento) expressa-se por uma perda de dimensão, pela passagem a uma versão simplificada das coisas, que as “desmistifica” e põe em evidência que, afinal,

não têm nada de especial, são muito menos (muito mais simples, menos significativas, etc.,)

do que poderia parecer. Esta perda de dimensão e significado também passa pelo fechamento de perspectiva em olhares especializados, que se atêm a pequenos sectores e sistematicamente renunciam a qualquer confronto com a totalidade a que tais sectores pertencem e de que constituem apenas uma parte ou até mesmo um ínfimo recanto84. Mas uma das suas manifestações mais características é o aumento da velocidade e a redução da

distância, a conversão de tudo em algo “à mão de semear” – se assim se pode dizer, a

transformação de tudo numa imensa “aldeia total”, completamente desprovida de segredos: “sem nada de especial”.

Vendo bem, a redução – e o empobrecimento que lhe corresponde – passa precisamente por um completo desaparecimento do maravilhoso, do assombroso, do

inquietante, do sublime, do longínquo, do inacessível, etc85. A redução e o empobrecimento em causa passam por uma completa naturalização e normalização de tudo: para tudo há uma explicação que permite perceber que afinal não é mais do que X; tudo se torna antecipável e calculável, tudo está ao alcance. Em suma, o nihilismo é a conversão de tudo no absolutamente banal.

Jünger não o formula assim, mas podemos exprimir este sintoma fundamental do nihilismo, tal como aparece retratado no seu diagnóstico, a partir do que Hegel diz a respeito do criado de quarto psicológico, para o qual não há homens de génio86: a redução, o empobrecimento ou a perda para que Jünger aponta tem que ver com a transformação mediante a qual se passa a olhar para tudo como um “criado de quarto psicológico”. Tudo – absolutamente tudo – é sujeito ao reconhecimento redutor, demolidor de um olhar com a forma do olhar do “criado de quarto psicológico”.

84 Cf. secção 12. 85 Cf. secção 12.

86 HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich, Grundlinien der Philosophie des Rechts oder Naturrecht und

Staatswissenschaft im Grundrisse. Mit Hegels eigenhändigen Notizen und den mündlichen Zusätzen, §124, Werke, Bd 7, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1970, 233 ou também Vorlesungen über der Philosophie die Geschichte, Werke, Bd. 12, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1986, 47.

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Mas, por outro lado, sendo assim, o que também é característico do processo de redução para que Jünger aponta é o facto de não apenas dar lugar a um imenso vazio (a um

vazio em todos os domínios) – a um vazio que se torna justamente a personagem central ou a determinação central de tudo –, mas também à proliferação de formas sucedâneas de

preenchimento do vazio (religiões substitutivas, interesse pelo misterioso ou pelo distante) que se caracterizam pela propriedade de “elevarem às alturas” o superficial e trivial, o de “pouca monta”, o meramente exótico – quer dizer, uma quantidade de coisas que muito mais facilmente se prestariam a serem desmascaradas do que aquilo cuja demolição deu lugar ao vazio que tentam preencher (e que, por isso mesmo, pouco podem como meios de efectiva resistência ao – ou de preenchimento do – vazio)87.

6. A consumação do nihilismo e o “meridiano zero”. Duas opacidades ou