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Türkistan’da Cedit Hareketi

Belgede ORTA ASYA TÜRK TAR H (sayfa 188-196)

O equacionamento do conjunto das crises financeiras pós-2007 pautou-se na utilização de uma política monetária flexível e de uma política fiscal acomodatícia. Essa combinação de políticas visou mitigar as consequências da redução da liquidez e da contração do crédito para a economia real impedindo assim o estouro de uma espiral dívida-deflação. Para tanto, os governos nacionais lançaram mão de aportes imediatos de liquidez como forma de garantir a estabilidade dos preços dos ativos e promover a manutenção da expectativa de repagamento dos agentes. Além disso, foram implementadas medidas de estímulo à demanda agregada.

Ainda que tenha obtido sucesso em sua proposta, o padrão de intervenção ora exposto pode ter trazido consequências importantes para a economia mundial como uma recuperação mais lenta da atividade econômica e o incremento da dívida pública – transferência de custos para o futuro. Vejamos o por quê. A opção pelo mix de políticas apontadas caminhou claramente no sentido de promover a restauração da confiança de modo que a reestruturação de ativos e a reestruturação operacional das instituições não foram prioridades. A maioria dos governos nacionais se preocupou em reduzir as consequências sistêmicas

77 da crise adotando medidas rápidas de intervenção como a extensão dos aportes de liquidez a instituições consideradas não viáveis e/ou em situação econômico-financeira frágil. Esse fato inibiu a execução de um processo mais profundo de reestruturação dos ativos no qual há a remoção e separação entre os bons e os maus ativos das instituições afetadas.

Nas crises do passado, as medidas de equacionamento foram, em rigor, precedidas por diagnósticos sobre a viabilidade das instituições financeiras e por laudos de avaliação de seus ativos, processo esse que facilitou a separação entre os bons e os maus ativos. Dessa forma, foi possível, além de remover os ativos não performáveis dos demonstrativos das instituções e efetuar a liquidação das instituições não viáveis, executar a venda das instituições viáveis. Os diagnósticos, igualmente, ajudaram a mensurar de modo adequado a necessidade de recapitalização de cada instituição.

As medidas de reestruturação operacional, por sua vez, também foram mais utilizadas nas crises do passado. Ainda que muitos países tenham imposto limites para a remuneração de administradores e acionistas, medidas mais contundentes como a redução de custos, downsizing e alterações da diretoria executiva foram menos utilizadas que nas crises anteriores (CLAESSENS ET AL., 2011). Vale destacar que nas crises do passado tanto o processo de reestruturação de ativos quanto o processo de reestruturação operacional foram feitos por meio das agências públicas de gerenciamento e por meio da constituição dos chamados “bancos ruins”, o que sugere que a intervenção pública nas instituições afetadas pela crise foi mais limitada no âmbito das crises recentes. Essa postura nada mais é do que claro reflexo da opção pela manutenção da estabilidade financeira e pela redução dos efeitos de contágio. Assim, é possível notar que a implementação de medidas rápidas de intervenção não deve ser feita de modo isolado. Os aportes de liquidez e as recapitalizações devem ser acompanhados de medidas mais profundas como a reestruturação dos ativos e a própria reestruturação das instituições. Essas medidas, quando levadas a efeito em conjunto, auxiliam na velocidade e na sustentabilidade da recuperação econômica (LAEVEN; VALENCIA, 2011).

78 Outra lição importante que pode ser extraída dos acontecimentos pós-2007 diz respeito ao fato de que a reestruturação das instituições, e a própria recuperação da economia, passa necessariamente pela reestruturação da dívida relacionada ao mercado imobiliário. Segundo Claessens et al. (2011), essas dívidas chegaram a representar mais de 130% da renda disponível nos Estados Unidos e mais de 160% da renda disponível de alguns países europeus. Assim, ainda que tenham sido feitos esforços pelos bancos para desonerar os empréstimos imobiliários, eles se mostraram insuficientes. Os programas governamentais de reestruturação dos empréstimos imobiliários, por sua vez, mostraram-se igualmente ineficientes e pequenos em escopo indicando que o processo de reestruturação dos empréstimos deve ser empreendido por meio de um mix mais efetivo de ações públicas e privadas (LAEVEN; LARYEA, 2009).

Outro ponto que emana das discussões sobre as lições dos acontecimentos pós-2007 relaciona-se ao risco moral. O fato de os grandes bancos terem adquirido instituições que se encontravam em processo de falência promoveu a elevação da concentração no setor bancário dificultando o processo de equacionamento da crise. De acordo com Claessens et al. (2011), considerando a amostra de 12 países integrantes das crises bancárias recentes, temos que os ativos dos cinco maiores bancos saltaram de 307% do produto desses países antes da crise para 335% em 2009. Além disso, a magnitude dos suportes públicos de larga escala direcionados às instituições e aos mercados evidenciou logo à primeira vista a percepção do problema do

“too important to fail” (GOLDSTEIN; VERON, 2011). A própria política de

proteção aos credores e de sustentação dos preços dos ativos contribuiu para elevar o risco moral e acentuar o problema do “too important to fail”.

É possível, portanto, observar que no equacionamento das crises financeiras posteriores devem ser implementadas também medidas destinadas a minimizar o risco moral. Isso irá não só reduzir a probabilidade de ocorrência de uma nova crise sistêmica como também atenuar suas consequências e desdobramentos. Entre essas medidas podemos citar, no curto prazo, a redução do suporte público implícito e a restauração da disciplina do credor. No longo prazo, devem ser efetuadas alterações na supervisão e na regulamentação do sistema bancário e financeiro de modo a desincentivar a

79 complexidade dos ativos, o que facilitaria a reestruturação durante uma possível crise e diminuiria a possibilidade de contágio. É importante destacar que, diante da existência de um sistema financeiro mundialmente integrado, as medidas devem ser não só globalmente coordenadas como também flexíveis no âmbito nacional. Como exemplo de medidas que caminham nesse sentido podemos citar a elaboração de planos de recuperação e de resolução das crises, restrições aos tipos de atividade que determinadas instituições podem exercer, estabelecimento de capital adicional ou taxas proporcionais ao risco sistêmico que as instituições podem criar, a limitação de suporte público a grandes bancos – delimitação e monitoramento de capital de contingência pelos bancos de modo que as perdas sejam repartidas de forma justa –, a limitação da proliferação de instrumentos financeiros de alta complexidade, entre outras.

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CONCLUSÃO

Esta pesquisa teve como propósito central apresentar e discutir idéias e pontos de vista distintos sobre crises bancárias de grande magnitude.

Inicialmente, o estudo demonstrou, com base nos conceitos teóricos de Minsky (1982, 1986, 2011) e Kindleberger (2000), que a economia capitalista contemporânea se depara constantemente com forças desestabilizadoras intrínsecas a sua própria dinâmica. A primeira dessas forças consiste na própria natureza do investimento, variável volátil, de longo prazo, e amparada nas expectativas dos capitalistas em relação ao futuro e no humor dos mercados financeiros.

A segunda força desestabilizadora, e talvez a mais importante, são os bancos comerciais. Ao atuar de forma pró-cíclica, expandindo as concessões de crédito nos momentos de otimismo, os bancos contribuem para a formação de um movimento de expansão do investimento, do produto e da renda. Tal processo, benéfico aos bancos comercias não só porque amplia as concessões de crédito, mas também porque permite a elevação dos preços de ativos correlatos aos investimentos, estimula a si mesmo e se auto alimenta, transformando-se em euforia. A partir daí, os agentes econômicos tendem a caminhar em direção a estruturas financeiras cada vez mais frágeis e dependentes da manutenção das condições dos mercados financeiros. Entretanto, em determinado momento, as estruturas financeiras ficam tão debilitadas que qualquer alteração de expectativas ou mudança de humor dos mercados financeiros impossibilita que os agentes tenham acesso a recursos de curto prazo para cumprir suas das obrigações. Esse comportamento se torna ainda mais evidente quando se leva em conta o fato de que os próprios bancos comerciais também estão sujeitos às variações de mercado, haja vista o fato de que possuem incentivo para trabalhar com maior presença de recursos de terceiros em sua estrutura de financiamentos.

82 Posteriormente, o trabalho abordou a questão do emprestador de última instância analisando os papéis do Banco Central e do Tesouro em meio à crise; o primeiro funcionando como provedor de recursos em última instância e o segundo como agente consolidador das perdas.

No segundo capítulo, a pesquisa retratou dois estudos de caso consolidados pela literatura existente, o do Chile e o do Japão. Verificou-se, nesses dois países, a existência de fatores apontados por Minsky e Kindleberger (2000), tais como (i) ciclo de expansão do crédito; (ii) processo de ampliação dos investimentos, do produto e da renda; (iii) proliferação do otimismo; (iv) elevação dos preços dos ativos e desenvolvimento da euforia; (v) transição dos agentes para estruturas financeiras cada vez mais frágeis; (vi) suspensão da liquidez; entre outras.

Ainda nessa seção, o estudo demonstrou quais foram as respostas de política econômica implementadas pelos governos nacionais para lidar com a crise financeira. A análise dos casos do Chile e do Japão mostrou que medidas como (i) a rápida intervenção do Estado; (ii) a reestruturação dos ativos e das instituições afetadas; (iii) a relativa articulação e definição de papéis entre o Tesouro Nacional e o Banco Central; e (iv) a boa situação (precedente) fiscal do Estado mostraram-se positivas no que diz respeito a velocidade/sustentabilidade da recuperação econômica e no que tange a miniminazação das perdas em termos de produto e emprego.

Por fim, o último capitulo apresentou as crises financeiras do ponto de vista do Fundo Monetário Internacional. Diante dessa perspectiva, as crises financeiras são interpretadas por meio de uma série de indicadores econômicos e financeiros e abordadas como episódios técnicos, isto é, oriundas da má gestão de instituições financeiras ou de algum fator exógeno ao funcionamento do sistema. Nesse âmbito, a discussão acerca do cárater inerentemente instável da economia capitalista e do comportamento desestabilizador dos bancos comerciais é ignorado. Ainda que existam nos indicadores levantados pelos economistas do Fundo Monetário indícios dos pontos destacados por Minsky (1982, 1986, 2011) e Kindleberger (2000) – tais como crescimento mais pronunciado do produto; expansão significativa do crédito; elevação dos preços das ações, dos títulos das empresas e dos ativos imobiliários; transição dos

83 agentes para estruturas financeiras mais frágeis –, a interpretação caminha na direção oposta à sugerida pelos autores supracitados restringindo-se a um caráter estático, pragmático e tecnicista.

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