2.8. Türkçenin Yabancı Dil Olarak Öğretimi
2.8.3. Türkçenin Yabancı Dil Olarak Öğretiminde Konuşma Becerisi
A estrutura curricular dos conservatórios brasileiros sofreu forte influência das instituições de ensino européias, mais especificamente do Conservatoire de Paris (GONÇALVES:1997). Fundada em 1795, essa foi a primeira de uma série de instituições européias do gênero (CASTRO:1997). No Brasil, o ensino de música localizado nos conservatórios é encampado pela universidade, inicialmente pela Escola de Música da Universidade do Brasil (1937), hoje Escola de Música da UFRJ, instituição que vai influenciar grande parte das demais escolas de música das universidades brasileiras (FREIRE; In: FERREIRA;2000:23).
A disciplina Harmonia é uma constante tanto nas instituições de ensino européias quanto nas brasileiras; nela trata-se fundamentalmente da aprendizagem do funcionamento do sistema tonal. O que vem a ser o sistema tonal? É o que tentaremos esclarecer a partir de agora.
Com o surgimento da polifonia10 no século IX, a dimensão vertical adquire, juntamente com a horizontal, uma importância fundamental (KIEFER;1973:23). A música produzida a partir de então evolui num movimento linear e contínuo, se dirigindo num primeiro momento para o estabelecimento de um sistema de controle da escrita, e a partir daí, num segundo momento, para a destruição desse mesmo sistema - o chamado ‘sistema tonal’. Este sistema, que ordena
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Polifonia: sistema de composição a diversas vozes onde cada parte ou voz apresenta um sentido melódico. Praticamente, de diz de toda música onde domina a escrita contrapontística.
essencialmente as alturas11, se fundamenta num jogo que opõe tensão a repouso.
De maneira simplificada podemos dizer que, num trecho musical escrito de acordo com o sistema tonal, a sensação de repouso é obtida quando se atinge, através de determinados artifícios de escrita, a chamada nota tônica, sobre a qual será constituído o acorde com função tônica. Esse acorde com função tônica funciona como polo, como eixo, como centro de gravidade - um correlativo do ponto de fuga na pintura em perspectiva. Ele atrai para si as principais tensões da escrita, e estabiliza a escuta quando é atingido, transmitindo ao ouvinte a sensação de relaxamento.
O sistema tonal foi construído de maneira progressiva. Na música medieval já podemos detectar pequenos embriões daquilo que lhe dará sustentação; no século XVIII o sistema já está totalmente estabelecido, e é utilizado de modo unânime. Os princípios que o fundamentam são explicitados pela primeira vez em 1722 por Jean-Philippe Rameau, músico e teórico francês. Em seus dois textos principais - "Tratado de Harmonia" (RAMEAU:1971) e "Observations sur notre instinct pour la musique, et sur son principe" (RAMEAU:1980c) - Rameau elabora toda uma teoria na qual explica as razões de ser de um sistema que já vigorava de forma plena em suas obras e nas de seus contemporâneos.
Ele procura e obtém uma explicação científica para o funcionamento do sistema, toda ela baseada em uma linha de argumentação principal: o sistema tonal deriva da natureza, e é explicável cientificamente. Ele associa a música a uma ciência psico-matemática, onde os sons são os objetos, e as relações entre eles são de ordem matemática e geométrica (RAMEAU, In: KINTZLER & MALGOIRE, 1980:19). A natureza aparece em sua teoria no momento em que ele explica a organização do sistema a partir da estrutura da série harmônica, ou seja, da estrutura dos harmônicos gerada pelo corpo sonoro em vibração:
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Na estruturação musical trabalhamos com quatro parâmetros básicos: altura, duração, intensidade, timbre. O parâmetro altura ordena as notas musicais, cada uma com sua frequência específica.
“O corpo sonoro, que eu chamo justamente som fundamental, esse princípio único, gerador e ordenador de toda música, essa causa imediata de todos os seus efeitos, o corpo sonoro, digo, mais que ressoa, ele gera ao mesmo tempo todas as proporções contínuas de onde nascem a harmonia, a melodia, os modos, os gêneros, e até as menores regras necessárias à sua prática.”(RAMEAU;1980a:70)
Segundo Kintzler & Malgoire (1980:27) a preocupação de Rameau em elevar a música ao status de ciência faz com que ele atue em várias frentes, mantendo correspondência a respeito com a comunidade científica de sua época: envia cartas a Euler e Bernoulli pedindo aprovação de sua teoria. Ele envia também seus textos à Academia de Ciências em 1749 onde é bem recebido. Sua teoria é coroada de sucesso como é possível atestar pelo caráter elogioso de um texto de D’Alembert:
"M.Rameau foi o primeiro a começar a desembaraçar o caos. Ele encontrou na ressonância do corpo sonoro a origem mais verossímel da harmonia e do prazer que ela nos causa: ele desenvolveu esse princípio, e demonstrou como os fenômenos da música nascem." (D'ALEMBERT, In: KINTZLER & MALGOIRE,1980:26)
O sistema tonal se firma, portanto, em pleno século das luzes, e é justificado cientificamente como objeto totalmente adequado à sociedade moderna. Na demonstração do princípio da Harmonia Rameau não deixa dúvidas quanto às suas referências:
“Esclarecido pelo Método de Descartes que felizmente eu li, e que muito me impressionou, eu começei por mergulhar dentro de mim mesmo.” (RAMEAU;1980a:66)
O pensamento de Descartes e toda a lógica do Iluminismo o impulsionam.
No período que vai do início do século XVIII até o início do século XX o sistema tonal é predominante na Europa. Seu caráter totalitário é claramente definido por Bayern quando afirma:
"Durante mais de dois séculos a música ocidental viveu sob a hegemonia do sistema tonal. A tonalidade era, na verdade, apenas uma possibilidade, entre muitas outras, de organizar o discurso sonoro; mas suas características estruturais e funcionais (estabilidade, polaridade, etc.), possuíam uma tal pregnância sobre os ouvidos europeus que eles lhe permitiram se impor como a única solução legítima, como uma espécie de língua universal na qual o
compositor se via obrigado a inserir seus propósitos." (BAYERN; 1981:17)
Podemos deduzir, portanto, de onde se originou a disciplina Harmonia: um sistema de organização musical surge na Europa, e é justificado cientificamente. Esse sistema tem suas origens e fundamentos em um dado natural, ou seja, a série harmônica gerada por um corpo sonoro colocado em vibração. Devido à força de seus princípios estruturais e funcionais esse sistema se torna hegemônico. Devido a seu caráter hegemônico o sistema tonal acaba por ser incorporado pelas instituições, os Conservatórios, sob a forma de uma disciplina - a disciplina Harmonia - que trata essencialmente de estudar sua aplicação. Essa incorporação gera a necessidade de bibliografia específica. A partir daí são publicados diversos tratados de Harmonia ou similares que passam a orientar as práticas de ensino.
O sistema tonal não se constituiu como um sistema fixo, imutável em seus mecanismos. Tomando as obras da tradição ocidental como testemunho, podemos assistir a seu desenvolvimento que é acompanhado por uma progressiva perda de força da tônica. Sua predominância vai sendo minada pela exploração cada vez mais intensa de situações funcionalmente ambíguas.12
A partir da segunda metade do século XIX, compositores como Brahms ou Richard Wagner, nos deixam perceber claramente através de suas obras que o sistema se dirige ao esgotamento.
Segundo Bayern:
“A escrita wagneriana, com tudo o que seu uso frequente do cromatismo e da enarmonia traz como ambiguidade sobre o plano harmônico e como desorientação para um ouvido habituado às
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Como afirmamos anteriormente, o sistema tonal se fundamenta no estabelecimento de uma clara hierarquia, na qual uma determinada nota (tônica) ocupa a posição principal, sobre a qual a sensação de repouso é obtida. Situações ‘funcionalmente ambíguas’ são aquelas nas quais não se torna possível a percepção clara de uma ‘tônica’, ou seja, uma nota musical que predomine sobre as outras, provocando no ouvinte a sensação de repouso, a ponto de tornar- se a principal referência de um trecho ou seção.
fórmulas tonais, contribui ela também para fazer explodir o sistema estabelecido. . .”(BAYERN;1981: 20)
De acordo com Andréani (1979:349) o uso de acordes polissêmicos13 na escrita da ópera Tristão e Isolda (composta entre 1857 e 1859) permite que Wagner construa um equilíbrio tonal que se apresenta à percepção como um campo em estado de fusão. Encontramos ali passagens nas quais a tônica está completamente desfigurada, e é dificilmente identificável.
No início do século XX, mais precisamente em 1908, o compositor Arnold Schoenberg compõe a primeira peça onde não existe qualquer traço da tônica ou do sistema que lhe sustentava.14 Nesse momento dá-se a ruptura. Um sistema que foi o responsável pela sustentação de 200 anos de produção musical européia é considerado dispensável. A partir daí instala-se uma crise, que opõe os defensores da manutenção do antigo sistema, àqueles que se sentiam no dever de abandoná-lo, tentando algum tipo de substituição.
Podemos dizer que a história do sistema tonal pode ser vista como a história do nascimento, estabelecimento e desaparecimento da tônica. Esse é, em linhas gerais, o seu percurso. A disciplina Harmonia, foco de nosso trabalho, lida com o estudo desse sistema, explorando tradicionalmente o período que vai do século XVIII ao início do século XX.
O sistema tonal entra em crise na europa no início do século XX, no entanto, ele nunca foi totalmente abandonado. Ele continua a ser utilizado por diversas culturas, dentre as quais a brasileira, que o herda e transforma. O aproveitamento dessa herança se dá nos mais diversos ramos da cultura ocidental, e dá origem a toda uma produção de música que é caracterizada genericamente como 'música popular' - no Brasil mais especificamente como 'música popular brasileira' - que adota e aplica o sistema tonal enquanto suporte de suas construções.
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Acorde polissêmico é aquele que, como o próprio termo indica, possui identidades diferentes, podendo pertencer a diversas tonalidades, dependendo de sua grafia e de seu consequente direcionamento.
Toda a nossa formação escolar em Harmonia se deu pelo viés da tradição erudita européia. Muito embora tenhamos acumulado uma prática de vários anos voltada para a música popular, essa vertente, no nosso caso, nunca foi desenvolvida nos bancos da escola; nosso aprendizado foi acumulado através de múltiplos contatos e experiências, sempre cercado por uma atmosfera de absoluta informalidade. No capítulo 4, ao discutir o aproveitamento do repertório procuraremos analisar conflitos e riquezas que o aproveitamento da vertente popular traz para a prática de ensino.
Trataremos agora de analisar a concepção da disciplina Harmonia e sua prática, vistas através do Tratado de Harmonia de Schoenberg, principal referência bibliográfica adotada pela Escola de Música da UFMG, onde localizamos nossa prática.