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2.3. Gagauz Türklerinin Tarihi

2.3.4. Selçuklu Türkleri

O percurso de análise da literatura se inicia com trabalhos que tratam especificamente do(a) DME enquanto agente político(a). Para tanto, foram selecionados textos que abordassem tanto seu perfil quanto suas formas de atuação. As hipóteses que formulamos para o reduzido número de artigos encontrados que têm como tema o(a) DME são as de que, primeiro, há uma predominância de análises que privilegiam a estrutura, o sistema, em uma lógica descendente, de modo que estas não têm, portanto, como ponto de partida o indivíduo. Uma segunda hipótese é a de que a ênfase dos estudos em política educacional no Brasil recai sobre análises que privilegiam o sistema educacional federativo, com a prevalência do Ministério da Educação (MEC) na condução das políticas.

Essa constatação pode ser confirmada pelo trabalho de Medeiros et al. (2011), que faz um balanço crítico da produção de dois encontros nacionais na área de Administração Pública, o Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD) e o Encontro de Administração Pública e Governança (EnAPG), da mesma associação, no sentido de mapear a contribuição desses eventos para a discussão de políticas públicas educacionais, cobrindo o período de 1997-2009. Os autores abordam tanto a administração das escolas quanto os órgãos responsáveis pela gestão das redes de ensino. A partir desse levantamento sistemático da produção na área de Administração, tomando como referencial a produção de temas ligados à Educação na área de gestão, os autores chegam à conclusão de que não há uma interação entre as pesquisas realizadas nas escolas de Administração com as realizadas nas faculdades de Educação, apontando como hipótese para esse distanciamento as diferenças de bases epistemológicas entre as duas áreas, como também sinalizado por Tello (2013). Afirmam que, “embora haja um crescimento no número de trabalhos sobre a educação pública de nível básico, ainda têm ocupado um espaço modesto nos anais dos eventos em questão, o que sugere que trata-se de um tema pouco pesquisado nas pós-graduações em Administração no Brasil” (MEDEIROS et al., 2011, p. 79).

Esse levantamento efetuado por Medeiros et al. (2011) pode nos levar a afirmar, com segurança, que, além do tema da gestão educacional ser pouco tratado nas pós-graduações de Administração, estas não se aproximam da figura do(a) DME, o que vem corroborar a tese,

supramencionada, de que há uma lógica descendente de análise, privilegiando-se o sistema ao indivíduo.

Apontado por Duarte e Cardoso (2013) como o estudo inaugural de âmbito nacional, elaborado após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e, especificamente, sobre os(as) DMEs, o texto de Waiselfisz e Silva (2000)25 tinha como foco as atividades realizadas por esses(as) dirigentes a partir do acesso aos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as atividades realizadas com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Naquele período analisado pelos autores, as deficiências dos(as) DMEs se tornavam evidentes quanto à coordenação e liderança em relação à complexidade das atividades que lhes eram impostas.

Mesmo que o trabalho de Waiselfisz e Silva (2000) não tivesse como escopo a análise da constituição de subjetividades dos(as) DMEs, a pesquisa conduzida por esses autores nos aponta de que forma a indução de políticas educacionais nos municípios através de programas coordenados pelo Governo Federal nem sempre resulta em ações com vistas a implementá- los, como prescrito, ou mesmo tomá-los como coordenadores de ações, dada a complexidade de seus contextos de ação. Essas releituras, adaptações ou mesmo resistências por parte dos(as) DMEs são indicadores da forma como lógicas de ação são elementos constituintes de subjetividades e como essas são orientadoras de tais lógicas. Waiselfisz e Silva (2000) demonstravam, por exemplo, que nesse período não havia uma preocupação, por parte dos(as) DMEs, com os resultados apontados por índices de avaliação educacionais, como os do Saeb, não sendo, portanto, um traço que se constituísse enquanto elemento produtor de subjetividades políticas.

Na mesma linha de se analisarem as ações dos(as) DMEs, Castro (2007) faz um balanço sobre a gênese e desenvolvimento do grupo de pesquisa Gestão e Participação na Educação, sob a coordenação da autora. Este grupo está reunido no Centro de Estudos em Educação Superior da PUCRS e tem intensa produção até a data do artigo, 2007, sobre o perfil e as ações desenvolvidos pelos(as) DMEs na região Sul do Brasil. No texto referido, são feitas compilações de artigos anteriores da autora e membros do grupo, nos quais são detalhados os resultados das pesquisas (CASTRO; WERLE, 2002; CASTRO; SOUZA, 2004; CASTRO; WERLE, 2004). São apresentados a seguir alguns resultados da pesquisa, destacando as mudanças nos perfis dos(as) DMEs da região Sul.

25O texto é o resultado da “Primeira Pesquisa Nacional sobre o Perfil dos Dirigentes Municipais de Educação”, promovido pela Undime e Unesco em 1999.

Em uma sequência de estudos, intitulados Gestão da Educação Básica (GEB, GEB II e GEB III), Castro (2007) buscou revelar o perfil socioeducacional do(a) DME, compreendendo nesses estudos abordagens quantitativas e qualitativas. Mesmo que o objetivo central do grupo fosse analisar a gestão da Educação Básica nos municípios, o foco voltava-se para o indivíduo, tendo como referencial teórico-metodológico a perspectiva sistêmica e da complexidade, baseada nos estudos, dentre outros, de Hargreaves. Dos sete eixos temáticos desenvolvidos pelo grupo, destacaremos três, por se aproximarem do nosso objeto de pesquisa. O primeiro eixo focava a gestão da educação municipal e desenvolveu um levantamento do perfil socioeducacional do(a) Secretário(a) Municipal de Educação (SME). Com os estudos do GEB III, foi possível efetuar a comparação com os dados de um levantamento realizado em 1994 (GEB), possibilitando a construção de uma série temporal. Segundo a autora, “os resultados indicaram muitas mudanças significativas no perfil do SME da Região Sul, que hoje está mais preparado para a função e mais politizado” (CASTRO, 2007, p. 213). Estar “mais politizado”, mesmo que a autora não trate sob essa perspectiva, significa que ocorreram alterações das formas de constituição de subjetividade desse(a) dirigente frente às transformações de suas funções, frente às demandas do cargo, frente, portanto, aos modos de regulação do sistema educacional.

O segundo eixo desenvolvido por Castro, por nós destacado, diz respeito à liderança educacional, no qual a autora aponta: “encontramos um SME que se mantém no cargo há mais de 10 anos, conseguindo assim a implementação de uma política educacional definida” (CASTRO, 2007, p. 213). Já o terceiro eixo trata da produção do conhecimento na área de Administração da Educação, com a realização do Banco de Dados “A Produção do conhecimento na área de Administração da Educação – Periódicos nacionais: 1982-2000” (CASTRO; WERLE, 2004). O GEB III teve como recorte temporal os anos de 1994 e 2005, estabelecendo os estudos comparativos. Dessa forma, as autoras puderam constatar que o número de mulheres que ocupavam o cargo de secretárias municipais de educação aumentou, aumentando também a idade, experiência e qualificação dessas dirigentes. Foi constatado, ainda, que o cargo está mais politizado (SOUZA; CASTRO, 2008), pois muitos(as) dirigentes indicaram o critério político como responsável por sua indicação, visto que muitos têm filiação e militância partidária. Por fim, indica a autora, “a ideia desenvolvida no estudo anterior de que a gestão da educação municipal se caracterizava por uma interação dinâmica e complexa entre vários atores se mantém com os dados atuais” (CASTRO, 2007, p. 218).

Os trabalhos conduzidos pelo grupo de pesquisa Gestão e Participação na Educação Básica, ligado institucionalmente à PUCRS, sob coordenação da professora Marta Luz Sisson

de Castro, é representativo do esforço e da necessidade de se compreender o papel dos(as) DMEs na condução e orquestração das políticas públicas educacionais no âmbito dos municípios brasileiros. A abrangência e a dimensão dos estudos conduzidos pelo grupo – em toda região Sul do país – constituem uma experiência diferenciada, pelo observado na literatura analisada.

O interesse por esses trabalhos, para a pesquisa aqui desenvolvida, deve-se, primeiro, ao próprio objeto de pesquisa, o(a) DME, buscando compreender o seu perfil e sua atuação; segundo, pelas possíveis interseções com os objetivos de nossa própria pesquisa, a constituição de subjetividades dos(as) DMEs, como, por exemplo, a discussão em torno da relevância, ou não, da questão de gênero na condução político-administrativa de uma Secretaria Municipal de Educação.

Quanto a essa questão de gênero, dimensão essencial para a compreensão dos processos de constituição de subjetividades, as conclusões apontadas por Souza e Castro (2003) diferem das apresentadas por Duarte e Cardoso (2013). Enquanto os primeiros demonstram que, apesar de a maioria dos(as) DMEs, analisando o caso do estado do Rio Grande do Sul, serem do sexo feminino, esse aspecto não interferiria na sua “performance profissional” (SOUZA;CASTRO, 2003, p. 77). Já para Duarte e Cardoso (2013), o gênero é um elemento determinante na análise da ação dos(as) DMEs, e os autores afirmam que “as entrevistas realizadas para esta pesquisa relataram trajetórias de escolarização e de atuação diferenciadas [em relação ao gênero], capazes de influenciar prioridades de gestão local” (DUARTE; CARDOSO, 2013, p. 62).

Ferretti (2004), em estudo que busca compreender a relação entre DMEs e poder local, destaca a perspectiva da subordinação desse poder a projetos e programas formulados no âmbito central ou internacional, apontando, também, fatores locais que influenciam a ação dos(as) DMEs de forma negativa ou positiva. Dentre esses fatores, a autora enumera as divergências de estilos administrativos e concepções educativas provenientes de posições político-partidárias, que resultam em divergências de opiniões e pontos de vista sobre os rumos da educação e as formas de indicação local dos cargos nos municípios, que privilegiariam injunções políticas em detrimento de profissionais especializados. O que Ferretti (2004) indica como divergências de pontos de vista pode ser relacionado aos processos de constituição de subjetividades dos(as) DMEs, pois envolve concepções e valores.

Ferretti (2004) assinala, de forma pioneira, a relação entre a produção e apropriação de conhecimentos específicos e a atuação dos(as) DMEs. A autora identifica, também, novos

padrões de administração educacional decorrentes do crescimento do número de entidades associativas, o que afetaria o(a) DME no sentido de compreender como deve agir e o que deve saber, analisando, dessa forma, as novas maneiras de governança do sistema educacional em sua multiplicidade de atores.

Na perspectiva de subordinação do poder local ao poder central, P. Almeida (2007) analisa a atuação de DMEs em 15 municípios do estado do Paraná. Para o autor, a impossibilidade de escapar a determinações econômicas é confrontada com valores e intenções dos(as) próprios(as) DMEs, afirmando haver uma tensão entre as opiniões do ponto de vista político e as proposições próprias da educação, com o predomínio do fator político. Essa visão dicotomizada pode não levar em conta que, muitas vezes, o cargo de DME é uma indicação política (SOUZA; CASTRO, 2008), portanto, as ações deste estariam em consonância com os posicionamentos políticos do grupo dirigente no município. Essa visão desconsidera, também, as maneiras como os(as) DMEs operam com essas determinações, sejam políticas ou econômicas, como reconstroem seus significados à luz de sua atuação, como seus processos de constituição de subjetividades interferem nessas ações.

Dois estudos analisados tiveram como objetivo traçar o perfil dos(as) DMEs no estado do Pará – os de Damasceno et al. (2010) e Santos e Dias (2012). O primeiro trabalho, elaborado por solicitação da Undime, revelou um perfil dos(as) dirigentes desse estado congruente com outras pesquisas já realizadas, mas, como observam Duarte e Cardoso (2013), as conclusões apresentadas requerem melhor articulação com as informações coletadas. O segundo trabalho, de Santos e Dias (2012), exposto no VIII Encontro Regional da Anpae Sudeste, afigura-se muito incipiente, descrevendo alguns dados coletados com a pesquisa com os(as) DMEs do estado do Pará, e não apresenta, tampouco, conclusões diferenciadas de outras pesquisas que tratam do perfil do(a) DME.

Perfis podem apontar uma tendência, um quadro panorâmico, mas não são capazes de nos informar a respeito de como determinados contextos de ação podem conformar determinadas subjetividades e, tampouco, de que forma os indivíduos fazem releituras desses contextos a partir de suas experiências, a partir do conjunto de suas lógicas de ação. Constatar que 59% dos entrevistados no Pará, por exemplo, são do sexo feminino não diz muito sobre as condicionantes culturais próprias desse estado em relação às mulheres, que a atuação delas nesse estado deve pouco se aproximar da atuação de uma dirigente de uma grande capital no Sudeste. O risco que esse tipo de estudo corre é o de que os perfis sejam tratados como sucedâneos do sujeito, desconsiderando-se, dessa forma, as particularidades.

Relacionamos o estudo de Andrade (2010) pelo fato de o autor utilizar a AD para buscar nas falas de DMEs do Recife suas posições quanto à gestão democrática. Mesmo que o foco não seja a análise da constituição de subjetividade, ainda que trabalhando com a noção de valores quanto à questão da democratização das relações entre as secretarias municipais de educação e os conselhos escolares, o fato de o autor trabalhar a forma como os(as) DMEs mobilizam determinados discursos são indícios da constituição de seus processos de subjetivação.

Relacionando o trabalho do(a) DME à questão da valorização do magistério, Carvalho (2012) empreende uma análise sobre a proposta formativa do Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação (Pradime/MEC). No entanto, o olhar do autor se volta para os processos normativos desse programa, sem focar na maneira como essa formação atua na constituição de subjetividades dos(as) DMEs. O que a presente pesquisa buscou é analisar de que forma textos que contenham modelos de conduta, como os da Undime (Capítulo 4), e que são um dos instrumentos de formação dos(as) DMEs, contribuem para a constituição de suas subjetividades.

Destaca-se entre a literatura analisada a Segunda Pesquisa Nacional realizada pelo Inep/MEC, em parceria com a Undime e a Unesco, sobre o perfil do(a) Dirigente Municipal de Educação, com a coleta de dados ocorrida no ano de 2010. A pesquisa teve uma significativa taxa de resposta, 61,3% dos municípios brasileiros. Por meio de questionários enviados aos(às) DMEs, procurou-se levantar dados referentes a temas como características pessoais, formação, perfil político e profissional, prioridades da gestão, posicionamento quanto ao PAR e ao Ideb, necessidade de capacitação e apoio à gestão (INEP, 2011). Alguns dos dados revelados pela pesquisa podem ser utilizados como elementos que deem pistas sobre como a atuação dos(as) DMEs – especialmente ao revelar as prioridades, seus posicionamentos políticos, sua formação e gênero – são elementos constituintes de suas subjetividades.

Em suas conclusões, o estudo aponta que, das características pessoais, o(a) dirigente típico é mulher, com idade entre 41 e 50 anos, e se considera de cor/raça branca. Em termos de formação e posicionamento político, o(a) dirigente típico é graduado(a), geralmente, já concluiu algum curso de especialização e é filiado(a) a partido político. Em termos de perfil profissional, esse(a) dirigente tem experiência na área educacional e faz parte do quadro do magistério (BRASIL, 2011, p. 31). Esses dados foram utilizados para confrontar com os recolhidos em nossa amostra.

Uma pesquisa qualitativa poderia apontar, por outro lado, o(a) dirigente atípico(a) e que, dependendo de seu território de influência, pode ser um elemento diferencial nas análises das políticas públicas educacionais.

Os resultados apresentados pela pesquisa podem, de fato, suscitar novas investigações; no entanto, as condições de realização desse trabalho devem ser levadas em consideração. O fato de ser conduzida por uma autarquia do Ministério da Educação não pode ser desconsiderado, pois isso pode ter sido um fator que de certa forma direcionou as respostas dos(as) dirigentes. Como, por exemplo, apresentar um posicionamento contrário ao PAR, visto ser a adesão ao programa uma condição para a assistência técnica e financeira do MEC ao município? Ou, ainda, ao contrário, o dirigente pode ser filiado a um partido de oposição à coligação instalada no Governo Federal, apontando apenas os aspectos negativos dos programas. Esses condicionantes, dentre outros, devem ser levados em conta, daí a importância de estudos que se aproximem desses atores para, dessa forma, aproximarem-se, também, da complexidade das relações que se estabelecem nos contextos de ação dos(as) DMEs.

Por fim, em trabalho mais recente, Duarte e Cardoso (2013) desenvolveram uma pesquisa na qual foram entrevistados 23 DMEs nos anos de 2011 e 2012, distribuídos pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. O critério de escolha dos municípios levou em consideração o cruzamento de dados do Ideb e da Capacidade Institucional de Atendimento (CIA), trabalhando-se com a hipótese de que poderia haver a influência de maior ou menor disponibilidade de recursos na atuação dos(as) DMEs, associada a melhores resultados educacionais. A seleção recaiu sobre os municípios com relações atípicas entre essas duas variáveis. A pesquisa conduzida por Duarte e Cardoso (2013) tinha como um de seus objetivos centrais conhecer o modo como se articulam o sistema político e o educacional brasileiro. Para tanto, foram delimitados pelos autores cinco construtos de análise sobre a atuação dos(as) DMEs, buscando explorar a intersecção entre a atividade política de administrar e os processos de regulação dos sistemas educacionais locais. As cinco dimensões estabelecidas pelos autores foram: as relações intrassistêmicas, a articulação intersistêmica, a produção normativa na área educacional, a relação com o Ideb e a trajetória político- profissional.

Pela sua própria natureza metodológica, a pesquisa desenvolvida por Duarte e Cardoso (2013) se propunha a ir além da busca da construção de um perfil, de suas características comuns, seus contornos, com a intenção de compreender de que forma se estabelece a relação entre a atividade política de administrar e os processos de regulação dos sistemas

educacionais locais. Dentre os resultados apresentados pelos autores, destacamos aqueles que podem nos oferecer elementos de análise dos processos de constituição de subjetividades dos(as) DMEs. Quanto à literatura analisada, os autores arriscaram estabelecer uma comparação dos principais estudos que buscaram traçar um perfil para os(as) dirigentes. Mesmo trabalhando com amostras não equiparáveis, concluem que esses estudos revelaram características sociográficas convergentes entre os(as) DMEs, como a presença majoritária das mulheres com graduação, formação em Pedagogia e a experiência prévia na área de Educação. Afirmam, ainda, apontando perspectivas para futuros trabalhos que “o estudo dos relatórios dessas pesquisas revelou a importância da organização de protocolos comuns de coleta, tanto para os estudos qualitativos quanto para os quantitativos, com o objetivo de favorecer análises comparativas (DUARTE; CARDOSO, 2013, p. 42).

Quanto aos(às) DMEs, Duarte e Cardoso (2013) revelam três “tipos ideais”: primeiro, mulheres com trajetórias na área educacional, pedagogas e com maior conhecimento da regulação institucional; segundo, homens com formação na área de Ciências Sociais Aplicadas, com preocupação focada na gestão eficiente, com baixo nível de conhecimento dos mecanismos de regulação gestados no âmbito do Governo Federal; terceiro, “de ação, mais residual, é marcada pela presença de DMEs que praticamente desconhecem os regulamentos federais da área educacional” (DUARTE; CARDOSO, 2013, p. 128). Destaca-se nesses resultados apresentados pelos autores a questão de gênero, elemento que de certa forma condiciona a ação dos(as) DMEs, que consideramos um importante substrato para a constituição de suas subjetividades.

Finalizando esse eixo de análise da revisão da literatura proposto para esta pesquisa, seguindo Duarte e Cardoso (2013), destacamos que “são poucos os estudos em sociologia política da educação que se concentraram na dimensão local das experiências democráticas no Brasil e são raros aqueles que abordaram lógicas de ação das lideranças políticas locais” (DUARTE; CARDOSO, 2013, p. 43). Acrescentamos que são mais raros ainda aqueles que tratam da constituição de subjetividades dos(as) DMEs. Ainda segundo os autores, “um estudo abrangente e sistemático do perfil dos(as) DMEs brasileiro, associada a sua ação e aos modos de gestão dos municípios brasileiros ainda encontra-se por fazer” (DUARTE; CARDOSO, 2013, p. 49). Diante dessa constatação, reafirmamos que o silêncio sobre o papel dos(as) DMEs é a manifestação de um discurso em defesa da construção de um sistema nacional de educação, o que acaba por gerar uma produção acadêmica de menor porte sobre esse ator e sobre as formas como são geridos os sistemas ou redes municipais de educação no Brasil.