• Sonuç bulunamadı

1.4. Sayıltılar

2.2.2. Gagauzların Türk Olduğuna Dair Görüşler

Neste tópico, será feita a caracterização dos(as) DMEs entrevistados para a pesquisa, a partir dos dados apresentados no QUADRO 1. São tratadas as características quanto a gênero, idade, cor/raça, estado civil, religião, formação acadêmica, faixa salarial, filiação partidária e tempo em exercício de gestão como DME naquele município.23

23

Quadro 1 - Dados dos(as) entrevistados(as)

Município Gênero Idade Cor/raça Estado

civil Religião Formação acadêmica

Faixa salarial1 Filiação partidária2 Tempo (em gestão)3 NO/MP/M M 46 Branca Casado Católica Administração/Especialização 10 a 15 Não 1

NO/PP/M M 51 Parda Casado Católica Letras/Especialização Literatura 3 a 5 PV 3 TAP/GP/F F 62 Parda Viúva Católica Pedagogia/Espec.Superv.escolar 6 a 8 Não 1 NM/GP/F F 60 Parda Casada Católica Pedagogia/Espec.Psicopedagogia 10 a 15 Não 1 VJ/MP/F F 50 Branca Viúva Evangélica Pedagogia/Espec.Proc.Aprendizagem 8 a 10 PSDB 1 VJ/PP/F F 46 Parda Casada Católica Pedagogia/Espec.Educação religiosa 3 a 5 Não sabe 2

SSO/GP/F F 48 Branca Separada Católica História/Mestre Educação 5 a 6 Não 1

SSO/PP/F F 34 Parda Casada NR Pedagogia 2 a 3 Não sabe 1

MBH/GP/F F 45 Negra Separada NR Serviço social/Mestre Educação 15 a 20 PT 1

MBH/MP/M M 36 Parda Casado NR Matemática/ Especialização 10 a 15 PT 1

MBH/PP/F F 36 Branca Casada Católica Matemática/Especialização 3 a 5 Não 1

CV/GP/M M 48 Branca Divorciado Católica Direito/ Espec.Direito Civil 6 a 8 Não 1

CV/PP/M M 48 Branca Casado Católica Geografia 3 a 5 PV 1

CM/MP/F F 44 Branca Casada Católica Biologia/Espec.Gestão escolar 6 a 8 Não 1 CM/PP/M M 45 Branca Divorciado Católica Pedagogia/ Espec.Psicopedagogia 3 a 5 PSDB 4

ZM/GP/F F 66 Branca Casada Católica Pedagogia/Mestre Educação 6 a 8 PT 1

VRD/GP/F F 43 Negra Solteira Não tem História/Especialização História 10 a 15 PT 1 VRD/PP/F F 40 Parda Casada Católica Pedagogia/Espec.Gestão escolar 2 a 3 Não 1 OM/MP/F F 55 Branca Casada Católica Letras/Espec.Gestão escolar 3 a 5 Não sabe 2 OM/GP/F F 52 Branca Casada Católica Pedagogia, Direito/Espec. Educação 10 a 15 PSDB 1 OM/PP/F F 58 Branca Casada Católica Pedagogia/ Espec.Inspeção escolar 3 a 5 DEM 4

Nota: 1. Faixa salarial tomando-se como referência a categorização estabelecida pelo IBGE, tendo por base o salário mínimo em vigor no ano de 2014: até 2/ Mais de2 a 3/Mais de 3 a 5/Mais de 5 a 6/Mais de 6 a 8/Mais de 8 a 10/Mais de 10 a 15/Mais de 15 a 20/Mais de 20 a 30/Mais de 30. Fonte: IBGE, 2015. Renda relativa apenas ao recebimento de proventos como DME, excluindo-se outras fontes. Nota: 2: A indicação “não sabe” significa que o(a) respondente é filiado(a) a algum partido político, mas não sabe à qual. Nota: 3: Número de gestões em que o(a) entrevistado(a) exerce ou já exerceu a função de DME.

Nos municípios selecionados para a pesquisa, há uma predominância de DMEs do sexo feminino, 71,42% (GRAF. 1). Esse percentual aproxima-se do valor encontrado pela pesquisa do Inep sobre o perfil do(a) DME (INEP, 2011a), 72,3% dos respondentes são mulheres. Os dados, no entanto, não acompanham os números agrupados por unidades da Federação, sendo que, para Minas Gerais, os respondentes do sexo feminino correspondem a 79,07% da amostra (BRASIL, 2011a).24

Gráfico 1 - Distribuição dos(as) DMEs entrevistados(as) por gênero

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

Sendo um elemento relevante na constituição das subjetividades, questionamos em que sentido a predominância de mulheres na condução das secretarias municipais de educação no estado de Minas Gerais resulta na construção de lógicas de ação que possam ser diferenciadas daquelas construídas por DMEs do sexo masculino. Nas 15 entrevistas realizadas com dirigentes do sexo feminino, a condição de gênero não se destacou como um elemento passível de processos de reflexividade por parte das entrevistadas. No entanto, podemos constatar, a partir da reunião dos dados dos(as) entrevistados(as) (QUADRO 1), que nesse universo, nove delas têm graduação/formação em Pedagogia. De acordo com Duarte e Cardoso (2013), esse aspecto é decisivo para a ação dessas dirigentes, que possuiriam um maior conhecimento dos processos de regulação institucional. Nas entrevistas realizadas, constatamos que ocorre: a) a construção de lógicas de ação calcadas no saber pedagógico, privilegiando na gestão a dimensão da relação ensino/aprendizagem; b) a construção de um ethos ligado à construção de uma imagem da pedagoga, corroborada por cenas de enunciação que procuram reforçar esse posicionamento.

24

Dos seis dirigentes entrevistados do sexo masculino, dois não têm formação/graduação relacionadas à Educação, sendo do campo da Administração e do Direito, o que não ocorre com nenhuma das entrevistadas, uma vez que todas têm sua trajetória relacionada ao campo educacional e atuam como professoras, supervisoras, diretoras.

Os DMEs do sexo masculino, por sua vez, teriam suas lógicas de ação orientadas por uma visão mais administrativa que pedagógica? As entrevistas nos revelam que sim, e que alguns dos entrevistados se ressentem do fato de não ter uma formação na área de Pedagogia para poder atuar na condução da Educação em seu município.

O segundo aspecto a ser destacado na composição da amostra dos pertencimentos dos(as) DMEs entrevistados diz respeito à faixa etária dos(as) dirigentes. A média de idade dos(as) entrevistados(as) é de 48,2 anos, próxima à da pesquisa Inep/2010, que é de 47,5 anos para a região Sudeste, a mais alta média do Brasil.

Gráfico 2 - Faixa etária dos(as) DMEs entrevistados(as)

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

O aspecto geracional nos informa a respeito das experiências profissionais dos(as) DMEs, não necessariamente de suas experiências de atuação como Secretário(a) Municipal de Educação, visto a maioria deles, 76%, estarem em sua primeira gestão, como também apontado pelo material produzido pela Undime (2012). Essas experiências profissionais são sublinhadas pelos(as) entrevistados(as) em seus relatos, por considerarem fundamentais para que chegassem à condição de DMEs.

De acordo com categorização estabelecida por Foucault (1984), consideramos que as formas como o indivíduo constrói sua trajetória, suas escolhas, as maneiras como é afetado pelos condicionamentos morais constituem sua “determinação da substância ética”, na qual ele é o sujeito moral dessa ação. Referimo-nos às formas como esse(a) dirigente busca se

aperfeiçoar, transformar-se através de sua ação, no caso, como ele(a) constrói seus trajetos dentro do campo educacional e que são elementos que compõem sua imbricada subjetividade, formatando, juntamente a outros elementos, seus modelos de conduta.

O pertencimento de cor/raça, de acordo com a autodeclaração dos(as) entrevistados(as), revelou que a maioria é branca, assim como apontado pela pesquisa Inep/MEC (INEP, 2011). Em nossa amostra, o número de DMEs que se declararam de cor negra, 9,52%, é superior ao da referida pesquisa, que aponta um percentual de 4,7% para a amostragem nacional. Não apareceram, entre os(as) entrevistados(as), aqueles(as) que se declararam indígenas ou amarelos (GRAF. 3).

Gráfico 3 - Número de entrevistados(as) por cor/raça

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

O componente étnico-racial é um elemento essencial na composição da identidade do sujeito e também na constituição de sua subjetividade, no entanto, essa dimensão foi destacada em apenas uma das entrevistas, na qual a dirigente revelava em sua trajetória a militância em coletivos de afirmação étnico-racial, o que, em suas palavras, contribuiu para que ela chegasse ao cargo de DME. Os dados coletados na pesquisa não nos permitiram estabelecer uma relação entre a construção de lógicas de ação e o componente étnico-racial, o que necessitaria de um enfoque específico. Mas não devemos deixar de considerar que o número de DMEs que se declararam negros, 4,7%, e pardos, 28,7%, na pesquisa do Inep (INEP, 2011), é revelador da desigualdade de acesso, relacionado à cor/raça, aos cargos considerados topos da carreira de magistério.

Um item coletado pelas entrevistas foi quanto ao estado civil dos(as) DMEs (GRAF. 4). Esse dado pode ser relacionado às formas como os(as) dirigentes relataram o que no

roteiro de entrevista foi denominado “vida associativa”, buscando expor suas prática sociais. O que se destaca é o fato de o convívio com a família, e da valorização desse convívio, ser um aspecto mencionado como forma de lazer, daquilo que os(as) DMEs fazem em seus momentos de descanso.

Gráfico 4 - Estado civil dos(as) entrevistados(as)

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

Outro item do roteiro de entrevista aplicado aos(às) DMEs, também relacionado à sua vida associativa, dizia respeito à religião (GRAF. 5) e revelou que 76% dos(as) entrevistados(as) se declararam “católicos”. Essa pertença (muitos(as) declararam participar ativamente das atividades da Igreja à qual pertencem) é um fator que contribui para a formação de uma determinada visão de mundo, de valorização do associativismo, da interação desses(as) dirigentes com a vida social em seus municípios, fator que se destaca nas cidades de pequeno porte.

Gráfico 5 - Religião dos(as) entrevistados(as)

Todos(as) os(as) DMEs entrevistados(as) declararam ter formação em curso superior; um expressivo número com pelo menos uma especialização e apenas dois sem pós-graduação. Há uma diversidade de formação em nível superior, desde aquelas relacionadas à área educacional, como Pedagogia, Letras, História, Matemática, Geografia e Biologia, como também Administração, Direito e Serviço Social. Destaca-se o grande número de entrevistados(as) com formação específica em Pedagogia, 50%, sendo que, desse número, apenas um é do sexo masculino (GRAF. 6).

Gráfico 6 - Formação/graduação dos(as) DMEs

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

A renda bruta mensal dos(as) DMEs no exercício da função concentrou-se, em sua maioria, na faixa de 3 a 5 salários mínimos, 34%, seguida por aqueles(as) dirigentes que recebem de dez a quinze salários mínimos, 24% (GRAF. 7). As maiores faixas salariais concentram-se nos municípios de médio e grande porte; já as menores, em dois municípios pesquisados, de pequeno porte. O tema salarial foi abordado, espontaneamente, por mais de um(a) dirigente ao longo da entrevista, sendo alvo de queixa por ser baixo, como destacado na fala de uma DME de uma cidade de grande porte, localizada na região sul de Minas Gerais, que explica a razão do salário pago pelo município ao dirigente ser o mais baixo da região:

É questão política mesmo, havia uma divergência política de partidos, antes era um partido, agora é outro, então eles não entravam, os próprios vereadores é que têm que aprovar [o salário dos secretários municipais]. Então não tinha maioria na Câmara, acabava que não aprovava. E aí foi ficando bem defasado em relação aos demais, tanto que, no meu caso, para ser secretária, eu ganho menos que eu ganhava, porque eu tenho um cargo efetivo na prefeitura, sou psicopedagoga, com mais o que eu tenho de aula, trabalhava em pós-graduação também, quer dizer que eu tive uma perda significativa.

Gráfico 7 - Faixas de rendimento salarial dos(as) DMEs (em salários mínimos)

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

O perfil político dos(as) DMEs é retratado a seguir (GRAF. 8). Constata-se que a maioria dos(as) entrevistados(as) possui filiação partidária, 62% dos respondentes, número próximo ao levantamento realizado pelo Inep (INEP, 2011), que é de 67,7% para todo Brasil. Dado curioso diz respeito ao fato de três dos(as) entrevistados(as) não saberem responder à qual partido político são filiados(as), argumentando não se lembrarem, mas que se tratava do mesmo partido do prefeito do município. As implicações desses dados serão analisadas adiante, no Capítulo 5, quando será abordada a questão da constituição da subjetividade do(a) DME.

Gráfico 8 - Filiação partidária dos(as) entrevistados(as)

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

O GRAF. 9 aponta que a grande maioria dos(as) DMEs entrevistados(as) dos municípios selecionados para a pesquisa encontra-se no primeiro mandato, 76%, dado que corresponde ao levantamento da Undime, indicando que mais de 70% das prefeituras no

Brasil, após as eleições de 2012, tiveram novos prefeitos, o que implica em uma tendência também de renovação político-administrativa em relação ao(à) DME (UNDIME, 2012b). O fato de o(a) dirigente estar em sua primeira gestão à frente das secretarias municipais de educação possibilita apurar com mais detalhes as formas pelas quais ele se forma, se prepara para a função, elementos importantes quando na análise da constituição de sua subjetividade.

Gráfico 9 - Número de gestões à frente da Secretaria Municipal de Educação

Fonte: Dados trabalhados pelo autor, 2014.

Sintetizando, o sujeito de nossa pesquisa é predominantemente do sexo feminino, dado que, pela análise das entrevistas, não é um elemento passível de processos de reflexividade por parte das entrevistadas. Essa maioria do sexo feminino tem formação em Pedagogia, o que faz com que construam um discurso centrado em um saber pedagógico. Por outro lado, a minoria do sexo masculino traz para sua gestão uma visão relacionada aos processos da Administração. Na faixa etária média de 48 anos, a maioria encontra-se em sua primeira gestão frente à Secretaria Municipal de Educação. A maior parte se autodeclara de cor branca, não sendo possível estabelecer relação entre lógicas de ação e componentes étnico-raciais. Quanto à opção religiosa e à formação acadêmica, poucos não são católicos e não possuem nível superior e muitos têm pós-graduações. Apesar de ser um elemento permeado por tensões, a maioria dos(as) entrevistados(as) estão filiados a algum partido político.

Muitos dos dados apontados em nossa pesquisa se aproximam daqueles levantados pelo Inep (INEP, 2011), revelando que a escolha dos municípios efetuada possibilita dialogar com uma amostragem ampla. A configuração desses pertencimentos sociais nos fornece elementos para a compreensão dos processos de constituição das subjetividades dos(as) DMEs. No entanto, propomos-nos nesta pesquisa a ir além do perfil do(a) dirigente,

caracterizando suas lógicas de ação em seus contextos próprios de ação, para, dessa forma, compreender como a junção destas com suas subjetividades são elementos que conformam as políticas públicas educacionais nos municípios.