1.2. Araştırmanın Amacı
2.1.1. Biyolojik Cinsiyet, Toplumsal Cinsiyet ve Cinsiyet Rolü
2.1.1.2. Sosyolojik Çerçevede Biyolojik Cinsiyet Araştırmaları
A respeito da origem do Estado, Bobbio (1992) aponta que a palavra “Estado” se impôs através da difusão e pelo prestígio do Príncipe de Maquiavel. A obra começa citando que “todos os Estados, todos os domínios que imperavam e imperam sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados” [1513, ed. 1977, p. 5]. Isto não quer dizer que a palavra tenha sido introduzida por Maquiavel.
Com o autor do Príncipe o termo “Estado” vai pouco a pouco substituindo, embora através de um longo percurso, os termos tradicionais com que fora designada até então a máxima organização de um grupo de indivíduos sobre um território em virtude de um poder de comando: civitas, que traduzia o grego pólis, e res publica com o qual os escritores romanos designavam o conjunto das instituições políticas de Roma, justamente da civitas.
A única palavra do gênero conhecida pelos antigos para designar as várias formas de governo era civitas mas, quando já na Europa , no tempo de Maquiavel, o termo civitas devia ser percebido, especialmente para quem falava em língua vulgar (e não em latim), como sempre mais inadequado para representar a realidade de ordenamentos políticos que se estendiam territorialmente bem além dos muros de uma cidade, aí compreendidas as repúblicas que tomavam de empréstimo o nome de uma cidade, como a república de Veneza:
assim , a exigência de ter à disposição um termo de gênero mais adequado para representar as situações reais devia ser mais forte do que o vínculo de uma longa e respeitada tradição. Daí o êxito do termo “Estado”, que através de modificações passou de um significado genérico de situação para um significado específico de condição de posse permanente e exclusiva de um território e de comando sobre os seus respectivos habitantes.
Ainda segundo Bobbio, mesmo quem considera que o conceito de Estado e a correspondente teoria devem ser amplos o suficiente para abarcar ordenamentos diversos do Estado moderno e a ele precedentes – e, portanto, não tem nenhuma dificuldade de dissociar a origem do nome da origem da coisa -, não pode deixar de pôr-se o problema de saber se o Estado sempre existiu ou se é um fenômeno histórico que aparece num certo momento da evolução da humanidade. O Estado entendido como ordenamento político de uma comunidade, nasce da dissolução da comunidade primitiva fundada sobre os laços de parentesco e da formação de comunidades mais amplas derivadas da união de vários grupos familiares por razões de sobrevivência interna (o sustento) e externas (a defesa). Enquanto que para alguns historiadores contemporâneos, o nascimento do Estado assinala o início da era moderna, segundo uma mais antiga e mais comum interpretação, o nascimento do Estado representa o ponto de passagem da idade primitiva, gradativamente diferenciada em selvagem e bárbara, à idade civil, onde “civil” está ao mesmo tempo para “cidadão” e “civilizado”.
Uma outra tese é a dos primeiros antropólogos, como Charles Morgan, aceita e divulgada por Engels, que a transplantou para a teoria marxiana do Estado como instrumento de dominação de classe. Com o nascimento da propriedade individual nasce a divisão do trabalho, com a divisão do trabalho a sociedade se divide em classes, na classe dos proprietários e na classe dos que nada têm, com a divisão da sociedade em classe nasce o poder político, o Estado, cuja função é essencialmente a de manter o domínio de uma classe
sobre outra recorrendo inclusive à força, e assim a de impedir que a sociedade dividida em classes se transforme num estado de permanente anarquia.
Ainda segundo Bobbio (1992), o problema do surgimento do Estado nas sociedades primitivas é um dos grandes temas de debate da antropologia cultural: as sociedades primitivas conheceram e conhecem ordenamentos da convivência que podem ser chamados de Estado ou devem ser consideradas “sociedades sem Estado?”. Uma saída aparente é aquela adotada freqüentemente pelos antropólogos, que evitam falar de Estado e falam bem mais de organização política ou de sistema político. Trata-se de uma solução aparente porque não evita a obrigação de delimitar e definir o conceito de política, que não é menos ambíguo do que o de Estado.
Nestes últimos anos os estudiosos dos fenômenos políticos abandonaram o termo “Estado” para substituí-lo por “sistema político”.
Aquilo que “Estado” e “política” têm em comum é a referência ao fenômeno do poder. Não há teoria política que não parta de alguma maneira, direta ou indiretamente, de uma definição de “poder” e de uma análise do fenômeno do poder e a análise do Estado se resolve quase totalmente no estudo dos diversos poderes que competem ao soberano. A teoria do Estado apóia-se sobre a teoria dos três poderes (o legislativo, o executivo, o judiciário) e das relações entre eles.
Segundo Bravo e Pereira (2001, p.27), a idéia de dominação como núcleo do conceito de Estado vem desde os gregos, na Antigüidade, para quem Estado e lei eram recursos políticos que sempre andavam de mãos dadas.
A conhecida idéia medieval de que o soberano exercia o poder em nome de Deus teve suas raízes na Antigüidade, mas foi acrescida de um elemento novo: o de que o rei deveria ser aceito por seus súditos para que a sua soberania fosse legítima. Dessa exigência de
legitimação como um instrumento de controle público nasceu a doutrina do pacto entre o soberano e os súditos, mediante o qual se estabeleciam as condições de exercício do poder e das obrigações mútuas. Implícita nesse pacto estava a compreensão de que a obediência devida ao soberano só ocorreria se o mesmo não infringisse a lei superior – a lei divina – e as condições estabelecidas no pacto. Surgem, assim, na Idade Média, duas categorias de direito: o direito divino e superior ao direito humano, e o direito dos homens, construído pelos membros da sociedade, em sua própria defesa contra o poder do Estado.
As concepções e práticas político-jurídicas medievais foram fundamentais para o desenvolvimento da teoria do Estado e dos direitos modernos. Foi na era moderna que a noção de Estado de Direito ou de Estado limitado pela lei ganhou relevância. Tanto é que Montesquieu, na sua teoria do Estado, incorporou a idéia inglesa de divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário) como forma de conter o poder dos governantes. Essa teoria serviu de modelo para o Estado constitucional americano, além de inspirar o princípio da “igualdade jurídica” que serviu de referência, na Europa, tanto para os reformadores do sistema político (alemães e austríacos) quanto para os revolucionários (franceses), no século XVIII.
A partir daí ganha nitidez a defesa do princípio do controle público, com base em normas e estratégias políticas que enquadravam o Estado nos limites constitucionais, socialmente legitimados. Ganha também expressão o interesse das Ciências Sociais pela temática do Estado, prevalecendo nessa área de conhecimento enfoques que, como o de Max Weber, embasaram muitas das idéias liberais modernas e contemporâneas.
Os liberais põem acento na autonomia individual. O Estado passa a ser concebido como uma instância separada da sociedade, devendo esta se expressar apenas de forma parcial; transforma-se na mais elevada associação dos membros da sociedade, devendo, por
isso, estabelecer os marcos para a atuação conjunta das forças sociais e assegurar a identidade e a autonomia destas.
Os liberais pressupunham que a organização estatal não seria afetada por fatores sociais e econômicos e, portanto, não deveria preocupar-se em prestar serviços à sociedade.
Ao liberalismo combina-se um forte “darwinismo”23, em que a inserção social dos indivíduos define-se por mecanismos de seleção natural. Trata-se de uma sociedade fundada no mérito de cada um em potencializar suas capacidades “naturais”. Não se devia, portanto, despender recursos com pobres, dependentes ou passivos (COUTINHO, 1989), mas vigiá-los e puni-los, como mostra o estudo de Foucault (1987). Relação semelhante é mantida com os trabalhadores: não se deve regulamentar salários sob pena de interferir no preço “natural” do trabalho, definido nos movimentos “naturais” e equilibrados da oferta e da procura no âmbito do mercado. Trata-se da negação da política e, conseqüentemente, da política social.
De ângulos e em épocas muito diferentes, T. H. Marshall (década de 50), Foucault (década de 60), Kenneth Lux e Robert Castel (década de 90) vão mostrar a forte polêmica em torno da reforma social. Ao menos até fins do século XIX e início do século XX, as idéias liberais irão prevalecer, derrotando na maior parte das vezes os humanistas, democratas e reformadores.
Com a industrialização, a regulamentação jurídica das relações entre os membros da sociedade pré-industrial, assim como as relações de produção, sofreram sensíveis mudanças. As pequenas unidades produtivas agrícolas, artesanais, familiares, bem como as limitadas comunidades, cederam lugar à sociedade de livre mercado, ao mesmo tempo em que várias organizações de defesa dos interesses dos trabalhadores, consumidores e pequenos produtores eram formados e fortalecidos.
23 Os darwinistas sociais fazem uma transposição das descobertas de Darwin - que publicou “A origem das Espécies” em 1859 - para a história humana. Segundo Spencer, por exemplo, a intervenção do Estado no “organismo social” seria contrária à evolução natural da sociedade, onde os menos aptos tenderiam a desaparecer. (BOTTOMORE, 1988, p.97).
A questão social que eclodiu na segunda metade do século XIX, no rastro da Revolução Industrial, impôs-se como fato perturbador da ordem e das instituições liberais burguesas.
A questão social, constituída em torno do pauperismo e da miséria das massas, representou o fim de uma concepção idealista de que a sociedade, por si só ou, quando muito, perseguida pela polícia, pudesse encontrar soluções para os problemas sociais. Nesse papel, o Estado passa, não apenas a regular com mais veemência a economia e a sociedade, como também a empreender ações sociais, prover benefícios e serviços e exercer atividades empresariais. (BRAVO e PEREIRA, 2001, p.31)
Inicia-se, desde então, no seio do sistema capitalista, uma caminhada em busca de uma alternativa ao liberalismo. Desta forma, o Estado capitalista tornou-se, desde o final do século XIX, parte visivelmente interessada nos conflitos entre capital e trabalho, agudizados pelo processo de industrialização, assumindo um forte papel regulador, dando origem ao Estado de Bem-Estar24 (Welfare State) ou Estado Social.
Foi assim que, nos fins do século passado, o sistema previdenciário alemão, implantado entre 1883 e 1889, por Otto Von Bismark, representou a primeira intervenção orgânica do Estado nas relações de trabalho industrial. Foi assim, também, que, na Grã- Bretanha, surgiu, em 1864, a legislação fabril e, entre 1905 e 1911, foi adotado um sistema de seguro nacional progressivo. Nos trinta anos entre 1883 e a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, nota-se, ainda, que vários países industrializados, com exceção dos Estados Unidos e do Canadá, introduziram na agenda de intervenção social políticas públicas compensatórias dos riscos sofridos pelos trabalhadores da indústria. Entretanto, mesmo os Estados Unidos, um país tradicionalmente relutante na adoção de esquemas públicos de proteção social, desenvolveram, no final desse período, consideráveis avanços nesse sentido.
24 Rótulo criado pelo bispo William Temple para expressar não propriamente “bem estar social”, mas mudanças econômicas e políticas dos novos tempos de paz.
Além disso, nos trinta anos mencionados, mais dez países europeus adotaram medidas relativas ao seguro-saúde e nove passaram a legislar sobre pensões referentes aos idosos.
Os anos 20 e 30 do século XX vivenciaram importantes acontecimentos econômicos e políticos que contribuíram decisivamente para a constituição do Estado Social, afirmado, finalmente, nos anos 40. Durante a Primeira Guerra Mundial, contudo, o Estado capitalista já exercia forte ação interventora, tanto na produção – principalmente com a indústria bélica – quanto na distribuição de bens e serviços.
Vieira (1992) também realiza um retrospecto sobre a história da política social no mundo, destacando que os anos de 1929 a 1931 não deixam dúvidas a respeito dos estorvos à estabilização, dando início a uma crise econômica sem precedentes e sem comparação com a Grande Depressão seguida a 1873 e a 1895, possuindo reflexos mundiais. Em outubro de 1929, a Bolsa de Nova York sofre o crash (quebra), com violentíssima queda do valor dos títulos, pulverizando fortunas em pouco tempo. Os E.U. se singularizam pela prosperidade na década de 20, contrapondo-se às dificuldades econômicas e sociais da vida européia. Mas os E.U. edificam naquela década um desarranjado crescimento industrial, gerador de superprodução, de saturação do mercado, de consumo elitista, de ampliação excessiva do crédito bancário, de protecionismo exagerado e de desequilíbrio acentuado entre a agricultura e a indústria.
A crise norte-americana propaga-se pelo mundo principalmente devido à redução das importações feitas pelos Estados Unidos e ao repatriamento dos fundos de curto prazo aplicados na Europa, por meio da atuação dos bancos desse país.
A crise capitalista grassa pelo mundo em decorrência daquelas medidas tomadas pelos Estados Unidos.
Numa era de concorrência monopolista, como a iniciada por volta da primeira Guerra Mundial e intensificada depois dela, o monopólio ocasiona concentração de riqueza e de
lucros, aumentando a propensão ao investimento. Mas as oportunidades são bem menores para investir e para assegurar vantagens iguais às obtidas nos setores protegidos e monopolizados. Daí se entende a exasperada e gananciosa busca de novos centros para investimento, nas demais partes do mundo pouco ou nada industrializadas, estabelecendo relações comerciais com elas, pelo emprego de operosidade muito mais ousada e ampla do que a fomentada na Grande Depressão, a partir dos últimos decênios do século XIX, por outro lado, o capitalismo monopolista conduz uma porção cada vez maior de capital e de expectativa de lucro às atividades de limitação e de obstrução dos concorrentes, em lugar de aprimorar os produtos e de melhorar a concorrência no mercado.
A grande depressão econômica de 1929, então, com seus dramáticos efeitos inflacionários e depressivos, redundando num aumento assustador do desemprego, provocou em todo o mundo ocidental tensões agudas que exigiram do Estado capitalista uma regulação estratégica, tendo que assumir despesas consideráveis para oferecer melhores condições de vida aos trabalhadores, valendo-se de um corpo doutrinário que lhe deu, por mais de trinta anos, suporte teórico e político – o “Keynesianismo” – o qual serviu de base ao regime de produção fordista.
A eleição em 1932 de Franklin Delano Roosevelt para presidência dos Estados Unidos da América dá condições ao surgimento do New Deal (“novo acordo”), fundando a ideologia do planejamento no capitalismo, ligada à ação do Estado. O New Deal caracteriza-se pelo dirigismo estatal, pois contém medidas a serem aplicadas pelo Estado com a finalidade de reorganizar a economia e a sociedade norte-americanas. As medidas visam a ordenar a vida econômica, controlando o mercado financeiro, combatendo o desemprego e o desamparo da velhice por meio de subvenções, estimulando a elevação de produção e das rendas, subindo os salários e reduzindo a jornada de trabalho, orientando a produção para o mercado interno, sem negligenciar o externo.
Incentivam o sindicalismo, restringem o desemprego e aumentam os preços, a produção industrial, as exportações e a renda nacional. O New Deal resulta principalmente de estudos e de propostas provenientes de uma equipe de planejadores, composta de cientistas e de técnicos, onde sobressai o economista inglês John Maynard Keynes.
Segundo alguns autores, não se pode atribuir a concepção do Estado de Bem-Estar Social a John Mynard Keynes, mas é consenso que seu pensamento constituiu a referência básica para a ação dos governos após a Segunda Guerra Mundial, fornecendo efetivamente as bases para a implantação inovadora da mais durável e prestigiada forma de regulação da atividade econômica que o sistema capitalista conheceu. Divergindo da teoria econômica clássica, defensora da auto-regulação, da idéia de que havia uma “mão invisível” assegurando o equilíbrio entre oferta e procura, Keynes pregava o contrário. Para ele, o Estado tem legitimidade para intervir por meio de um conjunto de medidas econômicas e sociais, tendo em vista gerar “demanda efetiva”, ou seja, cabe ao Estado o papel de restabelecer o equilíbrio econômico, por meio de uma política fiscal, creditícia e de gastos, realizando investimentos que atuem, nos períodos de depressão, como estímulo à economia. Dessa política resultaria um déficit no orçamento; nas fases de prosperidade, ao contrário, o Estado deve manter uma política tributária alta, formando um superávit, que deve ser utilizado para o pagamento das dívidas públicas e para a formação de um fundo de reserva a ser investido nos períodos de depressão. (SANDRONI, 1992, p.85).
Isso deu margem à ampla intervenção estatal tanto na esfera econômica como na social. A doutrina keynesiana, então, estimulou a criação de medidas macroeconômicas, que incluíam a regulação do mercado, a formação e controle de preços, a imposição de condições contratuais, o investimento público, entre outras.
Tal intervenção visava, entretanto, não exatamente à socialização da produção, para a instituição de uma sociedade igualitária, mas à socialização do consumo.
As teorias keynesianas adaptaram-se inteiramente à lógica fordista25 dos grandes complexos industriais e financeiros, de produção em massa, para um mercado de massa com crescente produtividade e geração de rendas excedentes. Keynes entendeu que essas rendas podiam ser politicamente redirecionadas pelos Estados nacionais conforme as conjunturas, especialmente conforme os riscos de crise econômica e as disputas políticas na cena pública.
O princípio fundamental do chamado Estado de Bem Estar Social, contudo, apenas teve afirmação explícita na Grã-Bretanha, nos anos 40, com a conotação de proteção social básica, como um direito de todos, independente da renda dos cidadãos e da sua capacidade de contribuição para o financiamento do sistema.
É em Vieira (1992) novamente que encontramos estas informações:
A eclosão da segunda Guerra Mundial e suas terríveis conseqüências para as sociedades industrializadas não somente realçam diversos aspectos do “Estado Providencial” como também multiplicam as demandas sociais por sua completa instalação.
Se a expressão “Estado Providência” aparece na língua francesa em torno de 1860 e a expressão “Estado Social” em língua alemã nos anos de 1880, a expressão inglesa Welfare State (“Estado de Bem-Estar”) é bem mais atual, remontando à década de 1940.
Durante a segunda Guerra Mundial, na Inglaterra, o deputado liberal, sir William Beveridge, recebe em 1941 a incumbência de elaborar relatório sobre a organização de um sistema britânico de segurança social.
O relatório Beveridge fornece os elementos essenciais ao sistema inglês de segurança social, além de influenciar expressivamente reformas feitas em vários países após o final da segunda Guerra Mundial, em 1945.
25 Taylorista-Fordista: padrão produtivo capitalista desenvolvido ao longo do século XX e que se fundou basicamente na produção em massa, em unidades produtivas concentradas e verticalizadas, com um controle rígido dos tempos e dos movimentos, desenvolvidos por um proletariado coletivo e de massa, sob forte despotismo e controle fabril. (ANTUNES, 2000, p. 19).
No Relatório Beveridge a noção de risco social dá outro sentido à ação do Estado, onerando-o com as responsabilidades relativas a este risco. A segurança social significa segurança de rendimento. O risco social constitui tudo o que ponha em perigo o rendimento regular das pessoas, como a doença, o acidente de trabalho, a morte, a velhice, a maternidade, o desemprego. Risco expressa, então, estar em perigo a segurança social.
O Relatório Beveridge mostra um sistema de segurança social apoiado em alguns princípios: a generalização (deve alcançar toda a população); a unificação (uma só cota correspondendo ao conjunto de riscos); uniformidade (prestações uniformes e independentes dos rendimentos dos envolvidos); a centralização (sistema concentrado em um único serviço público).
A generalização de medidas de seguridade social no capitalismo, portanto, dar-se-á no período posterior à Segunda Guerra Mundial, no qual assiste-se à singular experiência de construção do Welfare State em alguns países da Europa Ocidental – com destaque para o Plano Beveridge – acompanhada de diversos e variados padrões de proteção social, tanto nos países de capitalismo central, quanto na periferia.
O fato é que as décadas posteriores ao encerramento da Segunda Guerra Mundial assistem ao crescente intervencionismo estatal no campo econômico e social, em países muito, pouco, ou nada industrializados. Alargam-se as funções econômicas e sociais do Estado nas sociedades industriais. A ampliação das chamadas despesas do Estado recai sobre o mercado, influenciando bastante o valor dos meios de produção.
Mas é indispensável notar que o tamanho e a direção das transformações do Estado nesta era monopolista têm dependido basicamente do jogo das forças sociais, particularmente da maior ou da menor força do movimento trabalhista.
A década de 1970 revela graves e progressivos empecilhos à comunidade e à dilatação das atividades estatais, sugerindo o que se tem impropriamente denominado de “falência do