2.3. SOSYAL MEDYA
2.3.1. Sosyal Medyanın Tanımı ve İçeriği
A lei que antecedeu ao ECA, o Código de Menores de 1979, conforme foi colocado anteriormente, baseado na doutrina da proteção ao menor em situação
irregular, abrangia diversas situações em que crianças e adolescentes se
encontravam (abandono, orfandade, cometimento de atos infracionais) e, sem diferenciá-los, dava-lhes o mesmo tratamento. Este na maioria das vezes, estava imbuído de preconceitos resultando na penalização, já que a internação era a
medida que mais prevalecia. Para Noronha:
A idéia de proteção presente neste código entende o “menor” como um criminoso em potencial, que precisa ser tutelado pelo fato de ser desassistido e de não possuir recursos que lhe confiram uma vida considerada digna pelos juristas que idealizaram esta lei. Desta forma, o menor é afastado do convívio familiar e comunitário, devendo viver interno em instituições (NORONHA, 1998, p. 149).
O Código de Menores de 1979 era dirigido também aos pais, considerados
desequilibrados e incapazes de cuidar de seus filhos, sobre a quem poderiam ter o poder familiar (antes chamado pátrio poder), suspenso por motivo de miséria.
Segundo Noronha (1998), qualquer pessoa que encontrasse uma criança ou
adolescente em situação irregular poderia encaminha-la diretamente ao juiz; e se os próprios pais se sentissem impossibilitados de manter seus filhos poderiam entrega-los a justiça de menores que os encaminharia a uma instituição. Assim, o
juiz, exercendo plenos poderes, decidiria o que achasse ser conveniente para aquelas crianças e adolescentes.
Como já foi ressaltado, o ECA, baseado na Doutrina da Proteção Integral
juízes. Esta nova concepção reconhece que todas as crianças e adolescentes
brasileiros, independentemente de raça, cor, sexo ou classe social, são sujeitos de
direitos considerados em condição peculiar de desenvolvimento, a quem se deve
prioridade absoluta em quaisquer ações sociais e, como tal, devem ter garantidas
todas as condições para que possam viver dignamente, conferindo não apenas ao
juiz o poder de lutar para que estes direitos sejam efetivados, mas também a toda
a sociedade, inclusive a família e a comunidade, conforme o art. 4º do ECA.
Nesse processo, a criança e o adolescente não podem ser objetos passivos dessa
intervenção. Portanto, o Estatuto:
Não se constitui numa lei de controle a criança pobre, mas de proteção em nível social e jurídico, onde ela, a criança, atue enquanto protagonista no que tange à realização de suas necessidades e interesses. (NORONHA, 1998, p. 155).
No ECA, a condição de sujeitos de direitos e a condição peculiar de pessoa
em desenvolvimento devem ser estendidas a todas as crianças e adolescentes
brasileiros, inclusive àqueles autores de atos infracionais. Para estes, o ECA
propõe um atendimento específico sem prejuízo da proteção integral.
Assim, em seu título III, o ECA dispõe especificamente sobre o atendimento
ao adolescente em conflito com a lei, estabelecendo a idade de 12 anos para o início de sua responsabilização pelo ato. No estatuto, a criança (0 a 12 anos
incompletos) não é considerada autora de infração penal, apenas os adolescentes
(pessoa com idade entre 12 e 18 anos), os quais não podem ser
responsabilizados penalmente, apenas estatutariamente, através das medidas
socioeducativas e das medidas de proteção (art. 101). Para as crianças, o ECA
prevê somente as medidas de proteção.
Nesta Lei, o ato infracional é definido como a conduta descrita como crime ou
contravenção penal (art. 103). Bem como a prática do ato infracional pelo
adolescente “não é incorporada como inerente à sua identidade, mas vista como
uma circunstância de vida que pode ser modificada” (VOLPI, 1999, p.07). Com
esta concepção, o ECA estabelece um conjunto de medidas socioeducativas (art.
112) que, ao serem “operacionalizadas devem ter a missão de proteger, no sentido de garantir o conjunto de direitos e educar oportunizando a inserção do
adolescente na vida social” (VOLPI, 1999, p. 14). Esse processo implica na “participação desse adolescente nas decisões de seu interesse e no respeito à
sua autonomia, no contexto do cumprimento das normas legais” (VOLPI, 1999, p.
14).
Tendo em vista que todo adolescente que está internado provisoriamente no
CIAD, local de pesquisa deste trabalho, poderá receber qualquer medida
sócioeducativa prevista no ECA, considera-se importante apresentar cada uma delas. É válido ressaltar que a disposição dessas medidas segue uma escala de
graduação considerando a gravidade do ato e/ou sua reiteração. De acordo com
os artigos 115 ao 121 as medidas são as seguintes:
Levando-se em consideração a escala das medidas que devem ser aplicadas
considerando o ato menos grave até o mais grave, a advertência (art. 115) aparece como a primeira medida. Esta constitui-se em uma medida admoestatória
(advertência), de caráter intimidatório, feita pelo Juiz da Infância e Juventude com
a presença dos pais, a qual é reduzida a termo e assinada. A obrigação de
reparar o dano (art. 116) é a segunda medida e significa a responsabilização
intransferível e individual do adolescente em reparar o dano que se faz, a partir da restituição do bem, o ressarcimento ou a compensação do prejuízo da vítima. Há a
possibilidade de ser substituída por outra medida, caso o adolescente manifeste a
impossibilidade de cumpri-la.
A prestação de serviço à comunidade - P.S.C. (art. 117) sendo a terceira medida, consiste na realização de atividades gratuitas por um período máximo de
seis meses, não podendo ultrapassar oito horas semanais, junto a entidades
assistenciais, hospitais, programas comunitários ou governamentais. Deve ser
atribuída conforme as aptidões dos adolescentes e não prejudicar a freqüência à
escola.
A quarta medida, a liberdade assistida – L.A. (art. 118 e 119) tem o fim de acompanhar, auxiliar e orientar a vida social do adolescente (escola, trabalho e família), incumbindo um orientador social de fazer esse acompanhamento, passando a ser referência para o adolescente e sua família. O prazo mínimo é de
seis meses, podendo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra. Existe a
A medida de semiliberdade (art. 120) se constitui em afastar o adolescente do convívio familiar e comunitário, mas dando-lhe a oportunidade de realizar tarefas externas. A escolarização e a profissionalização tornam-se obrigatórias.
Pode ser aplicada como primeira medida, ou na transição da internação para o
meio aberto, bem como não comporta prazo determinado, podendo chegar a três
anos.
Na escala de gravidade a internação (art. 121 ao 125) deve ser a última
medida a ser aplicada, sendo destinada ao adolescente que cometeu um ato infracional grave, no caso de descumprimento de outra medida aplicada (também
chamada de regressão de medida que tem um prazo máximo de três meses), ou
na reincidência. Não comporta prazo predeterminado, devendo ser reavaliada a cada seis meses e podendo chegar a três anos. Constitui-se na contenção do
adolescente, significando apenas a restrição de sua liberdade, mas não de seus
direitos constitucionais e estatutários.
É preciso ainda esclarecer que, diferentemente do Código de Menores, que
permitia a privação da liberdade do adolescente até por suspeita de ter cometido
um ato infracional, onde a internação se dava de uma maneira bastante
repressiva, punitiva reafirmando, inclusive, a necessidade do afastamento deste do convívio social, o ECA contraria essa concepção; opõe-se a prisões ilegais e
arbitrárias, determinando a existência de provas de autoria e materialidade que
superem os critérios subjetivos e preconceituosos, proibindo, em seu art. 106, a privação da liberdade de qualquer adolescente, a menos que ele seja pego “em
flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente (ordem de busca e apreensão)”. Além dessas, o ECA prevê
outras garantias ao adolescente em conflito com a lei sendo necessário esclarecer
que estas não podem ser consideradas regalias, como muitos afirmam já que
todas estas garantias são previstas inclusive para o adulto. Veja-se o art. 111:
I – Pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente;
II – igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa; III – defesa técnica por advogado;
IV – assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;
VI – direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento.
No quadro a seguir é possível visualizar quem deve se responsabilizar por
executar as medidas socioeducativas e qual a atribuição de cada órgão e esfera
do poder público:
QUADRO 03: Responsabilidade na execução de medidas socioeducativas.
ESTADO