Ayhan KAYA
SONUÇ: ZORLUKLAR, BEKLENTILER VE POLITIKA ÖNERILER
Conhecer o nível de aprendizagem que se encontram os alunos é, de fato, essencial para o planejamento docente de qualquer série/ano. A prática do diagnóstico inicial adotada por professores tem sido bastante disseminada nos anos iniciais do Ensino Fundamental, como forma de eles conhecerem os saberes prévios dos alunos, o que permite qualificar o trabalho docente. Segundo Antunes (2002, p.15), “existem diferentes
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processos de aprendizagem e é importante que todo professor os conheça bem. É importantíssimo se conhecer a maneira como a mente opera o conhecimento e o assimila”.
No caso dos alunos aqui citados, entende-se que a avalia- ção diagnóstica é uma atividade pedagógica bastante importante porque pretende diagnosticar as hipóteses de leitura e escrita em que se encontram, tendo em vista a perceptível dificuldade encontrada no desenvolvimento das primeiras atividades que requerem tais habilidades.
Em março de 2011, a equipe gestora e a coordenação pedagógica, em conjunto com os educadores, elaboraram uma avaliação diagnóstica inicial de Língua Portuguesa, comum a todas as turmas. A mesma contemplou leitura e análise de um texto narrativo ficcional (fábula)5 e uma produção textual.
A coordenação pedagógica, após diversos estudos, dis- cussões e pesquisas, sugeriu aos professores alguns aspectos importantes a serem observados em cada turma com relação aos aspectos cognitivos e atitudinais. Adotaram uma sugestão de habilidades pesquisada na internet6 e adaptada à realidade
da escola. Isto permitiu a construção de uma ficha com as habilidades cognitivas de leitura e escrita para dar suporte às avaliações e intervenções aplicadas.
Na linguagem escrita, foram observadas habilidades dos alunos como leitores de textos diversos e como aplicavam as estratégias de compreensão leitora: antecipação (suporte do texto, título, autor, gênero, ilustrações); inferência (modo como o leitor apreende e interpreta as intenções do autor); leitura oral com fluência (após compreender o texto) e gêneros literários preferidos.
5 Em consulta e análise de diversos gêneros textuais, optou-se pela fábula, por tratar-se de um texto lúdico, curto, de fácil compreensão e que contemplava as habilidades a serem avaliadas.
6 Site pesquisado: www.quadroegiz.com/fava/ensino_brasil/geral/ fg2.doc.
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Outras habilidades observadas se referem às produções de textos variados: relacionar a produção com a situação: objetivos do autor (o que dizer, para quem escreve e qual o gênero que melhor exprime essas ideias), gênero textual utilizado; etapas de produção; função social do texto; desenvolvimento do tema; coerência e uso de recursos coesivos (substituição ou uso de sinais de pontuação), domínio da ortografia e acentuação.
No momento seguinte, avaliaram-se alguns aspectos rela- cionados ao nível de leitura dos alunos: identificar informações superficiais e inferir situações implícitas no texto. Com relação à produção textual, os alunos foram avaliados nos seguintes aspectos: reescrita de fábula; tipo de narrador (narrador perso- nagem, narrador observador); caracterização das personagens e ambiente; esquemas temporais básicos (emprego dos verbos em um só tempo); recursos gráficos do discurso direto e outras pontuações básicas; emprego de parágrafos; elementos coesivos e mecanismos básicos de concordância nominal e verbal.
Ao se concluir esta análise, aplicou-se outra atividade diagnóstica para os alunos que não realizaram a anterior. Nesta atividade, seguiu-se o modelo da Provinha Brasil 2008 (BRASIL, 2008). Após conclusão das duas, os resultados foram registrados em gráficos que mediam os níveis de leitura e escrita, tendo como suporte teórico os estudos de Ferreiro (1999):
Gráfico 1: Nível de escrita dos estudantes
*vs = Valor silábico Fonte: Acervo dos pesquisadores
Pré-Silábicos Silábicos sem VS* Silábicos com VS* Silábicos Alfabéticos Alfabéticos 43% 9% 11% 11% 11% 15%
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Gráfico 2: Nível de leitura dos estudantes
Fonte: Acervo dos pesquisadores
Os gráficos foram analisados, tomando-se como refe- rência o Guia de Correção e Interpretação dos Resultados da Provinha Brasil7. Como conclusão, observou-se que 30% dos
alunos encontravam-se nos níveis I (não reconhece as letras do alfabeto) e II (reconhece algumas letras, mas não realiza leitura). Ou seja, abaixo do que se espera no final do 2º ano do Ensino Fundamental8 e muito abaixo do que é preconizado para
7 O referido instrumento apresenta cinco níveis de análise de desem- penho. NÍVEL 1: o aluno está em um estágio inicial de alfabetização, em relação a aprendizagem da escrita. NÍVEL 2: o aluno já associa adequadamente letra e som, reconhece o alfabeto, apresenta difi- culdades na leitura de palavras simples. NÍVEL 3: o aluno identifica palavras escritas com vários tipos de letras; lê palavras compostas por sílabas canônicas; localiza informações em textos simples; identifica números de sílabas de palavras; identifica finalidade de gêneros textuais. NÍVEL 4: o aluno lê textos simples, é capaz de interpretá-los realizando inferências e reconhecendo o assunto ou a finalidade a partir da leitura autônoma desses textos. NÍVEL 5: o aluno apresenta um excelente desempenho, já avançou expressivamente no processo de alfabetização e letramento inicial.
8 Segundo os patamares estabelecidos pela “Provinha Brasil” (2008), espera-se que ao término do referido ano os alunos demonstrem domínio da leitura, produção de textos e uso de estratégias para sua compreensão, o que corresponde ao nível IV do Guia de Correção e Interpretação dos Resultados da Provinha Brasil.
21% 1% 18% 19% 16% 25% Nível I Nível II Nível III Nível IV Nível V Nível VI
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estudantes do 4º ano, quando já deveriam estar envolvidos com leitura, interpretação e produção de textos.
Para maior conhecimento do baixo nível de leitura e escrita que chegou a grande maioria dos alunos vindos de outras escolas públicas situadas no mesmo bairro da escola aqui mostrada (zona oeste de Natal), realizou-se entrevistas com os diversos segmentos da escola: coordenação pedagógica, professores, pais e alunos. O resultado foi coerente com os dados apontados nos gráficos, no que diz respeito ao ensino-aprendizagem dos estudantes.
A seguir, são apresentados os depoimentos mais signifi- cativos, com a intenção de se compreender melhor o problema a partir da perspectiva dos diversos atores envolvidos no processo. Com os depoimentos das professoras, foi possível se verificar aspectos relacionados ao ensino-aprendizagem e a prática de alfabetização desenvolvida na escola, ao descreverem o nível de aquisição da lectoescrita dos alunos no início de 2011. As declarações demonstram preocupação das educadoras, uma vez que constataram um grande número deles não alfabetizados. Particularmente, elas dizem:
No início do ano letivo, recebi uma turma composta por 28 alunos. Desse total, havia 13 alunos não alfabetizados. Vale salientar que, mesmo no 4º ano, ainda tinha alunos no nível pré-silábico de escrita; alguns não conheciam nem todas as letras do alfabeto (Professora A).
Os alunos, em geral, ainda não consolidaram o processo de alfabetização. Vou precisar realizar um trabalho diferenciado com os alunos ainda não alfabetizados (Professora B). Recebi uma turma de 28 alunos. Uma turma bastante hete- rogênea, sendo que 13 ainda não estavam alfabetizados (Professora C).
Sobre as causas dessas dificuldades, as professoras apre- sentaram uma série de fatores que atuam de forma articulada:
Acredito que isto tem a ver com vários fatores, dentre eles destaco o interesse do aluno; o processo de avaliação utilizado nos três primeiros anos do Ensino Fundamental; os equívocos
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de alguns professores no que se refere aos métodos de alfabe- tização e a falta de acompanhamento dos pais (Professora A). Acredito que um dos fatores relevantes seja o número de alunos em sala de aula de alfabetização e outro, a preocupação com essas dificuldades de leitura e escrita logo no 1º ano (Professora B).
Acredito que as dificuldades foram se acumulando, chegando ao término da fase de alfabetização sem que esses alunos tivessem consolidado o processo de alfabetização, talvez por falta de uma intervenção; de estabelecimento de critérios. Nesse caso, o aluno foi aprovado sem que as competências básicas inerentes ao processo de alfabetização fossem devi- damente construídas (Professora C).
Diante do exposto, constata-se que há uma preocupação unânime com relação à ausência de intervenções pedagógicas adequadas e sistemáticas desde o 1º ano do Ensino Fundamental. Com isto, a não aquisição da leitura e escrita se estende até o 4º ano. Esta situação é preocupante porque evidencia fracassos no ensino nos anos iniciais e impõe ao professor dilemas com relação ao cumprimento do planejamento de ensino específico da série.
No Ensino Fundamental, a leitura e escrita são motivo de muitas discussões com relação ao fracasso escolar. De acordo com os Parâmetros Curriculares – PCN (2001), os índices bra- sileiros de repetência nos anos iniciais, inaceitáveis em países mais pobres, estão diretamente ligados à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e escrever.