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Soğuk Savaşın Dönüm Noktası: Çin İle Açılım

BÖLÜM 1: HENRY KİSSİNGER, AMERİKAN DIŞ POLİTİKASININ

1.7. Ulusal Güvenlik Danışmanlığı Dönemi Dış Politika Uygulamaları

1.7.2. Soğuk Savaşın Dönüm Noktası: Çin İle Açılım

Com base nas questões de pesquisa que orientaram este trabalho, encontramos na Semiótica Social algumas possibilidades de respostas. Algumas perguntas apresentadas por Halliday (1998) em seu livro a Linguagem como Semiótica Social parecem vir ao encontro daquelas aqui propostas. Entre elas as duas primeiras apresentam especial interesse:

“Como as pessoas decodificam as experiências sumamente condensadas da fala cotidiana e como utilizam o sistema social para fazê-lo?”.

.“Como as pessoas revelam o ambiente ideacional e interpessoal no qual se devem interpretar a questão dizendo? Em outras palavras, como se constrói o contexto social em que se produz o significado (p. 143)?”

Para responder a estas questões, Halliday apresenta os constituintes elementares da teoria semiótica social da linguagem. O primeiro destes elementos e que para nossos propósitos é muito importante, é o texto. Texto é tudo o que dizemos ou escrevemos, pode ser considerado como o registro das ações sociais (Lemke 1997) e representa tanto os eventos reais como os resultados produzidos por eles.

Segundo Halliday para alguns propósitos, incluindo-se aí aqueles relacionados à interpretação das ações humanas, o texto pode ser considerado uma “super oração” (p. 144), ou seja, o texto está codificado em orações e pode ser decodificado pelo ouvinte porque este compartilha com o emissor os mesmos significados. O texto é portanto uma unidade semântica.

Para Halliday, o texto tem uma função habilitadora de todos os componentes de um sistema semiótico, isto porque, segundo suas palavras:

“a linguagem pode expressar efetivamente significados ideacionais e interpessoais só porque pode criar texto. O texto é a linguagem em operação e o componente textual inclusive os sistemas semânticos pelos quais se cria o texto (Halliday, 1998, p. 172)”.

Assim, o texto é aquilo que o indivíduo quer dizer entre muitas opções possíveis e para o autor trata-se de um potencial de significado realizado. Associado a um contexto de situação pode ser caracterizado como contexto social ou ainda do ponto de vista da sócio-lingüística corresponde ao leque de opções características de uma situação específica. Portanto, pode se dizer que a situação é o ambiente no qual o texto foi gerado e a qual está vinculado, formando “estruturas semióticas”. Estas, são um conjunto de significados derivados do sistema semiótico cultural e podem ser representadas a partir de três dimensões:

- o campo que é caracterizado pela ação social e sua manifestação mais importante que é o assunto;

- o teor se constitui nas relações entre os participantes e

- o modo que é o canal escolhido para a comunicação e é aqui que a linguagem assume o papel de meio.

Para Halliday (1998), estas três dimensões não se constituem tipos de uso da linguagem, mas são essencialmente “uma estrutura conceitual para representar o contexto social como ambiente semiótico no qual as pessoas trocam significados (p.145)”.

Ao compreendermos as propriedades semióticas do contexto a partir destas três dimensões, pode-se fazer predições sobre as propriedades semânticas de determinado texto. Isto é possível a partir do “registro” caracterizado pelo autor como

o que um indivíduo está falando em relação ao que está fazendo em um determinado momento.

Para que não o caracterizemos por suas funções lexicogramaticais, Halliday define registro em termos semânticos: “Um registro pode definir-se com configuração de recursos semânticos que os membros de uma cultura associa tipicamente a um tipo de situação é o potencial de significado razoável em um contexto social dado (p. 146)”.

Assim, o registro é determinado pelos fatores sociais e parece ser o responsável pela escolha de significados que levarão a classificação do tipo de texto em questão.

Quais seriam então as funções da linguagem interpretadas dentro da semiótica social como metafunções, ou seja, como componentes funcionais? Os componentes funcionais do sistema semântico são vistos como maneiras de significação da linguagem em todos os contextos sociais e estão classificados em três funções:

- A função ideacional que está relacionada ao conteúdo, ou seja, a codificação da experiência individual vivenciada;

- A função interpessoal representa a ação do indivíduo sobre o ambiente e sobre os outros participantes. Expressa uma relação de papeis, ou seja, de função e

- Por fim, a componente textual está relacionada ao texto, o que caracteriza a importância da linguagem. Esta componente está associada ao modo pelo qual as outras duas se expressam e apresenta, portanto, uma função habilitadora.

Na perspectiva sócio-lingüística da semântica proposta dor Halliday, os principais componentes do sistema sócio lingüístico vinculam-se entre si, formando uma rede de relações que focalizam sua atenção nos processos de interação humana nos quais estes significados se colocam em ação. Por isto, na interpretação da linguagem, necessitamos não da estrutura, mas do sistema. Metodologicamente, os dados se constituem em fatos observados a partir do “texto em situação” onde se parte do que as pessoas dizem na vida real. A interpretação desses dados reais deve estar vinculada ao sistema lingüístico e ao contexto social.

Nesta perspectiva, Lemke (1997) conceitua a semiótica social como a teoria que procura explicar como os indivíduos elaboram significados a partir do grupo social ao qual estão inseridos. Assim, parece-nos que o conjunto de teorias proposto pela semiótica social pode ser útil para responder as interrogações advindas das questões propostas para esta pesquisa:

- De que maneira uma proposta formativa é interpretada pelos indivíduos envolvidos na ação?

- Como se dá a percepção da aprendizagem individual?

- Quais os fatores relevantes para o processo formativo e como eles se revelam na linguagem dos participantes da pesquisa?

- Como estes fatores são associados ao processo formativo vivenciado pelo grupo?

- Quais as sensações afloradas durante a ação empreendida e como elas se relacionam ao processo vivenciado?

Se os significados são construídos no grupo social e expressos através da linguagem oral ou escrita parece possível utilizar a fenomenologia como método de interpretação de dados, pois esta tem grande aplicação nos fenômenos situados da vida diária, principalmente aqueles que podem ser descritos através da linguagem (Martins e Bicudo, 1994).

Para a semiótica social, os significados são elaborados em ação, ou seja, o significado para esta teoria não existe por si só como na semântica tradicional, ele se constrói na interação do indivíduo com o ambiente social. Assim, uma mesma situação pode ser interpretada de diferentes maneiras pelo indivíduo, dependendo das circunstâncias e das experiências anteriores do sujeito (Lemke, 1997).

Portanto, os dados em uma pesquisa constituem-se a partir dos fatos observados do texto em situação, buscando elucidar o que as pessoas dizem. Para Halliday (1998), qualquer orientação metodológica, que pretenda utilizar os recursos da semiótica social, precisa transcender a limitação e interpretar a linguagem não como um conjunto de regras, mas como um recurso para elucidar os significados presentes no texto.

Para descrever a ação social, usando a semiótica, lançamos mão de um sistema de recursos semióticos. “Uma formação semiótica é um padrão concreto de ação significativa que usa recursos semióticos e que se executa e identifica repetidamente dentro de uma comunidade” (Lemke, 1997, p. 205).

Para o autor, os sistemas de recursos semióticos são ações em si mesmas e representam as formações semióticas características de cada comunidade e por este motivo só tem sentido em determinada situação. Apesar das diferentes nomenclaturas, o autor prefere utilizar a palavra texto para se referir à representação concreta de uma prática semiótica. Em suas palavras: “Os textos semióticos são os dados básicos da semiótica social e se pode dizer que são matéria prima da vida social necessária para seu estudo sistemático (Lemke, 1997, p. 208)”.

Portanto, quando participamos em sociedade de qualquer ação (chamada de execução semiótica) significativa, usamos os recursos semióticos de maneira estratégica. Este conjunto de recursos, que se caracterizam por sua funcionalidade, permitem que elaboremos significados e representações. Uma outra função se refere à habilidade de estabelecer relações entre ações e significados. Esta se completa com duas outras, a habilidade de interação que permite que se estabeleça um diálogo entre intervenções e respostas, além da função de orientação que pode ter caráter avaliativo, o que é muito comum. Por fim, a última habilidade funcional está relacionada à capacidade de organizar as ações em padrões determinados em relação ao todo.

Parece-nos que normalmente as ações não acontecem isoladas, mas formando seqüências. A estas seqüências, Lemke (1997) chama de estruturas de atividades. Para o propósito desta análise são estas estruturas que se fazem importantes, pois para o autor, elas têm elementos constituintes com tipos de ações específicas e definidas funcionalmente e por isto estabelecem relações específicas com outras estruturas. Uma aula, um curso, um diálogo sobre determinado assunto em um contexto especifico, podem ser caracterizados com tal, pois oferecem uma visão da ação humana.

Então a análise de um texto semiótico deve levar em consideração o fato de que ele é o produto de uma estrutura de atividade produzida numa seqüência de elementos funcionais, definidos e relacionados pelo contexto. Para que esta análise

se concretize é necessário que o texto seja observado dentro de uma formação temática que reúne a linguagem oral ou escrita, estruturas retóricas9 que tornam os elementos e relações concretas elaboradas através das construções gramaticais e palavras do texto em padrões temáticos de relações semânticas familiares. A ação assim desenvolvida permite que se determinem as diferentes formações semióticas de um texto.

Para Lemke as formações semióticas,

“São abstratas e elaboradas a partir dos textos: são padrões comuns compartilhados por muitos textos similares. (p.216)”.

“Cada comunidade ou grupo tem suas formas características de elaborar significados, suas próprias formas de contextualizar e relacionar, suas próprias estruturas de atividades, gêneros e formações temáticas (p 216)”.

Para o autor, quando participamos de uma atividade, relacionamos palavras e eventos em padrões familiares relacionados ao mesmo texto ou a diferentes textos que mantenham relações familiares ou a diferentes textos que mantenham relações de significado. A esta possibilidade, ele chama de intertextualidade e aos textos empregados para dar sentido ao texto em questão de intertextos. As conexões intertextos são muito importantes para que os membros de uma comunidade elaborem significados que não se podiam elaborar a partir de um único evento.

Lemke afirma ainda que a análise semiótica não deve ser vista como uma “camisa de força”, concordando com Halliday (1998) em relação à importância do sistema em detrimento da estrutura. Em suas palavras: “A análise semiótica não é uma “camisa de força” é uma expressão sistemática de como criamos sentido dos textos e eventos, incluindo as ambigüidades e os múltiplos significados que encontramos” (Lemke, 1997, p. 2l7)”.

9

Estruturas retóricas: Os pressupostos teóricos nos quais a Teoria da Estrutura Retórica se baseia são os seguintes:

1. os textos são formados por grupos organizados de orações que se relacionam hierarquicamente entre si de várias formas;

2. as relações que se estabelecem entre as orações podem ser descritas com base na intenção comunicativa do enunciador e na avaliação que o enunciador faz do enunciatário e refletem as escolhas do enunciador para organizar e apresentar os conceitos;

3. a maioria das relações que se estabelecem são do tipo núcleo-satélite, em que uma parte do texto serve de subsídio para outra (Antonio, 2001).

Assim, a análise semiótica busca a compreensão das atribuições de sentido feitas pelo sujeito a partir de um evento situado socialmente, ou seja, a compreensão das interpretações subjetivas vividas pelos sujeitos da pesquisa. Estas reflexões remetem-nos as características já descritas da pesquisa fenomenológica. Como já dissemos, o “fenômeno” na pesquisa qualitativa é caracterizado como um evento situado socialmente e que só se desvela a partir da representação elaborada pelos sujeitos através da verbalização dos significados.

O método fenomenológico aplicado à pesquisa (Martins & Bicudo, 1994) parte das descrições dos sujeitos e destas descrições o pesquisador deve, fazendo uso das análises ideográfica e nomotética, buscar as essências do fenômeno estudado. Como na semiótica social, busca-se as essências ou estruturas de um fenômeno dependente de um contexto socialmente situado e que por este motivo distancia-se das generalizações buscadas pela pesquisa quantitativa.