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Uma das ordens mais importantes para a mineração foi a Provisão Régia de 24 de fevereiro de 1720467, conhecida como “Provisão das Águas”, justamente por tratar das formas em que a água deveria ser utilizada e repartida entre os mineradores.

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ESCHWEGE. Pluto Brasiliensis, v. 1, p. 104.

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ESCHWEGE. Pluto Brasiliensis, v. 1, p. 108-109.

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Sobre a forma de repartir as águas para minerar [Provisão das Águas], 24 de fevereiro de 1720. APM-SC, códice 04, fl 251-253.

A água era, de fato, indispensável para as explorações das grupiaras e de talho aberto, sendo usada em todos os processos, desde a extração até a apuração final do ouro nas bateias. Sua grande importância pode ser percebida nos esforços dos mineradores para abrir extensos canais nas encostas das montanhas e construir andaimes, barragens e tanques para conduzi-la até as suas lavras e serviços. Não raras vezes, riquíssimas jazidas ficavam sem explorar por não ser possível levar água até o local.

Por ser um dos elementos mais valiosos para a atividade minerária, a água foi motivo certo para os conflitos travados no espaço das lavras. Segundo as memórias de um anônimo das Minas, pelo menos desde 1712, os mineradores disputavam entre si a posse da água. De acordo com o informante, por aquela época, “tendo modernamente chegado por ouvidor-geral e criador o desembargador Manuel da Costa Amorim”, encontrava-se o mesmo “muito desassossegado por se ter sublevado contra ele esta Cidade [Mariana], e então vila”:

porque havendo uma sociedade que tinha metido uma água no Arraial de Cima dela para extração do ouro, desuniram-se os sócios e quiseram apartar-se repartindo-se a água, e não podendo acabar esta partilha entre si, por ser a água muito pouca, recorreu um deles, Timóteo Saraiva, ao ouvidor, para vistoria interessando na água que lhe coubesse ao padre trino frei Jerônimo Sodré, conhecido por grande amigo do ouvidor, ao qual acompanhou na vistoria com pouca dissimulação, porque juntamente trouxe negros e bateias para entrarem logo a desfrutar a boa fama da lavra, ao que se opuseram os mais sócios, não consentindo que se fizesse a vistoria; e porque o escrivão instou que se fizesse, lhe apontou um dos sócios uma pistola e lhe errou o fogo, e indo-se os mais sócios alterando, se despediu o ouvidor com os que o acompanhavam.468

Em março de 1718, o Guarda-mor Geral das Minas, Garcia Rodrigues Pais, informava ao Rei que até aquele tempo não havia nenhuma determinação que regulasse a repartição das águas469. Assim, aqueles que tinham terras para explorar bem como recursos para a captação e a construção de regos, canais, bicas adquiriam automaticamente o direito de uso das águas. Esse “direito adquirido” era a prática então observada entre os mineradores. Disso resultava que os mais poderosos se assenhoreavam dos cursos d’água, conduzindo-a para as suas lavras, enquanto os mais pobres, que também a queriam conduzir, eram forçados a comprá-la por elevados preços ou obrigados a abandonar suas datas por não poderem lavrar. Dessa desigualdade surgiam as contínuas rixas e ódios sempre muito prejudicais para o Real Serviço e o “sossego comum”.

Em resposta, o Rei escreveu ao Conde de Assumar pedindo o seu parecer, o qual, além de endossar a representação do Guarda-mor, acrescentava que “as disputas maiores desse país

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[Relação de um morador de Mariana e de algumas coisas mais memoráveis sucedidas, ca. 1750]. In: CCM, 1999. Doc. 04, v. 1, p. 204-205.

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Sobre o que representou o Guarda-mor a respeito das águas com que se minera, 8 de outubro de 1718. APM-SC, códice 04, fl 167-168.

era[m] sobre as águas com que precisamente se minera e sobre que havia pleitos gravíssimos, o que precisamente se devia evitar fazendo-se causas sumárias”470, pois do contrário ficavam as terras “empatadas” sem produzir ouro, em razão das apelações para a Relação da Bahia ou do Reino.

Finalmente, com base nessas informações, foi criada a Provisão de 1720. Por meio desta, os Guarda-mores ficaram encarregados de repartir a água conforme as possibilidades (de terra e escravos) dos mineradores. Além disso, ordenou-se que ninguém se apropriasse das águas dos córregos sem a licença dos Guarda-mores por escrito. Aquele que, tendo recebido a concessão, não tivesse terras para lavrar, nem escravos competentes, deveria “devolver” a água para que a mesma fosse repartida entre as pessoas que tivessem possibilidade de minerar, pagando-se, porém, pelo serviço feito por aquele primeiro que a conduziu. Isso porque “a experiência tinha mostrado que logo que aí tomava posse da água, lhe ficava, e ainda não tendo terras que lavrar não deixa lavrar outros senão vendendo-lhe a água por preço exorbitante”471. Por fim, seguindo as orientações do Governador, determinou-se que, se os mineradores se sentissem prejudicados nas repartições, deveriam recorrer ao Superintendente da Comarca somente, e que as causas fossem sumárias. No entanto, se as causas excedessem a alçada daquele ministro, as partes poderiam então apelar e agravar, mas apenas no efeito devolutivo472.

Embora as disposições da Provisão tenham sido reafirmadas com freqüência ao longo do setecentos, na prática, não foram efetivamente cumpridas. Quando, já em 1780, D. Rodrigo José de Menezes intentava promover a mineração decadente, procurou acudir “a um abuso aqui [nas Minas] introduzido de tempo imemorial sem embargo de ser contra o Regimento das Terras Minerais”. Nas palavras do Governador,

há muitos donos de datas ou lavras, que pela sua pobreza, ou negligência as não trabalham, e nunca contudo se apropriam, de modo as águas, que dizem lhes pertencem, que ninguém ousa, se não furtivamente, servir-se delas, de que resultam mil inquietações e desordens, e estarem as mesmas águas correndo inutilmente, podendo os outros mineiros aproveitar em beneficio do Público, e do Real Erário. Eu, que compreendo que o verdadeiro, e único proprietário delas é Sua Majestade, que repartindo datas com os seus vassalos, nunca lhes cedeu das águas mais que o necessário uso, e que logo que eles não lavram cessa de fato, e de direito esta concessão, tenho ordenado, que não se servindo delas, por qualquer motivo, o primeiro que parece ter para isso Jús passem

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Sobre a forma de repartir as águas para minerar [Provisão das Águas], 24 de fevereiro de 1720. APM-SC, códice 04, fl 251-253.

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Sobre a forma de repartir as águas para minerar [Provisão das Águas], 24 de fevereiro de 1720. APM-SC, códice 04, fl 251-253.

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“Diz-se do efeito de um recurso que, embora interposto e processado, não impede a execução daquilo que foi julgado na decisão recorrida, e apenas entrega ao tribunal superior o pleno conhecimento da causa”. Cf. Novo Dicionário Aurélio Eletrônico - século XXI. Versão 3.0, 1999 (Cd-Rom).

imediatamente para aquele, ou aqueles que se seguirem no local mais próximo, para deste modo não se inutilizar o maior beneficio que concede a natureza às lavras minerais473.

3.3 O Aditamento de 1736

A década de 1730 se inicia com a retomada das discussões do governo colonial em torno dos problemas de jurisdição entre as autoridades responsáveis pela administração das questões minerais. Por um lado, o Guarda-mor Geral das Minas queixava-se das ações despóticas dos ouvidores das Comarcas, que serviam também de Superintendentes das terras e águas minerais. Por outro, os Superintendentes defendiam as suas prerrogativas e expunham as fraudes cometidas tanto pelo Guarda-mor, quanto pelos seus substitutos.

Em julho de 1731, Garcia Rodrigues Pais escreveu uma carta ao Rei474, expondo as desordens que se observavam nas repartições das datas e sobretudo na solução das contendas. Alegava em seu favor as determinações da terceira Carta Régia de 7 de maio de 1703, em virtude da qual tinha posto Guardas-mores substitutos nas partes necessárias, ficando, desta forma, com “bastante providência o governo das terras minerais quanto à repartição delas e decisão das disputas que por causa das mesmas terras se originam entre os mineiros por terem os ditos mineiros em qualquer parte recurso pronto e fácil aos ditos guardas substitutos”.

De acordo com o Guarda-mor, “sempre foi costume, havendo alguma contenda entre mineiros, e conforme o Regimento, recorrerem estes ao Guarda-mor ou substituto daquele distrito” que, com a obrigação de abreviar as demandas, determinavam as sentenças, “metendo de posse aquela parte que lhe parecia ter justiça”, sem admitirem apelação mais que no efeito devolutivo. Entretanto, tal “costume” se achava em grande parte alterado e confuso, visto que várias demandas de terras minerais se faziam perpétuas, causando grande prejuízo às partes e principalmente ao Real Serviço. Para o Guarda-mor, esta desordem era conseqüência direta “do pouco receio com que os Ministros deste país entram pela jurisdição alheia”, referindo-se especificamente aos Superintendentes que, sem observância ao Regimento, mandavam suspender a execução das sentenças dadas pelos Guardas-mores, ficando com isso as causas suspensas e os serviços minerais empatados por longo tempo. Acrescentava ainda que “não só tomam os Ouvidores a jurisdição dos guardas, impedindo-lhe a execução de muitas sentenças, senão que devendo os guardas substitutos passar as cartas de datas de terras minerais e águas com que se minera, os ditos Ouvidores mandam também passar carta de data”. Disso resultava muitas vezes

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MENEZES. Exposição do Governador [...] [04/08/1780]. In: RAPM, 1897. v. 2, fasc. 2, p. 313-14.

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a duplicação de cartas de datas concedidas em um mesmo terreno, o que levava os mineradores à mais demandas.

Por fim, Garcia Rodrigues acusava os Superintendentes de se interessarem no dinheiro que tiravam com os despachos que concediam nos processos. As conveniências particulares desses Ministros os levavam muitas vezes a anular vistorias ou repartições já feitas pelos Guardas-mores para fazerem outras entre seus interessados. No mesmo sentido, não aceitavam os guardas nomeados por ele, de forma que, nas palavras do Guarda-mor, “não serve quem deve, mas quem o ouvidor quer”475.

Por essa época, Garcia Rodrigues era duramente criticado pelos Superintendentes das Comarcas do Rio das Velhas, Diogo Cotrim de Souza, e do Rio das Mortes, Francisco Leite Tavares.

Em duas cartas enviadas ao Rei, uma de 20 e a outra de 22 de agosto de 1731476, Diogo Cotrim de Souza expunha as fraudes praticadas pelo Guarda-mor Geral das Minas e seus substitutos. Primeiramente, dizia que, embora já não houvesse mais descobrimentos de ribeiros auríferos naquele tempo, Garcia Rodrigues distribuía provisões de Guardas-mores substitutos com “mão tão larga”, que não tinha dúvidas em mandar da Paraíba, onde residia, “quantas folhas de papel assinadas em branco se lhe pedem, as quais dando-se-lhe o título de Provisões se lançam nelas o provimento de escrivão, ou de Guarda conforme se oferece o pretendente, ou para melhor dizer estejam já feitas com o lugar para o nome”. A fraude era tanto maior quando se constatava que “estas chamadas Provisões se vendem por meia libra de ouro, sessenta oitavas, e às vezes mais, conforme os distritos para que se passam”477. Certamente, tal comércio era estimulado pela grande conveniência que resultava àqueles que compravam as provisões de Guardas-mores e escrivães, posto que por cada carta de data passada a um minerador, esses oficiais recebiam em geral duas oitavas de ouro.

Outra fraude revelada pelo Ouvidor era a prática dos Guardas-mores substitutos passarem cartas de data com data anterior ao dia em que tinham sido efetivamente concedidas, “para privar com esta falsidade ao verdadeiro senhor a quem toca”. Isso porque, nas disputas de posse das terras minerais, tinha preferência aquele minerador que apresentasse o título com o registro mais antigo478.

475

[CARTA do Guarda-mor Geral das Minas ao Rei], 30 de julho de 1731. AHU-MAMG. Caixa 21, doc. 85.

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[CARTAS de Diogo Cotrim de Souza, Superintendente e Ouvidor da Comarca do Rio das Velhas], 20 e 22 de agosto de 1731. AHU-MAMG. Caixa 27, doc. 63 (documentos em anexo).

477

[CARTA de Diogo Cotrim de Souza ao Rei], 20 de agosto de 1731. AHU-MAMG. Caixa 27, doc. 63 (anexo).

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Em 13 de novembro de 1728, D. Lourenço de Almeida já havia passado uma Portaria com intuito de combater essa prática, cujo teor é o seguinte “Por quanto geralmente se me queixam os povos da grande desordem que se experimenta na formalidade com que os guardas-mores passam as cartas de datas, porque estas muitas vezes se não

Fazendo uma interpretação diferente dos artigos do Regimento de 1702, Diogo Cotrim defendia que cabia aos Superintendentes a concessão das cartas de data, e, aos Guardas-mores, apenas reparti-las. Assim, para o ouvidor, estes oficiais não só usurpavam a concessão das ditas datas, mas também “se intrometem a fazer vistorias e determinar causas, não tendo jurisdição alguma, conhecimento nem alçada pelo dito Regimento em que só fazem o ofício de repartidores, como se mostra dos ditos capítulos”. Acusava ainda o ouvidor que, embora fosse sem dúvida o terem só os Superintendentes a faculdade para conceder as tais cartas de data, “a conveniência dos ditos Guardas, protegida da permissão dos Governadores, e descuido dos Ministros, a tem algumas vezes ab-rogado a si com grande prejuízo e inquietação destes Povos [...]”479.

Mediante essa troca de acusações, nitidamente motivada pela disputa de poder entre os Superintendentes e os Guardas-mores, o Rei enviou uma carta em janeiro de 1732 a D. Lourenço de Almeida, pedindo maiores informações sobre as queixas formuladas por Garcia Rodrigues Pais em relação aos Ouvidores.

Em agosto do mesmo ano, o Governador respondia favoravelmente ao Guarda-mor Geral e confirmava todas as suas queixas, dizendo ser verdade que os Superintendentes arrogavam a si toda a jurisdição pertencente aos Guardas-mores no tocante à concessão de cartas de datas e às contendas acerca das terras e águas minerais. Para tentar resolver o impasse, D. Lourenço propunha ao Rei que mandasse observar o disposto no 3º artigo do Regimento, de acordo com o qual, os mineradores que tivessem contendas sobre lavras poderiam recorrer para vistorias ao Guarda-mor substituto do distrito ou ao Superintendente, aquele que estivesse mais perto; porém, decidindo o substituto o que lhe parecesse justo, não poderiam apelar ou agravar mais que no efeito devolutivo para o Superintendente, “pela razão de não parar a lavra do ouro, o que é gravíssimo prejuízo dos mineiros por estarem com seus negros sem trabalhar, e também da Real Fazenda de Vossa Majestade”. Finalmente, o Rei deveria mandar que “os Ouvidores Superintendentes não só reconheçam a jurisdição que Vossa Majestade foi servido dar ao

registram nos livros da Guardamoria, de que sucede haverem dúvidas por se não acharem os registros, e outrossim tem sucedido muitas vezes passarem-se cartas de data com antedata, por cuja causa todos os livros dos guardas- mores têm folhas em branco pelo meio para efeito de se fazerem estas cavilações, que são tão prejudiciais aos povos e causas de contínuas demandas, e para evitar todas quantas desordens podem suceder para o tempo adiante, ordeno que o Doutor Superintendente desta Comarca do Ouro Preto tenha um livro rubricado por ele, no qual se registrem todas as cartas de datas que passarem os Guardas-mores, e também o termo da posse que se der das terras para que havendo alguma dúvida sobre a antiguidade das cartas de datas, no caso que se passem duas por diferentes guardas- mores, como sucede repetidas vezes, se possa averiguar pelo registro da Superintendência. E do dia da data desta Portaria será nula toda a carta de data que se passar sem que seja registrada no livro da Superintendência e havendo pessoa que peça a mesma carta de data por não ter registrado como digo a primeira que se passar se poderá passar segunda e somente terá validade a carta de data que primeiro se achar registrada no livro da Superintendência, porque só desta forma é que se podem evitar as grandes dúvidas e desordens que os guardas-mores costumam fazer com as cartas de data que passam com antedatas”. CPOP-AJ, LIVRO de Registros de Terras e Águas Minerais [Guardamoria]. v. 85, fl 2.

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Guarda-mor e também aos seus substitutos para lha deixar exercer, senão também que se não intrometam nas repartições das terras e em passar cartas de data”480.

Em outubro do mesmo ano, o Rei pedia outro parecer, agora ao Conde das Galveas, sobre as acusações feitas pelo Ouvidor Diogo Cotrim de Souza e ordenava que o Governador evitasse todo o abuso que pudesse haver nas nomeações e vendas de provisões, mandando-as suspender se fosse conveniente.

Infelizmente, o mau estado de conservação em que o parecer foi encontrado não permitiu sua leitura na íntegra, mas apenas um trecho final em que o Governador concluía: “[...] Por todas estas razões, o meu parecer é que V. Majestade conservar a Garcia Rodrigues, e aos Guardas- mores seus substitutos, as faculdades, que sempre [exercitaram?], que se lhe não devem tirar, por lhe serem concedidas por remuneração de serviços, que fez a V. Majestade nestas Minas”481.

Como medidas paliativas, em 1734 foram expedidas duas ordens régias: a primeira, de 3 de agosto, mandava ao Governador, então Conde das Galveas, dar as providências necessárias para que se evitassem as desordens na concessão das datas. A segunda, de 9 de agosto, ordenava que o Governador passasse as provisões aos Guardas-mores substitutos nomeados pelo Guarda- mor Geral, não consentindo que este removesse os que já tivessem nomeado, sem culpa formada482.

Por essa época, o Conde das Galveas já havia dado cumprimento à ordem de 27 de junho de 1733, pela qual o Rei, atendendo a uma representação dos camaristas de Vila Rica, mandava publicar um bando que diminuísse os emolumentos cobrados pelos Guardas-mores, Superintendentes, Escrivães e a Câmara nas vistorias e caminhos que faziam nas lavras minerais, visto que os mineiros já não mais podiam pagar pelos preços antigos483.

O problema das jurisdições entre os Guardas-mores e os Superintendentes suscitou o debate em torno da reforma do Regimento. O assunto foi discutido pelos conselheiros do Ultramarino que tinham plena consciência da defasagem daquela lei que até então consistia na principal referência para as questões minerais. Como resultado, em 29 de novembro de 1734 foi expedido o parecer do Conselho, cujo teor é o seguinte:

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[PARECER do Governador D. Lourenço de Almeida sobre o que escrevera Garcia Rodrigues Pais a respeito dos Ouvidores das comarcas impedirem a boa administração da justiça], 5 de agosto de 1732. AHU-MAMG. Caixa 21, doc. 85.

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[PARECER do Conde das Galveas], 15 de maio de 1733. AHU-MAMG. Caixa 27, doc. 63 (anexo).

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Cf. COELHO, José João Teixeira. Instrução para o Governo da Capitania de Minas Geraes [1780]. In: RAPM, 1903. ano VIII, fasc.1-2, p. 434.

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[PROVISÃO régia e Carta do Governador dando conta de ter publicado um bando sobre os salários nas vistorias minerais], 27 de junho de 1733; 18 de março de 1734. AHU-MAMG. Caixa 26, doc. 14.

[...] como este Regimento, e as mais ordens que sobre ele se tem passado foram feitas em tempo que as Minas se achavam com diferente forma, e não havia nelas os Governadores e Ministros que hoje se acham, pareceu então conveniente regerem-se por um Superintendente que depois se anexou aos ouvidores, e por um Guarda-mor e Guardas substitutos, a quem se cometessem as diligências que no Regimento se expressa e assim será conveniente fazer-se novo Regimento, sem atenção alguma ao antigo, mas respeitando aos Governadores e Ministros que hoje há, e ainda aos que for necessário criarem-se para bom regime das Minas; e lembra o Conselho para formar este novo Regimento o Desembargador Rafael Pires Pardinho que se acha intendente no Serro do Frio porque nos capítulos de correição que fez nas terras da ouvidoria de São Paulo mostrou o gênio que tem próprio para fazer com acerto semelhante diligência, para a qual deve ouvir por escrito os Ministros daquele governo, e o Guarda-mor das Minas e Martinho de Mendonça de Pina e Proença, se se achar ainda no Brasil, lhe peça também o seu parecer, para em vistas destes votos, e dos mais que lhe parecer tomar de pessoas inteligentes e práticas nas Minas formar este Regimento, e o remeter ao Conde das Galveas Governador das Minas Gerais, o qual sobre ele interponha o seu parecer, para a vista de tudo resolver V. Majestade o que for servido, ficando no entanto praticando-se o Regimento velho e ordens que sobre ele se tem passado484.

Com base nesse parecer, em 14 de janeiro de 1735 foi passada a ordem ao Desembargador Rafael Pires Pardinho, encarregando-o de fazer o novo Regimento. Pela Provisão de 26 de janeiro, o Rei comunicava ao Conde das Galveas a resolução do seu Conselho e as providências que deveriam ser tomadas para a referida reforma485.

Essa ordem, mais uma vez, não foi prontamente cumprida. No entanto, a nova realidade das explorações e as implicações daí resultantes demandavam medidas mais imediatas,\ capazes