VI. ARAŞTIRMANIN KATKILARI
1.3. DÜNYADA VE TÜRKĐYE’DE TURĐZMĐN TARĐHSEL GELĐŞĐMĐ
2.1.2. Otel Đşletmeleri
2.1.2.1. Otel Đşletmelerinin Tanımı
Os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) – do IBGE, avaliados entre janeiro de 1991 e agosto de 2011, mostram que, desde meados dos anos noventa até o primeiro semestre de 2003, a produção industrial brasileira “andou de lado”,
113 ou seja, manteve-se em torno do índice 100. No entanto, a partir desse último período, a produção industrial voltou a crescer de modo continuado, um ciclo interrompido apenas pela crise financeira americana de 2008. De fato, a partir de outubro desse ano, o nível de atividade industrial caiu abruptamente, e atingiu, em janeiro de 2009, um coeficiente similar ao de 2004. A partir desse mês, a produção industrial começa a se recuperar até alcançar, em março de 2010, o nível pré-crise, onde se mantém praticamente estagnada – vide Gráfico 3.1.
Um fato chama atenção no Gráfico 3.1: a partir de 2005, há o descolamento das trajetórias de crescimento das séries de produção industrial e as de consumos varejistas restritos e ampliados. No período compreendido entre os anos de 2003 e 2011, a produção industrial cresceu cerca de 30% (mesmo nível de 2008), enquanto o consumo varejista restrito cresceu 83%, e o consumo varejista ampliado praticamente dobrou (97%). As diferenças nessas taxas de crescimento explicam a “boca aberta do jacaré” no final do período assinalada, no Gráfico 3.1.
Gráfico 3.1 - Crescimento da Produção Industrial e do Comércio Varejista: 1991 a 2011 (séries dessazonalizadas; média 2003 =100)
Fonte: Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) e Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE.
O Gráfico 3.2 abaixo – consumo e importações em termos reais (em volume) – contribui para detalhar as origens da “boca de jacaré”. Entre o início de 1996 até o
129 183 197 60 80 100 120 140 160 180 200
jan/91 set/91 mai/
92 jan/93 set /93 mai/ 94 jan/95 set /95 mai/ 96 jan/97 set /97
mai/98 jan/99 set
/99 mai/ 00 jan/01 set /01 mai/ 02 jan/03 set /03 mai/ 04 jan/05 set /05 mai/ 06 jan/07 set /07 mai/ 08 jan/09 set /09 mai/ 10 jan/11
114 primeiro semestre de 2005, a produção industrial, o consumo das famílias e as importações cresceram praticamente, no mesmo ritmo. Porém, a partir do segundo semestre de 2005, há um nítido descolamento das três séries. Entre 2005-2008, as importações mais que dobraram de tamanho e supriram a lacuna entre o consumo e a produção industrial, isto é, nos últimos anos, as importações cresceram porque a produção industrial do país não acompanhou o aumento do consumo da população, aspecto que se intensifica em 2010 e 2011.
Gráfico 3.2 - Crescimento da Produção Industrial, do Consumo das Famílias e das Importações: 1996 a 2011 (1995 = 100; Série Encadeada)
Fonte: Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
Vários fatores contribuem de forma conjunta para explicar o aumento do consumo da economia brasileira desde meados dos anos 2000, principalmente: (1) o crescimento do emprego e da massa de salários, analisado no capítulo 2; (2) os aumentos reais do salário mínimo que elevou sobremaneira o poder de compra dos trabalhadores, em especial daqueles de menores rendas e com elevada propensão a consumir; (3) o aumento da oferta de crédito - de cerca de 25% para 50% do PIB entre 2003 e 2011; (4) as melhores condições de financiamento (por exemplo, tornou-se possível financiar um automóvel em 96 meses ou mais); (5) a forte redução da taxa real de juros, embora ainda muito elevada se comparada às praticadas no estrangeiro; (6) as políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que, apesar de representar atualmente apenas 0,4% do PIB brasileiro ajuda a dinamizar, junto com outras medidas, o crescimento da região Nordeste do país – para onde são dirigidos os maiores volumes desse programa; (7) o predomínio de uma taxa de
131,7 165,6 223,4 265,4 20 70 120 170 220 270
1996.I 1996.III 1997.I 1997.III 1998.I 1998.III 1999.I 1999.III 2000.I 2000.III 2001.I 2001.III 2002.I 2002.III 2003.I 2003.III 2004.I 2004.III 2005.I 2005.III 2006.I 2006.III 2007.I 2007.III 2008.I 2008.III 2009.I 2009.III 2010.I 2010.III 2011.I
115 câmbio sobrevalorizado na maior parte do período – reforçada pela política adotada pelos EUA no pós-crise, de desvalorização do dólar – reduzindo os preços dos bens importados; (8) o barateamento dos bens comercializáveis no comércio internacional, seja pelos baixos custos alcançados pela China com a fabricação de produtos em elevadas escalas produtivas, seja, como ocorreu recentemente, pelas liquidações promovidas por alguns países para findar com os estoques indesejados, acumulados durante o período da crise de 2008. Em geral, essas razões, que explicam o aumento do consumo das famílias, também justificam, direta ou indiretamente, o aumento robusto das importações, em especial, se acrescidas de outros fatores como, por exemplo, a “guerras dos portos”80 e a insuficiência dos investimentos na ampliação da capacidade de produção industrial.
As evidências indicam que os investimentos produtivos e, consequentemente, a produção industrial nacional não se elevaram nas proporções necessárias para atender o consumo corrente da população brasileira. Nesse caso, o comércio internacional pode funcionar, momentaneamente, como mecanismo de ajuste (UNCTAD, 2003, cap. 5). Nas ocasiões em que a produção industrial não acompanha a expansão do consumo doméstico, as importações podem ser uma via menos dolorosa para conter um processo de aceleração de preços, prejudicial ao bem estar das famílias. Da mesma forma, quando a produção industrial é superior ao consumo, as exportações podem ser uma medida compensatória – mesmo que comercializadas a preços inferiores. Portanto, o comércio pode, pelo menos por algum tempo, impedir a descontinuidade do (ou impulsionar o) crescimento industrial.
No entanto, há indícios encontrados nesta dissertação de que o aumento do consumo doméstico acima da produção industrial brasileira desde 2005 não é um fenômeno conjuntural ou momentâneo, mas estrutural. Ele está associado ao modelo de desenvolvimento econômico corrente (metas de inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit primário), similar ao observado por Britto (2003) em relação à produção industrial nos anos 1990, que também dependia de certa proporção de insumos importados. Nesse modelo, a produção industrial pode crescer, mas com aumento de componentes importados, como no Gráfico 3.2. Portanto, analisar a constituição do consumo das famílias e examinar a composição das importações que sustentam esse consumo é importante no debate da desindustrialização da economia brasileira. Para isso, é necessário qualificar os tipos de produtos que estão sendo adquiridos no exterior para atender a
116 demanda interna brasileira, ou seja, aquilo que não é oferta nacional e que origina as diferenças evidentes entre as taxas e crescimentos do Gráfico 3.2.
O Gráfico 3.3 classifica as importações segundo três tipos de bens: i) acabados - prontos para o consumidor final; ii) intermediários - como partes, peças, sistemas e componentes que integram a produção industrial brasileira e iii) de investimento ou FBCF – que também são bens acabados, mas adquiridos, majoritariamente, pelas empresas. Ao se considerar que mais de 60% das importações brasileiras se constituem de bens intermediários (ou consumo intermediário conforme a nomenclatura adotada pelo IBGE), o impacto dessas compras na economia brasileira merece destaque e, por isso, será avaliado nas próximas seções.
Gráfico 3.3 - Composição das Importações Brasileiras entre 2000 e 2008 (%)
Fonte: Elaboração própria a partir das matrizes insumo-produto estimadas através das Contas Nacionais do IBGE.
No período entre os anos 2000 e 2008, cerca de 60% das importações brasileiras foram de bens intermediários (ou consumo intermediário conforme a nomenclatura adotada pelo IBGE), as quais refletem certas características da indústria nacional – vide Gráfico 3.2. Marconi e Barbi (2010, p. 23) atestaram, através de um estudo econométrico, que as importações de bens intermediários aumentaram de forma significativa entre 1997 e 2007 e podem estar desencadeando um processo de desindustrialização. Squeff (2011, p. 20-23), por sua vez, verificou que o saldo comercial da indústria de transformação começou a se deteriorar a partir de 2006 até alcançar o valor negativo de US$ 30,3 bilhões, em 2010. Ademais, esse autor constata que somente a indústria de baixa tecnologia apresentou saldo positivo, enquanto para as demais, inclusive média-baixa tecnologia, o resultado foi
0% 20% 40% 60% 80% 100% 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
Consumo Intermediário Consumo das Famílias Formação Bruta de Capital Fixo Outros
117 negativo. Por isso, Squeff (2011) sugeriu um estudo detalhado dos coeficientes de importação o qual pode colaborar no debate sobre a desindustrialização.
Nas próximas seções, procuraremos responder perguntas como, por exemplo: (1) como cresceu a parcela de consumo intermediário importado de modo a garantir um aumento de cerca de 25% da produção industrial – conforme Capítulo 2 – entre 2000 e 2008? (2) qual a proporção da demanda final brasileira de bens acabados que o país importou pronto para o consumo final? (3) Qual é realmente o conteúdo nacional (ou estrangeiro) da demanda final brasileira?