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Misafirperverlik Değeri ile Ġlgili Bulgu ve Yorumlar

De que forma as imagens lomográficas manifestam o imaginário contemporâneo? Quais indícios, traços dessa manifestação podemos identificar em suas visualidades? Na busca de compreendermos a Lomografia como forma de manifestação visual do imaginário contemporâneo, faremos uma análise de suas visualidades com base nos elementos visuais da fotografia, sua escrita (Rouillé, Aumont e Català) e nos apontamentos sobre o imaginário (Durand, Maffesoli e Silva), esta “atmosfera” que as cerca.

Assim, ao retomarmos os conceitos centrais trabalhados na fundamentação teórica, os quais acreditamos dialogarem diretamente com a Lomografia, propomos o conceito proposto por Rouillé de fotografia-expressão e a noção de imaginário apresentada por Durand, Maffesoli e Silva como conceitos-base para a construção do nosso esquema de análise que se dividirá em dois grandes eixos: a escrita fotográfica e o imaginário social. Acreditamos que esses dois eixos nos ajudarão a contemplar tanto os elementos que estão na imagem, ou seja, compõem-na

visualmente (sua visualidade), quanto os elementos que transbordam de sua visualidade, surgem a partir dela e nos remetem ao imaginário no qual está inserida. Dessa maneira e em harmonia com a metodologia na qual nos apoiamos para esta pesquisa, pretendemos compreender a Lomografia como forma de manifestação visual do imaginário contemporâneo.

Eixo 1) Escrita fotográfica

André Rouillé (2009) nos propõe dois conceitos fundamentais para compreendermos os usos e as funções da fotografia desde seu surgimento: a fotografia-documento e a fotografia-expressão. Com base nas características principais de cada um deles, apresentadas e discutidas por nós no segundo capítulo, acreditamos que a Lomografia encontra seu lugar na fotografia-expressão em função de seus usos e de suas características visuais, como, por exemplo, o uso criativo e experimental da técnica fotográfica, o forte distanciamento da ideia de reprodutora do real e a falta (proposital) de domínio sobre o equipamento fotográfico. Enquanto a fotografia-documento se caracteriza pela forte ligação com a ideia de reprodução fiel dos referentes da imagem, ou seja, constitui-se como uma imagem análoga, mimética, a fotografia-expressão busca distanciar-se desta aura de objetividade e precisão técnica, priorizando uma expressão mais subjetiva e conceitual da realidade por ela retratada. Longe de posicionar-se como um registro isento e exato da realidade, apoiando-se na utopia de “verdadeiro fotográfico” e buscando um controle absoluto da técnica fotográfica, a fotografia-expressão assume um caráter indireto e, ao invés de garantir “a aderência de um modelo a sua cópia”, ela joga as coisas e com as imagens que já estão lá, ou seja, com as imagens que compõem nossos imaginários, contando com uma liberdade maior, do ponto de vista técnico e visual. Assim, segundo Rouillé, a fotografia-expressão se caracteriza por propor vias específicas de acesso às coisas e aos fatos: “a escrita, logo, a imagem; o conteúdo, logo, o autor; o dialogismo, logo, o outro”. Sendo, desse modo, uma fotografia que possui uma alta consciência da forma e que explora todos os elementos que compõem suas imagens, como, por exemplo, os enquadramentos, o ponto de vista, a luz, a nitidez e os tempos de exposição.

Com base nessas características da fotografia-expressão e por acreditar que a Lomografia dialoga diretamente com elas, desmembramos esse Eixo em três desdobramentos:

1.a) Elementos visuais: elementos que constituem visualmente as imagens,

formando sua estética e evidenciando sua escrita fotográfica. Na busca de identificar quais são os elementos que caracterizam a escrita fotográfica da Lomografia, essa categoria tomará como base algumas das características apresentadas por Aumont (2004) na obra A imagem para a identificação dessa escrita. São elas: espaço plástico (que contemplará sua composição, gama de cores e contraste), enquadramento e ponto de vista, profundidade de campo e dimensão temporal.

1.b) Tema: o assunto tratado pelo autor, seu ponto de vista evidenciado a

partir da escolha do tema da imagem. Nesta categoria, buscaremos contemplar o conteúdo da imagem, como indício da individualidade do fotógrafo e de sua relação com o outro, na perspectiva de que essas relações estão envoltas por uma atmosfera coletiva mais ampla, o imaginário que as cerca.

Porém, a observação das características peculiares da Lomografia em relação à utilização da técnica fotográfica (já realizada no percurso desta pesquisa), aliada à experiência desta pesquisadora como lomógrafa, leva-nos à inclusão de mais uma categoria ao Eixo Escrita Fotográfica, além das duas anteriores embasadas em Rouillé, o aleatório.

1.c) Aleatório: o jogo, a eventualidade, o risco, a aventura, a experimentação

revelando uma nova atmosfera caracterizada por uma cultura do instinto. Essa categoria será analisada pelo papel da experimentação na fotografia lomográfica e pela interferência desse “jogo” no resultado visual das suas imagens. Por entendermos o aleatório como um resultado alcançado através de usos específicos da técnica fotográfica e de seus elementos de composição, esse item compõe o Eixo Escrita Fotográfica.

Eixo 2) Imaginário

Ao postular que a imagem é uma “realidade velada”, Durand nos instiga a refletir de que modo, então, poderíamos acessar essa “realidade” e identificar os indícios que nos levam ao entendimento daquilo que não é diretamente revelado por ela. Segundo ele, são as próprias imagens que, como símbolos, servem-nos de modelos dessa realidade e podem nos ajudar a compreender essa “aura maior”, esse algo mais que as ultrapassa e nos dá indícios de seu imaginário. Mas, ao mesmo tempo, Maffesoli lembra-nos que esse algo mais, nosso imaginário, é algo impalpável, “um estado de espírito” compartilhado por grupos e que contém elementos racionais, oníricos, lúdicos, fantasiosos, afetivos, imaginativos, não racionais e irracionais, ou seja, é uma força, um catalisador, uma fonte de valores e emoções comuns, como bem exemplifica Silva (2003).

Considerando essas características, parece-nos uma tarefa difícil e até mesmo audaciosa buscar atingi-lo ou compreendê-lo, de modo que suas manifestações não são elementos palpáveis, objetivos ou quantificáveis. Porém, apesar disso, Maffesoli indica-nos que as práticas sociais de cada época nos apresentam indícios desse inconsciente compartilhado, coletivo, que as envolve e as influencia. Assim, na tentativa de compreendermos as manifestações visuais do imaginário contemporâneo a partir das Lomografias, e por acreditarmos que o contemporâneo está inserido no período entendido como pós-moderno, buscamos nas noções de pós-modernidade apontadas por Maffesoli ferramentas para auxiliarem nossa análise.

Assim, ao cruzarmos os elementos do imaginário com as premissas da pós- modernidade apresentadas por ele, tais como, o tribalismo, a lógica ética-estética, a valorização do cotidiano e a revivescência da mística, e, ainda, com as características já identificadas por nós na Lomografia no decorrer desta pesquisa, alcançamos os seguintes desdobramentos: o onírico, o cotidiano e o tribalismo.

Com base neles, acreditamos que poderemos dar conta tanto dos elementos mais palpáveis e objetiváveis do imaginário a partir de sua pregnância ao cotidiano quanto de seus elementos mais impalpáveis e inconscientes através de suas representações oníricas, assim como dessa atmosfera característica da pós- modernidade que indica o fenômeno tribal como uma nova maneira de estar juntos e de compartilharmos o ser/estar em sociedade.

2.a) Onírico: a revalorização dos elementos que constituem os sonhos, as

fantasias, o imaginativo como parte de uma organicidade social que se constrói tanto a partir do empírico quanto do irracional, do não racional, do simbólico, do mágico, evidenciando um reconhecimento de que somos espírito/mente e de que, desse modo, não podemos dissociar nossas várias dimensões a partir de uma abordagem orgânica.

2.b) Cotidiano: a valorização dos elementos e das experiências cotidianas e

banais que evidenciam uma temporalidade presenteísta, voltada para o “aqui-agora”, na qual as emoções, as paixões, a aventura, a eventualidade nos dão pistas de uma nova lógica contemporânea que parece dialogar diretamente com a experiência proposta pela Lomografia a partir de suas “10 Regras de Ouro”:

2.c) Tribalismo: o fenômeno tribal através do qual “comungamos em torno de um totem”, partilhando emoções e sentimentos, e que só existimos a partir do outro, em relação com o outro, ou seja, coletivamente. Um fenômeno que evidencia um “certo arcaísmo” caracterizado pelo sentimento de pertencimento, pelo compartilhamento de um gosto e pela volta da figura dionisíaca, que valoriza o momento vivido, o cotidiano, o supérfluo e o presente.

A partir desse esquema e com base em nossas premissas metodológicas, consideramos que esses dois Eixos (a Escrita Fotográfica e o Imaginário) nos servirão como as guias iniciais para esta análise. Assim, nossa análise se embasará nos elementos que constituem as imagens visualmente e na relação dessas imagens com o imaginário que as cerca, a partir das noções propostas a priori (conforme organograma abaixo).

A fundamentação teórica para a análise se dará a partir do referencial teórico apresentado nos Capítulos I e II, que também fundamentou o esquema de análise proposto.

Figura 29 - Organograma para análise

Eixo 1) Escrita Fotográfica

1.a) Elementos visuais 1.a.1) Espaço plástico. 1.a.2) Enquadramento e ponto de vista.

1.a.3) Profundidade de campo.

1.a.4) Dimensão temporal.

1.a.1.1) Composição. 1.a.1.2) Gama de cores. 1.a.1.3) Contraste.

1a)1.b) Tema Assunto tratado pela imagem.

1.c) Aleatório 1.c.1)Técnicas fotográficas experimentais. 1.c.2) Resultados visuais específicos decorrentes destas técnicas experimentais. Eixo 2) Imaginário 2.a) Onírico

Os sonhos, a fantasia, o imaginativo.

2.b) Cotidiano

Valorização das experiências cotidianas e banais, o vivido emocional comum, o reencantamento com o mundo.

2.c ) Tribalismo

Comunhão em torno de um totem, compartilhamento de um gosto, sentimento de pertencimento.