2.1 Avrupa Komisyonu’nun Hazırladığı Belgeler
2.1.7 Mavi büyüme stratejisi
Após a Revolução de 1930, surge o primeiro Código Eleitoral brasileiro, consubstanciado no Decreto n° 21.076, expedido pelo Governo Provisório, em 1932. O ordenamento instituiu a representação proporcional, o voto secreto e a Justiça Eleitoral. Pela primeira vez, a legislação eleitoral fazia referência aos partidos políticos, mas ainda era admitida a candidatura avulsa, ou seja, a filiação partidária não era requisito obrigatório para a candidatura a cargo eletivo. No entanto, nada estipulou sobre a criação do partido político em nível nacional, em contraposição ao caráter regional que então imperava.
A representação proporcional nada mais é do que a adoção de um sistema eleitoral que assegura a presença de representantes de diversas opiniões, na medida proporcional às suas respectivas forças. Em outras palavras, os lugares a serem preenchidos são repartidos proporcionalmente ao número de votos obtidos por um partido, com base em uma lista de candidatos.
Em 1932, a representação proporcional operava-se nos termos do artigo 58 do Código Eleitoral. Era permitido o registro, no Tribunal Regional, de lista de candidatos sob a legenda de qualquer partido, aliança de partidos, ou grupo de 100 eleitores, no mínimo, em até cinco dias antes da eleição.
Desde já se faz necessário apontar dois fatos interessantes. O primeiro diz respeito à possibilidade de um grupo (de 100 eleitores) estar autorizado a registrar uma
117 MEZZAROBA, Orides. Introdução ao Direito Partidário Brasileiro. 2ª edição revista. Editora Lumen
lista de candidatos, ou seja, o registro de candidatura não era privativo de partido político formalmente constituído.
O segundo ponto é a menção ao termo “aliança de partidos”. Essa foi a
primeira previsão legal da chamada coligação partidária eleitoral, que nada mais é do que uma aliança formal temporária de forças partidárias, concebida com a finalidade de aumentar o potencial de elegibilidade de seus integrantes, a fim de manter a hegemonia no poder. Tal previsão beneficiava os partidos menores, que junto com os mais fortes, detinham mais chance de sucesso.
Pela lei em vigor, estariam eleitos em primeiro turno os candidatos que tivessem obtido o quociente eleitoral e os candidatos registrados sob uma mesma legenda, na ordem da votação obtida e tantos quantos atingissem o quociente partidário. Tais conceitos poderão ser mais bem compreendidos quando da análise do papel das agremiações partidárias no sistema eleitoral brasileiro vigente, ao final deste Capítulo. Por ora, basta sabermos que em virtude da possibilidade de candidatura avulsa, os partidos não tinham força para impor sua orientação programática a todos os candidatos que eram eleitos, afinal, havia representantes que não ostentavam filiação partidária.
O artigo 99 do Decreto n° 21.076/32 estipulou, ainda, que eram considerados partidos políticos as associações de classe legalmente constituídas e as organizações que adquirissem personalidade jurídica, mediante inscrição em registro nos ditames da lei civil.
A entidade que não tivesse adquirido personalidade jurídica poderia ser considerada como partido político, de caráter provisório, desde que contassem com um mínimo de 500 eleitores. Esse último dispositivo vigorou até 1935, quando a Lei n° 48, o segundo Código Eleitoral brasileiro, modificou-o, admitindo o registro de entidades com o mínimo de 200 eleitores, que, para efeitos legais, seriam chamadas de partidos provisórios118.
Ato contínuo, a nova Constituição, editada em 1934, refletiu o início da transição, confirmando o sistema proporcional. Como as outras anteriores a ela, também não fez qualquer referência ao aspecto da organização partidária, todavia, houve três menções diretas ao partido. Uma no artigo 26, chamando as agremiações partidárias de
“correntes de opinião119”; outra no artigo 66, que veda ao Juiz a atividade político- partidária; e outra preconizada no artigo 170, item 9°, afirmando que o funcionário público que se valer da sua autoridade em favor de partido político, ou exercer pressão partidária sobre os seus subordinados, será punido com a perda do cargo, quando provado o abuso, em processo judiciário.
É importante notar que o artigo 23 da Constituição de 1934, ao adotar a proporcionalidade da representação, também dispôs que a Câmara dos Deputados seria composta por representantes eleitos pelas organizações profissionais na forma que a lei indicar. Constitucionalizou-se outra figura, portanto, paralela aos partidos políticos.
Assim, havia dois tipos de representação: os deputados do povo, proporcionais à população de cada Estado; e os deputados das profissões, que eram eleitos por sufrágio indireto das associações profissionais, as quais eram divididas em quatro: lavoura e pecuária; indústria; comércio e transportes; profissões liberais e funcionários públicos.
O Decreto n° 22.621, de 1933, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte, já havia previsto em seu artigo 3° que a mesma seria composta por 254 deputados, sendo quarenta eleitos pelos sindicatos legalmente reconhecidos, pelas associações de profissões liberais e de funcionários públicos existentes, nos termos da lei civil.
A chamada representação profissional foi um duro golpe às agremiações partidárias. Isso porque criou uma grande bancada apartidária, que funcionava como um
instrumento permanente dos governos contra a livre ação dos partidos120.
Dessa forma, sem qualquer regramento específico quanto à organização das agremiações políticas e com a presença de outra figura (a representação das organizações profissionais), o regionalismo partidário da Primeira República ainda sobrevivia. As eleições continuavam a ser disputadas ainda por partidos estaduais e não por agremiações nacionais. Sendo estaduais, os partidos multiplicavam-se pelo número de Estados da Federação, de modo a formar grupos contra o governo central.
119 Constituição de 1934. Artigo 26 - Somente à Câmara dos Deputados incumbe eleger a sua Mesa, regular a
sua própria polícia, organizar a sua Secretaria com observância do art. 39, nº 6, e o seu Regimento Interno, no qual se assegurará, quanto possível, em todas as Comissões, a representação proporcional das correntes de opinião nela definidas.
120 MELO FRANCO, Afonso Arinos. História e Teoria do Partido Político no Direito Constitucional