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2.1 Avrupa Komisyonu’nun Hazırladığı Belgeler

2.1.9 Altyapı adaptasyonu

2.1.9.2 İklim değişikliğinin altyapıya olan etkileri

O ciclo político que vai do golpe de 1964 à posse de José Sarney na Presidência da República, em 1985, foi um período de sucessivas operações de engenharia

política visando a legitimação e a permanência no poder do regime autoritário144. Em 1965,

já sob a nova ordem política, foi editado um novo Código Eleitoral brasileiro, o quinto e último, que possui algumas disposições que vigoram até hoje. O artigo 2° do referido Código afirmava que todo poder emanava do povo e seria exercido em seu nome, por mandatários escolhidos, direta e secretamente, dentre candidatos indicados por partidos políticos nacionais, ressalvada a eleição indireta nos casos previstos na Constituição e leis específicas145.

142 SCHMITT, Rogério. Partidos Políticos no Brasil (1945-2000). Jorge Zahar Ed. Rio de Janeiro, pág. 13. 143 TEIXEIRA, José Elaeres Marques. DEMOCRACIA NOS PARTIDOS POLÍTICOS. Boletim Científico

Escola Superior do Ministério Público da União, B. Cient. ESMPU, Brasília, a. II – n. 8, p. 83-98 – jul./set. 2003, pág. 94.

144 SCHMITT, Rogério. Partidos Políticos no Brasil (1945-2000). Jorge Zahar Ed. Rio de Janeiro, pág. 31. 145 Lei n°4.737, de 15 de julho de 1965.

Em continuidade, publicou-se a Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965146, mantendo as agremiações como pessoas jurídicas de direito público interno, destinadas a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema

representativo147. As normas eram mais rígidas e, então, para nascer, o partido político

precisaria constituir-se de, pelo menos, 3% (três por cento) do eleitorado que havia votado na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, distribuídos em 11 (onze) ou mais

Estados, com o mínimo de 2% (dois por cento) em cada um148.

As assinaturas dos eleitores seriam colhidas por lista, feita em duas vias, obedecendo a modelo aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, sendo que o eleitor que assinasse lista para a formação de um novo partido estaria desligado daquele que pertencesse149.

Além disso, os partidos teriam assegurada função permanente para, dentre outras medidas, realizarem a promoção de sessões públicas com o intuito de propagar seu programa e a manutenção de cursos de difusão doutrinária, educação cívica e alfabetização. Ademais, deveriam manter um instituto de instrução política, para formação

e renovação de quadros e líderes políticos150.

As regras financeiras também foram aprimoradas, proibindo-se, também, as agremiações partidárias de receberem, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição, auxílio ou recurso procedente de empresa privada, de finalidade lucrativa, tendo, ainda, que enviar à Justiça Eleitoral, anualmente, o balanço financeiro do

exercício findo151.

Criou-se, ainda, um fundo especial de assistência financeira aos partidos, o Fundo Partidário, constituído de receitas proveniente das multas e penalidades aplicadas nos termos do Código Eleitoral, dos recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual, e de doações particulares, inclusive com a finalidade

de manter o instituto de instrução política citado anteriormente152.

Porém, antes mesmo que as novas regras produzissem algum efeito na vida das agremiações partidárias, entrou em vigor o artigo 18 do Ato Institucional n° 2, de 27 de

146 Lei Orgânica dos Partidos.

147 Artigo 2° da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965. 148 Artigo 7° da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965.

149 Artigo 11, caput e §4° da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965. 150 Artigo 75 da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965.

151 Artigos 55 e 56 da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965. 152 Artigo 60 da Lei nº 4.740, de 15 de julho de 1965.

outubro de 1965, que extinguia os partidos políticos e cancelava seus respectivos registros. A regra, ainda, autorizou a organização de novos partidos, sendo mantidas as exigências da Lei nº 4.740, de 1965.

Ato contínuo, como não haviam partidos para disputar eleições, regra de transição foi publicada, de modo a garantir a existência de organizações que teriam as atribuições de partidos políticos para as eleições de 1966, enquanto estes não se constituíssem. O artigo 1° do Ato Complementar n° 4, de 20 de novembro de 1965, dizia que cabia a um número não inferior a 120 deputados e 20 senadores a criação das referidas organizações, dentro de um prazo de 45 dias. Apenas duas organizações conseguiram se formar: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

A Constituição de 1967, na seqüência, tratou dos partidos políticos em seu artigo 149. A organização, o funcionamento e a extinção dos partidos políticos seriam regulados por lei federal, observados o regime representativo e democrático; as agremiações ganhariam personalidade jurídica mediante registro dos estatutos e deveriam possuir atuação permanente, dentro de programa aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, sem vinculação, de qualquer natureza, com a ação de governos, entidades ou partidos estrangeiros; os partidos deveriam, ainda, realizar a fiscalização financeira e a disciplina partidária, além de atuar em âmbito nacional. Para existir, havia ainda a exigência de possuírem dez por cento do eleitorado que houvesse votado na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, distribuídos em dois terços dos Estados, com o mínimo de sete por cento em cada um deles, com dez por cento de deputados, em, pelo menos, um terço dos Estados, e dez por cento de senadores.

A técnica constitucional escolhida, importante ressaltar, principalmente com relação aos percentuais eleitorais mínimos adotados, foi concebida com o nítido propósito

de criar, indiretamente e por via transversa, um sistema bipartidário153.

O dispositivo também foi responsável pela proibição de todas as coligações partidárias (artigo 149, VIII). Desde seu início, em 1932, a possibilidade de alianças

sempre esteve presente no ordenamento jurídico pátrio154, tendo sido a mesma

regulamentada pelo segundo Código Eleitoral Brasileiro (artigo 84 da Lei nº 48, de 1935);

153 BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. São Paulo: Malheiros, 2010, pág. 416.

154 ANDRADE, Jorge Marley. ARAS, Augusto. SILVA ARAÚJO, Ana Paula Vasconcelos do Amaral.

pela “Lei Agamenon” (artigo 39 do Decreto-Lei nº 7.586, de 1945); pela Lei nº 1.164, de 1950 (artigo 47); e pela Lei nº 4.737, de 1965 (o artigo 91 permitia coligações para as eleições majoritárias, porém o artigo 105 as proibia para as eleições proporcionais).

A vedação às alianças partidárias se repetiu com a edição da Emenda Constitucional nº 1, de 1969 (artigo 152, VIII). A norma, por sua vez, atenuou o rigor dos percentuais exigidos para a existência dos partidos (cinco por cento do eleitorado que havia votado na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, distribuídos, pelo menos, em

sete Estados, com o mínimo de sete por cento em cada um deles – artigo 152, VII). Porém,

mesmo com os novos índices, ainda era muito difícil a instalação de uma terceira via no País.

Mas a grande mudança trazida pelo diploma de 1969 e que impactou a democracia pelos partidos até então vigente foi aquela presente no parágrafo único do artigo 152. Dizia a norma que perderia o mandato no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, nas Assembléias Legislativas e nas Câmara Municipais quem, por atitudes ou pelo voto, se opusesse às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos de direção partidária ou deixasse o partido sob cuja legenda fosse eleito. Afirmava, ainda, que a perda do mandato seria decretada pela Justiça Eleitoral, mediante representação do partido, assegurado o direito de ampla defesa.

A regra foi ainda reforçada pela Lei n° 5.682, de 21 de julho de 1971. A nova Lei Orgânica dos Partidos Políticos, além de continuar dispondo sobre a natureza de direito público interno das agremiações, considerava, em seu artigo 72, como infidelidade partidária, ensejadora, portanto, de perda do mandato eletivo, a oposição às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos de direção partidária ou o abandono da legenda pela qual o representante havia sido eleito.

A norma regulamentou, inclusive, o conceito de diretrizes legitimamente estabelecidas: aquelas que fossem fixadas pelas Convenções ou Diretórios Nacionais, Regionais ou Municipais, convocados na forma do estatuto e com observância do quórum

da maioria absoluta155. Ademais, preconizava que as diretrizes estabelecidas pelos órgãos

de direção partidária deveriam ser arquivadas perante a Justiça Eleitoral, podendo o representante, da deliberação que estabelecesse diretriz ou disciplina de voto, interpor

recurso, no prazo de 5 (cinco) dias, diretamente ao diretório partidário de hierarquia superior156.

A Lei Orgânica dos Partidos Políticos, importante ressaltar, procurou centralizar o poder interno nas cúpulas partidárias. A finalidade não poderia ser outra:

incentivar a centralização e o controle dos partidos (e dos eleitos) de cima para baixo157. Os

partidos estavam submissos à tutela do Estado e à permanente ingerência quanto ao seu funcionamento interno.

Com efeito, ao modificar-se o antigo artigo 149 da Constituição de 1967, a nova regulamentação fortaleceu os partidos, tendo em vista o fato da mudança de legenda ser tão usual em práticas antecedentes da vida política brasileira. Pode-se afirmar que esta foi a primeira tentativa brasileira de garantir, de fato, a substituição da teoria do mandato representativo por uma teoria do mandato partidário, na qual os representantes estariam ligados e vinculados a um partido e a um programa partidário.

No entanto, conforme assevera Monica Herman Salem Caggiano, a medida não contou com a receptividade integral do Poder Judiciário, que evitava adentrar o mérito

das ações propostas, afastando a aplicação da penalidade. Diz a publicista158:

Sob a égide deste cânone, aos partidos, por seus órgãos executivos, era autorizada a fixação de diretrizes (...) que o parlamentar deveria observar sob pena de vir a ser penalizado com a perda do mandato. E, de fato, inúmeras foram as representações partidárias ensejando a decretação da perda do mandato do membro infiel, tendo sido, porém, extremamente moderada a apreciação por parte da Justiça Eleitoral.

Ademais, é bom lembrar que a fidelidade partidária está inserida, em nosso estudo, como sustentáculo da democracia pelos partidos. A regra da perda do mandato, em vigor a partir de 1969, existia como mecanismo de controle do regime militar para que seus interesses no parlamento fossem conquistados. A norma, de fato, não era utilizada como instrumento de garantia democrática, mas sim como uma espécie de cabresto usado pelo

regime para a manutenção da ordem política instituída em 1964159.

156 Artigo 73, §3°, da Lei n° 5.682, de 21 de julho de 1971.

157 MEZZAROBA, Orides. Introdução ao Direito Partidário Brasileiro. 2ª edição revista. Editora Lumen

júris. Rio de Janeiro, 2004, páginas 218-219.

158 CAGGIANO, Monica Herman Salem. Sistemas eleitorais X representação Política. Brasília, Senado

Federal, nota nº 95, pág. 34.

159 PUCCI, Valdir Alexandre. Fidelidade Partidária: Teoria e prática no Brasil. Dissertação de mestrado.

Universidade de Brasília, Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais. Departamento de Ciência Política. Brasília, 2002, pág. 22.