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Maden Ruhsatının Miras Yoluyla Edinilmesi

TÜRK HUKUKUNDA MADEN RUHSATLARI

C. Maden Ruhsatının Miras Yoluyla Edinilmesi

Perante esse leque de desafios e o alcance mundial da rede de conexões estabelecidas entre as universidades, a compreensão dos impasses, das contradições e das características do sistema de educação superior no Brasil assume uma importância fundamental como forma de capturar a essência da função das instituições responsáveis por esse nível de ensino.

Esse caminho justifica-se porque partimos da focalização da questão em seu âmbito global, conforme os pontos de vista da sociologia e da filosofia, para finalmente chegarmos à sua particularização na situação brasileira. Assim, visualiza-se, de forma mais ampla, o contexto no qual vêm sendo colocadas as políticas para o ensino superior nacional, possibilitando melhor reflexão sobre o tema.

Ao apresentar alguns aspectos do sistema de educação superior no Brasil, como por exemplo, sua grande diferenciação interna, temos por objetivo apontar a complexidade necessária nos processos de compreensão dessa realidade. Ressaltamos também, que apesar de verificarmos ao longo da história um movimento de fusão de instituições não universitárias para a constituição de Universidades no país, o nosso sistema ainda está baseado em instituições não-universitárias e privadas, assim como exposto por Cavalcante (2000).

Ao realizar uma reconstrução histórica do ensino superior e da sua expansão no Brasil, podemos afirmar que, já no início do século XX, o crescimento ocorreu com uma participação relativa do Estado no oferecimento de vagas. O aumento da demanda pela formação de educação superior e o incentivo do Estado para que os setores privados investissem nesse nível de ensino, fez com que o Brasil apresentasse uma das taxas mais altas do mundo em relação ao percentual de instituições privadas de educação superior.

No entanto, em relação à demanda por ensino superior, a FAPESP (2004) - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, realiza uma análise esclarecedora sobre os limites da expansão do sistema. Ela mostra que a demanda por vaga no ensino superior foi inferior à oferta de vagas resultante da grande expansão, sobretudo do setor privado. Importante observar que,

enquanto os estabelecimentos privados aumentaram sua oferta de vagas em 150%, entre 1998 a 2002, o setor público estadual e federal gratuito cresceu somente 14,5%. Ao utilizar o indicador candidato/vaga, a FAPESP mostra ainda que houve um aumento assimétrico entre o número de vagas e o número de inscritos nas IES privadas, sendo de apenas 1,5 em 2002. Entretanto, no setor público, a relação de candidato/vaga foi de 10 para o total Brasil e de 20 para o Estado de São Paulo. Essa baixa relação candidato/vaga no setor privado produziu um grande contingente de vagas não preenchidas, que em 2002 atingiu um percentual de 44% do total de vagas ociosas no setor.

Isto posto, a conclusão da FAPESP (2004), é a de que há um esgotamento da expansão do setor privado, e que o aspecto principal do problema não está relacionado à falta de vagas, mas sim, ao insuficiente número de vagas nas instituições federais e estaduais. Consideramos, assim como a FAPESP (2004), que um dos principais fatores que impede grande parte da população de realizar um curso de graduação é a sua baixa renda, visto que, quanto maior a faixa de renda familiar, maior o percentual de alunos matriculados do ensino superior.

Embora observemos, a partir de 2004, uma série de iniciativas do governo federal para inclusão de alguns setores minoritários da população ao sistema de educação superior, como o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e as cotas nas universidades públicas, essas políticas configuram-se apenas como medidas atenuantes, dado o volume de estudantes com ensino médio completo e com condições de concorrer a uma vaga no ensino superior. Além disso, o fato de ser um sistema prioritariamente privado dificulta o ingresso das camadas menos favorecidas da população brasileira, por não disporem de recursos para o pagamento das mensalidades escolares.

Por outro lado, podemos notar, pelo discurso recorrente em relação às instituições públicas de ensino superior, que estas atendem, em sua maioria, às camadas mais ricas da população. Um estudo do Ministério da Fazenda, divulgado em 13 de novembro de 2003, aponta que o financiamento das instituições públicas superiores pelo Estado beneficiam apenas uma pequena parte da população, sendo esta a dos indivíduos que se encontram entre os 10% mais ricos da população. Entretanto, esse discurso pode ser questionado

ao analisarmos outras informações complementares. Segundo MANCEBO, (2004), apoiado em dados do Brasil/INEP, apenas 34,4% dos estudantes oriundos das famílias que compõem os 10% mais ricos do país estão matriculados em instituições de educação superior da rede pública, enquanto na rede privada essa população corresponde a 50% do total de alunos. Assim como Mancebo, entendemos que:

Sem negar o caráter excludente do sistema como um todo, a análise comparativa de instituições públicas e privadas autoriza uma conclusão inversa à apresentada pelo Ministério da Fazenda: As instituições públicas, precisamente as que são custeadas pelo Estado, ao contrário de abrigar ‘apenas’ estudantes ricos e privilegiados, representam, de fato, a única possibilidade de acesso à educação superior e de formação qualificada para milhões de brasileiros. (MANCEBO, 2004, p.851)

Desse modo, a superação do sistema que, a nosso ver, ainda é elitista, não está relacionada apenas à questão da disponibilidade de vagas, mas também à articulação deste nível de ensino com os demais (VIGEVANI, 2002). Faz-se necessário, portanto, uma atenção especial em relação à precariedade do ensino fundamental e médio, para que haja um movimento no sentido de proporcionar a todas as camadas da sociedade condições básicas para uma boa educação. O que daria a todos a oportunidade de, ao menos, concorrerem em condições de igualdade a uma vaga no ensino superior de qualidade.

Isto só será possível, como mostra a FAPESP (2004), se houvesse um incremento significativo de vagas oferecidas pelo sistema público de ensino, pois os dados nos apontam que a expansão do setor privado, embora tenha sido inevitável, não atendeu aos diferentes segmentos da população. Além disso, a grande maioria das instituições privadas de ensino superior não associa ensino, pesquisa e extensão.

Desse modo, consideramos que para a superação desse sistema – cujas características principais são o elitismo e a organização não-universitária e privada – torna-se necessário o investimento maciço dos governos federal e estaduais para a criação de novas instituições de educação superior, uma vez que a alternativa anteriormente escolhida – incentivo à abertura de cursos e de vagas pela iniciativa privada – não foi capaz de promover um sistema mais democrático e menos elitista. Entendemos também que essa transformação só

ocorrerá se houver uma reflexão mais aprofundada sobre os objetivos do sistema de educação superior e dos diferentes tipos de instituições responsáveis por esse nível de ensino, uma vez que o ensino superior assume atualmente uma posição central no desenvolvimento integral de qualquer país.