1.1.3. Okul Öncesi Eğitim Programında Müzik Etkinlikler
1.1.3.5. Müzikli Öykü Çalışmaları
Trataremos a seguir das elaborações de Kardec publicadas primeiramente na Revista Espírita (Revue Spirite), e depois em Obras Póstumas20, “Projeto 1868” e “Constituição do Espiritismo”. Esses conteúdos são importantes por terem se constituído como a principal diretriz dos esforços de unificação do Espiritismo à brasileira (Stoll, 2003).
3.1 Defesa procedimental da unidade
A direção tem que se tornar coletiva para evitar abuso de autoridade e predomínio de idéias pessoais. Kardec defende a democracia na organização interna do Espiritismo, democracia esta que, como veremos:
... a direção, de individual que houve de ser em começo, tem que se tornar coletiva, primeiramente, porque um momento há de vir em que seu peso excederá as forças de um homem e, em segundo lugar, porque maior garantia apresenta um conjunto de indivíduos, a cada um dos quais caiba apenas um voto e que nada podem sem o concurso mútuo, do que um só indivíduo, capaz de abusar da sua autoridade e de querer que predominem suas idéias pessoais. (Kardec, [1890] 2001: 356)
A possibilidade de uns suplantarem os outros em proveito próprio não pode existir, pois o prejuízo de um não trará vantagens para outro. A desunião só pode trazer perdas para todos. E é assim que nosso autor apresenta sua defesa da “unificação”:
A causa mais comum da separatividade entre co-interessados é o conflito de interesses e a possibilidade de uns suplantarem os outros, em proveito próprio. Esta causa não pode existir, do momento em que o prejuízo de um em nada aproveitará aos outros; desde que todos são solidários e somente podem perder, em vez de ganhar, com a desunião. (Id, ibid: 358)
As decisões emanadas de um corpo constituído representando opinião coletiva terá sem dúvida muito mais autoridade do que um indivíduo isolado. A fiscalização dos atos da administração pertencerá aos congressos encarregados de decretar a censura a quaisquer medidas contrárias aos princípios estabelecidos ou contrários à doutrina. Dessa forma, o controle caberá a opinião geral:
A fiscalização dos atos da administração pertencerá aos congressos, que poderão decretar a censura ou uma acusação contra a comissão central, por infração do seu mandato, por violação dos princípios estabelecidos, ou por medidas prejudiciais à Doutrina.
[...] Sendo os congressos um freio para a comissão, na aprovação deles haure esta última novas forças. É assim que o chefe coletivo depende, em definitivo, da opinião geral e não pode, sem risco para si próprio, afastar-se do caminho reto.
A dificuldade, dirão, consistirá em reunir, de modo permanente, doze pessoas que estejam sempre de acordo. (Id, ibid: 357, 358)
E assim o chefe coletivo depende, em definitivo, da opinião geral. O essencial é que, apesar das diferenças pessoais todos estejam de acordo no tocante aos princípios fundamentais.
O essencial é que sejam acordes no tocante aos princípios fundamentais. Ora, isso constituirá uma condição absoluta para que sejam admitidas à direção como para todos que desta hajam de participar. (Id, ibid: 357)
A atividade do presidente será puramente administrativa. Cabe a ele dirigir as deliberações da comissão e zelar pela execução dos trabalhos que os estatutos constitutivos lhe conferirem. Não poderá tomar nenhuma decisão sem o concurso da comissão.
Puramente administrativa será a autoridade do presidente. Ele dirigirá as deliberações da comissão, velará pela execução dos trabalhos que os estatutos constitutivos lhe conferirem, nenhuma decisão poderá tomar sem o concurso da comissão. Portanto, não haverá possibilidade de abusos, nem alimentos para a ambição, nem pretextos para intrigas ou ciúmes, nem supremacia chocante. (Id, ibid: 356)
3.2 A recusa do modelo espiscopal
A fonte da autoridade da comissão central que Kardec propõe seja formada por 12 pessoas é a comunidade dos adeptos e o que justifica a constituição de uma autoridade coletiva contém uma crítica implícita ao Papa e esboça sua concepção de poder:
Reconhecida a necessidade de uma direção, de quem receberá o chefe para exercê-la? Será ele aclamado pela universalidade dos adeptos? É coisa impraticável. Se se impuser por sua própria autoridade, uns o aceitarão, enquanto outros o recusarão, e podem surgir vinte pretendentes, levantando bandeira contra bandeira. Fora ao mesmo tempo o despotismo e a anarquia.[...] É o que inevitavelmente se daria, se de antemão não se adotassem medidas eficazes a prevenir esse inconveniente.
suprema. Os homens se sucedem e não se assemelham; depois de um bom, poderia vir um mau. [...] se entender de fazer que prevaleçam suas idéias pessoais, pode levar a Doutrina a transviar-se, suscitar dissidências e as mesmas dificuldades se renovarão a cada mudança.
Para a comunidade dos adeptos, a aprovação ou a desaprovação, o consentimento ou a recusa, as decisões, em suma, de um corpo constituído, representando opinião coletiva, forçosamente terão uma autoridade que jamais teriam, se emanassem de um só indivíduo, que apenas representa uma opinião pessoal. (Id, ibid: 352, 357)
A autoridade desta comissão central é moral e não se trata de um poder disciplinar qualquer. Este é o papel que deve exercer:
Fica bem entendido que aqui se trata de autoridade moral, no que respeita à interpretação e aplicação dos princípios da Doutrina, e não de um poder disciplinar qualquer. Essa autoridade será, em matéria de Espiritismo, o que é a de uma academia, em matéria de Ciência. (Id, ibid: 357)
3.3 Uma defesa moral da autonomia
A Comissão Central se baseia nos princípios do livre exame e da liberdade de consciência. Por isso o Espiritismo não se destina a reger o mundo e a tornar-se base universal da verdade. Jamais os espíritas do mundo inteiro serão obrigados a seguir um modelo uniforme de ação. O que se pretende é liga-los por princípios comuns, formando uma grande família unida pelos laços da fraternidade. Allan Kardec defende a liberdade, considera absurdo pensar em uniformidades e que a unidade fundamental deve ser doutrinária e não organizacional e hierárquica, do que se depreende a defesa da autonomia em oposição à construção de uma estrutura institucional autoritária, autocrática como a da Igreja Católica:
Amplitude de ação da comissão central
Mas, qual será a amplitude do círculo de atividade desse centro? Destinar-se-á a reger o mundo e a tornar-se árbitro universal da verdade? Alimentar semelhante pretensão fora compreender mal o espírito do Espiritismo que, pela razão mesma de proclamar os princípios do livre exame e da liberdade de consciência, repele a idéia de arvorar- se em autocracia.
[...] pretender-se que o Espiritismo chegue a estar, por toda parte, organizado da mesma forma; que os espíritas do mundo inteiro se sujeitarão a um regime uniforme, a uma mesma forma de proceder; que terão de esperar lhes venha de um ponto fixo a luz, ponto em que deverão fixar os olhos, fora utopia tão absurda como a de pretender-se que todos os povos da Terra formem um dia uma única nação [...].
Outro tanto se dará com o Espiritismo organizado. Os espíritas do mundo todo terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo sagrado laço da fraternidade, mas cujas aplicações variarão segundo as regiões, sem que por isso, a unidade fundamental se rompa; [...]. Poderão, pois, formar-se, e inevitavelmente se formarão, centros gerais em diferentes países, ligados apenas pela comunidade da crença e pela solidariedade moral, sem subordinação uns aos outros, sem que o da França, por exemplo, nutra a pretensão de impor-se aos espíritas americanos e vice-versa. (Kardec, [1890] 2001: 362, 363)
3.4 Entre a unidade e a fragmentação: uma ambigüidade fundamental
Kardec se inspira na concepção de vontade geral de Rousseau ([1757] 1999: 111) mas não adere ao ideal de democracia deste, pois insere em suas orientações a eleição de representantes. Nisto nos lembra, à época, de John Stuart Mill (apud Balbachevsky, 2000), pois foi ele quem uniu o princípio da representação à democracia elaborando a concepção de “democracia liberal”. A constituição da autoridade no Espiritismo é, portanto, baseada em princípios políticos e completamente laica, humana, não sacerdotal, sem origem divina e não transcendente –a transcendência ou mediação entre o sagrado e o profano fica para os médiuns e estes não têm lugar privilegiado na organização espírita, embora tenham destaque na prática religiosa. Kardec propõe procedimentos totalmente seculares e racionais sobre os quais pretende estabelecer uma doutrina forte, uma comunidade de crença, embora não livre de dissensões. . Além disso, o “caráter progressista da doutrina” ou o fato da doutrina estar aberta ao avanço da ciência leva a secularização às últimas conseqüências.
Dos cismas
Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais se tem de contar sempre, pode todavia neutralizar-lhes as conseqüências e isto é o essencial. É de notar-se que os vários sistemas divergentes, surgidos na origem do Espiritismo, sobre a maneira de explicarem-se os fatos, foram desaparecendo à medida que a Doutrina se completou [...]. É este um fato notório, do qual se pode concluir que as últimas divergências se apagarão com a elucidação integral de todas as partes da Doutrina. Mas, haverá sempre os dissidentes, de ânimo prevenido e interessado, por um motivo ou outro, a constituir bando à parte. Contra a pretensão desses é que cumpre se premunam os demais.
[...] procedemos de maneira que os nossos escritos não se prestem a interpretações contraditórias e cuidaremos de que assim aconteça sempre.
[...] seitas poderão formar-se ao lado da Doutrina, seitas que não lhe adotem os princípios ou todos os princípios, porém não dentro da Doutrina.
Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as idéias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias de sua perpetuidade.
Se, portanto, uma seita se formar à ilharga do Espiritismo, fundada ou não em seus princípios, de duas uma: ou essa seita estará com a verdade, ou não estará; se não estiver, cairá por si mesma [...]; se duas idéias forem acertadas, mesmo com relação a um único ponto, a Doutrina, que apenas procura o bem e o verdadeiro onde quer que se encontrem, as assimilará, de sorte que, em vez de ser absorvida absorverá.
Indiscutivelmente uma doutrina assente sobre tais bases tem que ser forte, em realidade capaz de desafiar qualquer concorrência e de anular as pretensões dos seus competidores. (Kardec, [1890] 2001: 348, 349, 350)