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1.1.3. Okul Öncesi Eğitim Programında Müzik Etkinlikler

1.1.3.4. Yaratıcı Dans Çalışmaları

Como já dissemos a ênfase na assistência social se explica pelo valor central da caridade, a qual exprime “um compromisso com a totalidade da doutrina espírita” (Giumbelli, 1998: 131-2), e esta, por sua vez, explica-se pela ênfase no aspecto religioso. Ambos assistência social e preponderância cristã são características fundamentais da formação da identidade espírita no Brasil. Isto justifica aqui a necessidade de tratarmos dos preceitos doutrinários e o valor que os mesmos vêm assumindo no campo espírita kardecista nas últimas décadas. Este empreendimento não é original, e para realizá-lo baseamo-nos no trabalho de Emerson Giumbelli e nas próprias obras espíritas.

Segundo Giumbelli (1998: 133) a caridade é a justificação social da doutrina espírita, conferindo prestígio aos espíritas no Brasil, além de compensar a dimensão intimista da doutrina, que poderia levar ao individualismo egoísta.

A tendência que Giumbelli aponta e que parece se firmar nos primeiros anos do século XXI é que a conjugação dessas crenças confere ao espiritismo uma ambivalência interpretativa que, similar a uma balança pode pender ora para a afirmação, ora para a

rejeição do mundo, conforme circunstâncias históricas e sociais19. Embora essa ambivalência constitutiva permaneça, o que notamos hoje é a tendência de engajamento e inserção no mundo anunciada, por exemplo, no artigo Ensaio sobre Espiritismo e Política, de 2001, cujo trecho sobre a pobreza citamos no tópico anterior.

O que nos interessa então, é retratar e compreender um momento, uma tendência assinalada por Emerson Giumbelli em 1998 que é o surgimento “no plano das práticas concretas” de “propostas de aproximação entre caridade e cidadania” (Id, ibid: 142) nas quais o “par indivíduo e sociedade” prepondera sobre o aspecto conformista do par “escolha e determinação” (no qual o indivíduo deve conformar-se com suas provas e condição social por serem conseqüências de seus atos em vidas passadas) trazendo a caridade como meio de salvação pessoal e de contribuir para a já mencionada reforma social, já que desde sua origem a noção de caridade “pressupõe e envolve um outro, que se encontra em uma situação de necessidade. Não há por isso, como desvincular a evolução espiritual de um indivíduo da condição de vida daqueles que o cercam” (Id, ibid: 135).

É provável que Giumbelli tenha chegado a esta conclusão por causa da seguinte passagem dO Livro dos Espíritos:

De dois povos chegados ao cume da escala social, só poderá dizer-se o mais civilizado, na verdadeira acepção do termo, aquele em que se encontre menos egoísmo, menos cupidez e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais que materiais; onde a inteligência possa se desenvolver com mais liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde os preconceitos de casta e de nascimento estejam menos enraizados, porque esses preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo; onde as leis não consagrem nenhum privilégio e sejam as mesmas para o último, como para o primeiro; onde a justiça se exerça com menos

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É possível pensar sobre este aspecto que o espiritismo, por reunir elementos de religiões ocidentais e orientais, onde ele se encaixa no quadro sobre atitudes básicas das religiões em relação ao mundo, o qual classifica o confucionismo e o taoísmo como religiões políticas, de ajustamento ao mundo e o catolicismo como religião de salvação, de superação do mundo. Parece que o espiritismo está entre o grupo das religiões políticas e o grupo de religiões de salvação (Schluchter apud Avritzer, 1996) .

parcialidade; onde o fraco encontre sempre apoio contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhor respeitadas, onde haja menos infelizes e, enfim, onde todos os homens de boa vontade estejam sempre seguros de não lhes faltar o necessário. (Kardec, 1994 [1857]: 310)

Assim, o Espiritismo defende uma sociedade onde todos tenham o necessário para viver dignamente, traduzindo na linguagem atual, uma sociedade na qual todos tenham saúde, educação, transporte, lazer, cultura, trabalho, informação, e não uma sociedade padronizada ou em que todos tenham as mesmas coisas e na mesma quantidade. Isto pela lógica doutrinária é inconcebível pois nela é da natureza humana que as pessoas se diferenciem umas das outras. O que existe é a defesa de tratamento igual e a não- concentração demasiada de bens nas mãos de poucos enquanto muitos (a maioria) têm menos do que deveriam. E de toda forma, nesse modelo ideal haveria hierarquia de posições entre as pessoas, mas não por privilégios de nascimento ou riqueza e sim de acordo com seus méritos. Logo, a expressão “materialmente igualitária” pode ser compreendida, como uma sociedade onde não exista a flagrante polaridade entre “pobres e ricos” e todos vivam aproximadamente nas mesmas condições, ou como uma predominância da classe média, como diria Aristóteles.

Isso nos remete a Stuart Mill e sua concepção de sociedade, baseada na idéia de que todas as pessoas são iguais em seus potenciais humanos e livres para fazer suas escolhas, tendo por limite de suas ações a liberdade do outro (Mill apud Balbachevsky, 2000: 208). A esta liberdade, por sua vez, devem corresponder condições e oportunidades (aí entra a estrutura social) para que esses seres psíquica e fisicamente iguais possam desenvolver seus potenciais e transforma-los em diferentes capacidades, pois ao nascer podemos ser tudo e qualquer coisa, mas ao escolher designamos apenas um caminho a seguir (Santos, 1988:

igualmente livres, mas socialmente os seres humanos só seriam igualmente livres se fossem totalmente auto-suficientes. Contudo, ninguém é auto-suficiente e a divisão social do trabalho torna a vida social “necessária à sobrevivência individual”. O paradoxo reside no fato de que é permanente o conflito “entre a equivalência moral de todos os seres, que implica no direito de cada qual realizar-se completa e desigualmente (diferentemente), e a distribuição desigual das contingências sociais” (Id, ibid: 23). Daí se extrai o papel do Estado na sociedade:

O estado natural é, por conseguinte, um estado instituído por um conjunto de regras de integração, entre as quais se incluem regras que ordenam a disputa sobre os princípios que orientam a distribuição desigual de contingências sociais. Em uma primeira aproximação, dir-se-ia então que o Estado justo é aquele Estado que busca suprimir as desigualdades supérfluas (despóticas) na distribuição das contingências sociais a fim de que os indivíduos possam vir a ser efetivamente desiguais por conta apenas de suas diferenciações individuais. (Santos, 1988: 24)

Contudo, vivemos no contexto de um Estado Neoliberal que procura se eximir de seus encargos sociais e numa sociedade que em boa parte das pessoas percebe que o Estado não é capaz de solucionar sozinho os problemas acarretados pelas desigualdades sociais.

E diante dessa situação há vários indícios de mudanças na abordagem da assistência social espírita na direção do combate às desigualdades sociais como os discutidos por Emerson Giumbelli (1998) ou como a mudança ocorrida nas diretrizes de unificação da FEB que alterou o título “Assistência Social” para “Assistência e Promoção Social Espírita” na publicação Orientação ao Centro Espírita. Esta, “Assistência e Promoção Social Espírita” é “a prática da caridade, na abrangência definida pelo Espiritismo, às pessoas em situação de carência sócio-econômico-moral-espiritual” (2007: 76). Tal alteração se verifica também nas reformulações estatutárias mais recentes de um centro espírita em Belo Horizonte: Estatuto Social do Grupo da Fraternidade Espírita Irmã

Scheilla (GFEIS), localizado em Belo Horizonte: no artigo 9°§2º, “O Grupo Scheilla considera assistência social espírita, no seu âmbito de ação, a que, através de um plano, conscientemente, elaborado: I - ampare o assistido, vendo nele um ser em evolução, buscando conscientizá-lo de sua realidade espiritual, visando transformá-lo de assistido em assistente, de pedinte em doador, procurando integrá-lo no quadro de cooperadores do grupo; II - tenha sempre em mente a idéia de ajudar o próximo, contribuindo, igualmente, no que puder, para solucionar ou amenizar os problemas de ordem social da comunidade; III - faça com que a assistência social e filantrópica seja praticada, sempre que possível, com recursos próprios, a partir dos lares dos fraternistas”. No artigo 44° “A Coordenação de Promoção e Assistência Social Espírita - ASE é o colegiado responsável pela implementação das atividades de assistência social, dentro de uma visão espírita, humanística e universalizante a qualquer criatura que revele carência de qualquer natureza, atendendo o disposto no art. 9º, incisos I a III de seu §2º” (2003: 5, 15).