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Kutadgu Bilig’in Türk-İslâm Medeniyetindeki Yeri

“É indispensável um certo arrojo para renunciar ao conforto das disciplinas especializadas e tentar progredir sobre os terrenos em aberto da interdisciplinaridade”, afirma Delattre (2006, p. 295). O autor também aponta para a visível distância que, com muita frequência, separa o nível de explicação teórica para as pesquisas interdisciplinares e o nível das possíveis observações experimentais.

De fato, os obstáculos à interdisciplinaridade são muitos e de várias naturezas. Segundo elaboração de Gusdorf (2006), eles podem ser descritos como: obstáculo epistemológico – situações em que o especialista, cativado pelo detalhe, não consegue situar-se relativamente ao conjunto, nem mesmo imaginar um reagrupamento de significações humanas.

obstáculo institucional – cada nova disciplina ocupa o seu espaço, separando-se do saber em seu conjunto. A instituição leva à imobilização da inspiração em cada espaço mental e físico, cortando as comunicações com os demais num esforço de consolidação da situação adquirida.

Obstáculo psico-sociológico – a compartimentalização e a gestão de cada parcela conduzem à formação de um ‘sistema feudal’ que rege quase todos os empreendimentos científicos de ensino e pesquisa. Cada especialista se vê como senhor de sua casa, defendendo suas posições contra os inimigos exteriores e os rivais interiores. Individualmente, cada cientista tem interesse em fazer carreira, para o que são utilizadas estratégias “para se impor eliminando os concorrentes [...], para perdurar, nem que seja constituindo-se como obstáculo ao desenvolvimento da disciplina” que controla. O regime parcelar facilita essas tiranias magistrais.

Obstáculo cultural – a fragmentação da ciência (como esta é entendida hoje, construída com base em valores do modelo ocidental) em disciplinas, é agravada pela separação que ocorre igualmente entre as áreas culturais e as suas mentalidades particulares, entre línguas e tradições (GUSDORF, 2006, p.47-50).

Delattre (2006), ao abordar as dificuldades humanas relativas às investigações interdisciplinares, afirma que, atualmente, existem várias críticas de

especialistas a elas, muitas vezes resultantes de considerações válidas, tendo em vista o estado pouco avançado dessas investigações. Por outro lado, existem também críticas que, em muitos casos, são expressões de atitudes sumárias e dogmáticas extracientíficas, pois “é necessário um espírito muito evoluído para não rejeitar como desprezível o que não se compreende” (DELATTRE, 2006, p. 295). Segundo Klein (1990), muitos, ao colocarem em questão a importância da interdisciplinaridade, a situam na periferia do conhecimento moderno, considerando sua grande produção de segunda ordem e com resultados muito anômalos para que sejam incorporados ao mainstream dominado pela hegemonia disciplinar.

Por outro lado, há os afirmam que a interdisciplinaridade represente uma fertilização cruzada de uma realidade onipresente e que esteja constituindo em uma “revolução silenciosa”, em mudanças de perspectiva ou em novas formas de apreender o mundo (POMBO, 2006); e, apesar de não contarem com um suporte teórico consistente, as investigações interdisciplinares proliferam sob várias formas de práticas. A interdisciplinaridade vem sendo considerada sob várias formas, podendo constituir uma metodologia, um conceito, um processo, uma forma de pensar, uma filosofia ou uma ideologia reflexiva (KLEIN, 1990). A autora acrescenta que há opiniões diferentes sobre o que constitui a interdisciplinaridade “genuína” e diferentes formas de examinar um projeto de pesquisa envolvendo mais de uma disciplina.

Há também algumas formas comuns de falso conhecimento interdisciplinar, que ocorrem com frequência. Gusdorf (2006) cita como exemplos aquelas interações em que há um entendimento errôneo de que a participação física e a existência de pensamentos de diversas especialidades sejam capazes de, mágica ou misticamente, criar interdisciplinaridade, o que é criticado pelo autor. Essa forma de abordagem da interdisciplinaridade, diz o mesmo, justifica muitas iniciativas como colóquios, congressos, seminários e similares, em que os especialistas apresentam seus pareceres, indiferentes aos demais. Daí, surgem anais, livros ou números de revistas em que os autores, “modestamente, deixam ao leitor o trabalho de extrair deste bricabraque as conclusões que se impõem em matéria de compreensão intercultural” (GUSDORF, 2006, p. 51).

Afinal, como se pode apreender, não há uma definição segura de interdisciplinaridade. O termo é utilizado com sentidos diferentes e em variados contextos − epistemológico, pedagógico, midiático, empresarial e tecnológico.

Algumas vezes, a palavra se torna ampla demais, e quase vazia de significado, ao ser relacionada a um conjunto muito heterogêneo de experiências, realidades e problemas desafiadores nos quais não se fazem presentes características próprias do processo interdisciplinar. Tentativas de substituição do termo por outros, como integração ou hibridização, entretanto, não têm obtido êxito porque, segundo Pombo (2004), também não conseguem apresentar a precisão que falta à palavra interdisciplinaridade.

Entretanto, apesar das indefinições do termo, “é fato que as ciências estão sendo obrigadas a superar o seu isolamento e cooperar entre si para poder responder à exigência de realizações práticas concretas” (ZAN, 2006). Essas exigências provêm do campo social e das relações da ciência com a praxis, ou se originam no âmbito teórico à medida que avança uma reflexão crítica sobre os pressupostos e as condições do saber em geral. No primeiro caso, os projetos tecnológicas e as investigações de ciência aplicada, são bons exemplos, pois exigem a integração de múltiplas especialidades. No âmbito social, há muitos exemplos de constituição de equipes interdisciplinares para estudar e resolver questões concretas de interesse dos poderes públicos. Acrescenta o autor: “o concreto é sempre mais complexo que o objeto abstrato de cada ciência, e ultrapassa-o”; por isso é preciso revincular a ciência fragmentária, de caráter abstrato, à prática, o que só é possível num trabalho de cooperação interdisciplinar (ZAN, 2006, p. 221).

Gusdorf (2006) afirma que “o conhecimento interdisciplinar só pode progredir através da educação do sentido interdisciplinar”, ou seja, a pesquisa inter- ou transdisciplinar ocorrerá somente a partir do pensamento interiorizado das implicações das mesmas sobre o processo e sobre os resultados desejados. Para o autor, é preciso despertar no indivíduo, desde o início da vida estudantil, o “sentido da complementaridade das disciplinas”, mantendo-o “num estado de vigilância interdisciplinar” de forma que perceba o meio epistemológico total que o envolve.

Como diz Pombo (2004), apesar de gastas e banalizadas essas palavras (se referindo também à pluri e à transdisciplinaridade) “são recorrentes, tenazes e persistentes [...] prova de que alguma coisa de importante se está a tentar pensar por elas”. É importante, pois, compreender o que se está deixando pensar nessas palavras (POMBO, 2004, 2005, p.6).