B. Kutadgu Bilig’de Yer Alan İslâmi Unsurlar
3. İslâm Düşüncesi/Felsefesi
A interdisciplinaridade existe sobretudo como prática. Ela traduz-se na realização de diferentes tipos de experiências interdisciplinares de investigação (pura e aplicada) em universidades, laboratórios, departamentos técnicos; na experimentação e institucionalização de novos sistemas de organização, programas interdepartamentais, redes e grupos interuniversitários adequados às previsíveis tarefas e potencialidades da interdisciplinaridade; na criação de diversos tipos de institutos e centros de investigação interdisciplinar que, em alguns casos, se constituem mesmo como polo organizador de novas ciências, a sua única ou predominante base institucional” (POMBO, 2006a).
Iniciamos esta seção com a citação acima por concordarmos com a autora no sentido de que, para além do que pode ser estabelecido como definição para a abordagem interdisciplinar em termos teóricos, é na prática que ela se concretiza.
Segundo Japiassu (1976), haverá procedimento interdisciplinar sempre que houver interações mutuamente enriquecedoras; incorporação de resultados de várias especialidades; empréstimos recíprocos de instrumentos e técnicas metodológicas; integração e convergência de análises conceituais. O princípio que distingue a interdisciplinaridade é a intensidade das trocas entre os cientistas especializados e o grau de integração real das disciplinas em um projeto de pesquisa específico.
Como exemplo de pesquisa interdisciplinar, Klein (1990) cita o projeto Manhattan, de construção da bomba atômica, por ter significado um expressivo esforço cooperativo, − entre ciência, indústria e forças armadas, em grandes dimensões e amplo escopo −, orientado para a solução de problema. Para Domingues (2005), contudo, esse é um exemplo de projeto do tipo multidisciplinar, conforme descrito anteriormente, uma vez que cada especialista teria desenvolvido sua própria tarefa, previamente determinada, sem uma integração maior.
Os exemplos de experiências interdisciplinares citados por Domingues (2005), segundo as características identificadas por ele, são: a) relativamente à geração de novos campos: a bioquímica, pela aproximação da química e da biologia; a bioinformática, aproximação de disciplinas da biologia, da engenharia, da física e da informática; b) quando a aplicação de conhecimentos é a característica principal, o autor cita o projeto Apollo, que apresenta características multidisciplinares, mas
exigiu a reciclagem das equipes de engenheiros, matemáticos, físicos e químicos, levando ao compartilhamento de várias metodologias, conceitos, problemas e linguagens que possibilitaram a integração; c) em nível epistemológico, o exemplo de interdisciplinaridade citado é o estruturalismo, movimento científico-acadêmico cuja metodologia, a análise estrutural, foi compartilhada por várias disciplinas, como a antropologia, a linguística e a psicanálise.
Quanto às características relativas aos atores, ou equipes, que desenvolvem atividades interdisciplinares, vários estudiosos reconhecem que o processo interdisciplinar esteja diretamente relacionado ao processo dialético, em seu sentido original de “discurso entre dois ou mais interlocutores que expressam duas ou mais posições ou opiniões”, conforme diz Klein (1990, p. 194). Germain (1991, apud LENOIR, 2003, p.46) afirma que o conceito de interdisciplinaridade “pressupõe a existência de ao menos duas disciplinas como referência e a presença de uma ação recíproca”. Um grupo interdisciplinar é composto de pessoas que receberam formação em diferentes disciplinas com conceitos, métodos, dados e temas próprios, afirma Berger (1972, apud POMBO, 1994, p. 2).
Segundo Japiassu (2006), a interdisciplinaridade já pode ser considerada bem aceita em pesquisas coletivas, mas ainda permanece bastante contestada no nível individual. Para materialização da interdisciplinaridade não basta reunir especialistas de diferentes disciplinas; “a inteligência interdisciplinar só se encontrará no ponto de chegada da investigação individual ou coletiva se estiver presente desde o começo”, afirma Gusdorf (2006a, p. 53).
A pesquisa interdisciplinar acontece, segundo Pombo (2006a), tanto pela razão ou versão instrumental instaurada pela complexidade do “objeto”, quanto pela sua versão processual, resultado da colaboração entre investigadores de diferentes disciplinas. Esses, muitas vezes, “antecipam-se” aos próprios objetos complexos através de uma vontade interdisciplinar presente nas instituições onde atuam. Como exemplo de prática interdisciplinar institucional levada “às últimas consequências", a autora cita o Instituto Santa Fé, localizado nos Estados Unidos da América, que se define como
devotado à criação de um novo tipo de comunidade de investigação, comunidade que enfatiza a colaboração interdisciplinar na procura da
compreensão dos temas comuns que emergem nos sistemas naturais, artificiais e sociais10 (POMBO, 2006a, p. 226).
A prática da interdisciplinaridade não é tarefa fácil, uma vez que envolve a transposição de problemas criados pelas diferenças de linguagens disciplinares e de visões de mundo (KLEIN, 1990). Nesse sentido, desentendimentos, animosidades e competições durante o seu desenvolvimento devem ser considerados e tratados com cuidado, porque, como processo democrático, tenta entender as diferenças e extrair delas resultados positivos, considerando os motivos porque estas aparecem e suas consequências possíveis. A autora citada enumera três fases que ocorrem ao longo de todo o processo, apesar de reconhecer que não há nenhuma progressão linear em seu desenvolvimento. São elas:
1ª. fase:
a) definição do problema (questão, tópico, assunto) b) determinação das necessidades de conhecimento
c) desenvolvimento de uma estrutura integrativa e identificação das questões a ser investigadas
2ª. fase:
a) especificação de estudos empreendidos; b) engajamento da equipe na “negociação geral”;
c) solução de conflitos disciplinares com a utilização de um vocabulário comum e foco no aprendizado recíproco do grupo;
e) construção e manutenção da comunicação através de técnicas integrativas. 3ª. fase:
a) agrupamento de todas as contribuições e avaliação de sua adequação, relevância e adaptabilidade;
b) integração de partes individuais para determinar o padrão de relacionamento e relevância;
c) confirmação ou refutação da solução proposta (resposta), e
d) decisão sobre o futuro ou disponibilização do “produto” (projeto, tarefa, paciente ou currículo).
Várias técnicas são utilizadas nesse processo integrativo, entre elas, encontros regulares, apresentações internas e externas, organização e planejamento conjunto, formas comuns de relatar dados, treinamento de habilidades de interação dentro do grupo, foco em “alvo” comum, ou seja, interesse comum que irá dominar as diferenças individuais (Klein, 1990).
Embora cada indivíduo manifeste diversidade em si mesmo, a equipe interdisciplinar deve possuir determinadas características comuns, importantes para que o trabalho seja realizado com êxito. Uma das funções dos membros do grupo interdisciplinar, segundo Klein (1990), é transformar o conhecimento especializado em “produto sintético”, consultando especialistas, filtrando ideias e traduzindo-as, servindo de referência para os outros membros, sejam eles clientes, estudantes, pacientes ou outros pesquisadores. Normalmente, pessoas interdisciplinares têm interesse em problemas de grande magnitude e complexidade, como se exercitassem uma função hermenêutica, isto é, a “habilidade de usar a interpretação para tratar problemas, processos e fenômenos” (KLEIN, 1990, p.186).
Pesquisas realizadas indicam que algumas características são essenciais para o sucesso do trabalho do grupo interdisciplinar, principalmente: personalidade compatível, interesses comuns e vocabulário comum. Algumas características pessoais também são cruciais, entre elas: confiabilidade, flexibilidade, paciência, resistência, sensibilidade ao outro, espírito aventureiro, adaptativo e que tenha preferência por diversidade e novos papeis sociais. A pessoa ideal para trabalhos interdisciplinares é provavelmente aquela que tenha alto grau de firmeza de ego, tolerância à ambiguidade, considerável iniciativa e autoconfiança, educação ampla e senso de insatisfação com as limitações monodisciplinares (ARMSTRONG, apud KLEIN, 1990, p. 183). Uma pessoa interdisciplinar deve possuir, além da capacidade geral de olhar as coisas de perspectivas diferentes, as habilidades de diferenciar, comparar, contrastar, relativizar, clarificar, reconciliar e sintetizar, e, uma vez submetidos a novas situações, devem possuir a faculdade de saber como aprender.
É necessário ressaltar o fato de que a interdisciplinaridade e a disciplinaridade não são, absolutamente, exclusivas. É indiscutível a importância da competência disciplinar para a interdisciplinaridade, porque sua presença contribui para o êxito das interações, principalmente no processo de detecção de erro e distinção do que seja um bom trabalho. Sem a constante tarefa de selecionar criticamente as ideias, teorias e dados, a interdisciplinaridade corre o risco de se tornar indisciplinada. (KLEIN, 1990). Para o cientista também é um paradoxo: tem de ser disciplinar para sobreviver em sua origem e tem de ser, ao mesmo tempo, interdisciplinar para alargar sua visão e ter uma perspectiva mais ampla do que aquela encontrada na disciplina. A disciplina é a base das relações disciplinares, qualquer que seja o modo
em que se efetive, ou, nas palavras de Lenoir (2003) “a interdisciplinaridade não existe sem a disciplina e, mais ainda, alimenta-se dela” (LENOIR, 2003, p.46)