YAZIŞMA KURALLARI
IV.2. RESMİ YAZILAR
IV.2.3. Kurum ve Kuruluşlarda Resmi Yazışma Kuralları
As ocorrências do professor se auto-selecionando são numerosas: na maioria dos turnos em que ele está falando é porque se auto-seleciona, sendo que a outra forma é quando um aluno o seleciona ou quando ele seleciona outro participante. Os casos de auto-seleção em que o professor realiza um reparo no turno de um aluno serão tratados de forma mais exaustiva na seção 4.3, dedicada aos reparos.
As auto-seleções do professor assumem, frequentemente, a forma de (tentativas de) contribuições ao turno do aluno, com comentários e completamentações. Vejam-se os exemplos seguintes:
Exemplo 7 (aula 6)
1. A: no nella no mia mia madre dice che io sono arrabbiata solo a casa mia (.) io penso 2. che io (..) sono arrabbiata nella nella fuori ma non può dire niente non posso dire
3. niente (..)
não na não minha minha mãe diz que eu estou brava só em casa (.) eu acho que eu (..) estou brava na na fora mas não pode dizer nada não posso dizer nada (..)
4. P: torni a casa e:: e ((risadas)) esplodi
você volta para casa e:: e ((risadas)) você explode 5. E: qualche volta non è molto sicuro
algumas vezes não é muito seguro
Neste exemplo, o professor, na linha 4, se auto-seleciona para comentar o que uma aluna disse no turno anterior ao seu. Note-se que ele toma a palavra após uma pausa de A (final da linha 3) que representa um lugar relevante para transição e, portanto, permite que outro falante possa tomar a palavra, dentro das regras interacionais.
A mesma coisa acontece no exemplo 8, em que uma aluna está contando uma história que lhe aconteceu durante uma viagem em que teve problemas em todos os aeroportos, por causa da falta de um carimbo no passaporte. No exemplo a seguir, a auto-seleção do professor, na linha 7, tem o valor de ‘resumo’ da narrativa da aluna.
Exemplo 8 (aula 7)
1. A: sì tutti se- sempre arrivavano e io viaggiavo e piangevo (..) sono arrivata a Londra e i i poliziotto
sim todos se- sempre chegavam e eu viajava e chorava (..) cheguei em Londres e os os policial
2. P: i poliziotti o il poliziotto? os policiais ou o policial?
3. A: mi ha detto ciao e io, aspetta posso spiegare ((risadas)) io me disse olá e eu, espere eu posso explicar ((risadas)) eu 4. E: prima di tutto
antes de tudo 5. A: lui mi ha detto sì::
ele me disse si::m 6. E: prima di tutto
antes de tudo
7. P: hai già hai già messo le mani avanti você já antecipou a possível pergunta
Os exemplos acima representam ocorrências comuns em nossos dados. As auto- seleções citadas nos dois exemplos são “contribuições colaborativas” (DINGS, 2007) e podem ser consideradas movimentos do professor para co-construção da interação, visto que ele esta demonstrando compreensão da situação por meio da elaboração de um resumo do que é dito.
Outra forma que o professor utiliza para se selecionar como próximo falante é tomando a palavra quando o falante corrente ainda não chegou em um lugar transicional. Em nossos dados, isso acontece em duas formas principais: na primeira, P toma a palavra depois de uma pausa do aluno em que esse último está, de forma evidente, procurando uma palavra; na segunda (exemplo 9), o professor interrompe a fala do aluno. O primeiro tipo será tratado na seção relativa aos reparos, já que a intervenção do professor antes de uma pausa que indica uma dificuldade do aprendiz para continuar, configurando, consequente e possivelmente175, um problema interacional a ser reparado.
O segundo tipo, em que o professor, ao se auto-selecionar interrompe a fala do aluno, antes que ele chegue a um lugar relevante para transição, representa um tipo comum nas conversas analisadas; veja-se o exemplo seguinte, em que os participantes estão falando sobre o hábito brasileiro de compartilhar a comida com pessoas conhecidas que estão próximas.
Exemplo 9 (aula 1)
1. E: così è *estragno per me che la persona mangia = assim é estranho para mim que a pessoa come = 2. P: = strano
= estranho
3. E: strano per me che la persona mangia da- davanti a te e = estranho para mim que a pessoa come na sua frente e = 4. P: = da sola (.) qualsiasi cibo (..)
=sozinha (.) qualquer comida 5. E: sì (…)
sim (…)
6. P: quindi è una cosa culturale quella di dividere le cose então é uma coisa cultural a de dividir as coisas
No excerto anterior, o professor ao se auto-selecionar176, interrompe o aluno e completa o turno desse último (linha 4). É interessante notar que, depois da intervenção do professor, o aluno não completa o próprio enunciado interrompido pelo professor, se limitando a produzir um turno muito breve de confirmação (linha 5). Portanto, podemos dizer que, neste caso, a auto-seleção do professor por meio de interrupção teve o efeito de inibir a produção do aluno. De forma praticamente igual, isso acontece no exemplo que apresentamos a seguir, em que P se auto-seleciona como próximo falante, interrompendo A que, na linha 1, estava contando
175 Dissemos “possivelmente” porque para que isso se configure realmente como problema comunicativo é
preciso que seja considerado como tal pelos participantes.
176 Neste exemplo, há também outra auto-seleção do professor, na linha 2, mas visto que representa um reparo,
um fato que lhe aconteceu. Além de ser bastante evidente que A não tinha chegado ainda ao final do seu turno, notamos aqui que a palavra ‘quando’ apresenta um alongamento vocálico, o que pode representar um recurso utilizado pelos falantes para ‘segurar’ o turno (KERBRAT- ORECCHIONI, 1990).
Exemplo 10 (aula 7)
1. A: e dopo una lunga intrevista loro hanno ma- (..) perguntado perguntado (..) quando:: = e depois de uma longa entrevista eles têm pe- perguntado perguntado (..) quando:: = 2. P: = tipo cosa ci fai qua perché sei::
tipo o que você está fazendo aqui porque é:: 3. A: sì denaro che va fare dove va stare e:: passagem
sim dinheiro o que vai fazer onde vai ficar e:: passagem
Nos exemplos 9 e 10, nas linhas 4 e 2, respectivamente, as auto-seleções do professor podem ser consideradas ‘encerramentos colaborativos’, movimentos comunicativos em que o falante completa o turno do falante anterior. Esses movimentos demonstram um alto grau de envolvimento na interação, já que o interlocutor que está ouvindo, ao intervir na conversa estaria adotando o ponto de vista do falante e falando ‘com sua voz’(DINGS, 2007).