ÜÇÜNCÜ BÖLÜM MEDYA VE TOPLUM
3.2. BİR KAVRAM VE KURUM OLARAK “MEDYA”
As lembranças fazem parte da experiência sensível e se relacionam com a presentificação das ideias na tomada de consciência e ressignificação de sua prática. Em vários momentos da entrevista caminhante os docentes usaram a seguinte expressão:
Não tinha parado para pensar nisso. De que valeriam as lembranças se não
dialogassem com o presente? O exercício de lembrar pode dar sentido às práticas docentes sendo um disparador para estratégias futuras, incorporando as experiências vividas ao ensino de história na educação básica.
A condição docente pressupõe uma construção sócio histórica, e como tal, nas relações que estabelece com estudantes e colegas ocorrem tensões, conflitos e também partilhas, trocas, interações diversas, expressas em seu modo de conceber a educação e de dar sentido à sua profissão.
E a condição docente é interferente nos usos que os professores fazem de espaços da cidade, seja para sua formação, seja para prazer individual. Na primeira etapa da pesquisa indicou-se no questionário atividades relacionadas a experiências culturais (além da visita a museus) como viagens, cinema, teatro e solicitou-se que assinalassem as que faziam com maior frequência.
Entre professores de história, a mais citada foram visitas às cidades coloniais mineiras. Não é raro que professores desta área de conhecimento realizem viagens para cidades como Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Tiradentes e Diamantina. São cidades consideradas a origem do estado de Minas Gerais e, portanto, com importância significativa para o estudo de história.
Cinema e teatro também foram citados como atividades culturais de significativa importância para a formação docente. Conforme ressalta Selva Fonseca (2010), os saberes dos docentes são adquiridos:
(...) em diferentes tempos e espaços educativos, como nos espaços de lazer, teatros, cinemas e meios de comunicação, em diferentes lugares de memória, museus, e bibliotecas, em igrejas e sindicatos e nos espaços e atividades formais e informais (FONSECA, 2010, p. 393).
Gráfico 7 - Experiências culturais na prática docente
Fonte: Dados do questionário respondido por 26 professores na primeira etapa da pesquisa.
Em relação aos museus, inferimos pela realização da pesquisa que a maior parte dos professores realiza visitas acompanhados dos estudantes. Na entrevista caminhante perguntamos à professora Cecília se os museus constituem-se um espaço formativo:
Pesquisador: Mas você acha que é importante o professor ter estes espaços formativos, por exemplo, no museu? A gente vê que muitas vezes o professor visita o museu a trabalho, mas ele não vem como um hábito pessoal, tipo... “- Eu vou ao museu com minha família ou sozinho...”.
Professora Cecília: Nossa... Isso é fundamental. Eu não venho por questão de tempo. A questão hoje da estrutura de trabalho que a gente tem infelizmente não permite, ainda mais que eu trabalho dois horários... Eu não venho porque não tenho tempo. Se eu pudesse eu viria sempre.
Eu gosto de ir também a outros lugares... Agora com a inauguração desses museus novos em Belo Horizonte, quando tive um tempinho eu fui... Fui aos museus da Praça da Liberdade, mas não fui a todos...
Agora, se eu não trago as pessoas aqui, eu sempre digo... “Gente, vai lá...”. “Quer ir a um lugar legal em BH? Vá ao Museu de Artes e Ofícios”. (Entrevista em HD 1h18’, data 20/04/2012, local: MAO. Grifos nosso)
22 22 24 19 3 0 5 10 15 20 25 30
Cinema Teatro Visita a cidades coloniais mineiras
Parques naturais
A rotina de trabalho imposta pela conjuntura atual da educação no estado interdita ao professor a participação em atividades formativas oferecidas pelo MAO, e também limita a constituição de hábitos de visitação a museus em outra situação que não seja acompanhando estudantes. A professora Cecília acha fundamental que os museus sejam vistos como espaço de formação, mas cita a falta de tempo como um impedimento à visitas frequentes. Ela incentiva outras pessoas a visitarem o museu para um usufruto autônomo destas instituições culturais.
Durante sua graduação foi estagiária no Museu de Medicina da UFMG, o que influenciou sua prática quando se tornou professora. Segundo a professora Cecília, a experiência mais rica que teve durante a graduação foi este estágio e assim que iniciou sua carreira levou uma turma de estudantes ao Museu de Medicina.
Sendo frequente ao MAO, a professora Cora possui o Passe Livre do Educador. Entretanto, a falta de tempo, devido à sua jornada de trabalho, impede que ela visite o museu em outra situação que não seja a trabalho:
Pesquisador: Você comentou sobre o Passe Livre Educador. Você visita o Museu sozinha?
Professora Cora: Não, infelizmente não. Na verdade é tão pouco tempo, e é isso que falta ao educador, trabalhar menos e ganhar mais pra que a gente possa usufruir...
Pesquisador: Usufruir desses espaços culturais, porque são espaços formativos, não é?
Professora Cora: Até meus colegas... Vários que vieram comigo falaram... “_Nossa, Cora, adorei. Me chama mais vezes para ver esses lugares...”, quer dizer, na verdade não são só os alunos que desconhecem não. Os professores desconhecem e muito. Todos os colegas que vieram comigo também não conheciam o Museu.
(Entrevista em HD 1h52’, data 10/04/2012, local: MAO. Grifos nosso)
A professora Cora afirma que seria necessário ao professor trabalhar um pouco menos e ter um salário melhor para poder usufruir de espaços culturais. Até seus colegas desconhecem o MAO e se surpreendem quando acompanham as visitas que organiza. Muitos deles pedem para voltar, uma vez que na condição docente atual não encontram outro tempo para se deslocar a espaços culturais como museus.
Além dos museus existem vários outros espaços culturais na cidade que seriam importantes para o docente frequentar a fim de um processo de formação contínuo e reflexivo. Perguntamos à professora Clarice se ela usufruía de espaços da cidade enquanto sujeito fora de situações em trabalho:
Pesquisador: Você como sujeito usufrui dos espaços da Cidade?
Professora Clarice: Deveria mais, olha só pra você ver... Aqui no MAO eu trouxe meu filho e minha sogra. Eu trouxe o Luís aqui. E no Circuito de Museus ele já foi comigo e com o pai dele, inclusive ele gostou mais do espaço TIM, ele foi e pediu pra voltar...Já o levei uma vez numa Exposição do Palácio das Artes. Eu deveria levá-lo mais ao Teatro, ele gosta, mas quase não levo.
Pesquisador: Por que os docentes não usam esses espaços? Quando a gente sai da escola a gente é sujeito... [Risos]
Professora Clarice: Pra falar a verdade eu acho longe o deslocamento... Estou lá em Venda Nova, e aí é questão de hábito também... Esta questão de criar hábitos, eu acho que a gente não tem uma tradição de visita a museus. Eu acho que isto é muito recente, esta preocupação em criar esse hábito novo na gente, de incutir. Eu acho que é muito de agora. Por exemplo, a geração passada não tinha isso, geração da minha mãe nem pensava em Museu. Isso estava muito longe...Eu acho que agora que tem essa preocupação de incutir, de levar... Eu vejo essa preocupação muito mais agora do que vinte anos atrás, por exemplo.
Pesquisador: Você acha que se houvesse essa possibilidade dos docentes estarem mais neste espaço, não só em situação de trabalho, porque quando a gente vem com criança é em situação de trabalho... O que você acha disto? Professora Clarice: Com certeza, mas tem gente que odeia. Meu esposo vem porque eu peço pra vir, mas ele não gosta, detesta... “_ Ah, esse trem de velho não dá não...”. Por isto que eu tive dificuldade de trazer a minha sogra, porque nunca dava espaço para vir ao museu. Ele topa tudo que é lugar, mas quando falava em ir ao museu... “_ Ah, mas eu tenho que ir a tal lugar e nunca dava tempo...”. Então, ele detesta museu, ele detesta estes lugares. Ele acha que é jogar dinheiro fora... “Olha pra você ver!”. [Risos]
Quer dizer, isso tem haver com a formação cultural e acho que está muito recente.
Quando eles conceberam esse Museu aqui, eles pensaram que seria um facilitador, por exemplo, o acesso à população, porque está perto do metrô, mas não foi. Eles tiveram que montar outras estratégias. Está do lado do metrô e as pessoas não entram. Elas passam, mas não entram e eu acho que tem haver com educação sim.
(Entrevista em HD 1h48’, data 18/04/2012, local: MAO. Grifos nosso)
A docente considera que não tem um hábito de frequentar museus. Visitou com a família alguns espaços culturais na cidade, como o Espaço Tim Conhecimento, e outros museus do Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Porém, como vive em um
bairro afastado do centro, considera que o deslocamento e a ausência de hábito seja um dos impedimentos de ir aos museus apenas para deleite. Para ela, a criação de um público para os museus é algo dessa geração, pois quando criança seus pais não incentivavam tal prática de visitação.
O Museu de Artes e Ofícios foi pensado para um público popular e, portanto, instalado em um local onde circulam milhares de trabalhadores que poderiam fruir de uma exposição cujo tema principal são as relações de trabalho. Segundo a docente a maioria das pessoas circulam pela Praça da Estação mas não entra no MAO.
Muitas vezes os museus consideram como público apenas aqueles que passam a catraca que dá acesso à exposição. A praça da estação é um espaço de sociabilidade e as relações entre os viventes e o prédio do MAO são múltiplas, desde aqueles que visualizam o museu por meio dos trens urbanos até os que frequentam a praça em eventos culturais ou de passagem em atos cotidianos para trabalho ou lazer. A cidade é o espaço das relações sociais e, portanto, a praça faz parte do universo público destas relações. A praça é um espaço especial construído pelo homem com evocações particulares, significados individuais e coletivos (CARSALADE, 2007).