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3. BÖLGESEL KALKINMA AJANSLARI VE MARKA

3.5 İllerin Sosyo-Ekonomik Gelişmişlik Endeksi ve Gelişmişlik Farklılıkları

alínea l, da LC nº 64/1990138

Um primeiro assunto importante a ser tratado sobre a alínea disposta é que, segundo a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992) são três os tipos de atos de improbidade: i) atos que importam enriquecimento ilícito (artigo 9º); ii) atos que causam lesão ao patrimônio público (artigo 10) e; iii) atos que atentem contra os princípios da Administração Pública (artigo 11). Como consequência, é possível concluir que, na alínea l, penaliza concomitantemente com a declaração de inelegibilidade somente as condenações por Improbidade Administrativa decorrentes de enriquecimento ilícito e atos que lesem o patrimônio público.

O dispositivo em questão indica o prazo de oito anos após o cumprimento da pena e a projeção de seus efeitos pode se dar por força de decisão condenatória colegiada, ainda que não definitiva (recurso interposto, mas ainda não julgado)139.

Esta alínea é uma das mais controversas da Lei Complementar nº 64/1990 e que suscitou muitas polêmicas no momento de sua introdução no ordenamento jurídico. Passar-se-á, agora, a discorrer sobre essas inúmeras questões.

Pode-se iniciar o estudo sistemático da alínea l pelo conceito de “suspenção de direitos políticos”. Quando se fala em suspensão dos direitos políticos advindos de uma condenação em

138

Art. 1º São inelegíveis: I - para qualquer cargo:

l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)

139 LUCON, Paulo Henrique dos Santos, VIGLIAR, José Marcelo Menezes. Código

processo de improbidade administrativa, essa condenação deve ser expressa na sentença, não sendo uma consequência necessária e imediata, como aduz CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA LULA140

a suspensão dos direitos políticos só se dará após o trânsito da decisão e, contrariamente ao que ocorre com a sentença criminal transitada em julgado, não é efeito automático da condenação por improbidade administrativa, devendo expressamente constar da decisão para que ocorra.

Qualquer cidadão pode ser privado de seus direitos políticos de maneira definitiva ou temporária, de acordo com o que é expressamente prescrito no texto constitucional que regulamenta, ainda, a natureza da perda dos direitos políticos, a forma e os efeitos de tal sanção. Não obstante essa liberdade de restrição a essa categoria de liberdade individual, a Constituição de 1988 veda expressamente a cassação dos direitos políticos, ou seja, a supressão arbitrária ou autoritária desses direitos, conforme estabelece o caput do artigo 15 da Constituição Federal, in verbis:

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:

I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

II - incapacidade civil absoluta;

III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;

V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

A incidência de uma dessas causas de perda ou suspensão de direitos políticos deve ser comunicada ao juiz eleitoral, a quem cumpre declarar a incapacidade eleitoral ativa e passiva do cidadão. Soma-se a suspensão imediata do exercício do mandato eletivo, que deverá ser decidida pela Câmara dos Deputados ou Senado Federal, mediante provocação da mesa ou de partido político

140 LULA, Carlos Eduardo de Oliveira. Direito Eleitoral. 3. ed. São Paulo: Imperium, 2012. p. 339 e p. 358.

representado no Congresso, sempre assegurada a ampla defesa conforme disposto no artigo 27, parágrafo 1º, artigo 32, parágrafo 3º e artigo 55, inciso VI, parágrafo 2º, todos da Constituição Federal de 1988. Sendo assim, em tais casos a perda do mandato não é automática, de modo a preservar o princípio da independência dos poderes, conforme TITO COSTA141.

O mesmo não se aplica em relação a vereadores e detentores de mandato executivo (prefeito, governador, presidente da República e seus respectivos vices), já que, quanto a eles, inexistem regras excepcionais como as dos dispositivos constitucionais supracitados. Nesses casos, o trânsito em julgado da condenação criminal implica privação de direitos políticos e perda de mandato, a partir de declaração emanada, tal qual afirma JOSÉ JAIRO GOMES142.

A hipótese de suspensão de direitos políticos pela prática de ato de improbidade administrativa, de acordo com o inciso V do artigo 15 da Constituição Federal, se dá nos temos do §4º do artigo 37 da Carta Magna, que, por sua vez, disciplina que os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, além da perda da função pública, da indisponibilidade dos bens e do ressarcimento do erário.

Por tratar-se de uma norma de eficácia limitada, coube ao legislador infraconstitucional complementar a aplicação de tal dispositivo constitucional. Assim sendo, editou-se a Lei nº 8.429/1992, que dispõem, em seu artigo 20, que, nos processos de improbidade administrativa, a suspensão dos direitos políticos só produzirá seus efeitos após o trânsito em julgado da decisão condenatória.

141 COSTA, Tito. Recursos em matéria eleitoral. 6. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunas, 1996. p. 81.

Desse modo, a Lei de Improbidade Administrativa (artigo 20), por delegação constitucional (artigo 37, §4º), ao reconhecer a necessidade de se resguardar a segurança jurídica para a preservação do Estado Democrático de Direito, em conformidade com o sistema constitucional de 1988, assim como ao declarar a incidência do princípio constitucional da presunção da não culpabilidade em matéria de improbidade administrativa, condicionou a grave medida restritiva de suspensão de direitos políticos à formação da coisa julgada143.

Além disso, a lei ordinária não apenas exigiu a ocorrência do trânsito em julgado para imposição da suspensão dos direitos políticos, como dispôs que tal medida não é efeito automático da sentença condenatória, mas demanda deliberação prévia e fundamentada (transitada em julgado) do órgão jurisdicional competente para julgar o ato de improbidade administrativa, podendo, até mesmo, ser excluída, uma vez que as sanções não são necessariamente cumulativas.

Conclui-se, portanto, que os dispositivos constitucionais que cuidam da suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa se vinculam de modo expresso a uma conformação com a lei ordinária, a dizer, a Lei nº 8.429/92, que expressamente exige o trânsito em julgado da decisão condenatória, o que, obrigatoriamente, deve ser também respeitado na aplicação da alínea l, da Lei Complementar nº 64/1990.

Quanto ao posicionamento da jurisprudência, o entendimento mais recente do Tribunal Superior Eleitoral no julgamento

143 PEIXOTO, Gabriela Guimarães. A hipótese de inelegibilidade da alínea “l”,

inciso I, artigo 1º, da Lei Complementar nº 64/90, introduzida pela LC nº 135/2010. Disponível em [http://ibrade.org/pdf/artigogabrielaguimaraespeixoto.pdf]. Acesso em 20 de outubro de 2013.

das Ações Declaratórias de Constitucionalidade nos 29 e 30 e na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.578, afirmou a constitucionalidade das novas disposições da Lei Complementar nº 135/2010, inclusive no tocante às novas causas de inelegibilidade inseridas na Lei Complementar nº 64/1990, entre elas a decorrente de condenação à suspensão de direitos políticos, por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa144.

144 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Informativo nº 1, vol. 2. Brasília. jan. 2013. Disponível em [http://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/tse-informativo-tse-serie- especial-no-1-ano-1-volume-2]. Acesso em 24 de outubro de 2013.

D. INELEGIBILIDADES ADQUIRIDA POR CONDENAÇÃO