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3. BÖLGESEL KALKINMA AJANSLARI VE MARKA

3.3 Bölgesel Kalkınma Ajansları

3.3.6 Bölgesel kalkınma ajanslarına yönelik güncel yaklaşımlar ve İngiltere

A representação proporcional é aquela que contempla o direito à participação das minorias no processo democrático80 e estabelece com a sociedade o debate político necessário à condução do Poder Público em consonância, na medida do possível, com os principais anseios nacionais, por meio, principalmente, do debate de ideias e proposições legislativas. GILBERTO BERCOVICI81 afirma que o modelo brasileiro de representação consiste em método que garante alguma representação às minorias e estabiliza o regime por meio da garantia que a oposição seja feita de forma legal e aberta, no Parlamento. Ao mesmo tempo, sob outra perspectiva, segundo o autor, a teoria da representação proporcional é capaz de “assegurar maiorias estáveis ao governo”.

Por esse caminho, embora se possa reconhecer que não é possível um sistema representativo perfeito82, o qual pode gerar desproporcionalidades83, o modelo vigente no Brasil consiste em

80 CAGGIANO, Monica Hermann Salem. Sistemas Eleitorais x Representação. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1987, pp.200-202.

81 BERCOVICI, Gilberto. A origem do sistema proporcional no Brasil. In: COÊLHO, Marcos Vinícius Furtado; AGRA, Walber de Moura (Org.). Direito Eleitoral e Democracia: Desafios e Perspectivas. Op. cit., p. 127-129.

82 Ibid., p. 128 -129

83 NICOLAU, Jairo César Marconi. O sistema Eleitoral Brasileiro: A Questão da

Proporcionalidade da Representação Política e seus Determinantes. In: LIMA Jr., Olavo

Brasil de (org.), Sistema Eleitoral Brasileiro: Teoria e Prática, Rio de Janeiro, Rio Fundo/IUPERJ, 1991. p. 99.

aceitável tentativa de comunhão entre díspares forças políticas nacionais, por vezes antagônicas, cuja convivência pacífica é garantida por regras de condutas definidas pela legislação nacional. No âmbito interno, as Casas Legislativas contam com regras de conduta e de decoro, que passar-se-á a analisar. A violação de regras condizentes com a prestígio do cargo parlamentar podem implicar cassação e consequente restrição à capacidade eleitoral passiva.

Sob o prisma da inelegibilidade, corte que a presente pesquisa se propõe, logo de partida, importa observar a peculiar forma de inelegibilidade decorrente de condenações no âmbito das Casas Legislativas, em processos de natureza político-disciplinares, especialmente diante de: (1) comissões parlamentares de inquérito; (2) processos de impeachment; (3) procedimentos para apuração de quebra de decoro parlamentar.

Um primeiro aspecto a ser levantado refere-se à temporalidade do conceito de inelegibilidade por quebra de decoro e sua inserção na legislação infraconstitucional. Embora a Constituição de 1988 já previsse as hipóteses de inelegibilidade por quebra de decoro parlamentar no artigo 55, I e II e, não obstante, a Lei Complementar nº 64/1990 já contemplasse tal condenação, foi somente a posteriori, com a aprovação da Lei Complementar nº 81, de 13 de abril de 1994, que a alínea b foi introduzida, com o atual texto, na Lei das Inelegibilidades.

Em sua redação original, dada em 1990, o período pelo qual o parlamentar estaria na condição de inelegível, caso fosse condenados por quebra de decoro, seria o período remanescente de seu mandato acrescido de mais três anos.

Como forma de endurecer a pena e, desta feita, supostamente, conferir mais proteção ao bem público e maior eficácia ao princípio da boa governança, o legislador reformou o dispositivo em

comento para aumentar a pena de três para oito anos de restrição à capacidade eleitoral passiva, depois de decorrido o tempo do mandato para o qual fora eleito.

Conforme será debatido mais à frente, especialmente em uma dissertação acadêmica que objetiva criticar os institutos envolvidos, não apenas descrevê-los, é possível identificar que o legislador pátrio excedeu-se quanto à previsão da pena, uma vez que, ao aumentar a restrição à elegibilidade para oito anos além daqueles remanescentes do exercício do mandato eletivo, acaba-se por afastar o parlamentar do cenário político por período demasiadamente longo, o que, não raro, pode significar penalidade de banimento. Nos casos mais extremos, como, por exemplo, de Senador cassado no início de seu mandato de oito anos, a vedação ao registro de candidatura pode perdurar por mais de dezesseis anos. Tem-se, pois, uma hipótese em que a não proporcionalidade na aplicação da pena é flagrante.

Postas tais observações de excesso de matéria penal do dispositivo, a condenação à inegibilidade por quebra de decoro representou grande avanço na busca por maior probidade. Sendo assim, passar-se-á, agora, a discorrer-se propriamente sobre o conceito de decoro parlamentar.

De maneira introdutória, valendo-se das palavras de CARLA COSTA TEIXEIRA

“o decoro parlamentar, como um código de honra, precisa se referir aos valores de uma época e de um grupo. Daí sua imprecisão, sua natureza avessa à plena tradução em atos específicos juridicamente. O decoro, assim, tem que ser localizado, temporal e socialmente, pois deve contemplar padrões de condutas específicos, não se esgotando em

ideias universais da humanidade”84

A questão central a ser abordada, de forma subjetiva, relaciona-se com a esperada ética nas relações em que são encontrados elementos de poder político. O jurista italiano NOBERTO BOBBIO, ressalta as diferentes facetas dos elementos do poder político85

Poder político pertence à categoria do poder de um homem sobre outro homem, mas não à categoria do poder do homem sobre a natureza. Esta relação de poder é expressa de milhares modos que encerram formulas típicas da linguagem política: relação entre governantes e governados, entre soberano e súditos, entre Estado e cidadãos, entre manda e obediência.

Postas tais considerações, com uma breve introdução do conceito de decoro, sua importância e sua inserção em nosso ordenamento, passa-se, agora, à análise sistemática dos dispositivos legais.

84 TEIXEIRA, Carla Costa. A honra da política: decoro parlamentar e cassação de

mandato eletivo no congresso nacional (1949-1994). Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1998.

85BOBBIO, Norberto. O significado clássico e moderno da política. In: CESAR, Tarcísio

Meira. Curso de introdução à ciência política. Brasília: Universidade de Brasília,

2. Inelegibilidade decorrente da condenação por quebra de