• Sonuç bulunamadı

5.1 Tartışma ve Sonuç

5.1.2 İhmal ve İstismardan Korunma Aile Eğitiminin Uygulanma Sürecine

Falamos sobre a presença ainda forte de análises da televisão e de sua qualidade como um serviço, sistema de difusão e produção de mercado, nas quais o que importa não são os programas, mas sim o contexto tecnológico, político e econômico que os envolve e constrói as regras de produção e de recepção. Assim, esses aspectos também representam visões sobre o conceito de qualidade na TV.

18 O aspecto econômico não foi tratado como um tópico à parte por considerar-se que, em nossa sociedade capitalista, ele permeia todos os outros aspectos (político, tecnológico, pedagógico, etc). Para essa pesquisa, os fatores econômicos foram diluídos por motivos de tempo de pesquisa e relevância para o tema.

108 Pudemos também perceber que o conceito se trata de algo mutável, que adquire formas à medida que faz referência a determinado aspecto ou critério. Assim como a arte se apresentava de certa forma para os bizantinos, de outra para os romanos ou para os orientais, a qualidade também apresenta uma mudança de valores com o passar do tempo.

Outra referência comum à qualidade, na qual o caráter mutável do conceito é especialmente percebido, está relacionada ao desenvolvimento das tecnologias e da concepção da televisão como aparelho midiático. Para Hoineff, cada nova possibilidade apresentada pela TV (videotape, TV a cabo, HD, etc) ―abriga não apenas uma tecnologia, mas uma resposta política e estética ao debate sobre o papel da televisão tanto na sociedade atual quanto futura.‖ (1991: 18).

Bianculli (2007), crítico norte-americano, afirma que hoje, graças à TV a cabo e satélite, que ampliaram os canais de transmissão de televisão, é mais fácil encontrar programas com qualidade, ainda que tenhamos que procurar em meio a um monte de porcarias. Dessa forma buscaremos compreender os aspectos da qualidade possibilitados pelos avanços da tecnologia.

A TV em expansão: tecnologias e múltiplas plataformas

Além do aspecto do acesso e democratização, a tecnologia está relacionada a um tipo de qualidade, comumente mencionado, que está associado às condições do sinal e nitidez da imagem e do áudio. Também da tecnologia resulta uma característica que vem criando um intenso debate em torno das novas feições da ficção televisiva derivada das novas mídias: a convergência em múltiplas plataformas. A mediação da tecnicidade (MARTÍN-BARBERO, 2001) se coloca atualmente em um novo cenário, o da globalização, não só nas redes como também na conexão dos meios com o computador, o que modificou a relação dos discursos públicos e midiáticos com os formatos industriais e os textos virtuais. As perguntas abertas pela tecnicidade apontam então para o novo estatuto social da técnica, o restabelecimento do sentido do discurso e da práxis política, e o novo estatuto da cultura e da estética. Assim, esse caráter transmidiático das ficções não pode ser ignorado no debate da qualidade, da mesma forma que não pode ser entendido como o principal atributo da televisão, afinal, ―confundir a comunicação com as técnicas e os meios resulta tão deformador como pensar que eles sejam exteriores e acessórios à comunicação‖ (LOPES ET AL, 2010: 401).

109 Ao longo das décadas novidades tecnológicas continuaram a surgir e influenciar o universo televisivo. O surgimento do DVD, celular e internet transformaram não só os critérios de mercado como também as formas de regulamentação, recepção, transmissão e produção. Assim, não podem ser desconsideradas do debate da qualidade, quando uma das características de destaque de um programa ou emissora se refere à sua constante atualização. Fazem parte desse debate adventos como o surgimento da TV, a TV a cabo, o satélite, a TV digital e a conseqüência desses avanços, que geraram uma convergência midiática.

A história tecnológica da TV19

A televisão não surgiu de um grande inventor. O que houve foram combinações de descobertas tecnológicas até a criação da estrutura que conhecemos nos anos 1950. O ―disco de Nipkow‖, concebido por Paul Nipkow em 1884, que era capaz de enviar uma imagem em movimento de um local para outro, por condução elétrica baseada em propriedades do selênio. O disco foi então aperfeiçoado por cientistas até gerar o primeiro tubo de televisão, chamado orticon, que passou a ser produzido em escala industrial a partir de 1945. O tubo deuorigem à transmissão de TV em Londres em 1936, com um sistema de 405 linhas, que evoluíram para 525 linhas cinco anos depois, culminando no modelo que conhecemos. Para transmitir a imagem de um lugar para outro utilizavam-se antenas, mas como as ondas se propagam em linha reta ficou difícil transmitir para o outro lado do globo terrestre, devido à curvatura, o que levou à investigação de uma solução espacial. Assim originou-se a TV que hoje conhecemos.

No Brasil, quando de seu surgimento, os programas de televisão eram transmitidos ao vivo. Em 1959 começou a operar o primeiro aparelho de vídeo tape, que possibilitava gravar os programas e enviá-los para outras cidades, que os transmitiam com vários dias de atraso. Apenas dez anos depois a televisão brasileira começou a operar via satélite, o que viabilizou a transmissão simultânea para diversas cidades. Essas transformações nos meios de distribuição promovem uma positiva democratização do acesso ao conteúdo televisivo.

19 Os dados históricos sobre as tecnologias que originaram a TV e as transmissões por cabo e satélite foram retirados do livro de Nelson Hoineff, ―A TV em expansão‖. Rio de Janeiro: Record, 1991

110 Em 1962 ocorreu a primeira transmissão via satélite, com o satélite artificial Telstar, lançado pela NASA dos EUA. Esse sistema é ainda dependente dos sinais de transmissão VHF (Very High Frequency), cuja sintonização é mais fácil e o sinal mais nítido, porém abriga apenas doze canais por sistema com apenas sete trabalhando ao mesmo tempo. Com o início da transmissão em cores no Brasil em 1972, o desenvolvimento da TV foi tão grande que os canais disponíveis de VHF ficaram saturados, o que aumentou a necessidade de utilização da faixa de UHF, (Ultra High Frequency) que comporta setenta canais, porém apresenta dificuldade de sintonização e sinal insatisfatório. Nesse contexto, segundo Hoineff (1991), a TV surgiu com uma limitação bem maior de fornecimento de programação do que o rádio, por exemplo, o que fez com que o Estado assumisse o controle das transmissões, como no caso de países da Europa. No Brasil, o Estado adaptou ao novo meio o sistema de concessões, cedidas a grupos ou organizações que, inevitavelmente, estivessem em conformidade com a ideologia política no poder. Mesmo com os diferentes modelos e a centralização das TVs nas mãos do Estado ou de propriedades privadas, a pauta sobre o controle e a responsabilidade social da televisão manteve-se perene nos debates.

A partir do Telstar I, uma série de experimentos com satélites e suas órbitas ampliou a capacidade de transmissão e a qualidade do sinal. As TVs iniciaram a transmissão por satélite nos Estados Unidos. A tecnologia trouxe melhoria do sinal e ampliou o acesso. Sistemas de satélites internacionais integrados possibilitaram a conexão de uma rede de televisão com todas as partes do mundo simultaneamente. A CNN foi a primeira emissora a estabelecer esse tipo de ligação permanente, com cinco satélites. Nos anos 1990, apenas a Sibéria, Groenlândia, Antártida, extremo norte do Canadá e algumas ilhas do Pacífico não eram contemplados pela rede de satélites, o que permitia à CNN receber e transmitir sinais virtuais de todas as partes do mundo com extraordinária rapidez. No caso de uma rede de notícias, o ineditismo e ainstantaneidade são dois dos principais fatores para a qualidade da informação. No caso da CNN, adicione-se a isso uma imagem com excelente sintonia e forma-se uma das mais poderosas redes de TV do mundo, que contribuiu para a internacionalização do conteúdo televisivo, introduzida pela TV a cabo.

111 A TV por assinatura

Ainda na década de 1940, nos Estados Unidos, para melhorar os sinais das regiões mais elevadas foram implantadas antenas em montanhas com transmissão por cabos, que possibilitaram a emergência de novos canais que originaram a TV a cabo. Numa época em que existiam pouquíssimas emissoras e espectadores, a capacidade desse sistema de comportar uma grande diversidade de canais não foi tratada com muita atenção. Por muitos anos, a TV por cabo transmitiu a mesma programação dos canais abertos. O que os assinantes buscavam era melhor qualidade da imagem. Algumas décadas depois, no entanto, o mercado de TVs por assinatura surgiu para suprir a demanda por maior oferta de programação. Para apresentar um modelo diferenciado, ofereciam mais variedade de programação, canais segmentados por temáticas e com auxílio de rede microondas. Com o passar dos anos, a TV a cabo deu origem a outros tipos de tecnologia para a transmissão para TV paga: TV a cabo, DTH (Direct to home), por meio de uma antena parabólica e um receptor para o sinal enviado por satélite e MMDS (transmissão por micro-ondas).

No Brasil, as transmissões tiveram início na década de 1980, com a CNN e a MTV. Apesar de algumas tentativas anteriores, só em 1991 os grandes grupos de mídia entraram no mercado de TV por assinatura. As primeiras redes foram a TVA, que operavam por MMDS e a Globosat, por satélite. Dados do fim de 2009 mostram que a TV a cabo ainda é a mais consumida, por 60% dos assinantes. A TV por satélite, que vem crescendo, contava com 35% dos consumidores e, por fim, a tecnologia MMDS com 5%.20

Até meados de 1990, a TV por assinatura no Brasil ainda era incipiente, devido ao custo elevado da mensalidade e ao número reduzido de cidades alcançadas pelo serviço. O novo tipo de TV era considerado um privilégio, e em 1994 havia apenas 400 mil assinantes de TV paga. A partir de então, deu-se um enorme crescimento e em 2000 já se registravam 3,4 milhões, o que corresponde a um aumento de 750% em seis anos. Até hoje, o número de assinantes não para de crescer. Desde 2007, a TV paga mais que dobrou sua penetração no país. Hoje, são 10 milhões de assinaturas, segundo dados da Anatel, que representam mais de

112 32 milhões de brasileiros21. Em relação à audiência, se em 2001 a TV aberta contava com 73% de audiência ante 27% da TV paga, em 2008 essas fatias mudaram para 71% e 29%.22 O avanço também contribuiu para a troca de cultura televisiva, especialmente nos Estados Unidos, o que gerou uma rápida globalização a que Luiz Gleiser atribuía, como conseqüência, ―o fim dos guetos nacionais‖ (1995:12). Em parte, a previsão de Gleiser tinha fundamento. Os avanços da TV a cabo e a entrada de dezenas de novos canais com conteúdo diversificado provocou, de fato, uma migração da audiência, e o DVD e a internet vieram a contribuir com esse processo. Surgiram públicos assíduos e grupos de fãs de programas norte-americanos, que assistem, comentam e recriam em torno da ficção. O caso Lost é o mais conhecido entre as séries que conquistaram grande número de telespectadores no Brasil, que se tornaram ativos em meio às múltiplas telas que os rodeiam. Hoje, a série Glee tem ocupado um espaço semelhante junto ao público e não tardou a ter os direitos de transmissão comprados pela Globo. Por outro lado, se encarássemos a produção como ―guetos nacionais‖, veríamos (e vimos, no primeiro capítulo) que a TV aberta no Brasil demonstra uma grande resistência à importação de produções ficcionais, com índices de mais de 80% das ficções exibidas nos últimos três anos de produção nacional. Isso significa que a entrada da TV a cabo no Brasil e a internacionalização proposta por ela não alterou significativamente o modo de produção da TV aberta. No entanto, a produção nacional de ficção nos canais de TV paga foi lenta e quase inexistente. Apenas nos últimos dois anos algumas ficções começaram a conquistar seu espaço. Se em 2008 registramos duas ficções de origem nacional (9mm: São Paulo, da Fox e Aline, da HBO), em 2010 esse número subiu para 15, das quais o canal Multishow exibiu oito.23 Pode-se considerar esse aumento como uma conquista, porque a TV paga, desde sua chegada ao Brasil, tem sido caracterizada pela internacionalização de seu conteúdo, o que

21Considerando o número médio de pessoas por domicílio, segundo o IBGE de 3,3 pessoas. Com isso, o Brasil passa a liderar o setor de TV paga na América Latina, com 9,9 milhões assinantes, seguido por México (9,2 milhões) Argentina (6,7 milhões), Colômbia (3,5 milhões), Chile (1,7 milhão) e Peru (um milhão). Fonte: Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) com Instituto SNL/Kagan em:Folha de São Paulo, 26/01/2011 Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1003201103.htm . Acesso em 01/03/2011.

22 Pesquisa Hábitos & Consumo de 2008, divulgada pela Globosat, 19/12/2008.

23 As ficções exibidas em 2010 foram: as séries Quase anônimos, Open bar, Morando sozinho, Na fama e na

lama, Adorável psicose, Os gozadores, Amoral da história, Bicicleta e melancia, Vendemos cadeiras e Desprogramado, pelo Multishow; Tô frito, pela MTV; as séries Elvirão ou como vovó já dizia, Bipolar e Quando a noite cai, pelo Canal Brasil e a segunda temporada da série Alice,em formato de dois telefilmes, pela HBO.

113 pode soar um pouco irônico num país reconhecido internacionalmente pela qualidade de suas produções ficcionais.

Em meio a essa enxurrada de programas estrangeiros, a TV por assinatura traz outra característica que é considerada um fator de qualidade: o uso de legendas, evitando a dublagem que na TV aberta prejudica enormemente a transmissão, compreensão e identificação com programas importados. Outro fator que leva o receptor à preferência pela TV paga é a curta duração dos intervalos comerciais, ou mesmo a inexistência deles durante a exibição de filmes, pois são, em geral, vistos com grande antipatia pelos telespectadores da TV aberta.

A TV Digital

A necessidade de acompanhamento das tecnologias e sua constante atualização pode também ser vista com a implantação nacional do sistema de TV Digital, com sinal em alta definição (HD), relacionada à qualidade da imagem. Em dezembro de 2007 o Brasil oficializou a transmissão de imagem em HDTV, sigla para o termo inglês "High Definiton Television" ou televisão em alta definição, característica da transmissão da TV digital. A TV digital atingiu, no final de 2010, uma cobertura de cerca de 90 milhões de brasileiros em 425 municípios espalhados em todos os estados do país, o que significou um crescimento de 15% em relação a 2009. Desde seu surgimento, enfrentou dificuldades devido ao alto custo de aquisição da aparelhagem para receber o sinal de alta definição. Esse panorama se modificou com a redução do preço dos conversores ocorrida no último ano e com o crescimento da classe C no Brasil, possibilitando que houvesse consumidores para os mais de seis milhões de aparelhos de TV produzidos em 2010 com o conversor digital integrado.

A tecnologia do Brasil em alta definição, que aperfeiçoou o modelo japonês ISDB, está presente em nove países24 e tem sido negociada para que seja adotada em todo o continente sul-americano. A Argentina – segundo maior mercado da América do Sul – assinou em 2008 protocolo técnico sobre as características da tecnologia e sobre um acordo de cooperação. Outros países da América Latina, América Central e África estudam a adesão ao padrão, que

114 traz vantagens sobre os outros em funcionamento no mundo, entre eles, a mobilidade, portabilidade e a interatividade.25

Em relação à transmissão em TV aberta, a Globo se destacou em 2008 com o maior investimento em produção de ficção televisiva em alta definição, veiculando com essa tecnologia a telenovela A favorita e as séries A grande família e Dicas de um sedutor; além de alguns filmes, programas jornalísticos e grandes coberturas, como as das Olimpíadas de Pequim. A Globo lançou, ainda, durante a Copa do Mundo de 2010, a interatividade digital disponível somente em aparelhos de televisão em alta definição e também utilizada nas telenovelas Passione e Ti-ti- ti. A Rede TV foi a primeira emissora do Brasil a produzir todos seus programas com equipamentos digitais e a primeira a fazer uso da tecnologia 3D na TV aberta em 2010, no programa ao vivo Pânico na TV. Na Record, a primeira produção de teledramaturgia toda gravada em HD foi Sansão e Dalila, lançada no início do mesmo ano. Segundo Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia do canal, o maior desafio da produção bíblica foi criar cenários que remetiam a mil anos antes de Cristo. 26

A transmissão em alta definição causa mudanças na produção e na estética da teledramaturgia. Por ser de grande nitidez, qualquer detalhe é evidenciado, de pequenas rugas dos atores a um cenário mal elaborado. Mauro Monteiro, diretor de arte de Insensato Coração, explica que "tudo tem de ser mais real. Qualquer imperfeição é facilmente detectada. Por exemplo, não se pode usar algo que imite vidro, isso pode ficar estranho no vídeo. Tem de ser vidro mesmo". Daniel Clabunde, diretor de cenografia de Sansão e Dalila, também comenta: ―Com as gravações em alta definição, um buraco na parede pode parecer um rombo. É possível ver as digitais em vidros. Portanto, o cuidado é dobrado".27 Outras equipes também tiveram de se adequar. A maquiagem, antes colorida e carregada, agora deve ser leve e impecável, com cuidado para disfarçar as imperfeições dos atores. O maquiador Guilherme Pereira, de Dance Dance Dance (Bandeirantes, 2007), contou que a cor dos cabelos da Juliana Baroni, que interpretava a personagem principal, tinha de ser retocada a cada dez dias.

25 Fonte: Observatório da Digitalização, Democracia e Diversidade. Há três anos no ar, TV digital soma avanços

e problemas. 02.12.2010.

26 Fonte: Terra. Tecnologia HD muda forma de fazer novelas. 11.03.2011 27 Idem.

115 Também os cenários, a direção e o visual devem receber mais cuidados, há a necessidade de perfeição queexige fartos recursos financeiros, o que leva a Globo, novamente, a se destacar. Mas mesmo as produções mais cuidadosas estão fadadas ao risco da TV em alta definição. A série Afinal, o que querem as mulheres? (Globo, 2010) exigiu grande atenção ao acabamento das cenas. Segundo o diretor Luiz Fernando Carvalho, ele trabalhou propositalmente com um excesso de cores que dificultou a captação de imagens, o que prova, mais uma vez, que as imagens em HD podem ficar chamativas demais.

A expectativa em torno da TV Digital se deve também à promessa de interatividade. O middleware Ginga, criado no Brasil, oferece amplas possibilidades de interatividade ao telespectador, a empresas e ao governo. As possibilidades vão além do que já conhecemos, como informações sobre horários e descrição de programas. A interatividade permite a compra de produtos anunciados ou exibidos por personagens da ficção, realizar operações bancárias, marcar consulta médica em hospital público e participar de enquetes e pesquisas. Esta última proporcionaria um diálogo real entre o telespectador e a emissora, tornando a comunicação mais ativa. Porém, o Ginga não está presente na maioria dos conversores vendidos e os radiodifusores não encontraram um modelo de negócio que justifique investimentos em aplicativos para esse fim. Além disso, ainda não há definição sobre qual canal de retorno dará suporte à interatividade.

Assim, problemas como a oferta de conversores do sinal analógico para o digital a preço acessível, devido à preferência da indústria por fabricar televisores com o conversor embutido, porém com preço muito alto para o padrão de renda nacional; a interiorização do padrão digital, que hoje só está presente nas capitais e nos grandes centros; e a dificuldade das retransmissoras em obter o financiamento oferecido pelo BNDES para compra de equipamentos pode atrasar o desligamento da TV analógica, marcado para 2016.

Todas essas transformações que influenciam o processo de produção e recepção contribuem para o fato de que, hoje, a mídia pode ser pensada como um ecossistema, pois se dispõe de forma a construir uma teia de interrelações sociais, tecnológicas, culturais, econômicas, etc, que caracterizam o universo da comunicação através de dispositivos técnicos. A multiplicidade de tecnologias complementa as novas construções de identidade, ou de um novo sensorium (MARTÍN-BARBERO, 1998), que se forma a partir dessa realidade

116 modificada tecnologicamente e produz, por meio de também novas mediações digitais, outros meios de ser e estar na sociedade. Um dos debates que vem ganhando força tanto no campo acadêmico quanto no mercado é o caráter transmidiático das ficções, possibilitado pelas chamadas novas tecnologias, que criaram outras formas de interação social. Com isso, a produção atual de ficção cria a necessidade de envolver o espectador por meio de conexões com as mais variadas mídias, numa tentativa de seduzi-lo à interação com a trama e à chance de alcançar múltiplas condições de participante, colaborador e até de coautor das ficções por meio da ampliação das possibilidades de intervenções que a ele são apresentadas, o que