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İhmal ve İstismardan Korunma Aile Eğitiminin Etkililiğine İlişkin

5.1 Tartışma ve Sonuç

5.1.1 İhmal ve İstismardan Korunma Aile Eğitiminin Etkililiğine İlişkin

Machado (2005) ressalta que a possibilidade de transmissão da TV ao vivo seja o que marca mais profundamente esse meio. Feuer (2007), por sua vez, menciona os teleteatros, que se definiam como programas de qualidade porque exploravam uma característica essencial de suas mídias: a habilidade da televisão de transmitir ao vivo enquanto os filmes não o faziam. Assim podemos considerar a TV ao vivo como um elemento específico da análise da qualidade.

A televisão surgiu com as transmissões ao vivo, traço que a marcou e a distingue de outros meios audiovisuais. A capacidade de transmitir em tempo presente trouxe certo mérito para o meio, já que essa era característica dos teatros, óperas e balés, que exigiam o deslocamento do espectador. A televisão se aproximou destas grandes artes ao oferecer a um público mais amplo a possibilidade de assistir a uma apresentação de dentro de casa e, ainda mais importante, para indivíduos espalhados por todo o território nacional. Claro que no início das exibições havia problemas com o vídeo tape, que demorava alguns dias até ser transferido para outras cidades. Hoje, no entanto, a TV é caracterizada pela democratização do acesso ao seu conteúdo, que consegue atingir ao mesmo tempo um grande número de indivíduos separados fisicamente, de forma quase instantânea (ou com diferença temporal insignificante).

Bourdieu (1997) retoma um conhecido tópico do discurso filosófico ao mencionar que a urgência inibe o pensamento, pois os filósofos contavam com o tempo para digerir as ideias e concluírem teorias. Assim, a televisão, tanto transmitida ao vivo quanto produzida,

103 programada para ser exibida em determinado momento que se tornaria presente, estaria à mercê de uma instantaneidade que impede o pensamento. Machado (2005) confronta essa afirmação ao questionar o porquê de a televisão preferir, então, a segurança do material gravado à transmissão ao vivo. Certamente, se a segunda impedisse o pensamento, as autoridades não impediriam que golpes de estado ou manifestações políticas (como ocorreu no período das Diretas já) fossem transmitidos ao vivo.

A iniciativa política de coibir as transmissões instantâneas tem sua razão de ser, uma vez que é mais difícil aplicar censura a elas do que a imagens pré-gravadas. As edições tendenciosas de programas jornalísticos ou de ficções podem gerar desconfiança em um espectador mais atento, mas passa com naturalidade pela maioria, enquanto restrições feitas ao vivo são notadas com obviedade. Isso pode ser percebido nas mudanças bruscas de atitude dos participantes do Big Brother Brasil a qualquer ordem dada por Boninho, cujo áudio é direcionado para os integrantes da casa e ausente ao público. O contrato assinado os obriga a não comentarem ou se expressarem a respeito das ordens. Porém, por mais que não se possa ouvir a ordem ou a repreensão, as expressões dos participantes, com grande afastamento do que seria uma boa atuação, são óbvias o bastante para gerarem uma boa quantidade de vídeos na internet. Inúmeras outras cenas de programas ao vivo se tornaram famosas, sempre por algum imprevisto, como apresentadores embriagados, afetados por crises de riso ou que se acidentam perante as câmeras. É sabido que tudo o que foge ao trivial, principalmente quando ilustra um ―erro‖ na televisão, de preferência cômico ou desastroso, desperta o interesse dos espectadores e internautas. Por outro lado, há incidentes que ocorrem ao vivo que adquirem o papel de mostrar ―o outro lado‖, o que a TV esconde, como foio caso do vazamento do áudio de um comentário, carregado de desprezo, de Bóris Casoy sobre dois garis que mandavam uma mensagem de Feliz Ano Novo no intervalo do Jornal da Band.

Ao considerarmos, então, o caráter instantâneo e a periculosidade da TV ao vivo, podemos supor que os apresentadores ou atores que se expõe a esse tipo de transmissão devem ser mais bem preparados, com discurso bem ensaiado, com boa dicção e fluência na oratória, para que se reduza a probabilidade de incidentes, erros ou engasgos. A produção deve ser mais atenta para colocar as matérias no ar (no caso de um programa jornalístico), os intervalos comerciais no momento correto e ter aparatos técnicos impecáveis, para evitar acasos como o vazamento de áudio de comentários infelizes. Dessa forma, os envolvidos em uma transmissão ao vivo

104 dependem de um cuidado delicado com a produção, ou as conseqüências podem ser embaraçosas ou, quem sabe, devastadoras. Ou simplesmente, humanas. De acordo com Machado:

Na televisão ao vivo, tudo aquilo que era considerado excesso para a produção audiovisual anterior se converte em elemento formador, impregnando o produto final das marcas da incompletude, da indomesticabilidade e, num certo sentido, da bruteza, que constituem algumas de suas características mais interessantes. [Grifos do autor] (2005:131)

Paralelamente, as gravações podem ser realizadas com dezenas de tomadas, uma mesma cena interpretada várias vezes para atingir a perfeição. Mesmo uma atriz ou apresentadora mediana poderia conseguir, em determinada tentativa, realizar sua função com impecável eloqüência. Nessas circunstâncias, a produção tende a ser mais trabalhosa, com cuidadosa edição e sonoplastia. Não é fácil, portanto, definir qual das duas formas de produção possui mais qualidade, pois cada uma requer seus devidos cuidados técnicos e habilidades próprias dos membros envolvidos.

Em relação à veracidade do conteúdo, ambas podem ser questionáveis, já que podem exibir apenas um lado da situação, mas em uma transmissão ao vivo certamente as possibilidades de interferência no que está sendo transmitido são menores, como no caso de guerras ou manifestações políticas. Essa última característica, no entanto, é mais condizente com o conteúdo jornalístico e não se aplica tanto à ficção.

Machado diferencia, ainda, o tempo real do tempo presente. O primeiro é aquele apresentado pelo cinema ou pela ficção televisiva que mostra os dias, meses ou anos no intervalo de uma hora. O segundo é o tempo exclusivo da televisão ao vivo, que não é capaz de acelerar as horas e ocupa a tela com cenas que acontecem no exato instante que vive o espectador.

Dirão: mas no caso da ficção televisiva este princípio não se aplica, pois ela é gravada com dias, ou até meses de antecedência à sua exibição, o que, dada a ―velocidade do tempo‖ hoje em dia, representa um atraso significativo. No caso de ficções de curta serialidade, como episódios unitários ou minisséries, pode-se dizer que, de fato, formam um produto fechado dentro da grade televisiva. Entretanto, formatos mais longos como a telenovela ou soap operas, no caso de Malhação, também não estão livres da influência do tempo presente, por

105 terem seus capítulos gravados concomitantemente à exibição do programa. Não é uma TV ao vivo, mas se submete às regras impostas pelo atual momento em que são produzidas.

Essa característica pode ser percebida na temporalidade criada pela narrativa. Na segunda quinzena de dezembro é comum as ficções apresentarem cenas de compras de presentes de Natal em shoppings, ceias ou preparação para a festa de ano novo. Em junho, pode-se assistir a amigos que vão a uma festa junina, por vezes organizada por uma Instituição que faça parte da trama. Nesses casos, a ficção acompanha o presente e os acontecimentos do dia a dia de quem a assiste, condicionada, mais uma vez, aos efeitos da temporalidade do mundo em que vive o telespectador.

Outro exemplo, mais ligado ao imediatismo imposto pelo tempo presente, ocorreu com a telenovela Morde e assopra, de Walcyr Carrasco, que iniciou sua história com um terremoto no Japão que destruía quase toda a cidade. Às vésperas da estreia, um terremoto real atingiu o Japão e abalou o país e o mundo, o que fez com que a trama inicial fosse repensada. Nesse exemplo, a decisão do autor foi de não mudar o acontecimento, pois influenciaria muitos outros fatos da trama, mas houve tempo de incluir no primeiro capitulo uma cena em que um dos personagens faz a leitura de um texto em homenagem às vítimas, o que exigiu rapidez da produção. O exemplo demonstra que, mesmo com o conhecimento público de que os capítulos são gravados com antecedência, a telenovela é influenciada pelos acontecimentos da rotina cotidiana. O traço da instantaneidade propiciada pela televisão é assunto de debate entre grandes pesquisadores, seja pelo efeito benéfico e democrático ou pelos malefícios de uma virtualização do tempo e do espaço. Nesse sentido, a instantaneidade à qual nos referimos não representa uma ligação com o ―mundo real‖, mas sim com o espaço ao vivo criado pela própria televisão. É o que Bucci (2002) chama de telespaço.

A instância da imagem ao vivo

Bucci fala sobre a existência de uma instância da imagem ao vivo inaugurada pela TV; a condição permanente de estar ao vivo a qualquer instante. Nas palavras de Bucci, ―O que está no ar, ao vivo, não são os acontecimentos, mas a instância na qual eles têm lugar. A televisão assim existe como o palco do mundo – e não é o mundo, mas o palco do mundo, quem existe ao vivo.‖ (2002:30) Assim, dá lugar a um novo espaço público: o telespaço, condicionado à ubiquidade e à instantaneidade. Essa condição reformula os padrões de

106 tempo e de espaço. O aqui está em todo lugar e o agora é o tempo de permanência do programa televisivo ou do anúncio publicitário. Mas esse agora é o agora da televisão, que serve de sede para a instância da imagem ao vivo.

Então, de acordo com os moldes que Bucci coloca para a instância da imagem ao vivo, o que importa é o agora da TV. Assim a notícia de uma explosão astronômica ocorrida há 13 bilhões de anos em alguma galáxia, quando descoberta hoje, torna-se notícia atual, presente, bem como uma estrela que vemos hoje pode já não existir: o ao vivo é o momento da notícia, na televisão. ―A TV, mesmo quando repete um programa, em videotape, torna-se uma instância ao vivo: permanentemente ligada. O mundo permanece ligado nela. Ou por ela.‖(2002:120)

Assim, as coisas acontecem na televisão, ela substitui o local físico. A sociedade desmaterializou seus espaços e materializou técnicas de comunicação com o único espaço possível: o telespaço. Dessa forma, também a telenovela pode ser inserida nesta instância. Mesmo que se considere o capítulo já gravado e editado, o momento de sua exibição representa o ―agora‖. A cena da morte do vilão, ou da revelação do assassino não é atuada,

(e) gravada e transmitida instantaneamente, ao vivo, mas reúne em torno da tela uma coleção de pessoas dispostas a ter acesso àquele conteúdo novo, que será exibido inédito. A condição de ineditismo que se aplica à massa, que se coloca aberta a receber aquele novo conteúdo, é unida pelo ideal de novidade, de curiosidade, de acesso àquele diálogo, casamento ou morte no instante em que estreia na televisão. É dentro da tela que se constrói o agora, e nesses termos, um capítulo inédito da telenovela representaria o ao vivo, exibido a um conjunto de pessoas que se reúnem no telespaço ao mesmo instante, com os olhares voltados para o mesmo objeto. A telenovela abraça a ―totalidade do agora‖ sobre a ―totalidade do espaço‖, e se uma esfera pública constitui uma arena de debates ―onde os indivíduos dialogam, onde se dá a formação de opiniões e vontades‖ ou ―tudo aquilo que pode ser entendido como um espaço acessível para sujeitos aptos a algum tipo de diálogo‖, a telenovela cria em torno de si esse espaço, constituinte do telespaço público: ―Eis o espaço público da contemporaneidade, dado pela instância da imagem ao vivo, que combina ubiquidade e visibilidade. Totais‖ (2002:30).

Segundo Bucci, ―a ubiquidade e a instantaneidade não são, porém, como crê o senso comum, características constitutivas de um duplo caráter de uma cobertura específica ou mesmo da

107 televisão, que a tudo quer testemunhar e narrar‖ (2002:125)..Elas são a marca do alcance do novo espaço público, o telespaço. Ele sim é ubíquo e instantâneo. A característica ubíqua, ou pervasiva, da telenovela é a perda das fronteiras espaciais. A televisão não é o limite da sua tela condicionada ao número de polegadas. O espaço está do limite para fora, a telenovela está em todo lugar: a receita da novela rural na mesa do lanche ou o tchai indiano antes de dormir; as home pages e os blogs de autores e personagens que invadem a internet; o figurino das cenas nos armários de cada cidadão. A ubiquidade da comunicação implica que ela esteja em todos os lugares, a qualquer tempo, dissolvida nos dispositivos de uso cotidiano, sem que o indivíduo tenha consciência disso. Maria Rita Kehl coloca uma boa metáfora: ―Enfim, ela [a televisão] funciona um pouco como a ficção do Grande Irmão de George Orwell, só que não está apenas nos olhando. Também está nos propondo.‖ (2004: 97).

Esta lógica da produção e do consumo de informação envolve a criação de novos espaços de comunicação e socialização. Este tipo de comunicação é característica do telespaço, que carrega em si a perda do ―aqui e agora‖. O atual espaço de diálogo não está nas ruas ou nas escolas, mas sim no ambiente virtual. Esse novo espaço para o fórum de compartilhamento da telenovela pode ser visto mais claramente ao pensarmos sobre a convergência midiática e o transbordamento do conteúdo televisivo para o ciberespaço, como veremos mais adiante. Mesmo sem a transmissão ao vivo o elemento da instantaneidade se torna uma característica da telenovela, que tem seu mérito e à qual podemos considerar um fator de qualidade.