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İhmal ve İstismardan Korunma Aile Eğitim Programının Özel Gereksiniml

Conforme visto nas propostas de Borges (2008) e Leal Filho (1997), o critério de qualidade na televisão por vezes se aplica ao sistema de TV pública. No entanto, o Brasil é um país de televisões eminentemente privadas. A maioria dos canais públicos do país é regional e não tem alcance nacional. O conceito intrínseco de TV pública determina que ela não tenha fins lucrativos e, portanto, que seu objetivo seja atingir o público como cidadão, não como consumidor, por meio de programas de interesses diversos e com cunho cultural, informativo e educativo.

A primeira TVpública do Brasil foi a TV Universitária de Pernambuco, inaugurada em 1968, com a intenção de levar educação para os 50% de analfabetos entre a população do estado. A programação não se resumia a aulas ou palestras da instituição de ensino, havia programas variados. Hoje, existem três tipos de televisão pública: as universitárias, que no Brasil somam mais de 40; as estaduais, que são cerca de 20; e as comunitárias, na casa das centenas. Os canais comunitários devem ser administrados por uma organização não-governamental e dar voz à comunidade, seja um bairro, grupo ou cidade. As estaduais são as que melhor correspondem ao ideal de TV pública por pertencerem ao Governo do Estado e, portanto, buscar cumprir o papel de educar e informar.

Segundo Antonio Achilis, pesquisador e presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec), a importância da televisão pública está, principalmente, no seu compromisso com a região onde se insere. Ela dá voz, por exemplo, a um repórter com sotaque diferente daquele do Sul e do Sudeste do país que é mostrado pelos canais de televisão comerciais, exemplifica.13 Programas como o Catalendas, da TV pública do Pará, que utiliza bonecos para abordar as lendas e as histórias populares do país, principalmente da Amazônia, formam o perfil da TV pública na região e ilustram o caráter cultural dessas TVs. No Acre, a TV Aldeia foi a primeira a transmitir, em 1990, a tradicional folia das escolas e blocos de rua da capital Rio Branco, até então ignorada pelos canais comerciais.

13Fonte: Revista Escola. Setembro de 2009. Qual é a trajetória das TVs públicas no Brasil? Disponível em:

http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/qual-trajetoria-tvs-publicas-brasil-499282.shtml. Último acesso: 15.05.2011.

91 Para Achilis, seria muito importante para os canais públicos a aprovação de uma lei específica para o setor. A última lei data de 1967 e determinava que os canais educativos transmitissem apenas aulas, seminários e conferências, pois os militares acreditavam que isso sanaria o problema de déficit de educação do país. Como essa lei não foi revogada, as regras sobre concessão, programação e manutenção das TVs públicas estão inclusas junto às dos canais comerciais. Achilis mencionou ainda o próximo passo das TVs públicas, que seria o de colocá-las na era digital. É o que tem sido feito com a TV Brasil.

Entre as TVs públicas estaduais do Brasil14 que produzem ficção, talvez a mais conhecida e cuja programação se aproxima do ideal intelectualizado de uma ―TV de qualidade‖ é a TV Cultura de São Paulo, por seu alcance em outros estados e pelo seu objetivo de oferecer uma programação educativa e de forte teor sócio cultural.

A TV Cultura inaugurou sua transmissão como TV pública em 1969. O primeiro programa veiculado foi Planeta Terra, seguido do boletim A Moça do Tempo. Além da programação de esportes, a emissora desde a grade inicial conta com a transmissão de assuntos ousados, discutidos em Jovem Urgente, atração apresentada por Paulo Gaudêncio e produzida por Walter George Durst. Esse programa se encaixa na acepção de qualidade proposta por Mulgan (1990), por estimular o debate público.

Em 1971 estreou Meu Pedacinho de Chão, dirigida por Benedito Ruy Barbosa, referida como a primeira telenovela educativa do Brasil e que foi exibida simultaneamente na TV Cultura e na Rede Globo. No ano seguinte, o clássico Vila Sésamo fez história na televisão brasileira, constituindo-se talvez no programa infantil de cunho educativo de maior sucesso. Anos depois, programas como Rá-tim-bum e a ficção Castelo Rá-tim-bum e Confissões de adolescente marcaram a emissora, demonstrando que é possível atingir elevados índices de audiência com programas de entretenimento educativos e que incitem o debate. Desde seu surgimento, esse tipo de programa sempre esteve presente na grade da TV Cultura, assim como documentários e transmissão de filmes Cult. Esse caráter faz com que se atribua, muito

14 O Brasil possui as seguintes TVs públicas estaduais: Aperipê TV, TV Aldeia Rio Branco, TV Antares, TV Brasil Central,

TV Ceará, TV Cultura - Belém, TV Cultura - Manaus, - TV Cultura SC, TV Cultura - São Paulo, TVE Bahia, TVE Maceió, TV Brasil Pantanal, TVE Paraná, TVE Vitória, TVE RS, TV Miramar, TV Palmas, TV Pernambuco, TVU João Pessoa, TV Universidade - Cuiabá, TV Universitária - Natal/RN, TV Universitária - Recife/PE, TV Universitária de Roraima, e Rede Minas.

92 frequentemente, qualidade à emissora paulista. Mesmo após esse bom exemplo, passaram-se anos até que fosse criada com grande investimento e apoio uma televisão pública nacional. A primeira emissora pública de alcance nacional do governo federal brasileiro é a TV Brasil, que estreou sua programação em dezembro de 2007 como um canal de TV Paga, e só um ano depois (dezembro /2008) foi inaugurada a transmissão em sinal aberto com tecnologia digital. No entanto, muitos problemas dificultaram a popularização do canal.

No primeiro ano de transmissões, os índices de audiência foram prejudicados principalmente pelo atraso da transmissão em canal aberto e pelo desconhecimento da TV Brasil pela população. O programa jornalístico Repórter Brasil chegou a 1,83% de share na aferição do Ibope; a programação infantil atingiu 4,5% e o Faixa de Cinema alcançou a média de 5% de share.

Embora ainda apresente dificuldades de sintonização, atualmente a TV Brasil está acessível via parabólicas, parabólicas digitais, TVs por assinatura de todo o Brasil e canais abertos nos estados do Maranhão, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo. Apesar da dificuldade de sintonização pela TV, a presença da TV Brasil na internet é expressiva: no site, com vídeos e facilidades de interatividade; no Twitter; num canal reservado que replica suas atrações; no Youtube e nos sites específicos para cada programa, interativos e lúdicos, com design relacionado às tramas, disponibilização de vídeos e indicação de informações adicionais às exibidas pela TV.

Em relação à programação, a TV Brasil busca seguir os moldes das TVs públicas internacionais e também das nacionais, apresentando na grade documentários, programas de entrevistas com personalidades intelectualizadas e jornalismo crítico. No que diz respeito à ficção, a emissora tem dado os primeiros passos. Como canal público, realiza produção de conteúdos por meio da abertura de editais públicos. Em 2010, foram produzidos os primeiros programas de ficção por meio de edital. Oito episódios pilotos que retratavam a vida de jovens das classes C, D e E, foram produzidos e exibidos para a mostra competitiva FICTV/Mais Cultura.15 Três desses pilotos resultaram em minisséries transmitidas em 2011: Brilhante Futebol Clube; Natália e Vida de estagiário. O fato de ser produção independente,

15 Títulos dos pilotos: Brilhante FC, Natália, Vida de estagiário, Elvis e o Cometa, Última Saída-A Passagem, Alfavela, Pulo

93 assim considerada por não concentrar a produção em empresas consagradas nem monopolizar os atores (como feito pela Globo), concede à ficção da TV Brasil ares mais democráticos. Outro marco da TV Brasil em 2010 foi o lançamento do canal internacional transmitido para América Latina, Estados Unidos, Portugal e África, que ressalta a tentativa de consolidação da emissora também em âmbito nacional. Antes, no entanto, é recomendável que conquiste seu espaço no próprio País.