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De acordo com Immanuel Wallerstein (1985) “o capitalismo é antes e acima de tudo um sistema social histórico”. Suas raízes remontam a Europa do final do século XV, quando começou a formar-se o mercado mundial e a estabelecer-se a divisão internacional do trabalho. Para o autor, a capacidade de acumulação de capital em países como a Inglaterra e a França possibilitou a expansão global das relações econômicas, integrando ao sistema,já no século XIX, tanto as potências industriais da época quanto as demais nações e regiões agrícolas do mundo (WALLERSTEIN apud MONIZ BANDEIRA, 2007).

No século seguinte (século XX), conforme acentuou Octavio Ianni (2011; 2000), o capitalismo continuou a desenvolver-secomo um modo de produção material e espiritual. Com o seu poder avassalador, influenciou e transformou importantes formas de organização do trabalho e de vida social, estabeleceu novas dinâmicas para as forças produtivas e continuou, entre muitas outras atividades, a fortalecer a lógica de concentração e centralização do capital.

Não resta dúvida que o seu desenvolvimento no decorrer de todos estes séculos tenha promovido importantes alterações na economia e na sociedade de forma geral. Não obstante, ressaltamos que é na contemporaneidadeque ele tem se revelado um inigualável produtor e propulsor de transformações nunca antes observadas em sua conformação, haja vista, as importantes análises elaboradas e discutidas por David Harvey (2008).

De fato, para o acadêmico marxista, o capitalismo do século XX tem apresentado indícios bastante claros de mudanças em sua configuração, pois “[...] são abundantes os sinais e marcas de modificações radicais em processos de trabalho, hábitos de consumo, configurações geográficas e geopolíticas, poderes e práticas do Estado, etc.” (HARVEY, 2008, p. 117).

Essas alterações, e outras manifestações mais de mudanças na economia política, encontram-se amplamente vinculadas ao que denomina como o fim da “longa onda expansiva” do capital (1945-1973), baseada no modelo “fordista-keynesiano”, e o surgimento

— a partir de 1973 — de uma nova fase flexível de acumulação (HARVEY, 2008). A passagem do fordismo ao modo de acumulação flexível estaria, assim, na raiz de um conjunto de transformações observadas na hodiernidade e que passou a afetar amplamente a política, a cultura e a sociedade, de um modo geral.

Para se ter uma ideia panorâmica que seja de tais alterações, de 1973 para cá,conforme sublinhou Harvey (2008, p. 146), vem se desenhando no conjunto das sociedades capitalistas uma radical reestruturação no mercado de trabalho com regimes e contratos mais flexíveis; surgiram novas técnicas e novas formas organizacionais de produção que permitiram uma aceleração no ritmo da inovação do produto e a redução do tempo de giro do capital; acentuou-se, também, o desenvolvimento técnico e científico e no campo das comunicações, entre outros, observou-se a ampliação dos processos de concentração do poder empresarial.Pois, como bem colocou o autor, “o controle do fluxo de informações”, “a espantosa concentração de poder econômico na edição de livros, na mídia e na imprensa” foi outra área de desenvolvimento de grande repercussão, uma vez que significou o aumento do poder das grandes corporações no domínio do marketing, da publicidade e do capital (HARVEY, 2008, p. 152).

Outrossim, uma visão importante que emerge do contexto de transformação do século XX e do contínuo processo de desenvolvimento do sistema capitalista é a globalização contemporânea. Nesse sentido, como acentua Ianni (2011, p. 55), “a história do capitalismo pode ser vista como a história da mundialização, da globalização do mundo”. Ela representa a dinâmica do capitalismo que principia em séculos anteriores, conforme já assinalamos, mas que na altura da contemporaneidade se intensifica e se expande; apresenta, fortes traços econômicos, políticos, sociais e culturais e vem acompanhando os ritmos de transformações da sociedade como um todo. Assim, está a impulsionar o projeto capitalistao mais longinquamente possível (IANNI, 2011; 2000).

Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a globalização tem transformado a presente realidade, pois, vive-se o momento da reprodução cada vez mais ampliada do capital com sua crescente concentração e centralização; do poder aviltante das empresas multinacionais, corporações e conglomerados transnacionais. Eles se constituíram, em grande parte, como os responsáveis pela “internacionalização do capital” (IANNI, 2000, p. 56-7) ou, de outro modo, pela “mundialização do capital”, na interpretação que faz François Chesnais (1996), ao se referir a ela como um novo ciclo do capitalismo, a partir de 1980, que tem na financeirização da economia o comando do novo estilo de acumulação capitalista, entre outros.

A globalização a qual estamos nos referindo, entretanto, caracteriza-se, em parte substancial, pelos avanços e transformações no campo da comunicação e da informação. Nesse sentido, Thompson (2007) mais que tem salientado para as importantes alterações que vêm se processando sobre os mass media, principalmente, apartir das últimas décadas do século XX. Pois, para o autor, as mudanças nas indústrias da mídia são o resultado de desenvolvimentos em dois níveis: no nível da economia política e no nível da tecnologia. Assim, observa:

As indústrias da mídia nas sociedades ocidentais são, em muitos casos, organizações comerciais ou quase comerciais, operando num mercado competitivo e sujeito a pressões financeiras e a incentivos de vários tipos; por isso, mudanças nas indústrias da mídia são, até certo ponto, respostas a imperativos econômicos e pressões políticas que afetam essas indústrias enquanto interesses comerciais. Mas as indústrias da mídia são, também, fortemente dependentes da tecnologia e da inovação tecnológica (THOMPSON, 2007, p. 253-4).

Acompanhando, dessa maneira, as mudanças que vêm se operando no âmbito da economia capitalista, Thompson observa que além dos processos de desregulamentação das indústrias midiáticas, vêm se tornando cada vez mais crescente a sua concentração, diversificação e globalização pelo mundo.

Neste ínterim, a sua desregulamentação, fazendo parte de um contexto mais geral do universo empresarial capitalista, significou uma tentativa no campo dos mass media em aumentar a competitividade e remover uma legislação que era vista como restritiva aos interesses comerciais. Esse processo foi, também, impulsionado pelo desenvolvimento de novas tecnologias na esfera das telecomunicações. Consoante o autor,

Com o progresso nos sistemas de transmissão por cabo e por satélite, os argumentos tradicionais sobre o número limitado de canais [...] começaram a ter menos peso. Essas novas tecnologias criaram a possibilidade de uma proliferação de canais de transmissão, de tal modo que as razões para restringir o direito de transmitir a um [...] pequeno número de organizações estritamente regulamentadas, começou a aparecer menos plausível. Ainda mais: as organizações comerciais foram inteligentes na exploração das novas tecnologias e pressionaram fortemente a favor de um referencial mais aberto em que pudessem trabalhar (THOMPSON, 2007, p. 266).

Assim, a tendência para a desregulamentação foi particularmente acentuada nas décadas de 70 e 80 no setor de difusão que, normalmente, se desenvolveu em um contexto de fortes controles estatais. Na Europa a difusão por rádio e televisão era estritamente regulada pelo Estado que concedia permissões às instituições difusoras, distribuía o alcance das ondas e controlava o conteúdo das transmissões.

Os argumentos comumente levantados para o estabelecimento e manutenção desta situação giravam em torno da existência de poucos canais a disposição e de que essa atividade era essencialmente pública e que uma vez tornada comercializável poderia gerar conseqüências danosas e perturbadoras a uma possível difusão descontrolada. Nos Estados Unidos, onde a desregulamentação foi tradicionalmente mais fraca, houve tentativas, no final da década de 1970, mas, sobretudo, na década de 1980, para diminuir os controles sobre a difusão do rádio e da televisão por meio da diminuição de exigências para transmissão de serviços públicos e permitir a veiculação de mais mensagens comerciais nos mass media (THOMPSON, 2007, p. 264-265).

Não obstante, conforme tem alertado Thompson, uma das principais críticas feitas aos processos de desregulamentação é que eles têm se tornado um caminho de aceleração da concentração das indústrias midiáticas. Pois, “ao abrir a difusão e as novas tecnologias à exploração comercial, a desregulamentação pode fazer com que os conglomerados da comunicação aumentem seu papel de dominação na nova economia global da informação e da comunicação” (THOMPSON, 2007, p. 266). O que, de fato, tem contribuído para a crescente concentração dos meios de massa em toda parte.

Argemiro Ferreira, jornalista de destaque nacional, em um importante trabalho, “As redes de TV e os senhores da aldeia global”, recolhido por Adauto Novais (1991) no livro “Rede imaginária” 16, observou como a dinâmica da concentração empresarial no ramo das comunicações apresentava-se já bastante promissora para o fim da década de 90. À época em que publicou seu artigo, salientava que os estudos e pesquisas já previam que até o fim da década de 1990 algumas poucas megaempresas controlariam as redes mundiais de informação e entretenimento, inclusive, já se constituíam elas, na época, em verdadeiros “senhores da aldeia global” 17.

Ferreira, nesse sentido, observava que os progressos tecnológicos nas comunicações por satélite e a cabo, aliados à onda de desregulamentação que passou a varrer o continente europeu, até então, sobre o poder dos monopólios estatais, começaram a abrir as brechas do sistema e permitir o estabelecimento das corporações gigantes a partir da Inglaterra.

A França privatizou sua principal rede pública, enquanto a Itália e a Alemanha reformulavam a legislação no campo das telecomunicações para permitir a criação de emissoras privadas, sustentadas pela veiculação de anúncios. Nos Estados Unidos, Thompson

16 Estamos tratando da primeira edição do livro organizado por Adauto Novais “Rede imaginária” pela Companhia das letras em 1991.

(2007) tem observado um quadro de concentração crescente das grandes corporações em diários, revistas, livros, televisão e filmes. Conforme aponta em livro, no inicio da década de 1980, 46 grandes corporações controlavam a maior parte desses meios, no final da década, o número de firmas controlando metade ou mais dos negócios tinha encolhido pela metade, de 46 para 23 (THOMPSON, 2007, p. 254-5).

No caso do Brasil, a importação do modelo norte-americano de informação e comunicação, especialmente no que se refere à televisão e, sobretudo, com a Rede Globo, estabeleceu certos vínculos a uma possível invasão das corporações estrangeiras. Entretanto, as regras constitucionais do país apresentavam certas dificuldades ao processo, uma vez que proibia a instalação de empresas internacionais em setores considerados estratégicos como as telecomunicações. De qualquer modo, houve inícios da presença estrangeira no país com os acordos da Globo com o grupo Time-Life. Inclusive, nunca é demais relembrar que Roberto Marinho, no processo de implantação da emissora e na construção de seu futuro império, contou com o apoio dos governos da época (Juscelino Kubitschek e João Goulart), principalmente, do regime militar (NOVAIS, 1991, p. 161).

Além da crescente concentração, as indústrias da mídia têm passado por um intenso processo de diversificação, isto é, expandido suas atividades para diferentes campos ou linhas de produção ou por meio da obtenção de companhias que operam nesses campos ou, ainda, investindo capital em novos desenvolvimentos. Conforme situa Thompson, quando a diversificação se dá em campos interligados (exemplo, editores adquirindo designers, empresas gráficas, etc.), tem-se aí uma boa estratégia para controlar os diversos estágios no desenvolvimento de um produto ou quando a diversificação envolve a expansão para setores não relacionados (exemplo, empresas do ramo midiático se expande no campo dos hotéis, restaurantes, etc.), busca-se, então, aumentar lucros, evitar crises econômicas ou mesmo declínio de certas atividades (THOMPSON, 2007, p. 257).

O que se tem observado, contudo, é que a diversificação das empresas midiáticas juntamente com a sua concentração, bastante operante até nos dias atuais, têm estimulado a formação dos conglomerados de comunicação que apresenta interesses numa variedade de indústrias ligadas à informação e a comunicação. Inclusive, os estudos sobre o universo midiático vêm apontando os nomes dos grandes conglomerados empresariaiscomo, por

exemplo, a tão mencionada fusão, lembrada por muitos analistas a respeito da Time Warner, resultado da junção da Time Inc. e Warner Communication em 198918.

O que, entrementes, é de maior necessidade salientar é que a globalização contemporânea tem estimulado uma nova dinâmica para expansão e fortalecimento das empresas, grupos e corporações envolvidos com os meios de comunicação. Não é à toa que Thompson (2007, p. 261) vem apontado para o fato de que “nas últimas décadas a globalização das atividades das indústrias da mídia assumiu novas formas, tornou-se muito mais ampla e com características de onipresença”. Isso significa que a mídia globalizada, vem se tornando mais poderosa e mais presente na maior parte do globo.

As indústrias da mídia vêm, assim, se integrando cada vez mais aos conglomerados da comunicação que são, também, cada vez mais transnacionais em termos de abrangência de suas operações. Essas empresas, também, vêm desenvolvendo um papel cada vez mais voltado para produção e exportação de bens midiáticos para o mercado internacional e que juntamente com os desenvolvimentos tecnológicos ampliou, em escala nunca antes vista, a difusão transnacional da informação e da comunicação.

Thompson, porém, nos alerta que a globalização dos mass media, não é algo novo, pois materiais impressos sempre puderam ser transportados de uma nação para outra, no entanto, a produção e a globalização tecnológica se acentuaram tanto nas últimas décadas que fizeram com que a presença informacional e comunicacional, na contemporaneidade, setornassem uma realidade para milhões e milhões de pessoas em todo mundo e isso tem representado o estabelecimento de novas formas de interação, novos relacionamentos e até mesmo novas condições de sociabilidade, pautada e engendrada pelos mass media.

Nesse sentido, no campo das tecnologias as mudanças observadas caminham em várias direções, pois como se sabe são muitas as transformações que se processaram e vêm se processando no interior dos meios de comunicação. Thompson tem apontado duas transformações fundamentais que atingiram, especialmente, o segmento da televisão e, obviamente, trouxeram conseqüências nas maneiras de transmissão e recepção de suas mensagens, são eles: o desenvolvimento do sistema a caboe a transmissão via satélite.

Trata-se de tecnologias que a partir da década de 1970 passaram a ser plenamente utilizadas e que, por conseguinte, foram responsáveis por ampliar a circulação das

18Sabemos, contudo, que não cabe a nós, pelo menos neste momento, a citá-los todos aqui ou detalhá-los em estudo, até porque muitos autores já fizeram isso com maior propriedade do que nós, é o caso do próprio Thompson (2007) e de inúmeros outros autores reunidos na publicação de Novais (1991), além, mesmo, de trabalhos mais atuais como Castells (1999), entre outros.

informações e da comunicação em todo mundo. Os cabos coaxiais e mais recentemente os de fibra ótica aumentaram grandemente a potencialidade da televisão em criar novos canais de difusão para programas televisivos.

Como se sabe, eles significaram uma maior capacidade de transmissão das mensagens que juntamente com os desenvolvimentos por satélites representaram um salto ainda maior na capacidade de transmissão das informações. Thompson (2007, p. 275-7), desse modo, elenca quatro grandes características advindas de tais tecnologias as quais, por nossas limitações, serão citadas rapidamente.

Assim, menciona que o desenvolvimento dos sistemas por cabos e satélites foram responsáveis por aumentar enormemente a capacidade de transmissão de material audiovisual, uma vez que “os sistemas tradicionais de difusão eram baseados num número limitado de canais de suprimento (em alguns casos apenas dois ou três)”; promovem, também, a ampliação de seu caráter transnacional de transmissão, isto porque “ao comunicar sinais via satélite, ampliam a disponibilidade do material audiovisual no espaço e ao mesmo tempo conservam o caráter virtualmente instantâneo da telecomunicação”.

Possibilitam, ainda, um conjunto integrado, cada vez maior, de serviços de comunicação e informação, já que “está associada [...] com o desenvolvimento de sofisticados sistema por cabo, empregando a tecnologia da fibra ótica, mas ela está ligada de maneira mais geral com a codificação da informação e comunicação numa forma digital” 19 e, por fim, essas tecnologias apresentam “a possibilidade de uma forma de comunicação mais personalizada e interativa”, no sentido de que fornecem aos receptores maiores possibilidades de escolhas na seleção dos canais e serviços e maior capacidade de transmitir mensagens próprias através do sistema20.

Sinceramente, embora estejamos nos concentrando no estudo dos meios de comunicação de massa, que é considerado por muitos como sendo “as mídias tradicionais” 21, sabemos, entretanto, que a “revolução da tecnologia da informação”, como bem assinala Castells (1999), tem apresentado avanços muito mais amplos do que se pretende até então. A

19 Thompson está se referindo a mudança de sistemas analógicos para sistemas digitais de codificação da informação, o que segundo sua avaliação, feita na década de 1990, ainda estava ausente na maioria das sociedades modernas (THOMPSON, 2007, p. 276).

20Thompson reconhece, entretanto, que o debate sobre a interatividade é coisa do futuro e que a maior parte da comunicação por cabo e satélite continua sendo, quase que totalmente, unidirecional (THOMPSON, 2007, p. 276-7).

21Expressão de Castells para se referir, mais especificamente, à televisão, o rádio e os jornais impressos. O autor considera os novos meios de comunicação como a internet, etc., sendo também meios de comunicação de massa, pois os vê com grande potencial de utilização em âmbito global. Ao contrário, entende não ser estes tradicionais, justamente, por apresentar uma capacidade real de interatividade.

rigor, tais transformações foram contempladas no que o autor entende por tecnologia da informação e da comunicação:

Como tecnologia, entendo, em linha direta com Harvey Brooks e Daniel Bell, “o uso de conhecimentos científicos para especificar as vias de se fazerem as coisas de uma maneira reproduzível”. Entre as tecnologias da informação, incluo, como todos, o conjunto convergente de tecnologias em microeletrônica, computação (software e

hardware), telecomunicações/radiodifusão, e optoeletrônica. [...] também incluo nos

domínios da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente conjunto de desenvolvimentos e aplicações. [...] Ao redor deste núcleo de tecnologias da informação [...] houve uma constelação de grandes avanços tecnológicos, nas duas últimas décadas do século XX, no que se refere a materiais avançados, fontes de energia, aplicações na medicina, técnicas de produção e tecnologias de transportes, entre outros. (CASTELLS, 1999, p. 67-8).

A revolução tecnológica com que nos fala Castells, surge nos Estados Unidos, na década de 1970, e desenvolve-se intensamente a partir de 1990. Essa revolução assenta-se fortemente no pilar das redes de computadores e da internet que juntamente com a telefonia móvel têm propiciado, à sociedade, meios para a realização de uma comunicação muito mais interativa. Com isso, um dos desafios que vem se apresentando em âmbito global é o da sua relação com os tradicionais meios de comunicação de massa.

Castells (1999), nesse sentido, nos chama a atenção para a tendência à interpenetração entre os meios de comunicação de massa, tradicionais, e as redes de comunicação baseada na internet. A confluência de diferentes tipos de comunicação tem feito com que a televisão esteja sendo transformada pela internet, muito embora “continue sendo o principal meio de comunicação de massa, por enquanto, mas a sua difusão e seu formato estão sendo transformados”.

Para se ter uma ideia razoável sobre tais processos, o autor chama atenção para o fato de que:

As mídias tradicionais estão usando blogs e redes interativas para distribuir seu conteúdo e interagir com a audiência, misturando modos de comunicação verticais e horizontais. No entanto, existem muitos exemplos em que as mídias tradicionais, como a TV a cabo, são alimentadas pela produção autônoma de conteúdo usando a capacidade digital para produzir e distribuir muitas variedades de conteúdo. Assim, a crescente interação entre redes verticais e horizontais de comunicação não significa que a mídia tradicional está dominando as formas novas e autônomas de geração e distribuição de conteúdo. Significa que há um processo de convergência que gera uma nova realidade midiática cujos contornos e efeitos serão, em última instância, decididos pelas lutas políticas e comerciais [...] (CASTELLS, 1999) 22.

De qualquer modo, o importanteaqui é registrarmos o conjunto das alterações que vem se produzindo no universo midiático. Pois, trata-se, antes de tudo, em perceber o quão avançado e presente são os meios de comunicação nas sociedades urbanas contemporâneas e o que isso pode e significa em termos de interações entre os homens. Até porque, como vimos, os meios de massa ganham relevância cada vez mais crescente e a televisão, ainda, sobressai, conforme Castells, como um veículo de grande centralidade social. Portanto, há uma necessidade em buscar entender mais sobre os meios de massa, o que faremos, agora,especificamente, como canais de transmissão de formas simbólicas.