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YEDİNCİ BÖLÜM 7. FRİG KÜLTÜR ÖGELERİ

7.4. Küçük Buluntular

7.4.4. Heykel Sanatı

Dois anos depois da privatização (ou “capitalização”) do patrimônio da YPFB, o governo de Sánchez de Lozada deu um novo passo no processo de desnacionalização do petróleo e do gás natural com a promulgação, em 30 de abril de 1996, da Lei de Hidrocarbonetos nº 1.689, aprovada pelo Legislativo, sem maiores objeções, a partir de projeto enviado pelo presidente. Essa lei trouxe duas mudanças extremamente polêmicas, que passariam a ser denunciadas pelos críticos da privatização como expressões mais evidentes da conduta “entreguista” dos governantes neoliberais em relação aos recursos naturais bolivianos. Na primeira dessas mudanças, a Lei nº 1.689 estabeleceu que a exploração e produção de hidrocarbonetos seria realizada exclusivamente por meio de empresas privadas (na realidade, estrangeiras), mediante contratos de “risco compartilhado”. A justificativa do governo boliviano era de que apenas as companhias petroleiras estrangeiras contavam com recursos suficientes para realizar os investimentos necessários (MARIACA, 2009, p.12). Esses contratos de “risco compartilhado” equivaliam aos contratos de concessão, tradicionais na indústria petroleira mundial desde o início do século XX, quando as empresas norte- americanas e europeias adquiriram o controle das ricas reservas em territórios coloniais e países dependentes e semicoloniais no Oriente Médio, Sudeste Asiático e América Latina. No novo marco jurídico adotado na Bolívia em 1996, os contratos assinados anteriormente pela YPFB com empresas privadas sob o regime de “associação” ou “operação” teriam de ser convertidos para a modalidade de “risco compartilhado”.

É importante assinalar que uma parcela significativa do setor de hidrocarbonetos da Bolívia tinha permanecido à margem da “capitalização”. A partir da Lei de Hidrocarbonetos nº 1.194, que iniciou a liberalização do setor petrolífero ainda no governo de Jaime Paz Zamora, diversas empresas estrangeiras tinham se instalado na Bolívia sob o regime de “associação”, como sócias da YPFB na exploração de reservas de gás natural e/ou petróleo. Essas empresas pagavam ao Estado uma taxa, denominada Impuesto a las Utilidades, equivalente a 40% sobre o lucro líquido (MARIACA, 2009, p.13). A produção era integralmente entregue à YPFB, que então calculava a remuneração das empresas

contratantes, depois de descontada a parte que cabia à estatal e os impostos devidos. Ao todo, 22 empresas operavam no país nessas condições, entre as quais a Petrobras, a francesa Total e a estadunidense Maxus.

A segunda das mudanças no marco jurídico dos hidrocarbonetos introduzidas pela Lei nº 1.689 se refere a uma nova classificação para as reservas de petróleo e/ou gás natural, ao estabelecer uma diferença entre os poços “novos” e os “existentes”. Trata-se de um critério de classificação inédito, sem precedentes na indústria petroleira em qualquer região do mundo. Por essa nova legislação, designaram-se como “novos” os campos de hidrocarbonetos que iniciassem a produção a partir da promulgação da lei, enquanto os campos classificados como “existentes” eram aqueles que já se encontravam em produção naquela data.

Para cada uma das duas categorias, passava a ser aplicado um regime fiscal distinto. Às empresas responsáveis pela atividade petrolífera nos campos “novos” caberia entregar ao Estado 18% do valor da produção –uma parcela extremamente reduzida, pelos padrões internacionais, e inferior aos 50% dos contratos que vigoravam desde a Lei de Hidrocarbonetos anterior, adotada no governo de Paz Zamora. Esses 18% deveriam ser calculados de acordo com a seguinte fórmula (MARIACA, 2009, p.13-14):

11% - Regalía44 Departamental (em benefício dos departamentos, ou seja, as províncias)

1% - Regalía Nacional Compensatória (em benefício do governo central) 6% - Participação devida à YPFB.

Já os campos “existentes” estavam sujeitos a um pagamento total de 50%, compostos pelos mesmos 18% aplicados aos campos “novos”, mais 19% a título de Participação Nacional e 13% de Regalía Complementar, essas duas últimas parcelas destinadas ao Tesouro nacional45. Observe-se que toda a perda de arrecadação recaiu sobre o orçamento do governo nacional, enquanto que as receitas obtidas pelos departamentos onde se situam as principais regiões produtoras permaneceram intocadas. Esse fato tem a ver com as estreitas relações entre o governo federal – especialmente nos mandatos presidenciais de Sánchez de Lozada, Hugo Banzer e Jorge “Tuto” Quiroga – e as elites políticas e econômicas do leste do país,

      

44 Palavra em espanhol equivalente a royalties.

45 Na realidade, a Lei nº 1.689 previa mais um imposto, o Surtax, adotado supostamente para compensar a perda de 32% na arrecadação do Tesouro Geral da Nação com a redução da cobrança tributária de 50% para 18%. O Surtax deveria ser aplicado aos “campos grandes”, no momento em que atingissem a sua “máxima capacidade”. O problema é que esse imposto jamais foi regulamentado (nunca houve, por exemplo, uma definição do que se entende por “campos grandes” nem por “máxima capacidade”), motivo pelo qual se tornou impossível de ser aplicado.

sobretudo nas províncias de Santa Cruz e Tarija, que abrigam as principais reservas de petróleo e gás natural.

Mas a Lei de Hidrocarbonetos nº 1.689 ainda recebeu mais uma correção jurídica, de modo a oferecer vantagens ainda mais generosas para os investidores externos, com a adoção, menos de dois meses depois, da Lei de Hidrocarbonetos nº 1.731, de 26 de junho de 1996. O novo texto legal alterava a lei anterior em um único ponto: o critério para a classificação dos campos petroleiros “novos” e “existentes”. Agora, só permaneceriam sob o título de “existentes” os campos em produção cujas reservas fossem classificadas como “provadas”, isto é, reconhecidas e medidas por alguma empresa certificadora internacional. Já os demais campos seriam considerados “novos”, ainda que se encontrassem em plena produção. A medida valeria também para as reservas a serem descobertas no futuro. Dessa maneira, cerca de 85% das reservas de gás natural em território boliviano – incluindo os campos que, operados por empresas estrangeiras, já exportavam sua produção – foram automaticamente classificados na categoria de “campos novos”, o que, na prática, significou uma redução da cobrança de seus impostos e taxas de 50% para 18%. Entre esses campos supostamente “novos” estavam as principais reservas gasíferas bolivianas então conhecidas – os campos de Margarita (operado pela espanhola Repsol-YPF), Itaú (pela francesa Total), e San Alberto e San Antonio (Sábalo), operados pela Petrobras.

Com a ampliação das reservas de gás realizada sob o estímulo do novo marco normativo e da perspectiva da exportação para o Brasil a partir da inauguração do gasoduto, em 1999, a proporção dos campos “novos” se ampliou de um modo espetacular nos anos seguintes, a tal ponto que, em 2002, apenas 2,4% das reservas gasíferas em produção na Bolívia eram classificadas como “existentes”. Um cálculo do Ministério dos Hidrocarbonetos feito em 2001, no governo de Jorge Quiroga, assinala que as perdas para o Tesouro Geral da Nação em consequência das modificações nas leis de hidrocarbonetos superaram, desde 1997 até aquela data, a quantia de 3.152 milhões de dólares (GANDARILLAS, 2008, p.75).

A partir da nova legislação, as empresas estrangeiras que já operavam na Bolívia antes da “capitalização” da YPFB (entre elas, a Petrobras) converteram seus contratos anteriores para a modalidade de “risco compartilhado” (concessão). Dessa forma, adquiriram uma posição privilegiada até mesmo em relação às empresas similares que participaram da privatização dos ativos da estatal boliviana. Enquanto essas tinham a obrigação de compartilhar seus ganhos com os cidadãos bolivianos devido à necessidade de entregar 48% dos lucros das “capitalizadas” Andina, Chaco e Transredes às Administradoras de Fundos de

Pensões (AFPs), as empresas “convertidas” (entre elas, a Petrobras) se limitavam ao pagamento de royalties no valor de 18% da produção – nada mais.

A profunda transformação do regime jurídico para os hidrocarbonetos operada no governo de Sánchez de Lozada se completou com o Decreto Supremo 24.806, promulgado em 4 de agosto de 1997, apenas dois dias antes de entregar a Presidência ao seu sucessor, Hugo Banzer.Em uma das decisões mais polêmicas da história boliviana recente, o presidente entregou a propriedade dos recursos petrolíferos às empresas estrangeiras a partir do momento da sua extração. Trata-se de uma medida que, na avaliação de muitos analistas, contradiz frontalmente a Constituição do país vigente na ocasião (VILLEGAS, 2004, p. 73; MARIACA, 2009, p. 17). O Decreto Supremo 24.806 mantém a norma jurídica segundo a qual o Estado é proprietário das reservas de gás natural, mas estabelece que isso só é válido enquanto elas se encontram embaixo da terra. De acordo com a nova lei, essas mesmas reservas se tornam propriedade das empresas contratantes (na prática, as transnacionais) no momento da lavra (“boca de poço”), isto é, quando afloram à superfície durante o processo de produção. Na avaliação de diversos críticos, como Carlos VILLEGAS (2004, p.73), que se tornaria a principal autoridade responsável pelos hidrocarbonetos no governo de Evo Morales,

[...] el gobierno de Sánchez de Lozada, al conferir los derechos de propiedad de los hidrocarburos a las empresas petroleras, vulneró la estructura institucional o pirámide jurídica nacional porque, en primer lugar, el decreto nº 24806 contradice plenamente el Artículo 139 de la CPE46 y, en segundo lugar, porque la Ley 1.689 les concede a los

contratistas plena libertad para la comercialización, el transporte, la refinación y la exportación de hidrocarburos. En términos aún más concretos, el mencionado decreto y la citada ley permiten la apropiación del excedente hidrocarburífero por la parte de las empresas petroleras y condenan al Estado a percibir, únicamente, los beneficios que provienen de los impuestos y tributos”.

5.6. Os benefícios obtidos pela Petrobras com a polêmica reclassificação das