1. BÖLÜM
1.2. HALKEVLERĠNĠN KURULUġU VE GELĠġĠMĠ
1.2.3. Halkodaları
DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS
Numa perspectiva de desenvolvimento do sénior, os múltiplos contextos de vida das pessoas influem no processo de aquisição e desenvolvimento de competências em que diferentes combinações de processos e modalidades de aprendizagem se articulam – formais, não-formais, informais. A US não se resume ao simples desenvolvimento dos conhecimentos dos séniores, mas deverá também formalizar esses mesmos saberes.
As competências não são constructos estáticos mas antes constroem-se e desenvolvem-se nos diversos contextos de educação/formação; ao longo do percurso de vida do sénior. Estas desenvolvem-se na inter-relação entre os diferentes contextos de vida, de uma forma progressiva, contínua ou descontinuada. O conceito de “construção” de competência distingue-se do conceito de aquisição passiva, defendido pelas correntes mais tradicionais. A construção de competências é um processo progressivo e a experiência assume um papel preponderante na consolidação dos saberes. Com uma base construtiva, o processo assenta no sénior enquanto actor, na sua formação e no seu próprio percurso de projecto de vida.
125 Enquanto “construção social”, Aubert et al. (1993) propõem uma definição de competência operacional ou “construção” que tem como objectivo:
- A pessoa que realiza a actividade, como forma de observação e não na actividade, mesmo que esta possa constituir o ponto de partida;
- Numa abordagem desenvolvimentista pode estimar-se a sua evolução, a partir das informações disponíveis;
- Enquanto integração de componentes diversas, a actividade humana não se pode resumir a um simples somatório de saberes (saber, fazer, estar) identificados á priori; existem trocas sociais que suportam o reconhecimento e a identificação social das competências.
- Enquanto construção social, os autores designam a competência como algo “que define as capacidades das pessoas, com um carácter preditivo, integrando diferentes modalidades que podem ser identificáveis e utilizáveis em diferentes contextos de gestão” (Aubert et al. 1993, p.74).
Jean-Yves Trépos (1992) evidencia o carácter social construído dos saberes em que o contexto exerce a sua influência em termos pessoais e sociais. Turkal (1998) concebe a dinâmica de construção das competências na articulação entre as aprendizagens adquiridas formalmente e o percurso existencial do sujeito.
Após uma breve inclusão pelos principais campos disciplinares, que influenciam e sustentam o conceito de competência, concluímos que este, longe de ser um conceito que envolva consenso, é visto como um conceito com diferentes significados e em desenvolvimento sistémico que coloca em evidência a articulação entre a dimensão individual e colectiva subjacente à competência.
Partindo de uma dupla perspectiva, este conceito reúne, segundo alguns seguidores que consideram a competência enquanto resultado, como produto de um processo de aprendizagem, enquanto, que, outros consideram o seu carácter nunca finalizado ou finalizável, dado se encontrar em construção permanente.
Esta perspectiva do desenvolvimento que considera a competência enquanto fenómeno em constante construção e transformação é a que parece merecer uma maior relevo no campo da educação-formação dos séniores.
126 Embora a aquisição de conhecimentos, a nível teórico e disciplinar, seja parte integrante do processo de desenvolvimento de competências, não se lhe fica reduzido na medida em que os saberes adquiridos são de diferentes naturezas e ocorrem ao longo de todas as experiências de vida. Embora não possamos minimizar o facto de, no âmbito educativo, este ser o modelo ainda hoje mais largamente utilizado considera-se que a sua aplicabilidade pode ter diferentes apropriações.
No processo de aprendizagem e educação dos séniores e também no desenvolvimento de novas competências, o aspecto reflexivo constitui um factor de importância relevante. Assume tanto mais importância na medida em que se interrelaciona com a acção e com o facto de esta ser tida em conta em todo o processo, nomeadamente na criação de situações que permitam um maior realce de aspectos valorizadores e facilitadores de situações de aprendizagem.
Baseada na lógica da flexibilidade e reconversão permanente, o conceito de competência emerge como uma exigência de polivalência por parte do sénior, conforme refere Pires (2002), que considera a existência de alguma proximidade e diferença entre os conceitos de qualificação experimental e competência. A proximidade é considerada na medida em que ambas se reportam às situações da pessoa e à modificação dos conteúdos dessas situações.
No âmbito das chamadas “competências genéricas” (Casanova, 1991, p. 70) salienta que determinadas características pessoais da ordem do saber ser, atitudes e comportamentos adquiridos e desenvolvidas em diferentes contextos, partem do que é vivenciado e experienciado pelos séniores. São as competências necessárias ao seu quotidiano que estes requerem, não lhes bastando, apenas, os factores que advém da ordem do conhecimento aprendido na escola.
“A não implicação com o exercício de uma determinada situação e o carácter de transferibilidade das competências permitem que se possam aplicar a situações diversas, não obstante terem sido adquiridas em diferentes situações de vida” (Casanova, 1991, p. 125).
Denominadas como “competências transversais”, em 1988 a OCDE e o Ministério do Trabalho dos Estados Unidos, a partir do Simpósio sobre “As inovações na aprendizagem e na formação”, propõe a identificação e reconhecimento de competências não técnicas, identificadas como lacunas, por parte dos trabalhadores. Ao
127 serem identificadas como essenciais, levaram à elaboração de uma listagem de “capacidades-chaves transversais”, divididas em sete categorias:
Eficiência de organização/liderança; Capacidade de negociação, de comunicação, de trabalho em equipa; Auto-estima, espírito ganhador; Pensamento criativo, ser capaz de resolver problemas; Comunicação escrita e oral; Ler, escrever, calcular; Aprender a aprender.
Num contexto de adaptação permanente a novas situações, desenvolve-se o conceito de “atitude de autoformação”, como sendo a “competência chave da formação contínua”. Tal leva a que cada sénior seja capaz de fazer um exame crítico duma situação e, numa atitude compreensiva, julgar os acontecimentos e orientar as suas actividades.
Aubrun e Orafiamma (1990, pp. 7-8) introduzem o conceito de “competências de 3ª geração”, no sentido de que para além das capacidades intelectuais do sujeito existe uma “3ª dimensão do comportamento da pessoa” onde se integram o saber ser, atitudes sócio afectivas e características pessoais.
Segundo as autoras, a aquisição e desenvolvimento destas competências dependem da aprendizagem através experiência. As quatro categorias consideradas contemplam:
Comportamentos profissionais e sociais, que estão ligados a tarefas concretas e ao comportamento expresso, num determinado contexto social;
Atitudes, numa trilogia afectiva, emocional e cognitiva integram o indivíduo dando lugar a concepções próprias e a comportamentos específicos que resultam numa certa forma de encarar o mundo. Não estão ligadas a nenhuma tarefa específica, mas são genéricas/transversais, não se encontrando adaptadas a um contexto cultural determinado;
Capacidades criativas, associadas à utilização da imaginação, intuição e improvisação, no sentido de se ultrapassar a si próprio e ao carácter imprevisível das situações;
Atitudes existenciais e éticas; enquanto actor social, o individuo, a partir do seu vivido, projecta-o em termos culturais e sociais, analisando uma perspectiva crítica o
128 que vivenciou, transformando-o na construção de um projecto pessoal e na capacidade de autoformação e de pesquisa (Aubrun & Orafiamma, 1990, pp. 22-33).
Considerando a competência como um processo dinâmico, construído ao longo da vida e fazendo apelo à experiência do sénior, através de um percurso pessoal, social, educativo e profissional o campo da formação de séniores centra a abordagem das competências na pessoa e as aprendizagens adquiridas ao longo da vida, numa perspectiva de valorização do individuo e da sua história única. Valoriza-se a formação do individuo em toda a sua amplitude no âmbito de um conjunto de saberes utilizados em situações concretas, considerando os campos formais e informais, pelos quais o sénior passa.
A competência engloba em si dimensões como autonomia, adaptabilidade, flexibilidade, criatividade e responsabilidade, que torna o sénior agente do seu próprio destino, capaz de tomar decisões e de agir “saber-fazer” esclarecidamente “saber ser”, numa dialéctica construtiva eu-mundo, eu-outro “saber-agir”.
O modelo das competências pode constituir um excelente caminho para que o desafio da aprendizagem ao longo da vida possa vir a resultar num futuro com dignidade para todos.