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1. BÖLÜM

1.1.1. Örgütlenme Ġhtiyacının DoğuĢu

DA VIDA

Considerar que, os séniores têm o direito à educação remete para uma concepção de educação que se não restrinja à etapa da infância e juventude e que não se submeta só a critérios de empregabilidade e ao sistema produtivo.

As razões que justificam as actividades educativas terão de ser, sobretudo, de natureza educativa, cultural, social e cívica facultando à pessoa o acesso à cultura e ao conhecimento, assente na ideia de educação como bem de e para todos, concretizado num direito social que assiste a todos os cidadãos, sem distinção de idades. Caracterizado deste modo trata-se de uma maneira de conceber a educação que vai ao encontro da perspectiva de aprendizagem ao longo da vida, tal como é entendido, como

101 “um processo contínuo que, desde o nascimento à morte, se confunde com a construção da pessoa” (Canário, 1999, p.88).

A ausência de um projecto de educação/formação e aprendizagem ao longo da vida que abranja todas as faixas etárias e não se encerre com a obtenção de um diploma ou manutenção da adaptabilidade ao mercado de trabalho, mostra a funcionalidade da educação frente ao sistema produtivo: “Quando nos questionamos o porquê da educação formal se restringir apenas às fases iniciais da vida humana, não há como negar o seu carácter funcional frente ao sistema produtivo. Apesar da resistência dos pedagogos em aceitar essa realidade, é inegável que o sistema educativo é não só pré-determinado como também subjugado pelo sistema produtivo, na sociedade capitalista. Na verdade, a exclusão da velhice da esfera produtiva justifica a sua exclusão, também, do sistema educativo” (Peres, 2005, p. 24).

Assim a alfabetização de séniores ou num sentido mais alargado a educação de adultos, torna-se um aspecto marginal da educação na medida em que não tem aplicação directa no mercado de trabalho.

“Ao se tentar responder ao problema de desemprego e de uma das suas possíveis consequências – a exclusão social – através de uma aprendizagem ao longo da vida, origina-se outro tipo de exclusões para com os mais séniores, como seja o direito à educação e à cultura” (Veloso, 2004, p. 192).

As instâncias internacionais reconhecem essa situação e têm chamado a atenção para a discriminação de que os séniores têm sido alvo em matéria educativa. Para alcançar os objectivos da Década das Nações Unidas Para a Alfabetização, sob o lema da Educação para Todos que engloba todas as faixas etárias frequentando ou não a escola, os programas de alfabetização devem abranger a totalidade do ciclo de vida.

“A Alfabetização para Todos concentra o seu foco num espectro de grupos prioritários. Entre os grupos prioritários, alguns, em situação de maior desvantagem, exigem atenção especial, principalmente as minorias linguísticas e éticas, as populações indígenas, os migrantes, os refugiados, as pessoas portadoras de deficiência, os idosos e as crianças em idade pré-escolar” (Annan, 2003, p. 56).

A passagem do plano das intenções às acções tem sido pouco conseguida concretamente na situação portuguesa. Pode dizer-se que a política educativa para o grupo dos séniores é, na verdade, uma não política pois o estado abstém-se de a

102 considerar em medidas concretas. “Apesar de cada vez mais serem reconhecidas em diferentes instâncias os problemas que afectam os séniores e a necessidade de se intervir em diferentes campos, como o educativo, de modo a assegurar e a concretizar os direitos das pessoas séniores nessas matérias, ainda não se conseguiu passar das declarações de intenções para a concretização de políticas e das respectivas medidas” (Veloso, 2004, p. 188).

A sociedade com os seus grandes desafios, nos seus múltiplos contextos, suscita um contínuo reforço das capacidades e competências dos séniores. Nesta perspectiva, a educação dos séniores é encarada com um meio privilegiado, para que, “as sociedades como os cidadãos possam estimular, dirigir e controlar as mutações estruturais dos modos de regulação económicas, políticas e sociais das sociedades. Ela diz respeito, em primeiro lugar, à autonomização dos adultos à sua qualificação e à sua capacidade para conduzir à mudança” (Bogard, 1991, p. 8).

O ser humano está continuamente a aprender, sendo a aprendizagem simultaneamente um objectivo e uma necessidade. Um objectivo porque as circunstâncias da vida assim exigem para que socialmente possa sobreviver. Para que se adaptar às mudanças, e para ser, ele o próprio, promotor das suas capacidades, do desenvolvimento, das suas competências, do conhecimento e do seu projecto de vida.

Se falarmos em educação ao longo da vida referimo-nos de alguma forma, também, à necessidade de realizarem continuamente aprendizagens que visam o enriquecimento dos valores individuais e comunitários. “Não podemos estipular uma idade/tempo para a educação e outra para a vida activa/trabalho” (Jacques Delors et al. 1998, p. 13).

Aprender a Aprender será a melhor estratégia de participação social na perspectiva de que a educação faz parte do próprio projecto vida. Daí que aprender ao longo da vida seja uma exigência imposta por uma sociedade em rápida transformação como é a actual. Neste sentido os autores acrescentam ainda, que para este processo devem contribuir “todas as ocasiões, todos os campos da actividade humana, a fim de fazer coincidir a realização pessoal com que a participação na vida em sociedade. E a educação de compartimentada no tempo e no espaço torna-se então, uma dimensão da própria vida” (idem, 1998, p. 101).

103 Se o conceito de educação ao longo da vida presente no relatório de Jacques Delors, surge segundo o mesmo “como condição de desenvolvimento harmonioso e continuo da pessoa” (idem, 1998, p. 75) então estamos perante uma concepção de educação que valoriza os aspectos éticos, culturais, sociais e educativos de educação, o conhecimento de si mesmo e do seu meio, a competência para conviver com os outros, para ser cidadão. Tudo isto inclui a educação numa perspectiva flexível, diversificada e acessível. Que efectivamente proporcione aprender a aprender, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos. Permite ainda que sejam os séniores os autores das suas escolhas, opções e decisões do seu projecto de vida.

Reconhece-se, nesta perspectiva que a educação ao longo da vida apresentado no relatório supra citado, evidencia a necessidade de viver juntos, nesta aldeia global em cada um e em todos, os momentos da existência. Assim também o desenvolvimento dos séniores rurais, com uma história própria e a viverem num contexto específico, exige mudanças e adaptações constantes, que desafiam a participação e a criatividade dos cidadãos e das instituições, na sua aprendizagem ao longo da vida.