4. BULGU VE YORUMLAR
4.5. Haber Konusu-Türünün Kanal, Spor Dalı ve Kayıt Dönemine İlişkin
Quanto mais cedo a criança surda é exposta à aquisição de uma linguagem, melhor é seu desempenho (QUADROS, 1997). Pesquisando o desempenho de crianças surdas com narrativas, na Nicarágua, Morgan e Kegl (2006)2
citado porQuevedo (2013), concluíram que crianças surdas expostas à língua de sinais antes dos 10 anos de idade desempenham tarefas de forma significativamente melhor do que crianças surdas que adquiriram a linguagem depois dos 10 anos. Logo, o surdo pode ter o desenvolvimento cognitivo semelhante ao ouvinte, se adquirir e internalizar a sua língua natural, a língua de sinais, desde seus primeiros anos de vida.
Fernandes (1990) estudou os problemas linguísticos e cognitivos dos surdos. Para a autora, a
ausência de linguagem pode provocar um atraso na aquisição de vários aspectos cognitivos, não devendeo ser interpretado como incapacidade intelectual. As vertentes oralistas, contrários ao uso da LS, propõem o aprendizado da língua oral como forma de conduzir os surdos a um processo de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo natural.
Meirelles e Spinillo (2004) realizaram um estudo de análise da coesão textual e da
estrutura narrativa em textos escritos por adolescentes surdos. Neste estudo, apresentaram diversas pesquisas realizadas envolvendo aspectos comparativos de habilidades para leitura e escrita entre surdos oralizados, surdos usuários de Libras e ouvintes. As autoras ressaltam que “o potencial intelectual dos surdos é considerado normal, embora seu desempenho seja limitado pela privação de ferramentas linguísticas”.
Os aspectos relacionados à competência linguística de uma pessoa surda em Libras (L1) ou Língua Portuguesa (L2) envolvem o grau de surdez, a idade em que ocorreu e o estágio do diagnóstico da surdez (SACKS, 2010). Sacks (2010) classifica os graus de surdez como: surdos com dificuldades para ouvir, seriamente surdos, profundamente surdos ou totalmente surdos.
Northern e Downs (2005) classifica os graus de surdez como profunda e severa. Para os autores,
surdos profundos são aqueles que apresentam perda auditiva acima de 90 dB NA. Assim, só irão escutar sons acima de 90 dB, como os sons produzidos por motocicletas, caminhões,
2 MORGAN, G.; KEGL, J. Nicaraguan sign language and theory of mind: The issue of critical periods and
helicópteros, turbinas de avião entre outros. Surdos severos apresentam perda auditiva de 50 a 70 dB NA. Escutam sons fortes como latido do cachorro, avião, caminhão, serra elétrica, e não são capazes de ouvir a voz humana sem o auxílio de uma prótese auditiva. Tanto os surdos profundos quanto severos necessitam de apoio especializado para desenvolver a linguagem e a fala, associado à intervenção precoce e uso de aparelho auditivo. Em relação ao período em que ocorreu, a surdez é classificada por Sacks (2010), Momensohn Santos e Russo (2005),
Northern e Downs(2005) como surdez pré-lingual e pós-lingual3
.
Uma pessoa que nasce surda ou fica surda antes de aprender a língua terá uma surdez pré-linguística (ou pré-lingual). Por outro lado, se a surdez ocorreu após o aprendizado da língua, sua surdez será pós-linguística (ou pós-lingual). Sacks(2010) relata parte da história contida no livro Deafness, do poeta e novelista sul-africano David Wright, que ficou surdo aos sete anos de idade.
Tornar-me surdo na época em que me tornei - se a surdez tinha de ser meu destino - foi uma sorte extraordinária. Aos sete anos de idade, uma criança provavelmente já compreende os fundamentos da língua, como eu compreendia. Ter aprendido naturalmente a falar foi outra vantagem - pronúncia, sintaxe, inflexão, expressões idiomáticas, tudo foi adquirido pelo ouvido. Eu possuía a base de um vocabulário que poderia ser ampliado sem dificuldade com a leitura. Tudo isso me teria sido impossível se eu tivesse nascido surdo ou perdido a audição mais cedo (SACKS,2010, p. 17 e 18).
SegundoNorthern e Downs (2005), os surdos pré-linguais sofreram a perda auditiva no período pré-natal ou antes do desenvolvimento da linguagem e nunca tiveram acesso à fala. Por outro lado, os surdos pós-linguais sofreram a perda auditiva após três ou quatro anos de idade e tiveram algum tipo de acesso à fala. Estes autores observam que, nos surdos pós-linguais, a deficiência linguística é menos grave do que nos surdos pré-linguais.
Na surdez congênita há “privação de informações” aos sujeitos, que são menos expostos ao aprendizado incidental que se dá na escola, no meio familiar e social de forma global; os conteúdos informacionais são pobres em comparação a experiência ouvinte; investe-se mais no ensino da fala para as crianças surdas do que na transmissão de informações, cultura, habilidades complexas ou qualquer outra coisa (SACKS, 2010). De acordo com a educação recebida em sua infância, o surdo corre o risco de ficar privado da linguagem. Para Sacks
(2010), esta privação é “terrível”, pois é apenas por meio da língua que se entra no estado e cultura humanos, que se comunica livremente, adquire e compartilha informações.
Os surdos foram considerados “imbecis” ou “não educáveis” por muito tempo, conside- rados como pouco capazes de realizar as capacidades intelectuais (SACKS, 2010). O autor apresenta as consequências da situação de pessoas com surdez pré-linguística, antes de 1750: incapazes de desenvolver a fala e, portanto, “mudos”; incapazes de se comunicar livremente até
3 Alguns autores adotam a terminologia pré-linguística ou pós-linguística. Em nossa pesquisa, optamos por
2.5. Os surdos e suas relações com a linguagem 75
mesmo com seus pais e familiares, restritos a alguns sinais e gestos rudimentares; privados de alfabetização e instrução; forçados a fazer trabalhos desprezíveis; destituídos de conhecimento e pensamento; impossibilitados de qualquer comunicação ou medidas reparadoras. Essa situação revela o sofrimento dos surdos ao longo de sua trajetória por anos no século XVI, e que permaneceu nos séculos seguintes. Infelizmente, eles ainda sofrem atitudes preconceituosas e equivocadas em sua educação ou em situações sociais, por esta ausência de reconhecimento de sua língua.
As características das Línguas de Sinais baseiam-se em aspectos visuais das mãos, do corpo, das expressões faciais denominados parâmetros das Línguas de Sinais. Logo, por suas características as línguas de sinais e Libras (no Brasil) não necessitam de audição para ser adquirida (BERNARDINO, 2000). Contudo, o que se tem evidenciado por muitos anos é a inserção do surdo em seu ambiente familiar caracterizado pela oralidade, ou seja, comunicação pela língua oral, em nosso caso, a LP. Como uma criança surda pode se comunicar em língua oral se ela não pode ouvir? Esse questionamento pautou muitas discussões entre as correntes que defendiam a importância da LS para os surdos desde os primeiros anos de vida (visão sócio-antropológica); e outra corrente que defendia que os surdos deveriam aprender a falar, através de técnicas desenvolvidas por fonoaudiólogos, que caracterizam o oralismo (visão clínico-terapêutica). Goldfeld (2002) explica que o oralismo é uma proposta que busca o desenvolvimento exclusivo da língua oral pelo surdo, para que ele se integre na comunidade ouvinte. Para atingir esse objetivo, existem diversas metodologias de estimulação do resíduo auditivo, com a utilização da prótese auditiva, a leitura orofacial e a fala.
A partir desta visão clínico-terapêutica (modelo clínico patológico), em que os surdos são vistos como deficientes (doentes, incapazes), deve-se oferecer recursos para que eles possam se aproxima da “normalidade” ouvinte. Uma delas é o desenvolvimento da língua oral e a leitura orofacial pelos surdos. Já a visão sócio-antropológica da surdez (assumida nesta tese), considera os surdos como pessoas capazes, com uma cultura própria e ressaltam a importância da LS como uma língua natural dos surdos. Em consequência do contexto histórico-social da surdez, a visão clínica predominou por 100 anos (1860-1960), e ainda exerce muita influência na educação até hoje, sendo dado pouca ou nenhuma ênfase ao aprendizado de LS pelos surdos. Em relação às LS, somente a partir de 1960, quando Willian C. Stokoe, um linguista americano, iniciou sua pesquisa em Língua de Sinais Americana (ASL), foi comprovado que as línguas de sinais se decompunham em partes menores (fonemas), e apresentavam diversas semelhanças com línguas orais, logo se configuravam como língua. No Brasil, o reconhecimento da Libras como língua, em 2002, contribuiu para um outro olhar mais ampliado e respeitoso para os surdos e sua cultura, reconhecendo também a sua L1 como Libras e a LP com sua L2.