ULUSAL SORUMLULUKLAR
DÜNYADA KORSAN YAZILIM KULLANIM
3.6 Dünyada Yazılım Sektörü
3.6.2 Gelişmekte Olan Ülkelerde Yazılım Sektörü
Jesus, discutindo com seus opositores judeus, surpreende pela interpretação que dá do ―sacrifício‖ de Isaac58, pois segundo Jesus, a fé de Abraão consiste na recusa em matar seu
filho Isaac, rebelando-se contra uma lei que exige um assassinato. Libertando-se desta lei, descobre o Deus, ―cuja lei é lei para a vida‖. Por isso, Jesus pode acusar de falsidade os judeus que se declaram filhos de Abraão, mas que atuam como filhos da lei que mata: ―Se fosseis filhos de Abraão, praticaríeis as obras de Abraão. Vós, porém, procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isso, Abraão não o fez! Vós fazeis as obras de vosso pai!‖ (Jo 8, 39-41) (HINKELAMMERT, 1998, p. 46).
Jesus, no evangelho de João (8, 39-41), interpreta o mito do sacrifício de Isaac em chave não sacrificial: Abraão não mata o filho Isaac, pois esse sacrifício é um assassinato. Afirma sua liberdade diante de uma lei que mata e descobre que a lei de Deus é para a vida, dessa forma, Abraão se liberta.
Se Deus não exigiu o sacrifício de Isaac e não quis transformar Abraão em um assassino, para o evangelista João, Deus-Pai, também, não pode exigir o sacrifício de Jesus. Esta mensagem cristã ―recusa toda sacrificialidade. O sacrifício é assassinato‖ (HINKELAMMERT, 1998, p. 46).
As obras de Abraão, portanto, expressam a promoção da vida, recusando qualquer assassinato. Numa outra cena descrita no Evangelho de João (Jo 10, 22-39), alguns judeus que se encontram no templo querem apedrejar Jesus não ―por causa de uma boa obra, mas por blasfêmia, porque sendo apenas homem, tu te fazes Deus‖. A resposta de Jesus expressa, resumidamente, o sentido da sua missão, segundo a visão de João (Jo 10, 34-36):
58 A questão central do mito do sacrifício de Isaac está em compreender o motivo pelo qual Abraão não matou
seu filho. A narração deste mito se encontra em Gênesis 22, 1-19. Segundo a lei, o pai devia sacrificar o primogênito a Deus. Abraão parte com o filho Isaac em direção à terra de Moriá; lá, sobre uma montanha oferecerá em holocausto Isaac. Chegando ao lugar que lhe foi indicado por Deus, obedientemente, Abraão constrói o altar e dispõe a lenha sobre a qual coloca o filho, amarrando-o. Antes de imolar seu filho, Abraão é chamado do céu pelo anjo de Jahweh que lhe ordena não fazer algum mal ao menino. Abraão não mata Isaac e, depois de descer da montanha, não volta mais para o lugar onde vivia, mas sim para Bersabéia, onde residiu.
Não está escrito em vossa lei: Eu disse: sois deuses? Se ela chama deuses aqueles aos quais a palavra de Deus foi dirigida – e a escritura não pode ser anulada – àquele que o Pai santificou e enviou ao mundo, como dizeis que blasfema por haver dito: Eu sou Filho de Deus?59 (apud HINKELAMMERT,
1998, p. 50).
O fato de Jesus citar o salmo 82 – salmo dirigido aos juízes, considerados autoridades importantes da sociedade judaica daquela época – faz com que o coração dos seus opositores se endureça ainda mais. Com o título de Filho de Deus, Jesus não se coloca numa situação privilegiada diante de todos os outros seres humanos que não o são – como teria feito o imperador que atribuía, unicamente, a si mesmo o título de Filho de Deus –.
Jesus estende a todos os seres humanos esse título, negando toda a legitimidade da autoridade que se considera válida por si só. Diante da lei que não é para a vida dos pobres, dos necessitados, perde de legitimidade a autoridade dos juízes, dos sacerdotes e fica profundamente questionada a própria autoridade imperial. Trata-se de um ataco frontal a qualquer poder entregue ao formalismo de sua lei, como instância absoluta de legitimação.
―Esta instância de legitimação não pode ser senão o sujeito vivente, que é sujeito necessitado e que tem o direito de rebelar-se, se a lei não lhe deixa lugar para viver‖. As autoridades de um Estado de direito encontram sua legitimação reconhecendo o sujeito vivente como instância legitimadora (HINKELAMMERT, 1998, p. 55).
Quem é Deus, então, se todos os seres humanos são desuses? Para Hinkelammert, é em Deus que ―o sujeito consegue sua subjetividade e não a pode contradizer. É esta subjetividade do ser humano feita pessoa em Deus‖. Hipotizando que Deus seja esta subjetividade do ser humano feita pessoa, surge ―um grande problema sem solução‖, pois, apesar da lei ser necessária para a convivência humana, ela mata quando não se deixa interpelar pelo sujeito vivente. Esta ―força distorcedora‖ da lei mata Jesus, o Filho de Deus. ―Por que, então, Deus não assegura uma vida humana além da lei?‖ (1998, p. 55).
59 A citação de Jesus refere-se ao salmo 82, no qual se diz, no versículo 6: ―Eu declarei: vós sois deuses, todos
vós sois filhos do Altíssimo‖ (BÍBLIA, 2002, p. 951). O salmo se dirige aos juízes que, enquanto tais, devem fazer justiça ao aplicar a lei. Trata-se da justiça que torna justos os juízes ao não favorecer os ímpios, mas sim os pobres: ―Protegei o fraco e o órfão, fazei justiça ao pobre e ao necessitado, libertai o fraco e o indigente, livrai-os da mão dos ímpios!‖ (Sal, 82, 3-4).
Sem uma resposta razoável para a morte de Jesus, procura-se uma resposta em termos míticos. Em decorrência desta necessidade, o ―teatro-mundo‖ representado por João no seu evangelho passa em segundo plano: surge a resposta mítica do pagamento do resgate.
Nesta concepção mítica, a humanidade é refém de Satanás. Ele a mantém nas mãos da morte e a lei é indispensável à humanidade para enfrentar a morte. Todavia, há uma maldição que pesa sobre a lei, de forma que ―ao ser tratada como lei do cumprimento formal, se transforme em veículo da morte. Realiza a morte, enquanto pretendia enfrentá-la. A lei dada para a vida, então produz a morte‖. Para liberar a humanidade da morte, o demônio chantageia Deus, exigindo o pagamento de um resgate: a morte de Jesus (HINKELAMMERT, 1998, p. 56).
Jesus salva a humanidade aceitando este pagamento. Por intermédio de sua morte é quebrado o poder de Satanás e da Morte, por isso aos olhos da fé, a ressurreição de Jesus é a demonstração irrefutável da vitória sobre a Morte. Esta imaginação mítica sobre o sentido da morte de Jesus, segundo Hinkelammert, é explicável somente se considerarmos ―o conceito de pecado que se comete cumprindo a lei e o do sujeito vivente frente à lei, que tem em Deus seu amigo, dando-lhe apoio em seus esforços de salvação e garantindo seu êxito‖ (1998, p. 56).
No entanto, a ressurreição de Jesus como vitória sobre a morte é, segundo João (20, 25-28), uma ressurreição corporal.