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Delphi Anketi Kapsamı ve Katılımcıları

ULUSAL SORUMLULUKLAR

SEKTÖREL FAKTÖRLER

4.1.3 Delphi Anketi (3 Faz):

4.1.3.3 Delphi Anketi Kapsamı ve Katılımcıları

A satisfação das necessidades remete à discussão mais ampla da distribuição de renda e da divisão social do trabalho. Num sentido mais abrangente ainda, significa discutir como coordenar estes processos, qual conhecimento e racionalidade são implicados e, obviamente, segundo Hinkelammert, como sair da polaridade excludente entre autonomia do mercado e planejamento econômico, ou seja, entre capitalismo e socialismo.

A necessidade das relações econômicas de mercado, bem como a necessidade do planejamento econômico são demonstradas por Hinkelammert, tendo como ponto de partida a integração do ser humano na divisão social do trabalho, por intermédio do emprego e da satisfação das necessidades vitais.

Diante do fato de o mercado considerar somente as preferências dos consumidores, nas relações capitalistas, a rentabilidade torna-se critério determinante para tomar as decisões sobre investimentos, implicando que a distribuição de renda e a estrutura do emprego

dependam desse critério. Não havendo determinação autônoma, ―o automatismo do mercado desemboca em completa arbitrariedade de distribuição e emprego‖, levando a um desequilíbrio destes, agravado pela irracionalidade econômica (HINKELAMMERT, 2002a, p. 324).

Os desequilíbrios tendem a destruir o ser humano e a natureza, porém, o fato de não resultarem de uma ação humana intencional desonera de responsabilidade a instituição pública do sistema capitalista. Ademais, o efeito não-intencional destrutivo se presta a ser manipulado ideologicamente, transformando-o em ―resultado de leis ‗naturais‘ do mercado‖, de forma que a sociedade suporta esta natureza desastrosa assim como se suporta um desastre natural econômico (HINKELAMMERT, 2002a, p. 325).

Há outro argumento citado em favor do automatismo do mercado: este vincularia a limitação do conhecimento humano à impossibilidade de coordenação direta do sistema econômico. A objetiva limitação de conhecimento humano justifica e torna necessárias as relações mercantis, as quais ―permitem a coordenação indireta do sistema‖, de forma que ―o mercado aparece como meio através do qual se pode conseguir a coordenação do sistema. As inter-relações são institucionalizadas por meio do mercado‖ (HINKELAMMERT, 2002a, p. 327, 328).

No entanto, seria uma ilusão acreditar na tese de que ―o mercado seja um mecanismo de elaboração de informação ou de conhecimento‖75. Com efeito, do fato de o mercado suprir

a falta de conhecimento não se pode derivar argumento nenhum a favor dessa tese, pois o mercado não ―transmite nenhuma informação; não é nenhuma calculadora, mas sim, simplesmente, um mecanismo que transmite reações. [...] é um simples sistema de reações ex-

post‖ (HINKELAMMERT, 2002a, p. 328).

Portanto, jamais essa reação ex-post indica uma tendência ao equilíbrio do mercado. Este equilíbrio exige a intervenção corretiva e planificada de um governo central, capaz de assegurar o quadro econômico satisfatório, tanto do ponto de vista da distribuição de renda,

75 Esta tese, comum ao pensamento neoliberal, é de Hayek. Segundo ele, o mercado seria uma estrutura

ordenadora de alocação dos recursos, cujo funcionamento sistêmico supriria ao conhecimento necessário – conhecimento que nenhuma pessoa ou instituição teria condição de ter, devido à impossibilidade cognitiva intrínseca ao ser humano de conhecimento da totalidade dos fatos – para organizar e coordenar a complexidade do sistema de divisão social do trabalho. Diz Hayek: ―A causa da superioridade da ordem de mercado – e a verdadeira razão pela qual esta ordem se superpõe sistematicamente a outros tipos de ordem, desde que ela não seja posta de lado pelos poderes do governo – reside, na verdade, na decorrente alocação de recursos. Para tal, ela usa o conhecimento sobre fatos particulares, conhecimento este que se dispersa entre incontável número de pessoas – numa quantidade tal que é impossível a um único individuo – qualquer que ele seja – jamais armazenar‖ (HAYEK et al., 2003, p. 212).

quanto do ponto de vista da estrutura de emprego – para todos, e não subordinada à rentabilidade –.

Hinkelammert aponta para a complementaridade de mercado e planificação, visando ao equilíbrio de mercado, mas a partir do caráter obrigatório do plano. Com efeito, o ―plano

obrigatório” permite desvincular ―as decisões de investimento dos critérios de rentabilidade‖,

bem como realizar o ―‗controle consciente da lei do valor‘, baseando-se, em última instância, nos critérios do pleno emprego e da adequada distribuição de renda‖ (2002a, p. 331).

A satisfação das necessidades vitais ou, dito de outra forma, a reprodução da vida real deve ser assegurada como critério básico de delimitação entre planejamento e autonomia empresarial. Segundo Hinkelammert, o ―reconhecimento do homem como o sujeito da sociedade‖ é propiciado pela relação complementar em que se encontram planejamento e autonomia (HINKELAMMERT, 2002a, p. 336).

A reprodução da vida real constitui a base real da liberdade – que desta forma pode se desenvolver –, bem como o ―princípio de organização da sociedade. É ele que permite discernir projetos econômico-políticos, no sentido de fixar um limite entre todos os projetos que têm conteúdo de libertação e os que não o têm‖ (HINKELAMMERT, 2002a, p. 337).

Hinkelammert, tornando a satisfação das necessidades vitais um princípio de organização social, propõe a institucionalização desta satisfação. Nesta perspectiva, ―surge então o sujeito livre como o sujeito da práxis‖. Trata-se de uma práxis e de um ser humano que implicam sempre um desenvolvimento na perspectiva libertadora e transformadora, por serem estreitamente vinculados à reprodução da vida humana. Nas palavras de Hinkelammert:

O objetivo da práxis é assegurar a vida pela transformação de todo o sistema institucional em função da possibilidade de viver de cada um. Assim, a práxis não se reduz a simples práticas. Ela significa assegurar ao sujeito humano uma institucionalidade que garanta a possibilidade de seu desenvolvimento e, por conseguinte, a possibilidade de realizar efetivamente um projeto de vida num quadro de condições materiais asseguradas (2002a, p. 338).

4.2.4 “O sujeito como objeto e o sujeito como sujeito”

No âmbito das instituições, o ser humano cumpre um papel, uma função, ou seja, sua inserção é funcional ao sistema institucional. Por ser reduzido à sua capacidade de integrar o

sistema em determinadas funções, o ser humano é sempre tratado como objeto pelas instituições.

Também a teoria não pode evitar em tratar o ser humano como objeto. Ela precisa torná-lo objeto para estudá-lo; até a linguagem humana é incapaz de falar do sujeito enquanto sujeito, pois nós mesmos ao falar dele o objetivamos.

Disso decorre a afirmação de Hinkelammert de que: ―toda teoria é má teoria e toda instituição é má instituição‖. A falta de adequação ao sujeito é um problema inerente a qualquer teoria ou instituição, pois ―Sendo o sujeito um sujeito e não um objeto, seu tratamento como objeto é inadequado em si mesmo, porque jamais pode corresponder ao ser subjetivo do sujeito, que é plenitude inalcançável‖ (2002a, p. 338-339).

O que Hinkelammert destaca é a transcendência do sujeito no que diz respeito a todas as suas objetivações e produtos, sendo a linguagem e as instituições produtos não-intencionais inevitáveis da relação entre seres humanos. Vejamos como Hinkelammert expressa a articulação entre transcendência, sujeito e objetivações:

Ao entrar em relação com outros sujeitos, tais produtos não-intencionais [a linguagem e as instituições] aparecem e o próprio sujeito só existe porque entra em relação como os outros sujeitos. Assim, o sujeito transcende a todas as suas objetivações, embora não possa existir sem elas. Desse modo, o sujeito também transcende todas as formas de sujeito que aparecem quando se trata o sujeito como objeto. O sujeito cognoscente, o sujeito atuante, o sujeito prático, o sujeito vivo e o sujeito da práxis são todos sujeitos tratados como objetos. Como sujeito, o sujeito transcende a todos eles. Existem sujeitos objetivados como tais, mas isso não coincide com o sujeito, enquanto a objetivação do sujeito é produto não-intencional do próprio sujeito, ao qual nunca podem corresponder integralmente as objetivações do sujeito (2002a, p. 339).

Somente através de conceitos transcendentais é possível interpretar o sujeito na sua integridade. Segundo Hinkelammert, apenas a hipótese do conhecimento perfeito ―permite conceber transcendentalmente uma coincidência entre a objetivação do sujeito e o próprio sujeito‖. Entretanto, essa coincidência decorre de conceitos transcendentais, os quais são concebidos exatamente para transcender o conhecimento limitado e incompleto do ser humano (2002a, p.340).

Esta contradição não ofusca ―a utilidade científica de tais conceitos transcendentais, tanto para a explicação da linguagem como para a explicação das instituições. Eles são

estritamente necessários e instrumentos imprescindíveis, tanto do conhecimento como da ação‖. Exatamente ―essa contradição dialética de tais conceitos transcendentais, nos termos teóricos das ciências empíricas, testemunha que o sujeito transcende todas as suas objetivações‖ (HINKELAMMERT, 2002a, p.340-341).

É na própria sociedade que o ser humano é tratado como objeito, pois somente outro ser humano pode tratá-lo assim, reduzindo-o a um papel social definido. Tanto a sociedade, bem como a linguagem humana implicam na problemática dessa objetivação, daí que ―falar do sujeito que transcende todas as objetivações‖ é um limite ―intransponível‖. Não se pode formular um conceito dum ―sujeito objetivado e sem instituições‖, entretanto, diz Hinkelammert, ―trata-se do sujeito que na realidade transcende todas as objetivações do sujeito em termos de linguagem e de instituições. E, como é necessário falar desse sujeito, a linguagem só pode ser uma linguagem de apelação‖ (HINKELAMMERT, 2002a, p. 341).

Há, porém, situações transcendentais, expressas na linguagem apelativa do mito, em que ―o sujeito é sujeito para o outro, sem transformar-se nunca em seu objeto‖. Neste contexto, a ―vivência subjetiva entre sujeitos‖, expressa a transcendentalidade ―que é a contrapartida, a partir do real, daquilo que os conceitos transcendentais são a partir da teoria do real‖. Hinkelammert aponta duas situações transcendentais, descritas no Evangelho de São Lucas – a do amor ao próximo e a da festa –. Delas, nos ocuparemos no próximo capítulo, relacionado à ―teologia subjetiva‖ (2002a, p. 341).