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D. KAMU GÖREVLİLERİNİN YARGILANMA USULÜ

IV. FAİL

O novo código processual, em seu art. 928, traz duas técnicas processuais para resolução de causas repetitivas, visando a dar maior racionalidade à solução a ser conferida à multiplicidade de processos, com observância à isonomia e à segurança jurídica. Além de gerir os casos repetitivos, o IRDR e os Recursos Repetitivos também se destinam a formar precedentes obrigatórios, que vinculam o próprio tribunal, seus órgãos e os juízes a ele subordinados. (DIDIER Jr. et al., 2016, p. 588-590) Em caso de algum juízo não aplicar a tese jurídica firmada no procedimento de resolução de casos repetitivos, caberá Reclamação para o respectivo tribunal competente (art. 988, IV, CPC). Em caso de aplicação equivocada da tese firmada a caso distinto, também será cabível Reclamação, com o fim de afastar a aplicação da respectiva ratio decidendi (art. 988, § 4º, CPC), ou mesmo Ação Rescisória, com o fim de desconstituir decisão que não procedeu com a distinção cabível (art. 966, § 5º, CPC).

Em contraposição, vale trazer a análise ao ainda projeto de lei do CPC de Hassan Ribeiro (online) que desenvolve uma crítica à sistemática do IRDR no sentido de que, com a expedição de uma decisão em procedimento de resolução de casos repetitivos – obtida num órgão especial de um tribunal –, não há maior debate e, por isso, não são examinados nem conhecidos argumentos racionais que poderiam eventualmente contribuir para outra solução. Atualmente, as decisões judiciais são obtidas, mesmo nos países que adotam o sistema da common law, de baixo para cima, ou seja, nascem nos órgãos judiciais de nível inferior e vão amadurecendo, com outros argumentos, até chegar aos órgãos superiores quando já há um debate mais amplo no meio jurídico e na sociedade, e mesmo nos meios de comunicação de massa. Com este debate amplo e demorado, haverá uma maior qualidade na decisão proferida e um menor risco de erro na decisão. A crítica é pertinente, contudo, como se verá à frente, a pluralidade de causas e a comparticipação da sociedade são premissas para a constituição de teses jurídicas em sede de resolução de demandas repetitivas, superando – ao menos do ponto de vista dogmático – a crítica elaborada pelo autor.

Como regra, o modelo brasileiro de resolução de demandas repetitivas se aproveita da sistemática de casos-piloto, com base no qual se escolhem alguns recursos ou causas para exame e julgamento (art. 1.036, CPC). As causas afetadas devem ser julgados dentro do prazo de um ano, tendo prioridade de tramitação sobre as demais,

exceto habeas corpus. O julgamento dos recursos paradigmas decide-os e fixa a tese a ser aplicada aos demais casos sobrestados, bem como serve como ratio decidendi a ser aplicada em causas futuras. Excepcionalmente se aplica a sistemática de casos-modelo quando houver desistência da demanda ou do recurso voluntário. Nesta hipótese, a desistência ou o abandono do processo não impede o exame do mérito do IRDR (art 976, CPC), do Recurso Extraordinário simples – no qual já foi reconhecida a repercussão geral – ou dos Recursos Especiais e Extraordinários repetitivos (art. 998, CPC). Portanto, será fixada uma tese jurídica para as causas sobrestadas e futuras, sem haver, porém, o julgamento da causa que ensejou à sua criação. Ainda destacam Didier Jr. et al. (2016, p. 595-597) que não é possível instaurar procedimento de julgamento de casos repetitivos sem que haja, no respectivo tribunal, uma causa pendente, de onde o incidente surgirá ou que servirá como caso-piloto.

A seleção de casos-piloto é muito importante, pois impacta nas conclusões que o tribunal pode extrair sobre a questão repetitiva. Seleções malfeitas podem acarretar uma cognição de menor qualidade, reduzindo o potencial de influência do contraditório. Para a seleção existem parâmetros quantitativos e qualitativos. O critério quantitativo se trata de selecionar dois ou mais causas representativas da controvérsia. Já o critério qualitativo consiste na escolha do processo que seja admissível e que contenha argumentação abrangente (art. 1.036, § 6º, CPC), de forma a viabilizar uma ampla discussão sobre o tema.

Uma vez instaurado o procedimento de resolução de demandas repetitivas, com a afetação dos casos-piloto, sobrestar-se-ão os demais casos, que receberão a mesma solução dada aos casos afetados para serem decididos por amostragem. A suspenção terá duração de até um ano (arts. 980 e 1.037, § 4º, CPC). No caso do IRDR, conforme o art. 980, p. u., do CPC, é possível prorrogação por meio de decisão fundamentada.

Contudo, por força do art. 1.037, §§ 8º a 13 do CPC, a parte tem direito ao prosseguimento de seu processo, caso demonstre que a suspensão de sua causa é indevida por haver distinção relevante em relação ao caso afetado ou por a questão jurídica do seu caso não ser abrangida pelo objeto do incidente, com base na qual se imporia solução jurídica diversa. Vale dizer que deve ser oportunizada a manifestação da parte contrária sobre a inadequação da suspensão (§ 11).

Ensinam Didier Jr. et al. (2016, p. 606-607) que o Conselho Nacional de Justiça deve manter cadastro nacional de IRDR's para permitir amplo acesso à informação sobre a existência e o estado de tais incidentes. A vasta publicidade é fundamental para permitir que os juízos tenham conhecimento do IRDR, bem como para viabilizar a intervenção de partes de outros processos e de amici curiae, que queiram contribuir com a discussão com elementos técnicos e com argumentos jurídicos para a formação da tese jurídica.

A modificação de uma tese firmada em procedimento de resolução de casos repetitivos somente poderá se realizar incidentalmente no julgamento de recurso ou causa de competência originária do tribunal. Mas o overruling (a superação) da tese, por resultar na formação de novo precedente vinculante, deve ocorrer com a instauração de um novo incidente de julgamento de casos repetitivos. Uma vez deferido requerimento, nos termos do regimento interno, o órgão que proferiu a decisão original tem preferência para julgar o possível overruling. Para que se dê a superação é preciso demonstrar a necessidade de revisão da tese firmada em razão de, entre outra alegações, (i) revogação ou modificação da norma que fundamentou a decisão, ou (ii) de mudanças de ordem econômica, social, política ou social. (DIDIER Jr. et al., 2016, p. 614)

4.1.1. INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS (IRDR) Destaca Koehler (In DIDIER et al. (org.), 2015-A, p. 659-660) que o IRDR surge no projeto do novo CPC como um dos pilares da ideologia do respeito aos precedentes, na tentativa de se gerar um sistema judicial com maior grau de segurança jurídica e isonomia, em que demandas levadas à apreciação do Poder Judiciário sejam solucionadas num prazo razoável. Já Costa Mendes et al. (In DIDIER et al. (org.), 2015-A, p. 567) lecionam que o IRDR vem para trazer racionalização e eficiência diante dos conflitos de massa, para fortalecer a jurisprudência e para garantir a isonomia.

O IRDR se trata de incidente processual em processo de competência originária, em recurso ou em remessa necessária. Nele se transfere a outro órgão do mesmo tribunal a competência funcional para julgar os casos-piloto e fixar a tese jurídica a ser aplicadas nos casos idênticos sobrestados e nos casos futuros. O art. 976 do CPC fixa os

requisitos de admissibilidade do IRDR: (i) efetiva repetição de processos e risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, (ii) for questão unicamente de direito, e (iii) for causa pendente no tribunal. Não é cabível IRDR para definição de questões de fato, bem como não é possível IRDR preventivo, uma vez que é necessário haver demandas repetitivas. Por fim, existe um requisito negativo para admitir o incidente: não haver recurso representativo da controvérsia afetado por tribunal superior para definição de tese sobre questão de direito material e processual repetitiva, bem como não é cabível IRDR quando o tribunal superior tiver já fixado tese em procedimento de julgamento de casos repetitivos. (DIDIER Jr. et al., 2016, p. 625-628)

A necessidade de se demonstrar risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica (art. 976, II) evidencia a vocação do IRDR enquanto precedente obrigatório, como bem desenvolvido no Capítulo 2. Este incidente se afigura como relevante instrumento processual para eliminar dúvidas sobre o Direito, garantindo uma aplicação mais racional, objetiva e previsível do ordenamento jurídico. O IRDR se apresenta também como relevante instrumento para a construção conceitual de expressões jurídicas vagas, a partir de casos-piloto, trazendo importantes instrumentos de participação social para buscar a melhor definição dos conceitos jurídicos indeterminados empregados pelo legislador. Neste sentido, é fundamental para a qualidade do precedente que seja analisado o maior número possível de argumentos, no sentido de situar o aplicador no contexto em que se insere e de conscientizá-lo das reverberações que a sua decisão poderá ter.

Como regra, o IRDR pode ser suscitado em tribunal de justiça ou tribunal regional federal. Também é possível, porém, sua instauração em tribunal superior nos casos de causas originárias e de outros tipos de recurso no âmbito das cortes superiores. A legitimidade para sua instauração é do juiz ou do relator ao presidente do tribunal respectivo de ofício, bem como, mediante petição, das partes, do Ministério Público e da Defensoria Pública. Ademais, as partes podem requerer que a suspensão dos processos se dê em todo o âmbito nacional por meio de requerimento ao STJ ou ao STF (art. 982, §§ 3º e 4º).

Belgede RÜŞVET VE İRTİKAP SUÇLARI (sayfa 65-69)