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No âmbito do nosso trabalho passaremos agora a apresentar as entrevistas realizadas bem como os principais resultados obtidos.

Recorremos ao método de aplicação de entrevistas, como instrumento de investigação, para recolha de dados e sua subsequente análise, para posterior confronto com a componente teórica, a fim de conferir maior consistência e rigor na formulação das conclusões.

Como refere Bryman, “a entrevista é provavelmente o método global mais utilizado na pesquisa qualitativa”(Bryman, 2012, p. 469).

A informação recolhida dos entrevistados tem uma natureza cognitiva mas também afetiva na medida em que se socorrem dos seus conhecimentos e baseia-se nas entrevistas estruturadas, realizadas durante a elaboração do

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presente trabalho, para permitir poder ser agregada, comparada e, posteriormente, confrontada com a componente teórica (Bryman, 2012, p. 210).

A escolha dos entrevistados teve em atenção os critérios de experiência, conhecimento académico, das funções exercidas e da respetiva responsabilidade nas FS.

O guião da entrevista comporta 3 questões essenciais, como consta no Apêndice 1, que são as seguintes:

 QUESTÃO 1 - Tendo por referência a ENCT e, em especial, as medidas de ação do Plano de Ação de Prevenção da Radicalização e do Recrutamento para o Terrorismo, qual a relevância das Forças de Segurança, enquanto polícias de proximidade, na prevenção da radicalização jihadista?

 QUESTÃO 2 - Quais as valências e as capacidades de intervenção das polícias de proximidade na prevenção da radicalização jihadista?

 QUESTÃO 3 - De que forma se poderá melhorar o policiamento de proximidade na prevenção da radicalização jihadista?

As respostas dadas nas entrevistas encontram-se nos Apêndices 2 a 6. Passamos agora à análise e discussão dos resultados das respostas dos entrevistados. Para esse efeito, procederemos à seleção e transcrição dos aspetos mais relevantes em cada uma das respostas e, a jusante, salientar as ideias principais transmitidas pelos entrevistados sobre a temática.

QUESTÃO 1 - Tendo por referência a ENCT e, em especial, as medidas de ação do Plano de Ação de Prevenção da Radicalização e do Recrutamento para o Terrorismo, qual a relevância das Forças de Segurança, enquanto polícias de proximidade, na prevenção da radicalização jihadista?

Os entrevistados salientam de forma consensual a relevância do papel das FS. A relevância resulta da sua implementação territorial e da sua natureza de proximidade, o que facilita o conhecimento das comunidades, a nível local, e a possibilidade de detetar os indícios técnicos de radicalização.

No entanto, embora o papel das FS possa ser relevante perante cidadãos em processo de radicalização que evidenciam sinais exteriores, existe uma forte limitação das FS quando os processos de radicalização se desenvolvem sem manifestação desses sinais, o que exigirá da parte destas uma forte componente

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tecnológica (para monitorizar atividade na internet) e de inteligência (Superintendente Luis Elias).

Para além destes aspetos, foram ainda sinalizadas outras ideias relevantes: a capacidade de as FS poderem trabalhar ao nível do indivíduo e da comunidade, de terem a capacidade de recolha e tratamento de informações, constituindo-se como “sensores” privilegiados na recolha de informação (Prof. Hermínio Matos), as relações que podem ser estabelecidas entre a pequena criminalidade e a radicalização, incluindo a possibilidade de as causas que propiciam a radicalização poderem ser comuns com as que estão relacionadas com a pequena criminalidade (Subintendente Guinote).

Foi ainda realçado o facto de as FS percorrerem, em termos de intervenção, todo o “continuum” da ação terrorista e da ENCT (Prof. Hermínio Matos e Major Madaleno) podendo assim contribuir e colaborar também para o aumento da resiliência das instituições em cenários de ataques terroristas (Major Madaleno).

Por último, a implementação em todo o território nacional das FS permite uma abordagem multidisciplinar e integrada na prevenção da radicalização jihadista, permitindo identificar ações de proselitismo que promovam discursos extremistas (Secretária-Geral do SSI) e assim, a montante da ação terrorista, anular (ou, no mínimo, obstar) a possibilidade de captação, doutrinação e afetação de indivíduos a atividades, ainda que de suporte ou apoio, ligadas ao fenómeno terrorista (Prof. Hermínio Matos).

QUESTÃO 2 - Quais as valências e as capacidades de intervenção das polícias de proximidade na prevenção da radicalização jihadista?

As FS enquanto Polícias de proximidade, têm uma grande importância na prevenção da radicalização jihadista que decorre da sua experiência e da implementação.

O conhecimento do terreno, das comunidades e dos atores relevantes – líderes formais e informais, associações locais, indivíduos com passado criminal, etc. - são fatores importantes na prevenção da radicalização jihadista na identificação de sinais precoces ou de indícios técnicos (Superintendente Elias).

De igual forma, tem a capacidade de promover ações de sensibilização, junto de entidades relevantes, no âmbito da prevenção da radicalização, como sejam nos aeroportos, escolas, centros comerciais, entre outros (Superintendente

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Luis Elias e Major Madaleno) e, nesse âmbito, contribuir para uma consciencialização da sociedade e consequente legitimação da atuação policial (Professor Hermínio Matos).

A formação, interna e externa às FS, o contacto próximo com a população, a confiança e a adequação dos Programas Especiais de Policiamento de Proximidade a esta ameaça são fatores críticos de sucesso na prevenção da radicalização jihadista, apontados pelos entrevistados.

QUESTÃO 3 - De que forma se poderá melhorar o policiamento de proximidade na prevenção da radicalização jihadista?

De forma consensual, foi assumido que as polícias de proximidade, entenda- se PSP e GNR, devem implicar todas as respetivas valências relevantes na prevenção da radicalização jihadista. São salientados vários exemplos de aplicação das várias valências nesta temática, como a investigação criminal, inteligência policial, reação policial a eventos terroristas e, em especial, ao policiamento de proximidade com os seus vários programas de prevenção de extremismos, de promoção da diversidade e da tolerância.

A sua implementação, a natureza de proximidade e as valências que a constituem, criam potencialidades para a realização de parcerias entre a PSP e outras entidades na prevenção da radicalização jihadista (Superintendente Elias).

Por outro lado, em todas as suas valências, deve ser promovida uma capacitação técnica dos seus polícias. Desde o policiamento de proximidade, a investigação criminal, a inteligência policial, a UEP e a UI, a segurança da aviação civil ou das instalações, devem ser conhecedores de várias matérias relacionadas com a temática, que vão desde os sinais de radicalização, aos indícios da atividade terrorista, passando pelos modi operandi das organizações terroristas, a capacidade de identificação as conexões da criminalidade com o terrorismo, à diversidade e tolerância (Prof. Hermínio Matos e Major Madaleno).

É salientada a necessidade de compartimentação da atividade, da informação entre os polícias de proximidade e os da investigação criminal ou das informações, tal é o risco de contaminação do trabalho dos polícias de proximidade minando a confiança das comunidades se perceberem que, por detrás das atividades de policiamento de proximidade, podem estar objetivos de recolha de informação sobre determinados alvos (Subintendente Guinote).

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Sem prejuízo desse cuidado, a articulação entre o policiamento de proximidade, a investigação criminal e a inteligência assumem particular relevância na prevenção da radicalização jihadista e exigem especiais cuidados na interpretação dos indicadores sinalizados (Major Madaleno).

Por último, salienta-se o consenso entre os entrevistados sobre a desnecessidade de conceber um Programa específico de policiamento de proximidade para a prevenção da radicalização jihadista, uma vez que isso contribuiria para a desagregação da informação do policiamento de proximidade como um todo e poderia comprometer a confiança nas polícias e promover sentimentos de insegurança e alarmismos desnecessários.

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