• Sonuç bulunamadı

6.1 Construção e validação do álbum seriado

A construção do álbum seriado ora discutido converge com o programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas, instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que propõe que a equipe usará métodos conhecidos para impedir danos na administração de anestésicos, enquanto protege o paciente da dor (OMS, 2008). Converge ainda com as diretrizes da Rede Cegonha, instituída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, que propõe a garantia da segurança na atenção ao parto e nascimento (BRASIL, 2011). O referido material foi construído com base nos resultados da revisão integrativa realizada (ANEXO C). Utilizou-se ainda a literatura pertinente ao assunto, particularmente o guia de cuidado de enfermagem publicado pela AHRQ (2011). Como fundamentação metodológica, foi utilizado o livro Teaching

Patients With Low Literacy Skills, dos autores Doak, Doak e Root (1996), que orienta

como elaborar materiais educativos para pessoas com baixa escolaridade. Além disso, buscou-se seguir também as recomendações de Moreira, Nóbrega e Silva (2003) para a elaboração de materiais educativos impressos no que se refere à linguagem, ilustrações e do layout, com a finalidade de torná-los legíveis, compreensíveis, eficazes e relevantes para seu público-alvo.

A utilização de figuras que representem o contexto do público-alvo é de extrema relevância, para facilitar o processo de ensino-aprendizagem. No caso do álbum seriado em questão, as imagens apresentam a sala de cirurgia, local onde é realizado o procedimento anestésico, com o intuito de facilitar o aprendizado e apresentar o ambiente muitas vezes desconhecido para as gestantes. O roteiro do álbum seriado foi planejado apresentando uma sequência progressiva do comportamento que se desejava obter das gestantes com o uso do álbum na intervenção educativa, o posicionamento a ser assumido durante a raquianestesia.

Ressalta-se que a delimitação dos tópicos a serem incluídos em um material educativo facilita a distribuição de cada ideia por vez, evitando confusão para as pessoas que participarão da estratégia educativa (DEATRICK; AALBERG;

CAWLEY, 2010). Doak, Doak e Root (1996) acrescentam a vantagem de que, ao expor o conteúdo por tópicos, permite-se ao expectador pequenos sucessos no aprendizado.

Os autores recomendam ainda que os objetivos devem se limitar a um ou dois para a maioria das instruções, além de serem compatíveis com as ações e os comportamentos que se deseja obter com a intervenção educacional. Além disso, a recomendação é que a linguagem seja clara, simples e com voz ativa, de modo a facilitar a compreensão do conteúdo pelo público-alvo (DOAK, DOAK, ROOT, 1996).

No que se refere ao processo de validação, a avaliação da aplicabilidade do álbum seriado ao contexto da enfermagem perioperatória obteve aceitação quase unânime pelos três grupos de juízes. Considera-se relevante tal resultado, pois a tecnologia educativa precisa ser viável, além de compreensível. Corroborando com este resultado, os especialistas do estudo de validação de cartilha educativa sobre HIV/Aids julgaram o referido material como um complemento excelente para as atividades de orientação pelos profissionais de saúde acerca da temática (CORDEIRO et al, 2017). O resultado se assemelha à validação da cartilha educativa sobre orientações alimentares para melhorar a qualidade de vida de adultos da Malásia, com I-CVI 0,95 (TENG et al, 2017).

A rotina de enfermagem perioperatória inclui orientações aos pacientes, como aquelas sobre o posicionamento durante a anestesia. Nesse sentido, segundo os juízes, o álbum seriado poderá contribuir para a prática da enfermagem no pré- operatório de cesarianas.

A linguagem do álbum seriado foi julgada clara, compreensível e adequada. Este dado corrobora com estudo acerca da validação de cartilha educativa para professores sobre primeiros socorros na escola, que obteve avaliação satisfatória quanto à clareza, objetividade e atratividade da linguagem (GALINDO NETO et al, 2017). O mesmo resultado foi obtido no estudo mencionado anteriormente, sobre práticas alimentares, cuja linguagem foi julgada clara e compreensível, apresentando o I-CVI 1 (TENG et al, 2017).

Destaca-se a importância da linguagem utilizada nos materiais educativos para que sejam claros e compreensíveis pelo público-alvo, e possam apresentar relevância prática. Considerando que o álbum seriado é utilizado pelos profissionais da saúde, os textos das fichas-roteiro são direcionados para esses profissionais.

Dessa forma, mesmo que haja linguagem técnica, os profissionais devem explicar o conteúdo no nível da compreensão pelo público-alvo.

Estudo realizado em hospitais suecos para caracterizar materiais educativos fornecidos aos pacientes cirúrgicos de câncer colorretal identificou que 29% dos materiais tinham linguagem difícil para o público-alvo (SMITH et al, 2014). Nesse sentido, torna-se imprescindível a avaliação das tecnologias educativas pelo público-alvo, além daquela por juízes especialistas, de forma a permitir a identificação de possíveis aspectos que sejam incompreensíveis.

Neste estudo, a avaliação do álbum seriado pelas gestantes foi satisfatória, corroborando com outros estudos realizados junto aos públicos-alvo, como o que validou uma tecnologia educativa sobre os cuidados com úlcera venosa, cujos participantes julgaram o material adequado (BENEVIDES et al, 2016). Na validação de cartilha educativa sobre transmissão vertical de HIV, a avaliação pelo público-alvo também alcançou um nível de concordância satisfatória (LIMA et al, 2017).

A avaliação das imagens do álbum seriado pelas gestantes revelou unanimidade sobre ajudarem na compreensão do assunto. Outros estudos revelaram resultados semelhantes, como no caso da validação do álbum seriado sobre amamentação por puérperas, que julgaram as figuras claras, compreensíveis e relevantes (RODRIGUES et al, 2013). Na prática educativa, o uso de figuras é bastante pertinente, uma vez que contribui para a compreensão do público-alvo independentemente da sua escolaridade, além de tornar o material educativo mais atrativo.

A avaliação de tecnologias educativas por profissionais com experiência em avaliação de materiais educativos é importante, pois eles possuem um olhar mais aguçado para aspectos que podem influenciar o processo de aprendizagem. Nesse sentido, o resultado do presente estudo obteve avaliação satisfatória, considerando que somente um item obteve discordância por um juiz, não interferindo na avaliação geral do material, com S-CVI 0,97. Esse dado corrobora com o estudo que validou uma tecnologia educacional para o ensino sobre doenças sexualmente transmissíveis, apresentando todos os I-CVI 1 pelo grupo de especialistas técnicos (HOLANDA e PINHEIRO, 2016).

Em relação à análise feita através do formulário SAM, que representa a avaliação da adequação do material educativo, os juízes de conteúdo, enfermeiros e anestesistas, julgaram o álbum seriado como superior, considerando a média dos

escores dos seis domínios. O domínio 1, que avalia aspectos como se o objetivo é evidente, se o conteúdo aborda um comportamento, se a proposta é limitada e se o material apresenta um resumo ou uma revisão, obteve análise como ‘superior’ em todos os quesitos.

Destaca-se em relação ao item que avalia se a proposta é limitada ao objetivo, que se procurou realmente abordar apenas a orientação sobre o posicionamento durante a raquianestesia. Por esse motivo, não foi acatada a sugestão que alguns juízes fizeram para incluir outras orientações pré-operatórias. A limitação do objetivo do material é importante para que o leitor / expectador possa aprender razoavelmente no tempo permitido (DOAK, DOAK, ROOT; 1996).

No que se refere ao domínio 2, sobre a avaliação da adequação da linguagem para o público-alvo, o item que avalia o grau de leitura obteve a menor proporção de juízes que julgaram o item como ‘superior’. Acredita-se que esta análise se deva ao fato do texto utilizado nas fichas-roteiro ser direcionado para os profissionais de enfermagem que realizarão as atividades educativas. Como mencionado anteriormente, por se tratar de um álbum seriado, o material educativo possui partes voltadas para o uso pelo profissional que conduz a orientação educativa. Dessa maneira, o texto serve como guia para orientar o profissional quando da explicação sobre cada parte do álbum, sendo que o mesmo deverá utilizar uma linguagem que seja apropriada para o público-alvo que esteja participando da atividade educativa. Destaca-se que isso é de fundamental importância para o processo de comunicação da educação em saúde (ARMINDO, DINIZ, SCHALL; 2011).

O domínio 3, acerca das ilustrações gráficas e listas, obteve avaliação máxima em dois quesitos, capa e tipo de ilustrações. Nenhum quesito obteve avaliação ‘inadequada’. Este resultado é importante porque as imagens são melhor aceitas e lembradas do que textos, especialmente quando retratam o que é familiar para o público-alvo em questão (DOAK, DOAK, ROOT; 1996). Entretanto, as imagens não devem favorecer que o leitor / espectador se distraia. Devem facilitar o processo de aprendizagem, reforçando o que está sendo explicado.

Nesse sentido, destaca-se que as figuras do álbum seriado foram feitas por uma profissional qualificada, que se atentou para usar traços simples e para incluir nas imagens somente o que era solicitado, sem acrescentar detalhes

demasiadamente excessivos, que não forneceriam informações essenciais ao processo de aprendizagem.

Sobre o domínio 4, que avaliou aspectos relacionados ao layout, dois quesitos foram avaliados como ‘superior’ por unanimidade, e um quesito, sobre tipografia, foi julgada como ‘adequada’ por apenas 1 juiz. Este domínio avalia a existência de fatores como a utilização de dispositivos visuais para direcionar o conteúdo principal, as cores utilizadas, se o texto possui letras maiúsculas e minúsculas, com tamanho mínimo de 12 pontos, se há o agrupamento de itens, dentre outros fatores. Tais aspectos são recomendados por diversos autores (MOREIRA, NÓBREGA, SILVA; 2003).

O domínio sobre estímulo para a aprendizagem e motivação, também foi bem avaliado como ‘superior’. Este domínio avalia a existência de aspectos necessários para facilitar o processo de aprendizagem e a motivação do público-alvo para aprender. Nesse sentido, o principal aspecto que instiga a interação aparece na página da apresentação do álbum seriado, quando se orienta a investigar o conhecimento prévio da gestante. Além disso, no texto das fichas-roteiro há a indicação para o profissional mostrar o local onde é feita a punção lombar, bem como demonstrar as possibilidades de posicionamento. Isso se faz importante no processo de aprendizagem considerando que os leitores / espectadores muitas vezes aprendem com mais facilidade quando observam ou quando são eles mesmos estimulados a realizarem a ação desejada, do que quando apenas ouvem a orientação (DOAK, DOAK, ROOT; 1996).

O sexto e último domínio, acerca da adequação cultural, que avalia se o conteúdo do material é compatível com o público-alvo sob o aspecto cultural, a partir da utilização de textos e imagens, também obteve avaliação unânime em um quesito e quase unânime no outro. Este aspecto é importante uma vez que, para que o material promova algum tipo de influência positiva sobre o leitor / espectador, é preciso que se aproxime da realidade do mesmo. No caso do álbum seriado, a realidade em questão é a geralmente encontrada nos serviços de maternidade que possuem centro cirúrgico para a realização de cesarianas. Ainda sob este aspecto, deve-se evitar a utilização de imagens negativas, como exemplos exagerados ou com características caricatas da cultura.

A avaliação individual por intermédio do SAM revelou unanimidade entre os três grupos de juízes no que se refere ao julgamento do álbum seriado como

‘superior’. A avaliação por domínio indicou o domínio 2 como o julgado com menor percentual.

Destaca-se a importância da avaliação de materiais educativos através da utilização do formulário do SAM. Outros estudos vêm utilizando o referido formulário, como o de Sabino (2016), que validou uma cartilha educativa para a promoção da autoeficácia materna na prevenção da diarreia infantil; o de Mendes et al. (2015), que também validou material educativo sobre prevenção de diarreia infantil; e o de Galindo Neto et al. (2017), que validou uma cartilha educativa sobre primeiros socorros na escola, voltada para professores da educação infantil e do ensino fundamental I.

Assim, destaca-se que, segundo a avaliação pelos três grupos de juízes do presente estudo a partir do formulário SAM, o álbum seriado foi julgado ‘superior’, o que confere maior credibilidade ao mesmo.

6.2 Validação clínica do álbum seriado: Ensaio Clínico Controlado e