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2. ÖRGÜTSEL KİMLİK ALGISI

2.1. Kimlik ve Kimlik Türleri

2.1.1. Bireysel Kimlik

Para além dos domínios subatômicos da mecânica quântica,um tema emergente na área de Interação Quântica (a partir do termo em inglês QI - Quantum Interaction), é o uso de espaços semânticos léxicos, como os espaços de Hilbert, para captar o significado das palavras. Segundo o professor N. P. Landsman, do Institute for Mathematics,

Astrophysics, and Particle Physics, da Radboud University, em Nijmegen, Holanda, os

chamados Espaços de Hilbert, têm um papel central em áreas como a matemática, notavelmente em análise, incluindo também geometria (diferencial), estocástica e, ainda, teoria dos números, entre outros.

Segundo o professor, “a noção de um espaço de Hilbert fornece a base matemática da mecânica quântica.”41 (LANDSMAN, 2010, p.3, tradução nossa). A definição de espaços semânticos léxicos foi dada pela primeira vez por John Von Newman, mesmo antes do próprio Hilbert, em 1927. Esse conceito generaliza a noção de espaço Euclidiano estendendo os métodos da álgebra vetorial e do cálculo do plano euclidiano bi- dimensional e tridimensional para espaços com qualquer número de dimensões, finito ou infinito.

       

41

Do original em inglês: “the notion of a Hilbert space provides the mathematical foundation of quantum mechanics.” (LANDSMAN, 2010, p.3)

Pesquisadores da Robert Gordon University (2010), em Aberdeen, Reino Unido, responsáveis pela organização do Fifth International Quantum Interaction Symposium, que acontecerá em Aberdeen, em Junho de 2011, mostram que, a Interação Quântica, tem sido aplicada a domínios os mais diversos, como inteligência artificial, linguagem humana, cognição, biologia, ciência política, economia, e interação social. O objetivo do simpósio que está em sua décima quinta edição, é o de discutir de que formas a teoria quântica pode ter interfaces com, e ajudar a resolver problemas com eficiência em, domínios não-quânticos.

É nesse contexto que, segundo alguns pesquisadores interessados em Interação Quântica (BRUZA et AL, 2008), existem evidencias iniciais de que, o fenômeno do entrelaçamento quântico, existe em um espaço semântico e pode, potencialmente, desempenhar um papel crucial na determinação da semântica incorporada. No trabalho apresentado no artigo Characterizing Pure High-order Entanglements in Lexical Semantic

Spaces via Information Geometry, os pesquisadores Yuexian Hou e Dawei Song,

propõem entrelaçamento puro de ordem elevada (que não pode ser reduzido ao efeito de composição dos entrelaçamentos de ordem inferior), como um indicador de entidades semânticas de alto nível.

Segundo os pesquisadores, a emergente linha de pesquisa envolve a captura de significado de palavras baseando-se, como referido anteriormente, nos espaços semânticos léxicos, de múltiplas dimensões (como espaços de Hilbert). Para eles, a intuição é a de que “[...] seres humanos encontrando um novo conceito frequentemente derivam seu significado via experiência acumulada dos contextos nos quais o conceito aparece. Portanto, o significado de uma palavra pode ser capturado examinando seus padrões de co-ocorrência com outras palavras, no uso da língua (por exemplo, num corpo de textos).”42 (HOU; SONG, 2010, tradução nossa).

Um espaço semântico típico é o Hiperespaço Análogo à Linguagem (a partir do termo em inglês HAL - Hyperspace Analogue to Language). Os pesquisadores afirmam que, de

       

42 Do original em inglês: “[…] humans encountering a new concept often derive its meaning via the accumulative

experience of contexts in which the concept appears. Therefore, the meaning of a word can be captured by examining its co-occurrence patterns with other words in the language use (e.g., a corpus of texts).” (HOU; SONG, 2010)

um modo geral, o espaço semântico tem demonstrado uma compatibilidade cognitiva com o processo humano de processamento da informação. Nesse contexto o que Hou e Song propõem é, baseando-se no método desenvolvido a partir da moldura da

Geometria Informacional, um modelo de espaço vetorial expandido que envolve

informação de alta ordem sensível ao contexto. O objetivo é caracterizar contextos de recuperação de informação de alto nível.

Com base nos métodos desenvolvidos, os pesquisadores propõem um modelo expandido de espaço vetorial que envolve alta ordem de sensibilidade ao contexto de alta ordem de informação e visa caracterizar contextos de recuperação de alto nível. Algumas ideias iniciais sobre a aplicação dos métodos propostos na expansão de consulta e de classificação de textos, também são apresentados. O método desenvolvido possibilita assim, caracterizar a ordem intrínseca dos entrelaçamentos (quânticos) e distinguir entrelaçamentos de alta-ordem, dos de baixa-ordem.

Seguindo uma abordagem que se aproxima das experiências com espaços semânticos léxicos, as noções de entrelaçamento quântico e decoerência podem ajudar, na presente tese, a compreender de que forma um elemento do sistema pode influenciar outros elementos. Pode ajudar a entender como eles se influenciam mutuamente a partir das conexões em rede e, ainda, na sua relação com o ambiente. A intenção aqui, não é a de aplicar objetivamente esses conceitos a macrosistemas, mas de utilizá-los para pensar o processo criativo a partir de uma perspectiva sistêmica, com foco no caráter emergente e auto-organizacional do complexo.

Retomando a abordagem de Michael Esfeld, que aproxima quântica e o estudo dos sistemas complexos, falando de entrelaçamento quântico e a metafísica das relações, encontramos a ideia de que “[...] falar de não-separabilidade nos fornece uma compreensão convincente do que está acontecendo no entrelaçamento quântico.”43 (ESFELD, 2004, p.8, tradução nossa).

       

43

Do original em inglês: “[...] speaking of non-separability provides us with a convincing understanding of what is going on in quantum entanglement.” (ESFELD, 2004, p.8)

Esfeld apresenta casos de entrelaçamento quântico que, no seu ponto de vista, podem ser vistos como casos de não-separabilidade nos quais “[…] existe apenas um estado comum determinando certas correlações obtidas entre o sistema em questão sem que seja possível atribuir estados significantes [...] para cada um dos sistemas em questão, e isso ser relativo a outros sistemas.”44 (ESFELD, 2004, p.8, tradução nossa).

A noção de não-separabilidade remete ao fato de que, o estado de dois ou mais sistemas são não-separáveis se, e somente se, apenas o estado conjunto do todo determina completamente as propriedades dependentes de estado de cada um dos sistemas e as correlações entre esses sistemas. Assim, é a partir dessa caracterização de não- separabilidade, que o pesquisador afirma que, “[…] qualquer caso de entrelaçamento quântico é um caso de não-separabilidade, e não-separabilidade é a razão pela qual o entrelaçamento quântico é uma espécie de holismo.”45 (ESFELD, 2004, p.8, tradução nossa). Esfeld define o entrelaçamento quântico em uma perspectiva holística da seguinte forma:

1) Entrelaçamento quântico mostra que existem relações não-supervenientes entre sistemas físicos acima e além das relações espaço-temporais ( relações fortemente não-supervenientes em contraste com relações fracamente não- supervenientes) 2) As relações não-supervenientes do entrelaçamento entre as partes de uma totalidade quântica equivalem ao todo tendo propriedades intrínsecas que não supervém sobre propriedades das partes

3) Essas propriedade do todo vem para a não-separabilidade no seguinte sentido: as partes tem algumas das propriedades que pertencem à família de propriedades que fazem de alguma coisa um sistema quântico, não separadamente, mas apenas dessa forma: existem propriedades do todo que indicam a maneira através da qual as partes estão relacionadas umas às outras com respeito a algumas propriedades que fazem de algo um sistema quântico.46 (ESFELD, 2004, p.8, tradução nossa).

       

44 Do original em inglês: “[...] there is only a joint state determining certain correlations that obtain among the

systems in question without it being possible to attribute significant states […] to each of the systems in question, and be it relative to the other systems.” (ESFELD, 2004, p.8)

45

Do original em inglês: “[...] any case of quantum entanglement is a case of nonseparability, and non-separability is the reason why quantum entanglement is a sort of holism.” (ESFELD, 2004, p.8)

46 Do original em inglês: 1) Quantum entanglement shows that there are non-supervenient relations among

physical systems over and above the spatio-temporal relations (strongly non-supervenient relations in contrast to weakly non-supervenient relations). 2) The non-supervenient relations of entanglement among the parts of a quantum whole amount to the whole having intrinsic properties that do not supervene on intrinsic properties of the parts. 3) These properties of the whole come to non-separability in the following sense: the parts have some of the properties that belong to the family of properties which make something a quantum system not separately, but only in this way: there are properties of the whole which indicate the manner in which the parts are related with each other with respect to some of the properties that make something a quantum system.” (ESFELD, 2004, p.8)

Esfeld relaciona sua abordagem, que implica a reposição de uma metafísica de

propriedades intrínsecas por uma metafísica das relações, à própria metafísica de

Aristóteles onde “existe uma pluralidade de coisas individuais (substâncias) que são caracterizadas, cada uma, por propriedades intrínsecas (formas)”47 (ARISTÓTELES apud ESFELD, 2004, p.2, tradução nossa) e a uma proeminente concepção contemporânea da tese de David Lewis de Superveniência Humeana (do termo em inglês Humean

supervenience). Em Lewis, no nível básico do mundo, existem apenas qualidades locais,

no sentido de propriedades intrínsecas instanciadas por pontos espaço-temporais, ou partículas do tamanho de pontos, ou forças de campo em pontos espaço-temporais, sendo que, os pontos espaço-temporais, podem ser qualificados como coisas individuais nesse contexto.