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5. ARAŞTIRMANIN YÖNTEM VE BULGULARI

5.5. Araştırmada Kullanılan Anket Formu ve Ölçekler

Começamos a conversar a partir de uma ideia. Um start point. Você falou sobre ela, a ideia. A partir disso, do que li, entendi da sua ideia, fui colocando outras, a partir do meu repertório. Você foi colocando coisas do seu repertório. Depois a gente conversou com a Graziele. É lógico que tem que haver a negociação. Mas não sei se é a melhor palavra, negociação. Prefiro pensar na palavra rever, olhar de novo. (LA ROCCA, 2011, grifo nosso).

O processo de envolvimento da criação da primeira versão da série Instantes de

Metamorfose se inicia no segundo semestre de 2009. Desde a Banca de Qualificação,

realizada em 05 de fevereiro de 2009, havia a intenção de trabalhar com adaptações de contos de Jorge Luis Borges, de seu O Livro dos Seres Imaginários (BORGES, 2007), como entradas para discutir questões relacionadas a processos evolutivos, metamórficos, em processos de aquisição de consciência, onde o sujeito assume papel central.

Das primeiras ideias, onde uma materialidade fluida, orgânica, permeava as relações entre sujeito e espaço, até as propostas que emergiram das dinâmicas do coletivo O

Duplo, a necessidade de trabalhar a imaterialidade nas relações do sujeito com o espaço,

nas relações sensoriais que permeiam processos que envolvem recordação, memória, imaginação, se tornou cada vez mais evidente com a evolução do processo.

Um histórico do processo foi sendo construído, de forma não-linear e livre, através de anotações em um livro de notas, em um primeiro momento, e posteriormente em dois blogs online – Instants of Metamorphosis7 e nos tópicos Instants of Metamorphosis e

Let’s Processing8 do blog Ladygogogoch9. Os primeiros desenvolvimentos do processo, documentados no livro de notas, ilustram a busca por referências que ajudassem a trabalhar dimensões permutáveis de significação do eu, instáveis, integradas com o não-

       

7

RIBEIRO, Clarissa; LA ROCCA, Renata. Instants of Metamorphosis. Disponível em: <http://instantsofmetamorphosis.blogspot.com/>. Acesso em: 14 jan. 2011.

8 LADYGOGOGOCH. Let’s Processing. Disponível em:

<http://ladygogogoch.blogspot.com/search/label/Let's%20Processing%20//>. Acesso em 15jan. 2011.

9

RIBEIRO, Clarissa. Ladygogogoch. Disponível em: <http://ladygogogoch.blogspot.com/>. Acesso em: 14 jan. 2011.

humano, com o imaterial, com o que transcende a realidade física na natureza, na tecnologia, nas palavras, nas histórias fantásticas.

Figura 4.05// livro de notas: documentando o processo

Em paralelo, havia a busca por autores que dialogassem com Borges. Através de conversas informais com colegas para além das bordas do coletivo O Duplo, como os pesquisadores Marcos Marchetti e Ralf Flôres, de leituras e buscas online, a possibilidade de juntar os universos de Borges e o da escritora Clarice Lispector, foi se delineando e se destacando no processo. Foi assim que a leitura do livro Água Viva (1998) influenciou e direcionou a interpretação do conto A Bao A Qu – ser imaginário que simboliza a busca humana por evolução espiritual.

No livro de notas, os sketches iniciais mostravam uma tendência evidente de adaptação literal do conto de Borges (BORGES, 2007) e uma conexão na forma de colagens, mas de certa forma descolada, de excertos do livro Água Viva (LISPECTOR, 1998).

No que se refere à parte técnica, havia a intenção de trabalhar com resposta do sistema à movimentação da audiência no cenário da instalação onde, essa movimentação, estaria vinculada a um processo de metamorfose a partir de formas orgânicas simples, às quais estariam unidos fragmentos textuais e sons.

Essas formar primárias se tornariam mais complexas, adquirindo silhueta humana, ao final do processo de transformação, quando o participante houvesse permanecido em contato com a obra por um período de alguns minutos. Várias aquarelas foram sendo produzidas em um bloco de para desenho, tamanho A3, que passou a ser utilizado para brainstorming na forma de sketches, a partir de sugestão do pesquisador, colega no

Planetary Collegium, Professor Guto Nóbrega.

Desde o início, não existia, de um modo geral, uma expectativa com relação à forma de interação da audiência – que as pessoas se movessem de uma determinada forma ou tentassem desvendar as funções de possíveis sensores escondidos. A ideia era a de que, na instalação, as imagens em movimento, os sons, as formas, convidassem a, simplesmente estar no trabalho, e deixar-se imergir na experiência, comportando-se de forma intuitiva e pessoal, num processo que envolve uma relação de aquisição de intimidade com a obra.

No período de estágio no Reino Unido (2009-2010), no início, a tendência foi a de encontrar soluções técnicas para executar as primeiras ideias, priorizando um aprofundamento no estudo da plataforma Processing em suas várias versões para sistema operacional Windows, disponíveis para download. A idéia, que estava sendo trabalhada nesse momento (segundo semestre de 2009), previa a configuração de um ambiente escuro, com projeção do teto para o chão, onde a audiência poderia caminhar tendo seus movimentos capturados por uma câmera. Essa câmera funcionaria com um sensor, fazendo com que uma criatura, em sua forma primária, a acompanhasse, no seu encalço. Se a pessoa permanecesse no espaço da instalação por alguns minutos, se movimentando e lendo fragmentos extraídos do livro Água Viva (LISPECTOR, 1998), que estavam conectados ao corpo da criatura na projeção, a criatura iria se transformando, num processo de metamorfose, até adquirir uma forma humana, a luz azul transparente, se intensificando.

Em tutoriais com o Professor Roy Ascott, orientador da pesquisa no exterior, nas dinâmicas das sessões compostas do Planetary Collegium, foi possível conversar sobre a metáfora da espiral conectada ao processo de evolução, de ascensão espiritual. O professor observou que seria importante entender esse, como um processo não finito – a busca não termina, é um processo contínuo. Essa ideia, da espiral, estava presente no trabalho desde os primeiro sketches, de forma periférica, trazida pela pesquisadora Renata La Rocca. No entanto, o professor Ascott, considerava a importância de que essa fosse a metáfora central, a imagem mais forte. Na versão final de Instantes de

Metamorfose 01, o loop é utilizado como recurso poético e é referência à recursividade, à

não-finitude do processo, à espiral ascendente-descendente, que muitos percorrem em busca de evolução espiritual.

Em Plymouth, a interlocução com Guto Nóbrega foi decisiva no abandono das configurações dessas primeiras idéias de como o trabalho poderia vir a ser e no início da abertura para uma transformação dessas idéias. Isso só foi possível a partir de um diálogo seminal entre avanços na pesquisa e no domínio da tecnologia que poderia ser empregada, em reflexões sobre questões relacionadas ao espaço, às imagens, aos sons, às características da interatividade com a audiência. O artista – professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) – acreditava que era essencial uma desconstrução das concepções iniciais do trabalho, a abertura para novos diálogos e referências. Dizia ainda que esse processo deveria ser documentado através de desenhos emergentes para que fosse possível encontrar essências – da obra, dos artistas.

Um dia antes de regressar ao Brasil, Guto Nóbrega deu de presente à pesquisadora um livro do Studio Azurro (2008), quadrado, capa vermelha. No do livro, imagens de corpos projetados sobre mesas, superfícies. Integrando a partir desse momento o universo de referências de um dos integrantes do coletivo O Duplo, o contato com essas imagens influenciou a configuração final da obra através de processos subconscientes e conscientes de busca por metáforas capazes de traduzir os conceitos, as ideias.

Figura 6.05// Studio Azurro, trabalho integrante da exposição Ambientes Sensibles, Sala Parapalló, 23 enero al 6 de abril de 2008.

O processo de descobertas e domínio de tecnologias de hardware e software aconteceu em diálogo com o processo de construção da obra, da parte conceitual. Um diálogo que está na base do processo organizacional – o domínio da técnica influenciou as decisões,

as escolhas, a negociações das estórias entre os integrantes do coletivo. Em contrapartida, as estórias compartilhadas e o repertório de cada um dos integrantes do coletivo, influenciaram e direcionaram o aprendizado e o emprego das tecnologias de hardware e software num processo de contaminação dinâmico e generativo de mão dupla, que constrói ele mesmo o próprio sistema, é morfogenético.

A ideia da escada no conto de Jorge Luis Borges (2007) deu margem à imaginação de diversas estruturas possíveis – outras escadas, plataformas com roldanas, labirintos, espirais. Cada integrante do coletivo interpretava a metáfora de uma forma diferente, a partir das suas referências, e compartilhava e as transformava em diálogo. Em depoimento sobre a participação no coletivo O Duplo, Graziele fala sobre o conto de Borges:

Sobre o A Bao A qu:

A imagem forte da escada em espiral: uma escada mutante, referente aos ritos de passagem/evolução, uma espiral viva, que respira, ser imaginário. Como emular ou simular esse processo numa forma? E como sincronizar o processo da forma com o processo do sujeito que a experimenta?

(LAUTENSCHLAEGER, 2011).

Haveria a necessidade de construção de uma estrutura? Seria interessante mapear uma possível estrutura-escultura e fazer com que a projeção se encaixasse perfeitamente, como no obra de Pablo Valbuena10 trazida como referência por Lautenschlaeger?

Questões como essas permearam os primeiros meses de discussões e direcionaram desenvolvimentos futuros.

       

10

VALBUENA, Pablo. Augmented Sculpture series. Disponível em: <http://www.pablovalbuena.com/>. Acesso em: 14 jan. 2011.