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Bilgi Edinme Hakkı Açısından Devlet Sırrının Tespiti

2. DEVLET SIRRINA İLİŞKİN BİLGİ VE BELGELER

2.5. Bilgi Edinme Hakkı Açısından Devlet Sırrının Tespiti

A Pedreira Vitti localiza-se no município de Saltinho, localizada a 15 km do município de Piracicaba, tendo seu acesso pela SP-127. Foram estudadas as exposições de calcários da Cava da Indústria (Figura 4.8).

Figura 4.8: Localização da cava estudada dentro da Pedreira Partecal.

Um fato interessante é a ausência de corpos ígneos intrusivos (diabásio) na região da Pe- dreira Vitti, fato comum nas regiões de Rio Claro e Ipeúna (Pedreiras Partecal e Bonança), e consequente ausência de quantidades expressivas de óleo impregnados dos planos de fratura. Deste modo, uma hipótese a ser levantada é de que o calor associado às intrusões de corpos íg- neos tenha sido responsável pela maturação e migração do óleo, o que pode justificar a ausência

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SP (Rio Claro) e de Ipeúna.

É importante ressaltar a presença, logo acima do banco de carbonatos (com espessura de aproximadamente 3 - 3,5 metros), de uma camada de folhelho relativamente mais espessa que a da Pedreira Partecal, apresentando aproximadamente 15 - 20 centímetros, que é interpretada como Interface Mecânica. A Interface Mecânica faz com que certas famílias de fraturas não se prolonguem ou prolonguem pouco após ela, ou seja, é uma camada onde ocorrem mudanças nas propriedades físicas e mecânicas das rochas, fazendo com que a deformação não se propague. Observou-se, no entanto, que existem pelo menos duas Interfaces Mecânicas nos afloramentos estudados nessa pedreira, que consistem em duas camadas de folhelho, uma logo acima do banco de calcários, denominada de Interface Mecânica I, e outra sotoposta a uma pequena camada de calcário, denominada Interface Mecânica II (Figura 4.9).

Figura 4.9: Figura de localização das duas interfaces mecânicas interpretadas na Pedreira Vitti, acima do banco basal de calcário.

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Padrão de Fraturamento

Foram observadas e medidas durante o trabalho de campo pelo menos duas famílias de fraturas bem marcadas, apresentando direção NW-SE e NE-SW predominantemente. Menos frequentemente e em menor escala aparecem fraturas com direção NNW-SSE e EW.

Na análise de fotos/imagens aéreas do Google Earth Pro (Figura 4.10), pode-se observar que as maiores e principais drenagens da região de Saltinho apresentam direções variando desde NE-SW / NNE-SSW até NW-SE / NNW-SSE, sendo que mais a sul, o Rio Tietê parece ter seu curso controlado por essas duas famílias de fraturas. De um modo geral, este rio apresenta forte influência de fraturas de direção NE-SW e secundariamente de fraturas de direção NW-SE.

Figura 4.10: Imagem Google Earth Pro da região de Saltinho. Observar a estruturação das dre- nagens e do Rio Tiête, com estruturas preferencialmente NE-SW e NW-SE, como exemplificado em vermelho.

As descontinuidades observadas são classificadas como juntas, não apresentando qualquer movimentação ou presença de hidrocarbonetos associados a elas.

Família de Fraturas NW-SE

As famílias de direção NW-SE (Figura 4.11) apresentam-se com mergulhos acima de 80 - 85 graus, com máximo valor de atitude do plano igual a 48/90. Apresentam espaçamento de aproximadamente 50 centímetros no banco basal de calcário, sendo que nas camadas de calcários mais finos que compõe as intercalações com folhelhos, o espaçamento desta família apresenta-se menor que 20 centímetros.

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Nem todos os planos de fraturas da família NW cortam as interfaces mecânicas, porém, quando passam por elas, apresentam forte persistência ao longo de toda a altura do afloramento. Tais planos, extensos e pouco rugosos e sinuosos, são planos principais onde potencialmente podem ocorrer a percolação de fluidos (água e hidrocarbonetos).

Figura 4.11: Estereograma das fraturas referentes a família NW-SE. Total de 25 medidas. Má- ximo - 48/90.

Família de Fraturas NE-SW

A família de fraturas de direção NE-SW (Figura 4.12) apresentam alto ângulo de mergulho, que variam de 82 a 90 graus e com valor do máximo do plano igual a 156/90.

Apresenta espaçamento geral na faixa de 80 centímetros, sendo que este espaçamento coin- cide com a ocorrência de um plano principal de fraturas desta família, que atravessa todo o banco de calcário. Apresenta-se fechada e sem preenchimento, com planos que fraturas pouco rugosos a lisos.

Esta família porém, raramente atravessa a Interface Mecânica I, e quando atravessa não persiste por mais do que 10 - 15 centímetros, chegando no máximo até a Interface Mecânica II. Acima das Interfaces Mecânicas, nas intercalações entre folhelho e calcário, esta família de fratura não ocorre pronunciadamente, sendo pouco expressiva nas camadas mais rígidas constituídas por calcários.

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Figura 4.12: Estereograma das fraturas referentes a família NE-SW. Total de 27 medidas. Má- ximo - 156/90.

Famílias de Fraturas NNW-SSE

A família de fratura NNW-SSE (Figura 4.13) apresenta menor expressão em relação a pe- netratividade e persistência, apresentando ângulo de mergulho acima de 85 graus, sendo obser- vada apenas em certos cortes das frentes de lavras, que favorecem o afloramento desta família de fraturas.

Esta família apresenta-se fechada, sem preenchimento e com planos de fraturas frequen- temente pouco rugosos a lisos. O espaçamento é heterogêneo, apresentando uma média de espaçamento por volta de 50 centímetros.

Apresenta persistência extremamente variada, podendo ter sua terminação no próprio banco de calcário, mas nunca passando pela Interface Mecânica I.

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Figura 4.13: Estereograma das fraturas referentes a família NNW-SSE. Total de 5 medidas. Máximo - 256/90.

Análise Geral e Discussões

O estereograma geral das fraturas medidas na Pedreira Vitti está exposto na Figura 4.14, podendo observar a grande predominância de fraturas subverticais a verticais com direção NW- SE e NE-SW, e uma outra família pouco pronunciada e quase imperceptível de direção NS a NNW-SSE.

Figura 4.14: Estereograma de todas as fraturas medidas na Pedreira Vitti. Total de 56 medidas. Máximos - 48/02; 153/02; 88/01.

As famílias de fraturas de direção NW-SE coincidem com grandes lineamentos e estruturas regionais de mesma direção, como por exemplo o Arco de Ponta Grossa e os Lineamentos Gua- piara, Rio Tietê, Rio Mogi - Guaçu além dos sistemas de falhas que controlam o Alto Estrutural

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de Pitanga, sendo que as fraturas de mesma direção apresentam-se preenchidas frequentemente por óleo na região de Rio Claro (Pedreira Partecal).

A ausência de corpos ígneos na região de Saltinho pode ser um condicionante para a ausên- cia de impregnações de óleo nos planos de fraturas da família de direção NW-SE.

Nos afloramentos descritos, as fraturas de direção NW são mais persistentes que as de- mais, ultrapassando frequentemente as Interfaces Mecânicas I e II, ocorrendo tanto no banco de calcário quanto nas intercalações entre folhelho e calcário sobrejacentes, evidenciando que as fraturas NW não são barradas pela interface mecânica representada pela camada de folhelho imediatamente acima do banco de calcário.

Sousa (2002) calculou, para o conjunto de falhas com direção NW-SE, eixo de tensão prin- cipal máxima (σ1) na posição vertical, eixo de tensão principal intermediário (σ2) com atitude NNW-SSE/horizontal e eixo de tensão principal mínima (σ3) com atitude ENE-WSW/horizontal, com indicação de dois pulsos de movimentação, o primeiro associado à quebra continental me- sozoica e o segundo ao quadro de esforços vigente, neotectônico. Neste cenário, processos dis- tensivos de direção NE-SW levariam à abertura de fraturas posicionadas NW-SE, pelas quais o óleo migrou.

Estratigrafia Mecânica

Há grande relação entre o padrão de fraturamento e a ocorrência de determinado litotipo. Geralmente o que se observa na Pedreira Vitti são situações onde a camada de folhelho logo acima do banco basal de carbonatos se comporta como uma Interface Mecânica (Cooke et al., 2006), ou seja, uma camada relativamente mais dúctil que faz com que os esforços relacionados com a propagação e criação das fraturas não se propague e/ou se prolongue além dela.

Esta interface mecânica pode ser tanto contatos estratigráficos quanto camadas mais dúcteis e resistentes ao fraturamento (Cooke et al., 2006), que é o caso observado nas frentes de lavra das pedreiras estudadas.

Na Figura 3.3 observa-se justamente o comportamento geral das famílias de fraturas NE- SW e NNW-SSE, onde a grande maioria das fraturas tem suas terminações no contato entre o banco de carbonato e a camada de folhelho (Interface Mecânica I), sendo um ponto onde as propriedades físicas e mecânicas das rochas mudam. Deste modo a camada de folhelho se comporta como uma camada dúctil (Figura 3.4), não propagando os esforços das fraturas, correspondendo as duas camadas de folhelho, que foram denominadas de Interfaces Mecânicas I e II.

Família NE-SW A família de fraturas de direção NE-SW apresentam pouca continuidade em todo o afloramento, tendo suas terminação na Interface Mecânica I ou no máximo na Interface Mecânica II, como pode ser visto na Figura 4.15.

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Figura 4.15: Terminações das fraturas da família NE-SW (Pedreira Vitti): (A) Fraturas (indi- cado em amarelo) tem sua terminação na primeira Interface Mecânica indicada em vermelho; (B) Fraturas (indicado em amarelo) tem sua terminação na segunda Interface Mecânica indicada em vermelho.

Família NW-SE As fraturas da família NW-SE (Figura 4.16), que apresentam grandes per- sistências ao longo das frentes estudadas, ultrapassam as duas interfaces mecânicas observadas, tendo grande continuidade por todo o afloramento. Raramente é observado esta família persis- tindo pouco além das Interfaces Mecânicas, sendo que sempre ultrapassam as duas interfaces.

Essa família por ser mais persistente e com maior continuidade ao longo dos afloramentos, apresenta enorme potencialidade para fluxo de fluídos (água ou hidrocarbonetos), uma vez que observa-se nesta pedreira que as fraturas desta família são extensas e cortam tanto folhelhos quanto calcários.

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Figura 4.16: Terminações das fraturas da família NW-SE. As fraturas (indicadas em amarelo) ultrapassam as interfaces mecânicas I e II (indicados em vermelho) e apresentam grande exten- são e persistência ao longo da frente de lavra.

O padrão de fraturamento é controlado predominantemente pela reologia das rochas da For- mação Irati, uma vez que a persistência e extensão das fraturas são controladas pelas Interfaces Mecânicas I e II (Figura 4.17), que correspondem a rochas (folhelho) com diferentes reologias, com comportamento geralmente dúctil se comparado com as camadas de calcários.

Este padrão pode servir para prever qual família terá mais potencialidade para percolação de hidrocarbonetos ou água, podendo produzir modelo para prever onde e como ocorreram as impregnações de hidrocarbonetos ou qual serão os caminhos preferenciais para percolação de água.

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Figura 4.17: Ilustração do padrão de terminações das fraturas de cada família em relação as interfaces mecânicas. Azul = Família NNW-SSE; Vermelho = Família NE-SW; Amarelo = Família NW-SE

Desta forma, a família com maior extensão de fraturas e maior persistência, apresenta ca- minhos efetivos para percolação de fluidos, sendo que a família NW-SE e secundariamente a família NE-SW apresentam maior potencial de percolação de fluídos. Isso é comprovado pelo fato da mais de 95% do óleo encontrado na Pedreira Partecal (região de Rio Claro) estar im- pregnado nos planos de fraturas de direção NW-SE, sendo que secundariamente é observado impregnação de óleo na família de fratura de direção NE-SW.

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