ULUSLARARASI FİNANSAL KRİZLER
2.1. Uluslararası Finansal Krizleri Açıklamaya Yönelik Yaklaşımlar
2.1.1. Finansal Kriz Türler
2.1.1.2. Bankacılık Krizler
3.1 Breves considerações
A identificação, conforme vimos em Freud, longe de ser um mecanismo psíquico como muitos outros, torna-se, ao longo de sua obra, o processo fundante do eu e do aparato psíquico, fato que acaba por levá-lo a ocupar um lugar central na teoria e na prática psicanalíticas.
Florence (1994), ao abordar o tema das identificações em Freud, ressalta, sobretudo, o tratamento diferenciado dado a esse conceito na sua obra, quando comparado àquele proposto pelas teorias psicológicas. Tais teorias associavam a identificação com imitação, projeção, empatia, compreensão, etc., levando-a a ter um sentido próximo ao de igualdade ou semelhança. Para Florence (1994), foi caminhando no sentido oposto a esse que Freud pode pensar a identificação e relacioná-la ao inconsciente, “a algo que remete àquilo que não é partilhável e que, portanto, diz respeito à diferença e à singularidade” (Novaes, 2007, p. 49 e 50), e que Lacan (1999) pode avançar em direção a uma noção de sujeito não mais redutível à noção de eu, pensando a sua constituição a partir da relação deste com o Outro. Nas palavras do autor: “A Psicanálise lança-nos ao heterogêneo, ao irredutível, ao desconhecido: ao Outro. O sujeito não surge da categoria do mesmo, da imitação, do eu: eis o que a realidade do inconsciente obriga a pensar, com todo rigor” (p. 118).
E é por não se tratar de uma imitação ou de uma mera noção de igualdade que Lacan (1999) vai retomar o conceito freudiano de identificação a partir de sua teoria do significante; este que, segundo Novaes (2007) ele tomou por empréstimo da Linguística
Estrutural de Ferdinand Saussure, subvertendo-o e fazendo-o prevalecer sobre o significado, para assim evidenciar a dimensão polissêmica e de equívoco da palavra, tão fundamental à experiência analítica, bem como sua importância na relação econômica do sujeito com o seu desejo.
É então pela via do significante que Lacan, no Seminário 5, proferido em 1957/8, e no Seminário 8, proferido em 1960/1, retoma as formas de identificação propostas por Freud, em Psicologia de grupo e análise do eu (1921/1987), fazendo dessas uma releitura, na qual se articulam suas teorias acerca de dois dos três registros que, segundo ele, embasam a experiência humana: o simbólico e o imaginário.13 Disso resulta sua proposição de duas formas de identificação: a imaginária e a simbólica, que trataremos mais adiante, no terceiro tópico desse capítulo. Para esclarecer tal aspecto, faremos um resumo das formas de identificação em Freud, apontando onde Lacan avança na releitura do conceito freudiano.
Conforme vimos no capítulo anterior, Freud (1921/1987) descreve três tipos de identificação, decorrentes de três diferentes fontes. A primeira, situada como a mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa, diz respeito à história primitiva do complexo de Édipo, é anterior a qualquer investimento objetal, se dá com o pai e ajudaria a preparar o caminho do complexo de Édipo. Lacan (1999), no Seminário 5, define essa forma de identificação pelo primeiro vínculo com o objeto, relacionando- a com a identificação que ocorre em Totem e Tabu, que deriva da oralidade. Já no Seminário 9 (2003), ele afirma ser ela “aquela singularmente ambivalente que se faz sobre o fundo da imagem da devoração assimilante” (p. 67).
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O simbólico é a ordem da linguagem que contem os significantes. E o imaginário opera no campo das imagens, mais especificamente da imagem corporal (narcísica). O terceiro registro é o real, que diz respeito ao que não é simbolizável, ao que não pode ser pensado ou representado.
A segunda forma, que se dá por regressão, é quando a escolha objetal regride para a identificação e esta vem como substituta do investimento amoroso. É nessa categoria que Freud inclui a formação de um sintoma neurótico: há identificação pela via do sintoma, o que ressalta seu caráter parcial, ou seja, a sua ocorrência pela via de um traço. Lacan (2003), no Seminário 9, afirma que tanto no caso em que o eu copia o objeto amado quanto no caso em que se trata do objeto não amado, a identificação é parcial, pois envolve apenas um traço da pessoa tomada como objeto.
Na terceira forma de identificação descrita por Freud (1921/1987) não há relação de objeto com a pessoa com a qual o sujeito se identifica, embora ele ressalte seu papel igualmente importante na formação dos sintomas, tal como na segunda identificação. “O mecanismo é o da identificação baseada na possibilidade ou desejo de colocar-se na mesma situação” (p. 135), diz Freud, referindo-se ao caso da moça de um internato que, ao receber a carta de um namorado e apresentar determinada reação, tem à sua volta todas as outras moças se comportando da mesma maneira.
O autor afirma, também nesse tipo de identificação, seu caráter parcial: “a identificação por meio do sintoma tornou-se assim o sinal de um ponto de coincidência entre os dois eus, sinal que tem de ser mantido recalcado” (p. 136). Lacan (1999) refere- se a essa última identificação como a que se dá por intermédio do desejo. Para ele, quanto mais importante for essa qualidade em comum a que se refere Freud, mais bem- sucedida é essa identificação parcial, podendo, assim, contribuir para a formação de um novo laço.
No texto O ego e o id, conforme relatamos, Freud (1923/1987) retoma esses três modelos a partir da sua nova concepção de aparelho psíquico, o qual passa a ser constituído por três instâncias: ego, id e superego. Nele, a temática da identificação aparece reorganizada em dois níveis fundamentais: a identificação primária, que se dá
em relação ao superego, e as identificações secundárias (egóicas), que tomam como referência o ego.
Segundo o autor, a identificação superegóica é consequente da posição especial do superego em relação ao ego, na medida em que este é o herdeiro do complexo de Édipo (tendo introduzido no ego os objetos mais significativos, primordiais) e também pelo fato de ter sido uma identificação que se realizou ainda quando o ego era fraco e mais suscetível a influências. Já as identificações egóicas, que tomam o lugar de investimentos objetais abandonados do id e modificam o ego pela apropriação de traços, seriam posteriores e viriam a reforçar a identificação primária.
Como se pode ver, tanto em Psicologia de grupo e análise do ego quanto em O ego e o id é o caráter parcial das identificações que Freud descreve, ideia que será retomada por Lacan (2003) nas suas teorias a respeito da identificação pela via do traço único, ou do traço unário, como ele assim o denominou. Para esse autor, em ambos os textos, trata-se da identificação com o ideal do eu (ego), o qual é introjetado de forma simbólica, ou seja, como um significante de onde a pessoa possa se olhar. Nesse sentido, o pai é tomado como modelo, seja positivo ou negativo. E não se trata de uma introjeção maciça, mas de um ponto, um traço.
Novaes (2007), ao comentar as posições de Lacan frente aos textos freudianos acima citados, aponta que o autor, no Seminário 5, propõe as duas primeiras formas de identificação em termos de uma dialética, na qual “a primeira seria condição para haver a segunda, sendo esta última a tentativa de retomar o estado anterior, da primeira, onde identificação e relação amorosa não estavam diferenciadas” (p. 56). Já quanto a terceira forma, a autora afirma que Lacan (2003), no Seminário 9, a ela se refere como se dando no nível do desejo e, no Seminário 5, a define como sendo relativa ao traço unário e à identificação histérica.
Novaes (2007), ainda discorrendo sobre os comentários de Lacan acerca das três identificações nos Seminários 5 e 8, mostra que esses são complexos e pouco esclarecedores no sentido de um ordenamento. Nas palavras da autora:
No Seminário 5 ele afirma ser identificação ao traço unário o terceiro tipo. Já no Seminário 8, é às duas primeiras que ele confere este caráter. Pensamos que somente no Seminário 9 esse problema ganha outro rumo, uma vez que nele Lacan afirma ser a identificação ao traço unário a mais fundamental, a identificação estrutural, se assim podemos dizer, que resulta na própria constituição do sujeito, na inscrição do sujeito na relação com o Outro, por nela se tratar, essencialmente, da relação do sujeito com o significante. (p. 57)
O Seminário 9, conforme se pode abstrair da citação da autora, é de grande importância na consolidação da teoria lacaniana acerca da constituição do sujeito através da identificação ao traço unário. Antes, contudo, de chegarmos a ele, consideramos necessário trazer as formulações contidas nos Seminários 5 e 8, nas quais Lacan aborda a identificação pela via do significante, fazendo uma leitura bastante peculiar dos complexos de Édipo e de Castração e da noção de falo.
3.2 A identificação e suas relações com o Édipo, a castração e o falo
A busca por uma teoria da identificação em Lacan (1999), no Seminário 5, passa por uma releitura da relação da identificação com o Complexo de Édipo, o falo e a castração, feita, nesse momento, sob a perspectiva da importância do significante na constituição do sujeito.
O significante, que nesse momento do ensino de Lacan ganha lugar de destaque por representar a grande transformação que ele busca promover na sua teoria, ao
articular o campo do imaginário ao campo do simbólico, é tratado, nesse seminário, a partir de dois conceitos: falo, que advém da teoria freudiana, e Nome-do-Pai, que foi criado por ele.
Num primeiro momento desse Seminário, Lacan toma o sujeito no que ele tem de específico para a Psicanálise, apontando o fato de que ele fala e de que essa fala se dá numa relação que inclui o Outro. O Outro, como lugar dos significantes, tem, para Lacan, uma dimensão fundadora, pois desse lugar ele responde por uma significação que sustenta a autenticidade da fala, autorizando o seu ato, ou o “texto da lei” (p. 152), como Lacan assim se refere ao falar daquilo que se articula propriamente no nível do significante. Nesse sentido, Lacan situa o Outro, a quem o sujeito se endereça, não como uma pessoa, mas como “tesouro do significante, como sede do código” (p. 152), como aquilo que permite a passagem do desejo, articulado na fala pela cadeia significante, e a produção de significados.
Para além dessa dimensão de representante do código, o Outro também assume, na sua teoria, o lugar de representante da lei. Segundo Lacan, o significante que constitui a lei no sujeito é o Nome-do-Pai, ou seja, o pai simbólico, este significante essencial no Outro que instaura a lei da proibição do incesto ou lei da proibição da mãe. Sobre o Nome-do-Pai Lacan afirma: “é o significante que dá esteio à lei, que promulga a lei. Esse é o Outro no Outro” (p. 152).
A lei da proibição do incesto constitui o critério rigoroso que permite separar a cultura da natureza. A partir dela é que se pode estabelecer o limite entre o natural e o cultural e a ordem edípica pode, legitimamente, se apresentar como o substrato universal que designa a dimensão do natural no homem, permitindo ao sujeito o acesso ao registro do simbólico, ou seja, o acesso à cultura, gerado pela expressão de uma falta.
Como vimos no tópico anterior, Freud, com o intuito de pensar a questão originária do incesto e da instituição de sua interdição, lançou mão de dois mitos, o mito do Édipo e o mito do pai da horda primitiva, que foram utilizados, por ele, para explicar como o inconsciente opera nas relações do sujeito com a alteridade e a cultura.
Lacan (1966b1998), por sua vez, partindo do princípio de que o inconsciente se estrutura na forma de uma linguagem, aborda o Édipo como estrutura significante mínima, que permite a entrada do sujeito no mundo simbólico. Segundo ele, a linguagem antecede o sujeito, determinando-o e dando-lhe um lugar no simbólico. Nessa medida, demonstra como a criança se insere na ordem simbólica a partir da operação da metáfora paterna e de seu mecanismo, o recalque originário.
A operação da metáfora paterna, com a consequente inscrição do sujeito no registro do simbólico, dá-se a partir da dialética edipiana, processo que, em Lacan (1999), compreende três momentos.
Num primeiro momento, que ele denominou de estádio do espelho, a criança ainda mantém com a mãe14 uma relação de indistinção, reforçada pelos cuidados que recebe e pela satisfação de suas necessidades. Essa relação de quase fusão com ela permite-lhe a suposição de ser seu objeto de desejo.
É na posição de objeto que a criança se coloca no lugar daquilo que ela supõe completar o que falta à mãe (o falo). Ao querer constituir-se como falo materno, a criança se coloca como único objeto de desejo da mãe, assujeitando seu próprio desejo ao dela. Nesse sentido, a criança identifica-se imaginariamente com aquilo que é o objeto de desejo de sua mãe, constituindo a etapa fálica primitiva. Para Lacan (1999),
esse momento de identificação imaginária ao falo é fundamental, na medida
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Quando utilizarmos os termos mãe ou pai estaremos nos referindo, respectivamente, à função materna e à função paterna, ou seja, a um lugar simbólico a ser ocupado por um adulto, que pode ser o pai, a mãe ou qualquer pessoa que os substituam.
em que desempenha uma função unificadora de um corpo que a princípio é um corpo despedaçado.
Nesse primeiro momento, a problemática fálica situa-se sob a forma da dialética do ser. A natureza do objeto fálico com a qual a criança identifica-se confere um caráter imaginário a essa relação, uma vez que pressupõe a ausência da instância mediadora (o pai simbólico).
O segundo tempo do Édipo parte justamente da introdução da instância paterna, que intervirá na relação mãe-criança-falo sob a forma de privação. A entrada do pai na relação intersubjetiva mãe-criança, como quem tem o direito àquilo que diz respeito à mãe, é vivida pela criança como uma frustração. A mãe, por sua vez, vê-se privada do falo suposto: a criança identificada como seu objeto de desejo. Dessa forma, a criança é introduzida no registro da castração pela entrada em cena da dimensão paterna.
O pai, como objeto rival, aparece, portanto, como um terceiro, nessa relação, e se apresenta como objeto do desejo da mãe, como aquele que é, imaginariamente, o falo. Tendo deslocado o falo para o lugar da instância paterna, a criança depara-se com a lei do pai, fundada no pressuposto de que a própria mãe depende dessa lei. Portanto, para responder às demandas da criança, é preciso que, por meio da mãe, esse desejo passe necessariamente pela lei de desejo do Outro paterno (Lacan, 1999). Conforme Lacan (1999), tem-se aí a chave da relação do Édipo e de seu caráter essencial: a relação da mãe com a palavra do pai e com aquilo que ele é suposto possuir, que a satisfaz e regula o desejo que ela tem de um objeto que não é mais a criança. Ela se remete ao desejo de um outro, reconhecendo a lei do pai como aquela que mediatiza seu próprio desejo. O pai que priva é o que apresenta a lei. Com essa descoberta, a criança significa o desejo da mãe como submetido à lei do desejo do Outro, o que implica que seu próprio desejo depende de um objeto que o outro é suposto ter ou não ter.
A criança, nessa perspectiva, tem acesso à simbolização da lei do pai, confrontada com a questão da castração na dialética do ter. A incerteza psíquica, forçada pela função paterna, coloca em questão seu desejo, permitindo-lhe confrontar-se com o registro da castração pela instância paterna. A criança se dá conta de que não é o falo e de que também não o possui, assim como sua mãe.
É no terceiro momento, tempo de declínio do complexo de Édipo, que a criança irá dialetizar os outros dois tempos. Ao colocar o pai no lugar daquele que tem o falo, e não como aquele que o é, a criança também se coloca na condição de poder produzir para si algo que reinstaura a instância do falo como objeto desejado por ela, e não mais apenas como objeto do qual o pai pode privá-la. Ocorre então, nesse momento, um novo deslocamento do objeto fálico, no qual a instância paterna deixa seu lugar no imaginário para advir ao lugar de pai simbólico, lugar onde será investido como aquele que tem o falo.
Nessa operação, a criança deixa de lado o desejo de ser o falo para aceitar a problemática de ter o falo. A dialética do ser e ter põe em jogo as identificações. O menino se inscreverá na lógica identificatória a partir do momento em que renuncia a ser o falo e se engaja na dialética de tê-lo, identificando-se com o pai, que ele supõe ter. A menina se identifica com a mãe, deparando-se com a dialética do ter a partir do não ter. Como a mãe, ela sabe que não tem o falo e tratará de buscá-lo naquele que o possui, o pai.
O que se torna estruturante é o fato de o falo voltar a seu lugar de origem (ao pai) por meio da preferência da mãe, a qual irá desencadear a passagem do ser ao ter e determinará a instalação da metáfora paterna. É por meio da metáfora paterna e de seu mecanismo fundamental, o recalque originário, que a criança efetuará uma substituição,
colocando um novo significante, o Nome-do-Pai, no lugar do significante originário do desejo da mãe (o falo). À medida que o significante originário (o falo) é substituído pelo novo, automaticamente ele é recalcado, passando para o inconsciente, o que permite à criança efetivar a renúncia ao objeto inaugural de desejo, tornando inconsciente o que antes o significava.
Ao final da substituição metafórica, o pai será sempre referido ao falo como um puro significante. Produzindo o Nome-do-Pai, a criança estará nomeando, metaforicamente, o objeto fundamental de seu desejo, embora sem o saber, já que o significante originário foi recalcado. A identificação com o pai, conforme Lacan (1999), é feita nesse terceiro tempo, sendo a partir daí que ele é internalizado como Ideal do eu. O autor ressalta que, apesar de só surgir como figura revelada nesse último momento do Édipo, o pai está presente desde o início, uma vez que “a primazia do falo já está instaurada no mundo pela existência do símbolo do discurso e da lei” (Lacan, 1999, p. 198), do qual a mãe é dele mesmo portadora.
É por intervir como portador do falo, nesse terceiro momento do complexo de Édipo, que o pai é internalizado no sujeito como ideal do eu, dando-se a partir daí, o declínio da vivência edipiana. A metáfora paterna, por sua vez desempenha, nesse momento, exatamente o que se espera de uma metáfora: “leva à instituição de alguma coisa que é da ordem significante, que fica guardada de reserva e cuja significação se desenvolverá mais tarde” (Lacan, 1999, p. 201).
Todo esse processo é, no entanto, passível de falha na estruturação simbólica, falha essa que implicará na foraclusão15 do Nome-do-Pai, uma vez que é esse significante que ratifica a mensagem do código, garantindo que a lei se apresente, para
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O termo foraclusão é do vocabulário jurídico francês e significa um processo ao qual não se pode mais apelar, pois o seu prazo legal expirou. Ele foi utilizado por Lacan para designar a não inscrição, a tempo, do significante Nome-do-Pai na psicose. (Roudinesco, E. & Plon, M., 1998)
cada um, como autônoma. Nesse sentido, Lacan (1999) assinala a importância, durante a passagem do sujeito pelo Édipo, que ele não somente tenha adquirido a dimensão do Nome-do-Pai, mas também que saiba se servir dele adequadamente.
A maneira do sujeito se servir do Nome-do-Pai vai propiciar resultados, destinos e histórias de vida singulares. Nos casos de neurose, temos um Nome-do-Pai que vem ocupar o lugar do desejo da mãe e promover a metáfora paterna, a significação fálica e a lei simbólica. Já nas psicoses, verifica-se que o Nome-do-Pai não funcionou como ponto de basta, ancorando a linguagem. Assim, o que se tem é um sujeito habitado por uma linguagem à deriva, essencialmente delirante.
Segundo Novaes (2007), o recalque produzido a partir da metáfora paterna, a instituição de um significante cuja significação se desenvolverá mais tarde e o fato de a primazia do falo estar instaurada no mundo pela existência do símbolo do discurso e da lei levam Lacan (1999) a conceber o falo não mais reduzido apenas ao objeto de desejo da mãe, ao qual o sujeito se identifica imaginariamente, mas como um significante fundamental para o qual converge o que aconteceu durante a captação do sujeito humano no sistema significante. Nas palavras do autor:
A função constitutiva do falo, na dialética da introdução do sujeito em sua existência pura e simples e em sua posição sexual, é impossível de deduzir, se não fizermos dele o significante fundamental pelo qual o desejo do sujeito tem que se fazer reconhecer como tal, quer se trate do