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B. Bölgesel Kalkınmada Bölgesel Kalkınma Ajanslarının Rolü

1. Bölgesel Kalkınma Ajansları Tanımı

O exercício dialético da segunda parte do diálogo, no qual Parmênides examina as conseqüências que decorrem, tanto da afirmação quanto da negação da existência do Uno, exame esse que se desdobra em 8 Hipóteses (ou deduções), tem por objetivo ajudar Sócrates a resolver as aporias da Teoria das Idéias (cf. 135c-e). Apesar disso, a maioria dos críticos considera que esse exercício e, conseqüentemente, o Parmênides como um todo, é aporético:

ele seria apenas um exercício intelectual para treinar Sócrates na dialética, sem o desenvolvimento de qualquer doutrina filosófica (cf. Ross 1989, p.121-3).

Consideramos que essa interpretação é falha, pois ela baseia-se unicamente nas conclusões das 8 Hipóteses. Essas conclusões são as seguintes: de acordo com a 1ª Hipótese, se o Um é, ele não tem nenhuma propriedade (semelhante e dessemelhante, igual e desigual, limitado e ilimitado, grande e pequeno, etc.); mas, na 2ª Hipótese, conclui-se que o Um tem propriedades opostas; na 3ª Hipótese os Outros participam no Um e têm propriedades opostas; mas, na 4ª Hipótese, não participam no Um e não têm nenhuma propriedade; de acordo com a 5ª Hipótese, se o Um não é, ele participa do Ser, e, na Hipótese 6, não participa do Ser e não tem nenhuma propriedade; pela Hipótese 7, os Outros parecem ter propriedades opostas e, na Hipótese 8, parecem não ter nenhuma propriedade. Portanto, as conclusões das Hipóteses são contraditórias entre si. Além disso, as Hipóteses 2, 3, 5 e 7, atribuem ao Um propriedades contraditórias. Todas essas aporias ficariam bem caracterizadas na frase-resumo no final do Parmênides: “Quer o um seja, quer não seja, tanto ele mesmo quanto as outras coisas, tanto em relação a si mesmos quanto em relação uns aos outros, todos totalmente tanto são quanto não são, e tanto parecem quanto não parecem ser” (166c).

Assim, Luft (1996, p. 473-4), por exemplo, comenta que, “por um lado [na 1ª Hipótese], temos um Uno que é absoluto, por outro lado [na 2ª Hipótese], Um que é a multiplicidade por excelência; de um lado, não dizemos nada, de outro, nos contradizemos”. A 3ª Hipótese (se existe o múltiplo, esse é uno e múltiplo), seria a “própria contradição”, e a 4ª Hipótese mostraria que o múltiplo não existe, o que é evidentemente falso. A lição do Parmênides seria que pensar o Uno e o Múltiplo levaria ou a contradições ou a considerá-los como mutuamente excludentes, “o que faz com que eles não possam ser pensados”. O Parmênides indicaria um “descaminho da razão”, uma via de investigação a ser evitada. Sir David Ross (1989, p. 115), cuja opinião sobre o exercício dialético citamos acima, em seu

comentário limita-se a listar as conclusões das 8 Hipóteses; Guthrie (1992, vol. V) em 14 páginas (p. 48 a 63) examina as críticas de Parmênides à Teoria das Idéias, mas usa um único parágrafo para comentar esquematicamente apenas as duas primeiras Hipóteses (p. 66), a partir do que conclui que a segunda parte não oferece “nenhum resultado positivo” (p. 50) e que as ambigüidades que causam as aporias do Parmênides só seriam esclarecidas no Sofista (p. 70).24

Acreditamos, e tentaremos demonstrá-lo a seguir, que a segunda parte do Parmênides não é aporética mas, ao contrário, traz importantes resultados positivos que, inclusive, serão pressupostos na solução do problema do Não-Ser no Sofista.

A aparência de aporia deve-se à estratégia argumentativa de Platão. Segundo Cornford,

a tarefa de descobrir, por si mesmo, as ambigüidades das Hipóteses e as falácias das deduções é do leitor. A conclusão que se deveria aceitar se encontra oculta, para obrigar o leitor a descobri-la mediante um estudo cuidadoso. Ela é indicada discretamente, antes do final, e na continuação se expõe um argumento que parece colocá-la em dúvida, mas essa impressão desaparece, se consideramos atentamente o que prova realmente o argumento (Cornford, 1989: p. 340-1)

Miller (1986) chegou a conclusões análogas em seu comentário sobre o Parmênides. Segundo ele, os diálogos apresentam quatro momentos-chave em sua argumentação:

(1) Há, inicialmente, uma elucidação prévia do tema da discussão, que é feita através de uma série de perguntas que obrigam o interlocutor a expressar da forma mais clara possível a posição que ele defende. (2) O filósofo então refuta o interlocutor colocando-o em aporia,

24 Outros autores tentam minimizar o impacto negativo das aporias da segunda parte afirmando que elas seriam

reduções ao absurdo feitas com o objetivo de ridicularizar a doutrina eleática e/ou megárica do Ser Uno, reduzindo-a ao absurdo a partir de suas próprias premissas. Platão usaria as falácias e contradições tipicamente eleáticas de forma consciente com o objetivo de denunciá-las, sem porém as resolver (analogamente ao que fez no diálogo Eutidemo). Taylor as considerava uma polêmica humorística “sumamente divertida”, observação que provocou a resposta de Cornford: neste caso, o Parmênides seria a “brincadeira mais tediosa de toda a história da literatura” e seria necessário “um peculiar senso de humor” para se divertir com um texto que é “seco e prosaico como um manual de álgebra”, bem como a reclamação de Ross: “eu não me diverti”! (citado por Cornford, 1989, p. 20).

em um impasse. (3) Platão apresenta uma nova tese que permite superar a aporia. É a parte mais profunda e original do diálogo (p. ex: introdução das noções de symplokê entre as Idéias e de Outro como diferença no Sofista 251a ss, 257d ss). O diálogo, porém, não termina neste ponto. (4) Há um retorno ao tema da discussão principal, onde, porém, surpreendentemente o interlocutor cai de novo em seus erros iniciais ou nas dificuldades que levaram à primeira refutação (p. 6-7).

Qual é a função desse momento de retorno? Conforme Miller, esse seria o momento decisivo dos diálogos, pois é onde Platão testa o interlocutor, para ver se ele é capaz de entender e aplicar a nova solução proposta. Mas por que esse teste sempre falha? Essa falha teria o objetivo pedagógico de testar os leitores dos diálogos de Platão: o fracasso do interlocutor (que é apenas um personagem no diálogo) em passar no teste é um desafio ao leitor do diálogo.

Tendo colocado o interlocutor frente a si mesmo (elucidação), exposto as suas limitações (refutação) e providenciado as bases para a superação destas limitações (a reorientação do insight) e, agora, fazendo o interlocutor fracassar no insight, Platão desafia o ouvinte a se recuperar por si mesmo (p. 8).

A falha do interlocutor e a aporia final do diálogo fariam o leitor “distanciar-se criticamente” das teses expostas e o colocariam na necessidade de tentar resolver por si mesmo os problemas, usando os elementos apontados no diálogo (p. 8-9). A solução, para Platão, não deve permanecer algo exterior, uma opinião recebida de outro, mas deve tornar-se algo próprio do leitor do diálogo.

Se essa interpretação está correta, então podemos encontrar a solução para as aporias no próprio diálogo, embora ela não esteja assinalada de forma explícita. A solução para as aporias se encontra, em nossa opinião, no ponto de partida de cada uma das Hipóteses, isto é, no significado da expressão “o Um é” em cada caso.