4. AMORTİSMAN MUHASEBESİ VE VERGİ USUL KANUNU’NDA AMORTİSMAN
4.5. AMORTİSMAN KAYIT YÖNTEMLERİ VE AMORTİSMAN KONUSUNDA ÖZEL DURUMLAR
A escolha da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo para constituir um contexto formado pelos textos que abordam questões relativas à terra significa o trabalho com a própria materialidade jornalística. Acreditamos que, por meio do conjunto dos textos desses dois grandes jornais, é possível compreender a instância enunciativa como lugar de destaque nas relações entre o discurso e o contexto em que se inserem as questões sobre o tema da terra no jornalismo do Pontal do Paranapanema.
Fomos a diversas fontes: livros; revistas; artigos científicos; textos governamentais, disponíveis na Internet, específicos para informações sobre a questão agrária. Em todos os textos, reconhecemos o perigo de uma leitura falseada para os dizeres comunicados. Os discursos pedagógicos e políticos, na argumentação bem construída para revestir pontos de vista capazes de persuadir qualquer leitor, não fogem ao fazer persuasivo do enunciador, por isso mesmo, não podiam servir de critério para observar a veracidade dos dizeres construídos nos jornais do Pontal. O discurso que emanava dos textos pesquisados, centrado ora em dados negativos, ora em positivos, mostrou-se como um certo “caos” das falas sobre as questões a que visávamos. Construídos ora como dizeres verdadeiros para informações indiscutíveis, com fortes apelos para efeitos de sentido de objetividade, isso já se constituía em motivo de sobra para afastá-los como fonte de pesquisa. Foi, então, em decorrência disso, que passamos a ver nos textos jornalísticos uma possibilidade para a contextualização pretendida. A crença era a de que os fatos linguageiros, de cores e matizes variados, fossem uma opção adequada para inserir os textos de O Imparcial e Oeste Notícias, com a vantagem de localizá-los num quadro social geral, ou seja, em formações ideológicas contrárias ou contraditórias, permitindo a visualização das questões contempladas.
Na multiplicidade da linguagem jornalística, sujeitos às coerções de cada gênero da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, juntando/separando trigo e joio, passamos à seleção do material para o tecido deste texto cuja finalidade é a de chegar a um conjunto de outros textos para inserir o corpus, a ser analisado no próximo capítulo. Convém deixar claro que esse conjunto resulta da leitura de um sujeito que, sem a pretensão de levar a uma
exaustividade horizontal, tem a consciência de impossibilidade de esgotar todas as informações em extensão, não tendo nenhuma ilusão de que este trabalho dê conta de todos os discursos produzidos sobre a temática agrária em 2002 pelos dois grandes jornais de São Paulo. Convém também deixar claro que o olhar sobre os objetos semióticos analisados deve ser reconhecido como construção de um “eu”, sujeito de cognição, que não tem como se livrar das dimensões sensíveis e afetivas, em maior ou menor grau. Dessa maneira, a leitura, produção do ponto de vista de um observador, que não pode se tornar puro sujeito de observação, puro espectador absoluto que suponha ou que, no idealismo de todo analista, possa formar uma ordem de fatos datados e localizados por uma multiplicidade plana. Como sujeitos de cognição e de sensibilidade, membros de uma sociedade de leitores, estamos sempre a exercitar nossa competência para a atividade de leituras, para a interpretação de discursos que integram nossa vida social, cuja competência faz parte da bagagem de conhecimento e que nos define como atores sociais, protagonistas do inteligível. Chamamos a atenção para o fato de que não há nenhuma ingenuidade em admitir a fidedignidade dos dois veículos de comunicação em relação aos acontecimentos factuais.
É assim que, mesmo não tendo a intenção de nos enlaçarmos a determinados valores cristalizados culturalmente, vimo-nos fixando o olhar para enxergar efeitos de sentido, que podem ser questionados por outros observadores, os quais, não tendo a mesma visão, podem denunciar uma visibilidade ideologicamente marcada.
Como arqueólogos, tentamos escavar no monte de jornais empilhados durante um ano inteiro, manuseando cada texto à caça de temas e figuras resultantes das “escolhas” enunciativas dos discursos produzidos pelos dois jornais diários de São Paulo para garimpar, em cada página, a temática da terra, na obtenção do material para a construção do contexto sócio-histórico, de tal sorte que permitisse abrigar um panorama das questões agrárias na sociedade brasileira, no último ano do governo FHC. Sem querer confirmar ou negar a problemática da veracidade de dizeres no interior dos discursos enunciados por esses dois veículos, deixamo-nos conduzir sempre pelo texto que oferecesse a possibilidade de vislumbrar as questões pretendidas.
Decorrente de uma estrutura fundiária na qual coexistem os mais diversos problemas com a terra: latifúndios, minifúndios, empresas rurais, grandes extensões de terras devolutas, grileiros, arrendatários, bóias-frias, sem-terra, assentados, o governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo acertado bem ou mal suas contas com a sociedade rural brasileira, trouxe para o centro da mídia o intrincado tema das questões agrárias, no último ano de seu
mandato. Somando a problemas estruturais, as expectativas e ilusões alimentadas por promessas políticas levaram a questão a ser considerada uma das mais espinhosas enfrentadas pelo governo. Depois de incluir a reforma agrária como uma das prioridades, FHC, que teve seu primeiro governo marcado por dois massacres em conflitos no campo (Corumbiara (RO), em 1995, e Eldorado do Carajás (PA), em 1996); no seu último ano de mandato, sofreu particularmente as conseqüências do conflito agrário, quando teve sua propriedade rural invadida.
Carajás incentivou o recrudescimento das ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, surgido no Sul nos anos 80 e que mantinha uma atuação relativamente discreta. Sob holofotes, o MST descobriu a ocupação de terra como arma de pressão política, com um aumento cada vez mais crescente. De acordo com um caderno especial “Anos FHC” (Folha de S. Paulo,19/12/2002), “de 146, em 1995, o número de áreas invadidas saltou para 599 em 1998”. Para uma avaliação do governo, que encerrava sua segunda gestão, foram publicados diversos artigos sobre diferentes assuntos: consumo, renda, saúde, trabalho, cuja finalidade era fazer uma avaliação da era FHC. Interessou-nos, especialmente, o artigo assinado pelos jornalistas José Maschio e Eduardo Scolese, por nos colocar diante de um panorama geral sobre as questões agrárias. Aparece em destaque a atuação do MST que, segundo os articulistas, diversificou suas ações, organizando marchas, saques, invasões, que culminaram numa reação do então ministro da Justiça, Renan Calheiros, ao determinar que, toda ação do MST encontraria uma reação judicial.
De um lado, a reação das autoridades. Mesmo reconhecendo a importância do MST enquanto movimento social condenavam a sua atuação, por temer uma escalada na prática da violência à propriedade e ao patrimônio público. De outro, um dos principais ideólogos do MST, João Pedro Stedile, justificava a radicalização naquele momento para que obtivesse uma reação do governo para o cumprimento daquilo que dizia não estar sendo cumprido. Diversas foram as dificuldades enfrentadas durante o processo de reforma agrária nos anos FHC: disputas jurídicas, mortes, prisões e uma constante tensão entre fazendeiros e sem-terra.
Disseminou-se um temor de que o MST estaria se associando a movimentos guerrilheiros como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e agentes cubanos. Em alguns textos falava-se que essas notícias não passavam de estratégias governamentais (a que o MST denominava de “criminalização”), para impedir o movimento dos sem-terra de continuar com suas ações, fossem na zona rural ou nas zonas urbanas – com
invasão de prédios públicos e saques de alimentos, especialmente no Nordeste. No entanto, a luta pela terra ganhou espaço em toda a mídia. No material recolhido durante todo o ano de 2002, era rara a edição que não trazia uma notícia sobre a questão agrária, especificamente sobre a ação dos sem-terra. Em um texto publicado nos dois referidos jornais, achamos uma explicação para a “judicialização dos movimentos sociais”, ou seja, o Poder Executivo agindo em consonância com o Poder Judiciário no combate às ações do MST. Aparece nesses textos a defesa do então secretário de Reforma Agrária do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edson Luis Vismona sobre a necessidade de o Estado agir com rigor no combate às ações do MST por ultrapassar a luta pela terra: “O MST faz política ideológica e suas formas de se manifestar ultrapassaram também os limites da lei” (Folha S. Paulo, 19/12/02).
Por ter apresentado a seus eleitores, na campanha presidencial de 1994, a promessa de resolver o problema da injusta concentração de terra, mediante farta distribuição de lotes, aumentaram, assim, as expectativas da sociedade e dos movimentos sociais em relação à reforma agrária. Se uma das características da sociedade brasileira é procurar os governantes que vendam ilusões, este foi o princípio que orientou o programa de governo em dois mandatos. Para aqueles que sonhavam com seu pedaço de terra, a ilusão passou a mobilizar a todos. A candidatura do sociólogo representava a expressão daquela valorização da democracia que estava no núcleo das decisões de constituir uma sociedade pavimentada em interesses e perspectivas indicadoras de avanço e progresso. E a promessa de resolver o problema da injusta concentração de terra, no Brasil, mediante farta distribuição de lotes, passou a ter grande apelo eleitoral, constituindo-se numa certeza para a população dos sem terra: que seria exeqüível, em quatro anos.
Para o que não foi sendo executado, brotavam discursos como justificativa diante de medidas que não se realizavam. Assim, uma dessas justificativas era de que, em tempos de globalização de mercados, de sofisticação tecnológica e de alta competitividade, limitar-se a distribuir terras entre os pobres do meio rural, teria efeito contrário ao pretendido. Ao invés de levar justiça social, garantiria a reprodução da pobreza no campo. Fazemos estas afirmações, já antecipando as leituras das quais vamos, aos poucos, puxando fios visivelmente distintos de duas “verdades”, que se contrapõem: a terra ligada à produtividade e a terra ligada à questão fundiária.
De um lado, efeitos de sentido de modernidade de um sistema agrícola brasileiro do desenvolvimento, que atinge um grau de produtividade espantoso, em vista da aplicação cada vez maior de tecnologia, como adubos, técnicas de pesquisas com transgênicos,
máquinas, sistemas de irrigação, levando a safras que alcançam índices cada vez maiores e suplantando, ano a ano, recordes anunciados pela mídia. O agronegócio para exportações é a realidade econômica a que os jornais dedicam páginas inteiras, como orgulho nacional mostrado em editoriais, reportagens extensas ilustradas, com infográficos, etc: “Expansão no campo. Lucro com exportação em 2001 capitalizou empresas, que planejam gastar mais com expansão” (Folha,01/9/02) “Os agronegócios salvam a indústria” (Estado, 07/7/02). “Brasil, líder agrícola. Estabelecidos ficamos pelas exportações, agora é sustentá-las com competência” (Estado, 01/5/02).
Do outro lado, a temática da questão fundiária. Somada ao trabalho escravo, em seu bojo, trazia a fome, que se agravava nas zonas rurais, levando ao aumento da violência pela disputa da terra.
Pela própria natureza capitalista de nossa economia, a propriedade da terra no Brasil, sempre apresentou uma tendência concentradora, mas que vem exacerbando com o grande capital financeiro, levando a terra a se tornar uma especulação imobiliária. Acumuladas em enormes glebas, a terra fica cada vez mais distante da finalidade de produção, para tornar-se um bem especulativo do mercado econômico. Os mecanismos estatais de correção de desvios (Estatuto da Terra, atuação do Incra ou do Ministério da Agricultura ou Reforma Agrária) comparecem, mas a sociedade reclama pela eficácia necessária desses dispositivos sociais que não solucionam os problema advindos de irregularidades na aplicação das leis. Conforme não se executam as medidas governamentais, assiste-se ao aumento de uma enorme massa daqueles que reivindicavam um pedaço de terra para o trabalho.
Tivemos acesso a um site da Secretaria de Comunicação do governo FHC, de onde emergia um discurso cujo simulacro montado para fazer parecer verdadeiro, trazia a explicação sobre a questão fundiária como uma representação bastante “correta”:
Trata-se, na verdade, de reformar a reforma agrária: substituir a velha visão restrita, fundada apenas no distributivismo, por um conjunto articulado de políticas públicas, sintonizadas com as exigências dos novos tempos. A busca determinada de novas soluções para um velho problema poderá, efetivamente, modificar a estrutura agrária brasileira e contribuir para a redução das desigualdades, no meio rural.
Esse foi o caminho escolhido pelo atual governo. Disponível em: <http.ministeriododesenvolvimentoagrario.gov.br>. Acesso em 25 set 2003. O texto segue, elencando os feitos do governo FHC em relação à distribuição de terras, vangloriando-se do número de assentados e concedendo os louros de uma vitória atribuída ao presidente. São citações bastante longas, mas que transcrevemos porque os
dados, sobretudo, os numéricos são indispensáveis para precisar as informações sobre o assunto.
[...] 280 mil famílias, em quatro anos de governo, é modesta e audaciosa, ao mesmo tempo. É modesta, diante da magnitude do problema fundiário brasileiro, mas é audaciosa, se comparada ao que foi feito ao longo da história do país.
Hoje, além de figurar com destaque na agenda social do Brasil, a reforma agrária começa a superar velhos preconceitos e derrubar resistências. Pela primeira vez, há um consenso, na opinião pública brasileira, de que é preciso fazê-la. Tradicional bandeira das esquerdas, a luta por justiça social no campo, desde que travada dentro da lei, conta hoje com o apoio dos demais setores da sociedade.
Essa talvez seja a maior vitória já obtida pela causa da reforma agrária no Brasil, capaz de tornar irreversível o processo de desconcentração fundiária. A adesão da sociedade, buscada pelo governo e impulsionada com vigor pelos movimentos sociais organizados em defesa do direito à terra, tornou possível ao atual governo não só cumprir, mas superar, ligeiramente, as metas [...]
Para um país do tamanho do Brasil, os 3.502.252 hectares desapropriados ou adquiridos pelo governo, em dois anos, e distribuídos entre 104.956 famílias podem parecer pouco. No entanto, trata-se de uma extensão de terra superior à da Bélgica, por exemplo, e que passou a abrigar cerca de 350 mil pessoas. Comparado ao que foi feito ao longo da história do país o resultado também é expressivo: em apenas dois anos, o governo Fernando Henrique já assentou um total de famílias equivalente a quase metade de tudo o que havia sido executado antes - 104.956 contra 218.033 famílias (excluindo-se os projetos de colonização). Isso representa assentar por mês sete vezes mais famílias do que a média dos governos anteriores. Disponível em: <http.ministeriododesenvolvimentoagrario.gov.br> Acesso em: 30 set. 2003. O panorama da sociedade rural brasileira não dava lugar a visões negativistas, já que as previsões numéricas eram promissoras. Apresentavam-se nos meios de comunicação dados para informar que havia um grande número de terras que se prestavam à desapropriação, que daria para assentar mais de 180 mil famílias.
Se podemos nos referir a um clima de otimismo, de esperança que nutria o discurso político, essa onda de positividade contaminou aqueles que desejavam aproveitar esse momento histórico, passando, assim a cobranças efetivas. Referimos aqui ao MST, que teve uma atuação constante para atingir seus objetivos: assentar as famílias. Contrapondo-se à atuação desse movimento, aparece a onda de discursos em prol dos grandes proprietários de terras do país, a exigir por novos padrões de escala de produção e tecnologia, de acordo com as exigências do mercado. Desse dualismo emergiam, então, discursos de dois segmentos distintos na sociedade agrária brasileira: os possuidores da propriedade rural, e os que não a têm e lutam pela terra.
A leitura dos dois jornais regionais (O Imparcial e Oeste Notícias) e Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo foi um processo bastante longo. Desde a assinatura, fomos elencando as diversas temáticas ligadas à terra, num percurso de leitura por todo o material coletado. Depois de agrupado em categorias temáticas, foi possível visualizar um panorama geral da sociedade brasileira, que se constituía num substancioso manancial de referências para a focalização do cenário específico das questões agrárias do Pontal do Paranapanema, que consistiria no corpus.
No primeiro momento nos debruçamos exaustivamente garimpando a temática, abordada sob os mais diferentes ângulos: questões ambientais, as disputas pela terra (litígios diversos, tendo o MST como personagem de destaque), questões político-governamentais, jurídicas e econômicas, o espaço geográfico para o turismo, pesquisas científicas, (novas tecnologias para o agronegócio, os transgênicos, que causaram acalorados debates entre defensores e detratores desse tipo de cultivo), etc. Com olhos fixos na terra, as leituras foram- se desencadeando no volume quase incontável de um ano de Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.
Ao explicitarmos as vinculações entre os conteúdos das mensagens divulgadas pelos dois grandes jornais e os acontecimentos ocorridos ao nível do processo social brasileiro, já podíamos perceber que se tornaria mais clara a leitura dos textos de O Imparcial e Oeste Notícias, com os quais já mantínhamos um contato preliminar de análise, e cujas temáticas podiam ser incluídas, indubitavelmente, no repertório da política nacional como um todo. Acreditávamos, então, que esse panorama histórico nacional, visto, sobretudo, por seu conteúdo de informações, constituir-se-ia no complexo sistema de valores para fundamentar os sentidos de tudo o que se produziu nesse mesmo período, no jornalismo impresso do Pontal do Paranapanema.
A leitura e seleção dos temas relacionados à terra, conforme já dissemos e voltamos a afirmar: a questão agrária foi uma das mais espinhosas da era FHC, com um número crescente daqueles que reivindicavam terra, transformando-se num verdadeiro “barril de pólvora” pronto para explodir e que encontrava no MST o veículo para exprimir sua insatisfação. A ênfase maior dada pelos jornais na publicação de temas ligados a conflitos indica a ocorrência, durante o ano em análise, das ocupações de terra como arma de pressão política com o crescimento e radicalização do MST, que não poupou nem mesmo as terras do próprio Presidente (conforme referimos acima, teve uma de suas propriedades rurais invadidas). Mas, a temática da terra não se resumiu à ordem de conflitos. Como uma
categoria, poderíamos pensar que seriam colocados na ordem da negatividade. Entretanto, nasciam também, nessa mesma categoria dos conflitos, discursos da ordem da positividade e da neutralidade. Trocando em miúdos, deparamos com as idéias a favor dos conflitos em prol da terra, ou aqueles que, mesmo sem uma direção, criavam as condições para refletir sobre o assunto. Sem dúvida alguma, o volume quanto à negatividade, se fosse medida estatisticamente, representaria 90% de todo o material recolhido. Seja pela defesa da propriedade da terra (os fazendeiros), seja pela sua reivindicação dos que a desejam (os sem- terra, grileiros, posseiros, índios), a luta pelo espaço rural constituiu-se num manancial de referências para os produtores de textos jornalísticos.
Numa entrevista publicada pela Série Textos para Discussão, volume 3, do jornalista Jair Borin, que participou de um encontro de pesquisadores e jornalistas sobre questões agrárias, Brasil Rural – Na Virada do Milênio, encontramos uma explicação, para a questão dos conflitos, a mídia e o governo FHC:
[...] se, no primeiro mandato a imprensa foi simpática com a questão rural, quando surge, tanto na novela quanto no próprio noticiário, uma visão menos hostil e criminalizadora das atividades do MST” [...] o quadro se reverte no segundo mandato [...] Acredito que essa hostilidade partiu da própria política do governo em relação à mídia, da mesma forma como Sarney transformou as atividades relacionadas ao Plano Nacional de Reforma Agrária em atividades hostis ao capital [...] Em alguns discursos usou-se, inclusive a palavra caridade para justificar o programa em curso [...]