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3.7. Başka Ülkelerde Metropoliten Yönetim Sistemleri ve Politikalarına Dair

3.7.1. Amerika Birleşik Devletleri’nde Metropoliten Yönetim

Faz-se necessário um maior aprofundamento sobre a noção de objeto porque é em torno dela que girará toda a questão da alteridade e, portanto, da relação do malfeitor com sua vítima. Como levantamos aqui a hipótese de prazer ou de indiferença em relação à dor ou sofrimento da vítima, parece-nos importante voltar às origens deste conceito para encontrar pontos de ligação com os relatos apresentados.

A pulsão só pode atingir sua meta através do objeto. Freud introduz o termo “objeto sexual” nos Três Ensaios... definindo-o como “a pessoa da qual parte a atração sexual” (FREUD, 1905, p. 123). Em Psicanálise, a pessoa passará a ser traduzida pela expressão de “objeto total”, podendo ocupar o lugar de objeto de amor, de prazer, de desejo, de ódio. Freud fará uma distinção entre objeto pulsional e objeto de amor. Diferentemente do objeto de amor, que é obrigatoriamente uma pessoa total, o objeto pulsional pode ser uma parte do corpo, denominado objeto parcial. Este objeto parcial, pré-genital, pode ser real ou fantasmático, de acordo com a característica da pulsão, da fase de desenvolvimento psicossexual e dos mecanismos psíquicos em jogo. A pulsão parcial está presente na organização sexual da criança conforme o modo de satisfação, por estar ligada geralmente a uma zona erógena.

Ainda nesse texto, Freud assinala que: “Provavelmente a pulsão sexual é ao começo, independente de seu objeto, nem tampouco deve sua gênese aos encantos destes” (1905, p. 134). A questão da escolha do objeto interessa-nos por estar intimamente ligada ao nosso estudo: ela permite-nos discriminar que tipo de relação objetal encontraremos no sádico, no perverso e no cruel. De acordo com Freud, dentre os elementos da pulsão o objeto é o menos constitutivamente determinado.

Com efeito, Laplanche e Pontalis, no seu Dicionário de Psicanálise acrescentam que o objeto, definido como meio contingente da satisfação, “É o elemento mais variável da pulsão, não está ligado a ela originariamente e vem a articular a esta em função da sua aptidão a permitir a satisfação” (2004, p. 291). De acordo com os autores, o objeto parcial (objeto da pulsão e essencialmente pré-genital) e objeto total (objeto de amor e essencialmente genital) passam, assim, a fazer parte de uma ideia de evolução de um para o outro, numa integração progressiva das pulsões parciais. Parece-nos importante acrescentar que, ao longo de suas

duas teorias pulsionais, Freud ampliou o estatuto do objeto, posto como contingente em alguns casos e rigorosamente determinado em outros.

Dentro da complexa questão do estatuto do objeto, Freud vai mostrar como ele pode ser variável, como as metas e também as fontes somáticas podem ser múltiplas. Se, por um lado, o objeto é contingente para as pulsões sexuais, ele é rigorosamente específico e biologicamente determinado para as pulsões de auto-conservação, como o seio, por exemplo. A contingência do objeto traz duas ideias complementares uma à outra: o objeto é o meio para alcançar a satisfação e é relativamente intercambiável ou aleatório. O objeto pode gozar de um estatuto específico, de forma que um, e apenas um, objeto preciso (ou um substituto no qual estão as características essenciais do objeto original) poderia proporcionar satisfação. Em outras palavras, o objeto pulsional, muitas vezes marcado por traços singulares, é determinado principalmente pela história infantil. Temos assim que o objeto pulsional, portanto aleatório, pode tornar-se específico. Esta construção demonstra que não somente objeto e meta podem confundir-se, mas que também passam a existir diferentes tipos de relações objetais decorrentes das numerosas relações e desvios entre o objeto e a meta.

A “relação de objeto”, de acordo com Laplanche e Pontalis (2004), pertence à Psicanálise contemporânea e designa o modo de relação do sujeito com o mundo. Esta relação resulta da organização da personalidade, de uma apreensão mais ou menos fantasmática dos objetos e de certos tipos privilegiados de defesa. Relação aqui tomada no seu sentido forte, que fala de uma inter-relação, quer dizer, não somente da forma como o sujeito constitui seus objetos, mas igualmente pela maneira como estes objetos modelam sua atividade.

Podemos retomar os relatos à luz do exposto acima: pensemos no SS responsável pelo crematório, que toma todo seu tempo arquitetando as mises-en-scène macabras com a mulher e com o adolescente. Fica evidente sua necessidade não somente de exibir seu poder, mas do prazer que tem em prolongar o sofrimento, a agonia destas vítimas. Estes dois objetos não são aleatórios, não é qualquer mulher, nem é qualquer jovem: são judeus. Trata-se de representantes de um grupo, de uma raça. “Judeu”, para este SS, vem atrelado a uma carga prévia de ideias hostis devido a essa diferença de raça; raça inimiga, raça a ser temida, raça a ser aniquilada. Podemos analisar da mesma maneira o acontecido com o índio Galdino ou com a jovem Sirlei.

Esse grupo de jovens agressores e assassinos tomaram essas pessoas por um mendigo e por uma prostituta, respectivamente; palavras estas que igualmente vêm grávidas de um

conteúdo anterior13. “Mendigo” e “prostituta” parecem autorizar tamanha bestialidade: encharcar um corpo e atear fogo a uma pessoa que nem sequer está desperta; golpear e machucar uma mulher num ponto de ônibus. São objetos que vêm embebidos de uma história pessoal prévia e que passam a ser mais determinados do que qualquer outro. O SS provavelmente não teria atuado desta maneira caso se tratasse de uma mulher ou de um jovem alemães, assim como os jovens brasileiros não teriam agredido alguém cuja aparência seguisse seus critérios, assim como os americanos não teriam aniquilado uma comunidade de crianças e idosos do mesmo credo e nacionalidade.... E, da mesma forma, os filhos da mulher tutsi não teriam sido assassinados se fossem hutus.

A alteridade vem vestida, investida de uma carga anterior que representa algo que não está de acordo com o conhecido, o costumeiro, o familiar; um outro “diferente” previamente desqualificado e que, assim, pode ser rebaixado, atacado, queimado, torturado e descartado. É o que já mencionamos ao falarmos sobre o narcisismo das pequenas diferenças, que promover maior coesão entre os membros da comunidade e propicia maior escape às pulsões agressivas. Exploraremos essa questão de forma mais profunda ao tratarmos do fenômeno coletivo.

Deixaremos agora as especificações do objeto para explorar o caminho das distintas pulsões. A metapsicologia freudiana que se inclina sobre a questão pulsional foi dividida em três grandes momentos.