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6. Literatür Değerlendirmesi ve Araştırmanın Kaynakları

1.3. Vicdana Dair Teorik Çerçeve

1.3.3. Ahlâki Pratiklerde Vicdan Teorileri

Para Rizzuto, o desenvolvimento humano se dá num longo caminho que percorre a vida do indivíduo do nascimento até a morte. Este caminho, porém, é feito por etapas que caracterizam os diversos momentos do desenvolvimento. É dentro desse processo que a criança desenvolve não só suas potencialidades, mas vai aprendendo a elaborar dentro de si as experiências que faz e assimilando-as na interação com o ambiente que a cerca. Há uma influência mútua entre o sujeito (criança) e o ambiente circundante, inclusive no aspecto religioso. Um modifica o outro. Como diz Rizzuto:

A nova pessoa assume forma anatômica, cresce, experimenta sentimentos, aprende, age, ama, cria, faz descobertas, se reproduz, se volta para Deus e, consciente da morte biológica, se interroga sobre o significado de tudo isso. O desenvolvimento humano transforma a sua energia biológica em funções simbólicas que habilitam a pessoa a entrever outras realidades além das limitações perceptivas do corpo. Para alcançar esta realidade, os seres humanos desenvolvem uma função que abre as portas a tudo aquilo que é significativo em nível psíquico, inter pessoal e religioso: é a função do crer. Não há vida psíquica sem esta função. A função do crer produz como conseqüência um conteúdo específico de fé, o qual depende sempre do contexto de experiências do Eu em um momento particular existencial”123 (...) o processo de desenvolvimento humano é conseqüência da contínua compenetração do organismo e do seu ambiente físico e humano.124

Para Rizzuto, as funções psíquicas emergentes têm um período crítico para organizar seus fundamentos anatômicos cerebrais e suas atividades sob o impulso de uma apropriada estimulação sensorial. Assim com o emergir de novas funções cerebrais devem também ocorrer o estímulo correspondente do ambiente, caso contrário a psique

123 RIZZUTO, A.M. Sviluppo: dal concepimento allá morte. Reflessioni di uma psicoanalista

contemporânea. In A. MANENTI; S. GUARINELLI; H. ZOLLNER (orgs.) Formazione e Persona. Bologna: EDB, 2007, pp. 1-2.

não poderá se desenvolver normalmente. Citando Wexler125 em sua tese central “o ambiente dá forma ao cérebro segundo a própria imagem”; por exemplo, os brasileiros, sentirão, pensarão se comportarão como brasileiros, os católicos como católicos, os muçulmanos como muçulmanos. É assim, segundo Rizzuto, porque nos “seres humanos, uma parte significativa da conformação evolutiva do cérebro e das suas funções ocorrem depois do nascimento sob a influência do ambiente”. Isto parece fazer coro com aquilo que já foi dito anteriormente, sobretudo em referência à influência das figuras parentais, mormente na comunicação afetiva. Para Wexler “a natureza de uma pessoa é o cuidado de uma outra pessoa”, pois segundo ele, a nossa biologia é social, “é de nossa natureza ter cuidado e ser cuidado”.126

Seguindo ainda Rizzuto, concordamos que “a estimulação sensorial, cognitiva e afetiva constituem o meio onde o indivíduo cresce tanto física como emocional e socialmente. São nossos sentidos os primeiros canais de contato com a realidade. É através deles que o mundo (ambiente) entra em nós. Os estímulos que deles recebemos pelas nossas percepções127 serão integrados dentro das estruturas de nosso cérebro e nos processos neurais e psíquicos. A complexidade dos 100 bilhões de neurônios com as milhares de conexões128 que fazem entre si através de reações químicas e elétricas, como diz Wexler, estão “fora de qualquer compreensão”. Tal complexidade registra todas as atividades, as organiza e as transforma em processos mnemônicos em forma de

125 WEXLER, B. Brain and culture: neurobiology, ideology and social change. Cambridge: The MIT

Press, MA., 2006, p. 15s.

126 RIZZUTO, A.M. Capacità di credere. Considerazioni psicologiche sulla funzione del credere nello

sviluppo personale e religioso, p. 2 (palestra proferida em 30/03/2007 na Pontifícia Universidade Gregoriana) Roma. Disponívem em: www.unigre.it/strutura-didatica/psicologia/specifico-2/ex-alunni- it.php (acesso restrito a ex-alunos).

127 Aqui seria interessante fazer uma discussão sobre a questão da percepção definindo-a segundo sua

natureza e suas características, bem como os fatores pessoais e sociais que a influenciam, contudo faço apenas a indicação de um estudo sobre percepção que se encontra em: A. CENCINI, A. MANENTI,

Psicologia e formação. São Paulo: Edições Paulinas, 1988, pp. 191-225.

128 Para uma ilustração sobre o funcionamento dos neurônios pode-se ver no DVD produzido pela BBC

Worldwise de Londres na série O corpo humano, o filme 5 O poder do cérebro, divulgado no Brasil pela Revista Super Interessante, da Editora Abril, no vol. 3, 2001.

“representações duradouras do ambiente”129. Estas representações não conscientes integram na estrutura do próprio cérebro a permeação entre ambiente e indivíduo e se tornam esquemas pessoais de experiência, compreensão, relação e sentimentos de satisfação ou aflição. “Aqueles que cuidam de nós e o nosso ambiente tornam-se intrínsecos ao nosso próprio ser”130. Ainda de acordo com Rizzuto, pode-se dizer que “aquilo que o cérebro registra e organiza transforma-se na mente, em representações interligadas. “O processo representacional está intimamente ligado ao cérebro afetivo, criando uma espécie de versão pessoal do ambiente que encontra, de modo especial nas interações afetivas entre o bebê e a pessoa que toma conta dele”.131 Se a experiência afetiva da criança é marcada em todos os níveis prevalentemente por aspectos positivos, isto é, agradáveis, instaura-se nela um senso de bem-estar. Caso contrário, se as experiências são desagradáveis, isto é, causam dor psíquica, a criança desenvolverá então mecanismos psíquicos de defesa permanentes para evitar o risco de experimentar tais sofrimentos psíquicos novamente. Contudo os processos de representações do eu registram essas experiências que permanecem em nível inconsciente ao longo da vida do sujeito, a menos que intervenções terapêuticas ajudem resignificá-las. Aqui parece corresponder àquilo que já foi dito comentando-se Magda Arnold, quando falávamos da “memória afetiva” que são os registros inconscientes das experiências passadas. A isto podemos chamar também de “formação de estalactites”.

Como diz Rizzuto:

A mente representacional funciona infalivelmente, como uma biografia consciente e não consciente dos encontros do indivíduo com os outros em quanto evento emocionais. A experiência do eu do indivíduo está registrada na rede sináptica e nas memórias celulares que fornecem as bases funcionais

129 WEXLER, op. cit., p. 24.

130 RIZZUTO, Capacità de credere … op. cit., p. 3. 131 Ibid., p. 3.

neurais do seu senso de identidade pessoal.” (...) a mente representacional registra também as suas interações sensoriais e simbólicas com outros aspectos da realidade.132

Concluindo as observações sobre o desenvolvimento humano nos aspectos acima referidos, podemos resumir com Rizzuto, “as interações originárias com os genitores são assumidas nas representações fundamentais do eu e do objeto que condicionarão as suas sucessivas relações, incluindo a relação com Deus”133.