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2. GAZNELİLER DÖNEMİNE KADAR GAZNE

2.3. İslâmî Dönemde Gazne

2.3.1. Sistân Bölgesine Yapılan Fetih Hareketleri ve Gazne’nin Durumu

2.3.1.3. Abbâsîler Döneminde Gazne

Embora tenha havido avanços consideráveis nos campos técnico e tecnológico, assim como nas tecnologias de gestão, nos séculos XX e no início deste novo milênio, a universidade e a educação, no sentido amplo, ainda carregam traços culturais do modelo europeu, implantado no século XII, como mencionado de forma preliminar na Introdução.

De acordo com Rait (2007), o século XII produziu na Europa uma renovação de interesses e um renascimento da aprendizagem, provocados parcialmente pela influência de grandes pensadores e pela descoberta de obras perdidas de Aristóteles. Este impulso resultou em um aumento no número de alunos que eram atraídos para as escolas onde notáveis mestres sucediam a grandes nomes do passado. Nas escolas de Paris havia grandes mestres da Filosofia e da Teologia, muito procurados por alunos de todas as partes da Europa.

Pimenta e Anastasiou (2011), ao analisar a historicidade da universidade no Brasil, destacam a influência e a identificação com pelo menos três modelos europeus: o jesuítico, o francês e o alemão. Estes tiveram predominância em épocas distintas na história da universidade, e seus traços culturais ainda estão presentes na época contemporânea.

Para construir o seu método ou modelo, os jesuítas basearam-se no método escolástico, vigente desde o século XII, e no modus parisiensis, denominação do método vigente na

Universidade de Paris, porque foi nesta universidade que Inácio de Loyola e os demais jesuítas que fundaram a Companhia de Jesus fizeram seus estudos (Pimenta & Anastasiou, 2011).

As principais características desses dois modelos convergiam para dois momentos fundamentais: a lectio, na qual havia uma leitura do texto a ser trabalhado e a sua interpretação pelo professor, que analisava as palavras, destacando as ideias e a sua comparação com outros autores; e a questio, que se baseava nas questões, tanto as feitas pelo professor aos alunos, quanto destes para o mestre (Pimenta & Anastasiou, 2011).

Destaque-se que naquela época (século XII) ainda não existia a imprensa, portanto eram muito limitadas as cópias dos livros publicados, bem como custoso e lento o processo de reprodução. Os traços culturais e procedimentos operacionais do ensino daquela época são descritos a seguir.

Correia (1950) comenta que na lectio os mestres liam, fazendo a exposição do conteúdo dos textos, que eram acompanhados pelos estudantes em cópias depositadas pelo autor nas livrarias, cujo preço era atribuído pela universidade. A exposição consistia em definir e esclarecer os termos, seguida de um sumário dos pontos essenciais. As quaestiones eram formuladas e suas soluções estavam implícitas e sugeridas nas cópias dos textos. As leituras eram ordinárias quando feitas pelos doutores pela manhã; e extraordinárias quando feitas pelos mestres ou bacharéis pela tarde.

Comenta o autor que, ao contrário do que ocorria nas lições ordinárias, os estudantes podiam, nas lições extraordinárias, propor dúvidas e objeções visando a uma melhor compreensão da matéria. As disputationes (debates) podiam ser ordinárias e externas (abertas ao público). A disputatio ordinária era semanal e durava da manhã ao meio-dia ou até à tarde, se ocorresse aumento do número dos participantes. Um dos mestres formulava a tese a ser discutida, e os oponentes objetavam. Dois ou três bacharéis eram designados para esclarecer as objeções, tudo em forma silogística e em latim.

As disputationes externas, denominadas quolibet, realizavam-se na Páscoa e no Natal. Na Faculdade das Artes essas discussões ocorriam externamente ao campus e atraíam numerosa

assistência. O mestre incumbido de debater a questão tinha como oponentes os designados numa lista. Tais discussões podiam durar vários dias e até mesmo uma semana. Essas árduas provas, junto com os exames a serem prestados, conduziam o estudante à conquista dos graus.

Os exames eram orais, realizados perante o Chanceler e seu júri, devendo o estudante responder com êxito a três ou quatro perguntas, sob pena de ser reprovado, devendo, neste caso, tornar a comparecer depois de um ano. Quando aprovados, obtinham o grau de bacharéis (baccalareius) (Correia, 1950).

Segundo Perkins (1972), tudo apareceu de forma primitiva nas primeiras universidades: a autoridade do governo, a importância dos professores e a administração. A organização dos estudos passou por desenvolvimento semelhante. A evolução dos conhecimentos exigidos resultou na divisão dos assuntos entre o trivium - gramática, lógica e retórica - e, na sequência, o quadrivium - aritmética, música, geometria e astronomia.

Desta origem simples, também surgiram os assuntos ligados à especialização, que se tornaram ‘a ordem do dia’, resultando na proliferação de palestras e cursos. O autor afirma que, por seu turno, esses estudos mais avançados necessitaram de organizações competentes para limitar e definir seu alcance. Assim, as faculdades e departamentos surgiram como subdivisões administrativas necessárias para cuidar das novas subdivisões acadêmicas. Outro aspecto contemporâneo é mencionado por Perkins (1972, p. 682):

Na universidade medieval, a aprendizagem não foi, no entanto, confinada à sala de aula. Estreitar conexões entre professor e aluno foi pensado e planejado por ser essencial para o desafio da aprendizagem; o desejo de reforçar esta conexão levou à instalação de residências onde o viver e o aprender eram passados de mão em mão. Embora de menor importância no continente, a faculdade residencial tornou-se o pivô do ensino universitário em Oxford e Cambridge, e ainda é uma parte fundamental do sistema universitário britânico. Essas precursoras das nossas faculdades residenciais atuais, assim como outros recursos da instituição medieval, tiveram como razão de ser a promoção do empreendimento de ensino-aprendizagem.

Assim, ainda podem ser observadas semelhanças entre o ensino atual e aquele vigente no século XII. As principais distinções concentram-se nas inovações de certos métodos e tecnologias ocorridas desde então, tanto nos campos da imprensa, gráfica, informática e telecomunicações, quanto na área de gestão e recursos educacionais, mas a essência

(exposição, anotações, debates, memorização e avaliação) continuou semelhante. Até mesmo formas alternativas de estudo, envolvendo locais e níveis de conhecimento, e a necessidade de uma organização mais robusta surgiram como forma de melhor administrar as subdivisões dos níveis de estudos, para acompanhar e registrar contabilmente a evolução das universidades.

2.2 Evolução do Ensino Superior (ES) no Brasil, com destaque para o período 1960-