BULGULAR 4.1 Güncel Çocuk Dergilerinde Yer Alan Değerler
4.1.5 Siyasi Değerler
4.1.7.1 Açık görüşlülük
Segundo a Dissertação de 70 (§ 24), o remédio consiste em basicamente evitar com devida atenção que os “princípios próprios [principia domestica] do conhecimento sensitivo
ultrapassem os seus limites e afetem os princípios intelectuais”. Como já dissemos, tal ação
induz o entendimento a considerar um conceito sensível como um conceito intelectual. A esta extensão do sensível Kant chama de Axioma (ou vício) Sub-reptício.
No axioma sub-reptício, em que há uma influência da sensibilidade sobre o entendimento, o contágio do entendimento o induz a fazer um mau emprego de seus conceitos e a produzir princípios, que, apesar de falsos, se apresentam com roupagem de objetividade, como axiomas. Para resolver tal conflito, Kant faz, na Dissertação de 70, uma clara separação entre o que pertence à sensibilidade e o que pertence ao entendimento. Assim, com a delimitação do que pertence a cada faculdade, o erro pode ser corrigido e a contaminação de uma faculdade pela outra pode ser cessada.
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Grier, M. Kant’s Doctrine of Transcendental Illusion. Cambridge, Cambridge University Press, pp 60, 2001.
Portanto, a solução kantiana para o problema da expansão ilícita da sensibilidade às coisas em geral, em que a influência despercebida da sensibilidade induz o entendimento ao erro, é a separação das faculdades de conhecimento, assim como a delimitação e exposição de seus elementos. Essa é a chave para compreender a tentativa de Kant para pôr término ao contágio das faculdades e às ilusões daí decorrentes.
Nesse sentido, a proposta de Kant para resolver os problemas advindos da crítica aos metafísicos dogmáticos tem por fundamento um princípio que norteia a construção de todo conhecimento: sem distinguir rigorosamente duas fontes originárias de conhecimento e que uma não se sobrepõe à outra, os metafísicos não puderam perceber que uma mesma coisa pode ser por nós representável segundo as condições sensíveis e intelectuais e ao mesmo tempo pode ser pensável segundo as condições puramente intelectuais. Essa distinção entre duas faculdades de representação leva Kant na Dissertação de 70, a dois gêneros de objetos da representação:
O objeto da sensibilidade é sensível; o que, porém, nada contém senão o que é cognoscível pela inteligência é inteligível. [...], o conhecimento, na medida em que é sujeito às leis da sensibilidade, é sensitivo, na medida em que é sujeito às leis da inteligência, é intelectual ou racional (§ 3).
Por isso, a distinção que Kant faz das faculdades de conhecimento não é apenas de grau, mas uma distinção radical que define a estrutura, os limites e a contribuição de cada uma no processo de conhecimento dos objetos. Ele, ao definir as duas fontes originárias de conhecimento, caracteriza a sensibilidade como a “receptividade de um sujeito” pelo qual ele é de certo modo “afetado” pela presença de algo em nós. Se a sensibilidade é a faculdade de recepção dos dados sensíveis, em contrapartida temos o intelecto como espontaneidade do sujeito e que atua sobre os dados sensíveis. A diferença entre sensibilidade e entendimento não é também apenas lógica; eis por que não se pode afirmar, como diziam os metafísicos dogmáticos, que o conhecimento do primeiro é confuso e que o conhecimento do segundo é “claro e distinto”, já que, para Kant, o primeiro não julga, apenas apresenta dados para a cognição das coisas e o segundo escapa à confusão e ao erro, tornando-se claro e distinto, tão e somente se aplicar suas regras aos elementos dos dados sensíveis.
Por não terem feito a distinção de gênero entre essas duas fontes originárias e distintas de conhecimento, os metafísicos acabaram por não considerar que temos apenas uma única intuição, a sensível, e, então, enveredavam por elucubrações que ora negavam a sensibilidade como fonte de conhecimento, afirmando que esta apenas apresentava dados confusos e
obscuros, ora restringiam todo o possível às formas sensíveis, confundindo representação com possibilidade. Aqui Kant esclarece um elemento essencial para denunciar o erro e o abuso dos metafísicos: só há para nós intuição sensível:
Não há (para o homem) intuição do que é intelectual [intellectualium], mas tão-só conhecimento simbólico, e a intelecção apenas nos é lícita por conceitos universais in abstracto, não por um singular in concreto, pois toda a nossa intuição está adstrita a certo princípio de uma forma unicamente sob a qual algo pode ser visto [cerni] pela mente de modo imediato (§ 10).
Vítimas da não-reflexão e distinção entre o papel de cada uma de nossas faculdades de conhecimento, ora os metafísicos concebiam uma intuição intelectual sem se dar conta de que ela possuía notas características das condições do conhecimento sensível, o que Kant denunciou sob a roupagem dos axiomas sub-reptícios, ora concebiam a intuição sensível como um fundamento do conhecimento discursivo, o que também Kant denunciou nos vícios metafísicos de sub-repção.
Para Kant, eles erravam ao não conceber que no apenas possuíamos acesso a aspectos das coisas, que são os fenômenos, mas também produzíamos idéias acerca dessas mesmas coisas, o que, por si, indica duas esferas de acesso a elas. Tomar os dois momentos como uma e mesma ação de apenas uma de nossas fontes de conhecimento é cair no erro metafísico.
Ao distinguir entre essas duas esferas do conhecimento e o que pertence a cada uma, Kant crê ser possível dissipar a influência da sensibilidade sobre o entendimento, e abrir caminho para que “a ciência brilhe mais pura” e a metafísica possa trilhar por caminhos seguros. Para Lebrun, na Dissertação de 70, a lição que Kant deixa pode ser expressa em forma de advertência: “tomai cuidado, antes de decidir sobre as coisas em geral, em vos assegurar que vossa asserção não esteja contaminada pela ‘sensitiva cognitio’ e para não generalizardes, por irreflexão, as condições próprias da intuição sensível”. 19
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Lebrun G. “O aprofundamento da Dissertação Inaugural na Crítica da Razão Pura”. In: Sobre Kant. (Org), Rubens R. T. Filho. 2. ed, São Paulo: Iluminuras, , pp. 46, 2001, Biblioteca Pólen.