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Çelişik Önerme ve Şartları

GAZALİ’DE KAVRAM VE TANIM TEORİSİ

B- TANIM TEORİSİ

II- BÖLÜM ÖNERMELER

6. Çelişik Önerme ve Şartları

Dentre os marcos legais para a educação infantil brasileira podemos considerar como o pontapé inicial a Constituição de 1988 e seu caráter decisivo para a entrada da EI no rol dos direitos sociais e também da educação. Até então ela estava associada aos campos da assistência, fato que a tornava de caráter assistencialista e compensatório e destinada sempre a um público específico, que eram as famílias mais desfavorecidas. Para Kuhlmann Junior (1998, p. 186)

A vinculação administrativa aos órgãos de assistência é um dos elementos sustentadores da concepção educacional assistencialista, pois desde o início já define o atendimento como sendo exclusivo aos pobres que, por serem pobres, não teriam condições de educar adequadamente seus filhos.

A partir do momento em que a educação é concebida na nossa Constituição de 1988 como um direito de todos e dever do Estado, a educação infantil figura no artigo 208 “Da educação, da cultura e do desporto” e torna-se visível o salto de sua condição até então esquecida e apartada do contexto educacional para outro plano que a inclui no campo da educação brasileira, equiparada às outras etapas como sendo um direito comum e dever do Estado.

Na introdução do documento que trata da Política Nacional de Educação Infantil (2006) o reconhecimento da Constituição de 1988 como um marco legal também se faz presente:

Na Constituição Federal de 1988, a educação de crianças de 0 a 6 anos, concebida, muitas vezes como amparo e assistência, passou a figurar como direito do cidadão e dever do Estado, numa perspectiva educacional, em resposta aos movimentos sociais em defesa dos direitos das crianças (BRASIL, 2006, p. 9).

Todas essas especificações mais detalhadas são de fato significantes para a Educação infantil, pois, segundo Rosemberg (2003, p. 51), “Assim, pela primeira vez, o Estado brasileiro reconheceu que o direito a educação se inicia antes do ensino fundamental, nomeia e situa a creche, instituição que vinha sendo colocada a margem de qualquer regulamentação”. Vejamos então os dois momentos em que a educação infantil é citada na Constituição de 1988. No artigo 7, intitulado ‘Dos direitos Sociais” em que a educação aparece em primeiro lugar enquanto direito social, juntamente com outros direitos como a proteção a infância, a saúde, trabalho , lazer, etc., a educação infantil propriamente dita, é prevista no inciso XXV que diz da “assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas”(BRASIL, 1988, art. 7) enquanto direito dos trabalhadores urbanos e rurais, estando atrelada a outras condições que visem à melhoria da condição social desses trabalhadores.

Vemos que neste primeiro momento a EI esteve associada ao direito do trabalhador de ter assistência aos seus filhos devido à sua condição de trabalhador, contudo, ainda que a priori o direito da criança apareça como estando condicionado a outras pessoas que não ela mesma, ainda assim tal passo dado pela Constituição é um avanço do ponto de vista do reconhecimento da necessidade de atendimento que essa criança demandaria em um outro ambiente que não fosse sua residência. Além disso, Campos et al. (1995) destaca este aspecto da aparição do direito a educação infantil na Carta Magna como importante pois

Pela primeira vez na história, uma Constituição do Brasil faz referências a direitos específicos das crianças, que não sejam aqueles circunscritos ao âmbito do Direito da Família. Também pela primeira vez, um texto constitucional define claramente como direito da criança de 0 a 6 anos de idade e dever do Estado, “o atendimento em creche e pré-escola (...)” (CAMPOS et al., 1995, p. 17-18).

Outro artigo da constituição que contorna tal situação no que diz respeito à infância e seus direitos específicos é o artigo 208 (já citado anteriormente), que prevê que a educação estatal deve ser efetivada, no que diz respeito à educação infantil, mediante a garantia do

previsto no inciso IV sobre o “atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade” (BRASIL, 1988, art.208).

É importante observar que é apenas a partir deste artigo que realmente a educação infantil passa a integrar o campo educacional brasileiro, pois sua condição aqui extrapola o direito social das crianças na condição de filhos ou dependentes para adentrar em uma área de competência e de compromisso do Estado, enquanto o dever na garantia de atendimento destas crianças em estabelecimentos de EI.

A partir daqui pode-se vislumbrar para a EI um horizonte mais completo que trata não só da guarda dessas crianças de 0 a 6 anos, mas também da educação das mesmas, para Campos et al. (1995) tal fato representa um avanço bastante significativo no que diz respeito a criação de uma realidade mais favorável ao desenvolvimento integral da criança brasileira, pois

Enquanto as constituições anteriores limitavam-se a expressões como ‘assistir’ ou amparar a maternidade e a infância’, a nova Carta nomeia formas concretas de garantir, não só esse amparo, mas, principalmente, a educação dessa criança (CAMPOS et al. 1995, p. 18).

Ao considerar neste trabalho a Constituição de 1988 como um dos primeiros marcos legais para a EI brasileira, podemos destacar não apenas o reconhecimento do direito ao atendimento em creches e pré-escolas de crianças de 0 a 6 anos como um fruto do movimento constituinte e de outras forças provindas de movimentos sociais diversos, mas, também a importante indicação, pela primeira vez na história brasileira, de que tal nível de atendimento deveria estar subordinado ao sistema educacional. Ainda que em outros momentos o caráter educacional desse atendimento já houvesse sido indicado no decorrer da história da educação infantil brasileira (décadas de 70 e 80), com a cisão entre as tendências assistencialista e a tendência educacional para a educação infantil (Rosemberg, 2002), foi apenas com a Carta Magna de 1988 que tal pressuposto se oficializou mediante a regulamentação legal que foi posta, de modo que podemos concordar com a afirmação de que

A subordinação do atendimento em creches e pré-escolas a área de Educação representa, pelo menos no nível do texto constitucional, um grande passo na direção da superação do caráter assistencialista predominante nos programas voltados para essa faixa etária. Ou seja, essa subordinação confere às creches, a pré-escolas, um inequívoco caráter educacional (CAMPOS et al., 1995, p. 18).

Outro marco na legislação brasileira no que diz respeito à infância e a educação infantil é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990. O contexto no qual se insere a sua elaboração é um período logo após a promulgação da Constituição cidadã de 1988, o que rendeu um espaço muito favorável pela luta de direitos da infância e adolescência. Segundo documento do Ministério da Educação,

A década de 1990 iniciou-se sob a égide do dever do Estado perante o direito da criança a educação, explicitando as conquistas da Constituição de 1988. Assim, em 1990, no Estatuto da Criança e do Adolescente foram reafirmados esses direitos, ao mesmo tempo em que foram estabelecidos mecanismos de participação e controle social na formulação e implementação de políticas para a infância (BRASIL 2006, p. 9).

O ECA versa sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, equipara a criança e o adolescente a outros cidadãos no que diz respeito aos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, além de lhes assegurar oportunidades e facilidades que venham lhes proporcionar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990, art. 3).

No artigo 4, a família, a comunidade, a sociedade em geral assim como o Poder Público são chamados a assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes a vários aspectos da vida das crianças e adolescentes, inclusive do direito a educação. Mas apenas no artigo 54 no inciso IV é que o dever do Estado em assegurar à criança o direito a EI figura ratificando o já previsto na Constituição e que consiste no “atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade” (BRASIL, 1990, art.54).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação finaliza uma importante fase para a consolidação inicial da Educação Infantil no cenário da legislação brasileira. Foi nesse momento em que efetivamente foi mencionada como a primeira etapa da educação básica (art.21 º) e tendo “(...) como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade” (BRASIL, 1996, Art. 29º).

Foi a partir da LDB que se deu um processo de descentralização e municipalização da EI, ficando sob responsabilidade dos municípios que passaram a ter por responsabilidade “oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino Fundamental” (BRASIL, 1996, Art. 11º- V).

Além disso, foram delineadas outras ações acerca da formação de docentes para a educação infantil e da responsabilidade dos institutos superiores de educação na formação dos mesmos. Como evidenciam os artigos seguintes:

Art. 62º. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

Art. 63º. Os institutos superiores de educação manterão:

I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docente para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental (BRASIL, 1996).

A partir de então, a educação infantil, que tinha como agentes de educação pessoas com pouquíssima ou sem qualificação pedagógica, passou a ter para si outros caminhos, ao menos no campo da legislação, no que diz respeito às pessoas que deveriam atuar nessa etapa da educação básica. Tal preocupação de âmbito federal demonstrou-se um avanço e um alvo a ser perseguido para a melhoria do atendimento prestado nas instituições de educação infantil o qual passasse a primar não apenas pela democratização do atendimento, mas também pela sua qualidade.

Outro importante aspecto é que a União se incumbiu da responsabilidade em:

(...) estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; (BRASIL, 1996, Art. 9º, IV)

Entretanto, apesar de todo esse aspecto operacional que descrevia finalidades, competências dos entes federados e das instituições de nível superior e suas responsabilidades para com a EI, as dotações orçamentárias para ela não foram suficientemente delimitadas, por isso se faz necessário destacar que o avanço ocasionado pela LDB deu-se na verdade em detrimento do provimento de recursos específicos para educação infantil. Para Rosemberg (2003, p. 52) “Porém, como acontecera na Constituição de 1988, o reconhecimento de novo status a EI não é acompanhado de fonte específica de recursos, mantendo a prioridade dos investimentos no ensino fundamental”.

Podemos concluir que apesar de algumas limitações e das lacunas deixadas por esses marcos legais, o avanço foi inegável e trouxe precedentes para uma valorização da EI pela

esfera governamental e um crescente compromisso pela regulamentação dessa etapa da educação básica. Ademais, tais formulações acabaram por promover uma mudança do sentido conferido a educação infantil e o caminhar em direção a superação do caráter preconceituoso que permeava tal etapa da educação. Afirma Kuhlmann Junior:

Desse modo, o reconhecimento das creches e pré-escolas como parte do sistema educacional, na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação pode ser caracterizado como a necessária superação de um obstáculo. Se a creche passa a fazer parte do sistema educacional do país, ela deixa de ser apresentada como alternativa para pobres incapazes, para ser posta como complementar a ação da família, tornando-se uma instituição legítima e não um simples paliativo. (KUHLMANN JUNIOR, 1998, p. 186)

II. 2.5 - Educação infantil pós LDB: mudanças no cenário para uma política